Sete, oito anos de amor guardado em olhares e frases disfarçadas de desprezo – oito anos de desdém interessado.
Ali estavam. Juntos. De mãos dadas, a conversar, trocar beijos, abraços, carÃcias, declarações. Sorrisos Ãmpares, segredos divididos, olhares que mostravam que aquilo não parecia real. Muita mudança de uma vez. Todo o amor recolhido agora estava ali, explÃcito, desinteressado, contente. Sendo aquilo que deveria ser desde o inÃcio. Com direito a traição, perdão. Com direito a verdadeiros pesadelos no meio do caminho – sem abrir mão do final feliz.
A luz, o despertador, os horários, as obrigações… Abrir os olhos foi sair do céu do sonho direto para o inferno da realidade: O outro lado da cama, vazio. Nenhum bilhete, nenhuma fotografia. Nenhum sinal de que aquela união realmente tivesse acontecido. Apenas a lembrança das cenas felizes que, de alguma forma, ela mesma proporcionou para si, como tudo que fazia.
Em volta, uma aura solitária, tal e qual antes dela dormir. Antes de sonhar que a única coisa da qual desistira tinha dado certo. Antes de lembrar que sua única escolha fora ser sozinha – porque não conseguia esquecer aquele homem – o único que quisera, e que nunca pudera ter.
(Será ele o responsável por todas as frustrações dela até hoje? Pelo descontentamento frente a todos os sonhos já realizados?)
Parece que seu amor foi a única coisa com a qual ela já havia sonhado de verdade.
O amor é tão cruel e patético…
E só o amor é sublime.