Apr 24
Love
icon1 Ariane Freitas | icon2 Uncategorized | icon4 04 24th, 2009| icon3No Comments »

Porque a parte de “eu sou piegas” não é novidade pra ninguém e se hoje eu passei a manhã estudando, o horário de almoço foi do Stumble. Afinal, eu preciso dele pra viver, fazer o quê? Ok.
Trombei com isso, aí ferrou-se pra sempre. Tentei achar o original, mas não consegui. Vai a tradução em inglês mesmo… Naquela de sempre: os grifos são meus.

Love

Because of you, in gardens of blossoming flowers I ache from the
perfumes of spring.
I have forgotten your face, I no longer remember your hands;
how did your lips feel on mine?
Because of you, I love the white statues drowsing in the parks,
the white statues that have neither voice nor sight.
I have forgotten your voice, your happy voice; I have forgotten
your eyes.
Like a flower to its perfume, I am bound to my vague memory of
you.
I live with pain that is like a wound; if you touch me, you will
do me irreparable harm.
Your caresses enfold me, like climbing vines on melancholy walls.
I have forgotten your love, yet I seem to glimpse you in every
window.
Because of you, the heady perfumes of summer pain me; because
of you, I again seek out the signs that precipitate desires: shooting
stars, falling objects
.

Pablo Neruda

Jan 9
uns e outros
icon1 Ariane Freitas | icon2 #Aleatório, #Amores, #Piegas[ON], #TVP | icon4 01 9th, 2009| icon3No Comments »

 

tão diferentes, tão distantes universos

se um é retiro espiritual, o outro é fantástico mundo

um já viveu tanto, o outro tão pouco

um é tão feliz , o outro tão triste

um é tão distante , o outro tão entregue

um se preserva tanto, o outro tanto se expõe

um já tem seus grandes amigos, o outro está ainda descobrindo o que é amizade

um deseja, o outro ama

um vive , o outro sonha

um aproveita , o outro planeja

um aceita , o outro questiona

um sabe, o outro quer saber

um não quer, o outro quer

um finge não ouvir, o outro finge não estar falando

 

enquanto um adquire repertório e experiência, o outro está apenas se iniciando.
então um
está sossegado, o outro não poderia estar mais aflito

(e nem mesmo a aflição consegue diminuir um pouco o efeito arrebatador que a paixão por um causou no outro
se alguém tem de ceder, ele cede, um recebe do outro tudo que quiser)

 

 

 

e a parte em que o outro virá logo a ser só um pedacinho insignificante da história de um

dói  só no primeiro, o lado mais fraco

 

mesmo assim

este só se sente tentado a uma coisa:

dizer “eu te amo” infinito

em silêncio, com os olhos

quantas vezes puder

 

 

até o dia em que tudo (tudo o quê?)

até o dia em que isso acabar

 

 

seja lá o que isso for.

porque assim como um pode ser o inverso do outro,

nada impede que estes sejam, na verdade, não o inverso, mas a metade.

 

dizem por aí, afinal, que yin e yang se complementam.

 

e o consolo dessa vez não é de que tudo sempre pode piorar, não.
o consolo hoje é também a verdade e a razão do desespero: a verdade é que tudo vai passar

 

(alguém diz pro outro ir dormir ao invés de passar  madrugada chorando em frente ao computador enquanto o um – sem vergonha – o um… sabe-se lá onde o um se meteu?)

Jan 8
quinta-feira de manhã
icon1 Ariane Freitas | icon2 #Aleatório, #Amores | icon4 01 8th, 2009| icon31 Comment »

no relógio, 8h. na vitrola, Mart’nália. na cabeça… bom, na cabeça a resposta é bem previsível.

— pensamentos aleatórios ajuntados pra serem guardados num potinho:

se eu pudesse – ah! se eu pudesse… – fotografava cada uma das suas expressões e colava todas elas na minha parede, pra ficar olhando o dia todo. o biquinho de beijo, a carinha de mimimi, o sorriso, o olharzinho malandro… se bem que… fotografaria, sim, e esconderia todas num lugar em que só eu pudesse ver. só eu. se eu pudesse… eu pegaria você todinho só pra mim.

(e eu ainda não sei diferenciar um astra de um civic de longe no escuro. nem um fiesta de um focus, ou um picasso de um 307. eu preciso de óculos e um pouco de atenção no mundo, que minha cabeça anda completamente nas nuvens. não que isso importe, claro.)

Dec 28

Cheguei meia hora antes do combinado. O amigo, quase meia hora depois. Nesse intervalo de uma hora que passei sozinha, só consegui reparar numa coisa: Casais. Muitos casais.  Heteros, homos, baixos, altos, monocromáticos, coloridos, casais. Alguns conhecidos, inclusive. E outros que eu faço questão de nunca conhecer. Sem falar nos casais novos (aqueles que demoram até pra pegar na mão) e nos casais que supostamente moram longe – hoje eu cansei de ver beijos de despedida. Teve até ex-namorado passeando com a namorada nova (encontro constrangedor, diga-se de passagem. Nessas horas, reverências à aliança de prata no meu anelar direito!). 

Tive certeza que todo mundo tem sua metade.  Lembrei da minha solidão constante, lembrei do tempo gigante que passei sem ninguém, praguejando contra cada casal que passava à minha frente. Ri de mim mesma por um instante quando uma reminiscência me levou a um passado próximo em que eu dizia que “casais são a coisa mais ridícula do mundo. Nunca entendi por que tanto mimimi. Não quero isso, nunca”. A gente cospe pra cima e o bendito vem direto na nossa testa. Senti aquela saudadezinha apertar o peito. Segurei. Tentei ser forte. Não deu. Peguei o celular e nem precisei discar. Ultimamente, aquele era o único número na lista de chamadas recentes. Demorou para completar, estava no metrô, pouco sinal.

 

 - Oi… Amor?
- Você vai me achar uma louca se eu te disser que liguei só pra falar que te adoro?
- owwwnnn
 - É. Eu adoro.

 

A ligação caiu. Fato: sou louca. Mais tarde, uma mensagem preencheu o que faltava.

E eu segui minha noite, tentando não reparar mais nos casais. Acho que, de uma forma ou de outra, faço parte deles agora. Por mais que indiretamente. E não queria ter de sentir a dor da saudade batendo à porta de novo.

Dec 25
Pesadelo
icon1 Ariane Freitas | icon2 Uncategorized | icon4 12 25th, 2008| icon31 Comment »

- Você… Sabe, eu não sinto você como antes… É como se não gostasse mais de mim, por quê? Por que eu sinto isso?
- Porque eu não gosto mesmo de você.

 

 

É. E eu não vou mandar mensagens e correr o risco de receber um “:)” de volta.  Nem quero pensar na possibilidade de perguntar se isso é verdade. Já aconteceu com ele, e ele quase apanhou por ter me perguntadose eu ainda gostava dele. Mas tá dolorido, tudo. Porque não dormi direito graças a esse sonhozinho. E porque, muitas vezes, mesmo sem saber o porquê, eu sinto que isso é realmente verdade.

 Agora… Alguém me explica por que eu só ganhei de Natal um baú de angústias?

Dec 24

Cortando o silêncio:

- Eu caí hoje, sabia?
- Caiu? Como assim?
- Sabe quando você para de fazer algo… Larga algum vício… E aí faz de novo? Então, aí dizem que você caiu.
- Você teve uma recaída, é isso?
- Também se usa isso, mas não, não foi uma recaída. Foi quase isso, é mais esse termo mesmo, “Caiu”.
- Não é, mas tudo bem.
- É sim… Também não conto mais.
- Não, conta… Daí você caiu… Caiu por que mesmo?
- Eu tava simulando meu próprio MADA. Fiz até apresentação hoje. “Meu nome é Ariane, tenho 18 anos e não mando SMS faz dois dias”. Daí você me mandou aquele “Oi, linda” e eu caí… Tive uma recaída, vai.
- MADA?
- Mulheres que Amam Demais Anônimas. Pra você ver o que você faz comigo…
*beijinhos*

Dez horas e cinco minutos. Pelo menos é o que marcava o relógio quando o trem resolveu apitar. Do outro lado da janela choravam algumas crianças e também chorava uma moça, perdida em si mesma. As portas se fecharam. “Próxima estação: Vila Mariana”. Nada mais se ouviu. E dentro de mim tudo festejava. É que às vezes eu fico assim, feliz, sem motivo aparente. (Se bem que hoje haviam motivos de sobra). A vontade era encostar a cabeça na janelinha e só acordar em casa. Memórias, aaaaaah!

“Eu tenho medo na maior parte do tempo. Medo de te perder”.

É… Agora que já não é mais segredo, talvez me doa menos.
Daí que a serra nos separa e eu queria que alguns momentos fossem eternos. :~

magic, colbie caillat

Dec 14

 

 

Engraçado. Dia desses alguém me passou o link pro download da trilha sonora completa de Vicky Cristina Barcelona. Eu nunca tinha procurado, mas não hesitei em clicar quando recebi. O filme, que eu achei realmente muito bom, tem uma trilha bem marcante, reparamos já no cinema, mesmo que ainda inebriados pela imagem de Javier Barden, Scarlet Johansson e Penélope Cruz na mesma tela. Foi encanto imediato, total. Só que baixei, descompactei e esqueci de ouvir. É, culpem essa maldita correria pós-uma-prova-pré-outra.

Daí que hoje, passeando pela minha pasta de músicas – que anda, por sinal, catastróficamente depressiva – eu trombei, de repente, com a pasta Vicky Cristina Barcelona Soundtrack“, dizendo “Oi, amiga, lembra de mim aqui?”. Confesso que não lembrava. Mas coloquei pra reproduzir. (Pausa pra respiração.)

Êxtase total. Primeiro de Dezembro, o início do fim. A noite em que vimos o filme, as minha sensações de agora, as minhas sensações anteriores, tudo se misturou dentro de mim. De repente, eu estava lá no escadão da Gazeta, Brunos ao meu lado, Tory atrás de mim, Clarinha e Francisco num canto, cabeça do Hugo no meu colo, levando cafuné. Violões ao fundo. “Barcelona”, de Giulia y Los Tellarini.

A minha angústia, mesmo com todos os amigos a minha volta, esperando a ligação dele. O olhar cansado do Bruno Mancini, que, sentado ao meu lado, dizia querer estudar mais. “Quero aprender mais.”. Contando sobre os planos de mudar de curso enquanto eu, entre uma olhada e outra no celular – que eu fingia me atrair pela hora, mas, na verdade, atraía pela ansiedade. Bruno Guerrero anunciando, especialmente pra mim, que o Ricardo Cruz se juntaria a nós. Aquele misto de empolgação e retração invadindo meu corpo enquanto eu implorava a Deus por um sinal de vida daquele que eu tanto queria ver, antes que a tentação chegasse. “Your Shining Eyes”, Biel Ballester Trio, Graci Pedro, Leo Hipaucha.

Meu celular que, definitivamente, não tocava. Todos cansados, com sono, estressados com os resultados da faculdade, que, aos poucos, estavam aparecendo: alguns com muitos exames a fazer (coloquem meu nome nessa lista), outros com nenhum. Aquela melancolia de fim de ano, o que foi ruim, o que foi bom, como todos viemos parar aqui. “Vamos para o padabar?”. Telefone tocou. Não o meu, o da Tory. Capiau vindo nos acompanhar em nossa melancolia. “El Noi De La Mare”, Muriel Anderson & Jean-Feliz Lalanne

Todos em pé, prontos para partir em direção à padaria, logo ali na Brigadeiro. Então meu telefone finalmente toca. “Estou aqui na Joaquim Eugênio de Lima. Paro o carro em frente ao Top Center, pode ser?”. Pode. Claro. Poderia qualquer coisa, já que eu não aguentava mais as saudades. Olhei na direção da banca, o carro não estava lá. Levantei-me, despedi-me de todos. “Vamos conosco ao bar!”. Não podia. Não queria. Só queria um tempinho sozinha com ele. Os amigos compreenderam. “When I Was a Boy”, Biel Ballester Trio, Graci Pedro, Leo Hipaucha.

O carro parou em frente à banca, conforme o combinado. Entrei, nos beijamos, eu e meus olhinhos brilhantes, ele e seu sorriso doce. Parecia cansado. “Posso te roubar hoje?”. “Pode”. Fomos embora, sem ir a lugar algum. “Granada”, Emilio de Benito.

Deu uma volta no quarteirão. Parou o carro, olhou para mim e me beijou. Eu estava apaixonada. Trágico ou não, eu estava entregue, qualquer um que olhasse para mim perceberia isso. Trocamos poucas palavras e muitos carinhos. Era difícil nos vermos, eu tinha de ir embora logo. A sensação era a de que não podíamos perder um segundo sequer. Desabafos entre as sessões de beijinhos. Olhares abobados de menina apaixonada. Ah, aqueles olhos, aqueles cabelos, aquele abraço. “Senti tanto sua falta…”.O tempo passava rápido ali. Mais rápido que tudo.  “Entre Olas”, Juan Serrano.

A rádio avisou que passava das onze. Deu partida no carro. Dirigiu rumo à estação mais distante, comigo ao lado, ainda aos suspiros. A cada parada, um beijinho ou um carinho nas mãos. Olhares de lado. Cafunés. Sem que ele soubesse, eu pensava em como sempre quis aquilo. Como sempre quis aqueles carinhos. Como nunca tinha me dado bem daquele jeito com ninguém. Sem que ele soubesse, eu me apaixonava cada vez mais. Mostrou-me coisas que talvez nunca façam sentido algum senão pra mim – o caminho de sua casa, os enfeites da Avenida, as pessoas na rua, tudo parecia especial. E eu só queria estar lá mais vezes com ele. Muito mais. Acho que esse foi um dos momentos em que mais me perdi dentro de mim. Em que mais me entreguei ao sentimento. O trajeto entre os carinhos e a despedida. Mas acabou. “Entre Dos Aguas”, Paco de Lucia.

Acabou. Já estávamos há tempo demais parados na vaga de descarga, na porta do metrô. Passou da hora de ir embora. Eu hesitava: quando pensava poder sair do carro, um suspiro de qualquer um dos lados me colocava de volta pra dentro, beijando aqueles lábios enquanto o mundo lá fora desmoronava. É, chovia lá fora. E não nos importava nada. Uma buzinada. Soltei-o, abri a porta e fui embora. “Te amo”, teria dito, mas preferi calar. “La Ley Del Retiro”, Giulia y Los Tellarini.

Andar nunca foi tão engraçado. Sentia-me flutuando. Minha boca ainda tinha o gosto dele e eu queria mais. Não pensava em nada além dele. Queria saber o que tínhamos, mas também não queria saber de nada. Entrei no trem, sentei-me, segui viagem pensando nos és e nos nãos da minha vida até então. Nas frustrações que havia tido, nas que ainda podia ter. “Onde você estava, que não te encontrei antes?”, mandei por sms. “Eu estava aqui o tempo todo, só você não viu…”. Retrucar com Pitty é covardia. Derreteu-me. Chovia, eu tinha de correr pra casa. Tinha de ser natural. Estava sendo. Mas aquele cheiro ainda estava em mim… “Gorrion”, Juan Serrano.

Minha parada. Desci a rampa, na chuva, correndo. Meia noite e dez. Àquela hora meu pai já deveria estar surtando no carro. Minha irmã tinha vindo com ele. Estava no banco da frente. Entrei atrás, acomodei-me. Sem que tivesse controle, saiu de mim um suspiro e um sorriso no canto dos lábios. Tainá virou para trás na hora. “Está apaixonada, Ni?”. “Não, não estou não, impressão sua. Impressão sua… Vamos logo”. “Big Brother”, The Stephane Wrembel Trio.

Os cinco minutos a caminho de casa foram tensos. Não queria que ninguém soubesse da minha paixão. Ninguém. Fiquei calada. Já em casa, corri para o quarto. Um bom banho quente, um café, e eu já estava pronta para deitar. Não para dormir. Muito para mim, se querem saber. Não sei lidar com sentimentos. Passei a noite virando de um lado para o outro na cama, como se faltasse algo lá. E faltava. Estava mais claro do que nunca. O grande problema é que parecia faltar só pra mim. Eu e minha cabeça criativa: já fantasiava não-correspondências, abandono, imaginava não ser tão querida quanto queria. Mandei mensagem. Escrevi. Desejei um cigarro, desejei a morte, chorei. Eu sou assim, cheia de altos e baixos, quentes e frios, secos e molhados de uma hora para a outra. Quando vi, passava das três da manhã. Pesaram-me minhas responsabilidades, minhas alegrias, minhas tristezas. Odiei-me por ter entregue tão rápido meu coração nas mãos dele. Odiei-o por ter parecido não querer nada além do meu corpo. Odiei as faculdades, por não estar ainda de férias. Odiei o espelho e o relógio, que me diziam que era tarde. E então, de repente, eu já não estava mais ali. Então já era outro dia. “Asturias”, Juan Quesada.

Engraçado como os dias, mesmo os mais grandiosos, são pequenos: cabem num CD.

Dec 12

“A imaginação foi a companheira de toda a existência, viva, rápida, inquieta, alguma vez tímida e amiga de empacar, as mais delas capaz de engolir campanhas e campanhas, correndo.”

Dom Casmurro, Capítulo XL

Daí que, assistindo Capitu, passou pela minha cabeça de novo algo que sempre passa quando leio Machado de Assis. É, eu não sou tão Heloísa quanto espalho por aí. Quer dizer, já matei um ou outro por ciúme e tenho em minha lista mais umas duas ou três que não escaparão, mas, ah, isso é tão normal. Posso até ser, na verdade, não sei. Mas o fato é que, ciumento por ciumento, eu estou muito mais para Bentinho.

Queria ser Capitu. Com os olhos de cigana oblíqua e dissimulada. Sim, aqueles olhos de ressaca. Aquele poder de mexer com um homem, de enlouquecê-lo, de fazê-lo servo. Mas eu sou Bentinho. O que consigo mesmo é me entregar, de repente. De repente, porque a situação sempre está ali por um bom tempo antes que eu a note de verdade. E aí, depois da entrega, resta criar em minha cabeça situações que podem ou não existir. Fantasiar o tempo inteiro que não sou boa o suficiente (e o que é ser boa o suficiente?), que alguém melhor vai levar o que é meu embora. E me corroer, sangrar, morrer por dentro. Sem fazer mal a ninguém, a não ser a mim mesma.

Mas nem todo mundo é assim. Minha irmã, hoje mesmo, mostrou que é muito diferente de mim. E foi dela que tirei a maior lição do dia. “Ele já disse ‘eu te amo‘ alguma vez?”, perguntou-me enquanto almoçávamos. “Sim. Quer dizer, isso foi antes de ficarmos, mas…” – nem me deixou terminar. “Se ele disse ‘eu te amo‘, acredite. Você só precisa acreditar. Não ficar inventando milhares de possibilidades ridículas dentro da sua cabeça e enchendo o saco dele” (Ela ainda complementou com um “e nem adianta me olhar com essa cara de cachorro morto, é isso e ponto!”). Tudo bem, foi um tremendo desabafo (ela tem um namorado tão Bentinho quanto eu), mas não deixa de ter razão. O grande problema é que eu não tenho controle sobre isso (a ponto de minha irmã de 12 13 anos estar me dando conselhos maduros enquanto eu, aos dezoito, às vezes choro pelos cantos por me sentir mal amada).

Não consigo não imaginar coisas, nem deixar de acreditar cegamente em cada uma delas. Não consigo parar de encontrar evidências e torná-las cada vez mais reais. É, sou convincente. Não venço meus argumentos, nunca. E aí, o que eu faço? Eu corro pro Twitter. Pro lugar mais errado possível. E eu despejo tudo lá. Minhas mágoas. Minhas obssessões. Se estou vidrada, se estou bêbada, se estou infeliz, se estou amargurada, se não sinto nada… Não importa. Eu sou realmente uma personagem. Meu livro está escrito em parágrafos de até 140 caracteres, pra qualquer um que peça permissão para me seguir. Pois é, pois é, pois é. Perdi a noção do perigo, deturpei o uso de uma ferramenta interessante e, ainda assim, sou eu, no final, a vítima da tragédia. Sei que não sou a única a fazer esse tipo de coisas, mas dói por dentro, vez por outra, quando ouço algum comentário ou crítica fervorosa a usuários compulsivos como eu. (Mentira, não me dói nada. Se não gosta de ler meus posts, não me siga – simples assim!).

“Ora, há só um modo de escrever a própria essência, é contá-la toda, o bem e o mal.”

Capítulo LXVIII

No fundo, acho que seria menos feio ser Heloísa. Extravasar, gritar, esfaquear, correr atrás, enlouquecer. É, certamente. Mas eu só sei ser assim, quietinha. Cada descoberta (ou criação?) é uma nova punhalada que dou em mim mesma. Cada vez que encontro uma pista, meto-me mais pra dentro de mim. E eu não consigo (ou não quero, quem sabe?) mudar. Eu só sei ser assim, não sei dissimular nem esconder o que penso. Não tenho porque viver de meias verdades, ou dizer somente o que os outros querem ouvir.

Eu sou insuperavelmente piegas, possessiva, ciumenta, carinhosa e entregue. Mas não sou nada ingênua. Não sempre. A única coisa que me dá medo, de verdade, é essa minha mania Bentinho de me prender à minha versão da história. Sim, porque eu sinto que isso vai acabar me fazendo morrer sozinha. Não que eu tenha medo da solidão, não é isso. É só que eu acho-a desnecessária. (E que eu sonho ter alguém que, numa noite de frio, saia de debaixo do edredom, levante-se e calce em mim mais um par de meias, pra depois voltar pro quentinho da nossa cama e dormir abraçado comigo, trocando cheirinhos e um calor sem fim).

Mas o fim… Quem sabe do fim? Eu vou continuar escrevendo minha vida até o dia em que sentir que devo parar – ou até que a vida pare por mim. Bentinho ou  Heloísa, uma coisa é certa: eu me permito sentir, sem medo. E isso nem todo mundo consegue.

“Tudo acaba, leitor; é um velho truísmo, a que se pode acrescentar que nem tudo o que dura muito tempo. Esta segunda parte não acha crentes fáceis, ao contrário, a idéia de que um castelo de vento dura mais que o mesmo vento de que é feito, dificilmente se despegará da cabeça, e é bom que seja assim, para que se não perca o costume daquelas construções quase eternas.”

Capítulo CXVIII

Nov 30

eu queria amar um pouco menos você
não ligar para eventuais sumiços ou conversas entrecortadas
não chorar cada vez que visse um beijo na tevê

eu queria amar um pouco menos você
ser do tipo que não liga quando não pode ver
do tipo que não associa cada música que ouve a um momento qualquer
- em que basta a sua presença pra memória ligar a amor

eu queria amar um pouco menos você
ter facilidade pra encarar que a verdade não vai ser sempre simples assim
que a verdade já não é simples
e que estamos distantes até quando você me abraça

eu queria amar um pouco menos você
apenas o suficiente pra saber que não é pra sempre
e que não somos iguais
nunca seremos, por mais parecidos que possamos ser.

eu até acho que queria amar um pouco menos você,
mas eu amo assim – muito. muito mesmo.
suficiente pra me arrepender dos erros que talvez nenhum de nós saibamos que existiram;
pra te perdoar daquilo que me machucou sem que você soubesse sequer que fez.

eu te amo o suficiente pra esperar o quanto for preciso,
pra sair do planeta a cada vez que sua boca toca na minha,
pra dar risada todas as vezes em que me deparo com uma placa de “Proibido Estacionar”
ou com alguma efeméride que guardei no coração só por ter me feito sorrir.

eu gosto de te amar assim, simples e intenso.
não valeria a pena amar menos você.

não. porque aí, um dia, quando tudo acabar

(tudo passa, tudo vai passar…)

quando tudo acabar eu terei muito do que lembrar
e pouca coisa que valha mesmo a pena esquecer.

creed, are you ready?

Nov 23
Tudo passa…
icon1 Ariane Freitas | icon2 #Aleatório, #Música, #SorteDeHoje, #TVP, #Twitter | icon4 11 23rd, 2008| icon31 Comment »

Sorte de hoje: Se você obedecer a todas as regras, vai perder toda a diversão

eu você e todos os encontros casuais
os ais e os hão de ser
e todos os casais também
olha, acho até que quem achou que nunca ia
esse ia se espantar de ver que o ódio e o amor
e até eu vou pra ver no que vai dar
a massa a moça
e até esse pra sempre

tudo passa

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