tu

via-lelove

e então eu chorei ao lembrar de ti. tocava aquela música que sempre me pedias pra cantar aos teus ouvidos enquanto nos beijávamos no carro, noite chuvosa, a placa de “seja breve” sumariamente desobedecida pelos nossos longos beijos de despedida. eu naquele cenário tão comum aos dois, onde tudo começou, onde tudo cresceu, onde tudo acabou, eu sem poder fugir, meu dia a dia preso à tua imagem, ali, olhando pro céu, procurando o ângulo certo, a primeira vez que te vi. e eu pensei em como a nossa relação me marcou, em como sofro toda vez que tento te esquecer. não existe tentar esquecer, eu entendi finalmente. vais viver pra sempre comigo, num porão gigante e cheio de memórias.

não vais ficar porque quero, que se pudesse eu mesma já tinha te mandado embora. ficas porque teus olhos nos meus olhos faziam tudo parecer resolvido, santo remédio tuas mãos passeando pelo meu corpo, meus dedos passeando pelos teus cabelos cor de fogo enquanto teu rosto se comprimia numa expressão de prazer e teu corpo se agitava para logo em seguida me lavar de amor e me abraçar em silêncio. porque fostes o primeiro a me fazer feliz assim – e eu quis que fosses o único – fostes também incomparável, e levastes contigo por muito tempo parte da minha sanidade, da minha capacidade de enxergar o que há de especial em alguém que não em ti mesmo.

e porque eu cansei de procurar em outras bocas o sabor do teu beijo e em outros corpos o teu cheiro único, eu perdi a direção. percebi que meu tempo passava, minha vida se esvaía e eu fazia a outros o mesmo mal que me fizeste. por tudo isso eu parei de ler nossa história nos meus arquivos internos. fechei nosso livro, assim, mal acabado, e tranquei-o numa gaveta num canto obscuro, não porque não te amei ou porque te esqueci – apenas pra que eu possa seguir em frente, novas companhias, novos amores, novas lembranças. porque hoje não somos nós (não somos nós faz tempo!). hoje somos tu e eu, cada um por si. vais ficar, mas como se tivesses ido embora.

agora é tempo de abrir a janela, tirar a poeira, largar mão de preservar tudo como deixastes aqui. agora é hora de olhar para o sol e esperar que cada novo dia seja propício a um novo amor, até que me apareça a pessoa certa. não me procure, por amor a mim! eu quero que sejas feliz, deixa-me ser também.

imagem via le love
não me odeiem, escrevi na aula e não tive tempo de revisar. 🙁

2 thoughts on “tu

  • Reply Leo Braganca 7 de maio de 2009 at 12:32 am

    gostei, mas morri de ciúme… =P

  • Reply Andressa R. 7 de maio de 2009 at 10:20 pm

    minhanossa. eu escrevi um post muito parecido com o seu (mais ou menos o mesmo tema, haha) ontem. meeedooo. haha
    fica bem, flor 🙂
    beijos

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