Telefone

Eu nunca gostei de telefone. Sempre aquela chatice, aquele blablabla de “Gostaria de estar falando com o dono da casa”, ou “Sou de ong X e queria que você contribuísse com …”. Hoje foi o dia da Revista Veja. 40% de desconto para estudantes. Ligou pelo menos três vezes (não estou exagerando) me oferecendo assinatura. Não quero. Ainda mais depois do cara da primeira ligação ter despejado meu nome completo, endereço, RG e CPF, do nada, no meu ouvido. Tive foi medo.
Telefone móvel eu tenho desde os doze anos e só me servia pra exibir por aí. Eu digo servia porque, nos últimos tempos, eu tenho utilizado-o até que consideravelmente. E nem é só pra atender ligações bizarras, como a de hoje – em que, no meio do casamento do meu tio, uma mulher do Ibope resolveu que queria fazer uma pesquisa sobre baladas universitárias comigo. É claro que não: agora eu tenho pra quem ligar e mandar mensagens. (Talvez eu sempre tenha tido, não sei).
Eu só sei que hoje eu vivo em função do barulhinho desse aparelho maldito chamado celular. Não me importa se é na hora em que eu esqueço ele no sonoro e ele me avisa que é hora de morfar, com aquele beep dos Power Rangers, ou se escuto o barulho dele vibrando sobre a mesa ou dentro da bolsa. O que me importa é que ele me avise que tem mensagem. A mensagem – ai dela! – tem que vir de alguém especial para que eu fique contente.
E, pelo menos por enquanto, ela não veio. Daí eu fico aqui, deitada, olhando para o celular. Meu sorriso depende disso. Deveria ser ruim… Mas não é. Não tem nada melhor que o aperto no peito e o friozinho na barriga quando … vrrrrruuuuum! Vibrou!
Ok, vibrou mesmo. Mas dessa vez era só um sinal de Bateria Fraca. FAIL.