Apr 3
Dica do dia
icon1 Ariane Freitas | icon2 O Fantástico Mundo de Ariane | icon4 04 3rd, 2009| icon31 Comment »

Mal acabei de postar aqui, recebi email do Personare. Fui lá, como sempre vou.
E aí, olha a ironia:

Carta do Dia: O Ceifador
A importância de deixar ir

Cultivar o desapego é um dos conselhos fundamentais dado pelo arcano chamado “O Ceifador”, Ariane. Existem momentos da vida em que somos desafiados a perder cascas, a compreender a importância de caminhar, deixando paisagens para trás. Ainda que isso doa, uma vez que nosso ego se estrutura a partir de apegos e identificações, é a compreensão meditativa de que tudo passa que lhe permitirá seguir caminhando e, enfim, abrir-se ao novo que belamente se introduz em sua vida, pouco a pouco, passo a passo, até que você apareça com a alma totalmente renovada. Procure se interiorizar neste momento, evitando grandes atividades sociais. Faça este contato com o núcleo da sua alma e você entenderá quais são as coisas que precisam ser deixadas para trás.

Conselho: Viver é perder cascas continuamente!

Só um adendo: Desculpem-me aqueles que eu eventualmente magoei/magoo/magoarei por conta de ‘cascas’ que não querem desapegar. Eu realmente tenho me esforçado pra mudar isso.

Mar 8

No Orkut:
Sorte de hoje: Quando as pessoas falam, ouça com atenção. A maioria das pessoas nunca ouve.

No Personare:
A necessidade de se abrir ao diálogo

O conselho que o Tarot dá neste momento, Ariane, diz respeito a você compreender a importância de se abrir ao diálogo e à compreensão das coisas a partir do ponto de vista dos outros. Ouvir, neste momento, é condição fundamental para a harmonização da vida. Fale menos, escute mais, procure admirar a versão dos fatos e das verdades quando provenientes da boca do outro. Ainda que você não concorde com o que for dito, não rebata tão prontamente. Deixe-se admirar, colocar-se em posição de respeito pela voz alheia. A partir deste procedimento, uma série de bons entendimentos, acordos e reconciliações podem ocorrer. Os outros certamente se emocionarão com esta sua súbita disposição a escutá-los. O momento é favorável a todo tipo de conciliação.

Conselho: Compreender o outro é o primeiro ato para atrair compreensão para si mesmo.

Coincidência ou não, bom ficar na minha.

Mar 3
Let it go
icon1 Ariane Freitas | icon2 #Cotidiano | icon4 03 3rd, 2009| icon3No Comments »

lua em 2.03.09

A lua estava chamando a atenção ontem. Enorme, linda. Com uma enxaqueca enlouquecedora, o meu passeio de moto noturno não foi a coisa mais agradável do mundo. Mas a lua estava lá. E estava linda. Em meio a contrações de dor e parcela leve da atenção no trânsito (que eu também não queria morrer), eu chorei. Todos temos os nossos momentos de fraqueza, ainda o que nos vale é sermos capazes de chorar, o choro muitas vezes é uma salvação, há ocasiões em que morreríamos se não chorássemos. Chorei porque vi a lua, e a lua me lembrou de uma conversa que tive há não muito tempo com alguém que, espero, não terei conversas íntimas nunca mais.

A noite mal dormida graças às dores insuportáveis trouxe de presente uma manhã melancólica e tão dolorosa quanto a madrugada. Na caixa de entrada,  só o Personare, dizendo, infelizmente, aquilo que eu já sabia desde a cena na moto:  “transbordamento de emoções e problemas que você tem tentado evitar nos últimos dias, Ariane. (…) sugerindo que você até deseja levar as coisas numa boa, com mais relaxamento e tranqüilidade, mas há problemas e pendências a resolver que não podem ser evitadas! (…) não faça de conta que não existem coisas que lhe incomodam e que dê atenção a estes pontos. (…) A reflexão para o período é: do que eu preciso me libertar?” . Eu realmente estava fugindo, vide posts anteriores nesse mesmo blog. Já sabia também do que precisava me libertar. Só não sabia como.

No início a culpa era minha. Eu ia atrás da dor, todos os dias, em silêncio, sem que ninguém soubesse. Ele não sabia que eu estava ali, mas eu estava. Fuçava tudo, achando que descobrir as coisas me faria sentir uma raiva inexplicável e levaria todo amor embora. Bobagem, amor é perdão, sou toda perdão, sempre fui. Descobrir as coisas me deixava mal comigo mesma, com ninguém mais. Mas o fundamental é não perdermos o respeito por nós próprios, então eu disse adeus (confesso: submissinha como nunca o fui com ninguém, esperando que do outro lado viesse um “Não, não vá, sei o que quero, quero você” – bobagem de novo, não se deve esperar que alguém te diga algo só porque você o diria). Enfim, disse que ia embora, mas isso muitas vezes o fiz: despedia-me, mas voltava antes de virar a esquina. Dessa vez fui de verdade. Achei que finalmente fosse conseguir vencer esse sentimento estranho e o “Adeus” foi com toda a convicção que ainda restava aqui dentro.

Era a vez dele ser culpado. É dessa massa que nós somos feitos, metade de indiferença e metade de ruindade. Sempre se fez de bobo, nisso não havia novidade nenhuma. Mas achei que o bom senso se manifestaria dessa vez. Esqueci a miséria egoísta que todo ser humano é. Na verdade ainda está por nascer o primeiro ser humano desprovido daquela segunda pele a que chamamos egoísmo, bem mais dura que a outra, que por qualquer coisa sangra. Ter me recolhido aos estudos me fez muito bem. Enquanto lia, fingi não notar que tudo parecia um aviso, um lembrete. Mas está tudo lá, está tudo aqui, e o pior cego é aquele que não quer ver. Eu não queria, talvez fosse uma esperança, talvez achasse realmente que isso fosse dar certo um dia. Mas agora vejo, não que isso me tenha feito bem, que não vai ser diferente do que foi até hoje. Agora sou capaz de notar o quanto tenho sido boba, o quanto muita gente o é. O que começa errado, termina errado, e errado será se tiver novas chances de acontecer, a experiência da vida e das vidas tem cabalmente demonstrado que ao tempo não há quem o governe.  O tempo vai curar, eu espero, essa ferida que tem corrido cada vez mais previsível. O tempo vai me manter forte para que eu não falhe, de novo, comigo mesma.

Sinto falta de tanta gente, de tanta coisa, que engraçada é a internet, que engraçada é a vida, que panaca sou eu. A consciência moral, que tantos insensatos têm ofendido e muitos mais renegado, é coisa que existe e existiu sempre, não foi uma invenção dos filósofos do Quaternário, quando a alma mal passava ainda de um projecto confuso. Está tudo ali, na sua mão, e você acaba por não segurar. Está tudo disperso, tudo solto, tudo confuso, e você chora dizendo que queria ter. Nunca achei que essa coisa de Close your eyes, clean your heart, let it go fosse fácil, juro. Mas não sonhei – nem de longe – com toda essa dificuldade que tenho enfrentado. Não é que eu queira ter alguém, não, que ultimamente o que quero é que me tenham. Cansei de ser só minha, cuidar sempre dos outros e acabar esquecida. Sinto que só vai parar de doer quando ele deixar de existir pra mim. Só não vejo meios disso acontecer sem que eu aja de maneira infantil. Porque é assim que ele tem agido. Sendo infantil.

É por isso que horóscopos, em especial o Personare, me divertem. Eles dizem o óbvio, ok. Todo mundo tem algo de que precisa se libertar. Às vezes, só precisamos ouvir isso de alguém, ué. E ele diz. É só não viver em função disso. É só saber o que vale a pena ouvir. Hoje ele confirmou o que tenho pensado há tanto tempo… “Seja fiel aos seus ideais, não se contente com pouco. Avalie criticamente o ambiente e corte todas as pessoas e situações que não servem mais em sua vida, sobretudo pessoas que você não avalia como construtivas, afinal todas as relações se pautam numa boa troca. Conselho: Mantenha seu nível de exigência alto, não se contente com pouco.” Vêem? O mesmo que eu disse ontem no Twitter, ao citar Saramago. É de doer o fígado. (Mentira, as dores são por culpa da enxaqueca mesmo). É de partir o coração que, com tanta reflexão, tanta dor e sofrimento (não só psicológicos, mas físicos!) eu ainda não tenha conseguido me resolver. Eu quero meu equilíbrio de volta. Enquanto isso não acontece, quero ir logo ao pronto-socorro tomar uma injeção na veia, que a Neosaldina já não está resolvendo mais.

Observação:
O conteúdo grafado em itálico corresponde a trechos de Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago.

O conteúdo entre aspas foi retirado do site Personare.

A imagem da lua é realmente dessa noite é foi tirada por Dave Young.

Dec 9

Madrugadas são uma merda. Primeiro a gente despeja tudo, depois é que repara na cagada que fez. O foda é quando você despeja as mágoas que tão apertando sua garganta e não vê reação nenhuma de quem as ouve. Nenhuma. Pior ainda, é quando a reação é debochada, quando só vêm elogios. Há momentos em que não quero elogios, quero respostas.

 

Então eu simplesmente desisto, aqui, loucamente apaixonada.

Eu podia ter calado a boca, guardado tudo. Engolido. Mas eu me entreguei. Me entreguei demais.

 

Caralho.

Como se a minha vida não fosse feita dessas punhaladas e hemorragias. Como se eu não me mantivesse pelas cicatrizes.

 

E o Personare? Disse tudo.

A Lua na sétima casa sugere que você estará emocionalmente dependente da ajuda de terceiros, que poderão facilitar as coisas para você. Ou dificultar, se você deixar que orgulhos tolos lhe impeçam de aceitar ajuda. Como o Sol e a Lua estão quase formando uma oposição, o ajuste necessário envolverá o dilema “o que eu quero e estabeleço enquanto prioridade” versus “o que o outro deseja e necessita neste momento”.

Nov 17
Personare dá a dica
icon1 Ariane Freitas | icon2 #Aleatório, #Personare | icon4 11 17th, 2008| icon3Comments Off

(É sempre assim! haha)

MOMENTO DE LUTAR POR AQUISIÇÕES (já começou pelo título hoje!)

DE: 17/11 , 20h40  ATÉ: 23/12 , 9h52

Entre os próximos dias 17/11 e 23/12, o planeta Marte estará passando pela casa 2 do seu mapa astral de nascimento, Ariane, atuando sobre o setor das finanças. Este é um momento particularmente positivo para atitudes audaciosas, arriscadas e firmes que tenham a intenção de melhorar sua situação financeira. (e eu me pergunto: que situação financeira? ;O) Na verdade, a coisa vai um pouco além de dinheiro: a hora é de lutar pelo que se quer, (ah, tá! assim sim!) mas procure tomar cuidado para não ir com sede demais ao pote, causando estrago em seu trajeto. (típico!)

A qualidade deste seu momento, Ariane, é a de uma forte intensidade de desejos pessoais,(oi? sempre é!) há aqui a busca pela satisfação destes desejos,(é, isso é raro.) mas o excesso disso pode conduzir você a uma série de problemas justamente por conta desta súbita “voracidade”, principalmente os excessos alimentares. (até o Personare já sabe como eu sou gorda .-.) Esta atitude de “quero porque quero, e quero agora(oi, me definiu?) não deixa de ser impressionante e pode ter resultados práticos interessantes, todavia cabe agir com um pouco mais de parcimônia.

Brigas por conta de questões financeiras podem ser uma constante neste período, portanto cuidado. A não ser que você tenha a certeza de que se trata de uma briga justa, procure pensar duas vezes antes de entrar em conflitos por miudezas.(se eu brigar por $$, certamente não serão miudezas!)

Nov 10
ABERTURA SOCIAL
icon1 Ariane Freitas | icon2 #Personare | icon4 11 10th, 2008| icon3Comments Off

Vênus na casa 3

DE: 10/11 Hoje, 6h12
ATÉ: 01/12 , 6h34

O período que vai de 10/11 Hoje e 01/12 tende a ser particularmente especial para as suas relações sociais (ele sempre diz isso, mas eu continuo antisocial), Ariane, pois Vênus estará passando pela sua terceira casa astral. Você perceberá que as outras pessoas estarão mais interessadas em sua companhia, e que sua disposição afetiva para com os outros estará aumentada (por exemplo essa minha necessidade urgente de ligar pra flor, falar com ela, cuidar dela? tipo essa que os trabalhos estão atrapalhando?). Os outros estarão em busca de seus conselhos, e conversas agradáveis podem ser uma marca para este período. Por conseqüência, esta é uma fase ótima para ter “aquela conversa” (qual das? preciso de muitas.) que você sente que precisa ter com alguém com quem falta aparar algumas arestas, pois o entendimento entre as partes é mais favorecido por Vênus, sobretudo se tais entendimentos envolverem figuras tais quais irmãos, primos, vizinhos ou colegas de trabalho. Aproveite o momento para resolver questões difíceis, pois elas poderão ser estudadas lentamente, com todo o cuidado necessário e consequentemente com sucesso, quando Vênus atravessa a terceira casa astral.

Pequenos passeios agradáveis (só se for agora!!!!) são outra possibilidade marcante para o período de Vênus na terceira casa. Iniciar estudos e cursos neste período pode ser uma boa idéia, mas são mais favorecidos os estudos que sejam breves, cursos rápidos, pois Vênus não é um astro particularmente afeito a esforços (eu também não).

Oct 19
sortes aleatórias
icon1 Ariane Freitas | icon2 #Personare, #SorteDeHoje, #TVP | icon4 10 19th, 2008| icon3Comments Off

Veja bem…

RECONHECENDO O REAL VALOR DAS COISAS

Vênus na casa 2

Entretanto, a despeito deste período ser positivo para você ter uma consciência maior do seu próprio valor e até ganhar um pouco mais de dinheiro, se quiser, cuidado com uma tendência a gastar muito dinheiro com coisas que você acha “bonitas”. Elas podem ser bonitas, mas você precisa mesmo delas? Se precisar, compre-as, mas cuidado com os excessos indulgentes, é tudo uma questão de se dar limites. Excessos financeiros por conta de questões afetivas também são possíveis. Dar presentes é um impulso natural nesta fase, mas precisam mesmo ser presentes tão caros? Pense duas vezes antes de gastar seu dinheiro, Ariane, até porque esta súbita generosidade é mais uma forma de chamar a atenção do que necessariamente um real comportamento altruísta.

De 19/10 Hoje até 10/11, você estará vivendo a passagem do planeta Vênus pela segunda casa astrológica, Ariane, e esta fase é altamente propícia para você harmonizar a sua vida material, pois o planeta Vênus tem a sua força astral amplificada quando se encontra na segunda casa zodiacal. Um melhor senso do valor das coisas, sobretudo do próprio valor pessoal, lhe permite atrair as condições necessárias e unir-se às pessoas certas para que o dinheiro venha até você. Como sempre ocorre com Vênus, as relações interpessoais favorecem enormemente a vida material. Você desenvolverá um bom senso comercial durante estes dias, e se se dedicar a investir dinheiro, achará a experiência excitante e agradável.

 

E ainda…

 

SOL NA CASA 12, LUA NA CASA 9

A Lua se faz minguante entre os dias 19/10 Hojee 21/10, Ariane, sugerindo algum stress emocional. O risco aqui é de adoecimento por conta de excesso de passeios e farras. Procure observar a importância de manter o recolhimento e a discrição, ainda que a Lua na nona casa esteja lhe impelindo para viagens ou estudos em excesso. Relaxar as emoções é absolutamente essencial neste momento!

 

Tem também…

Sorte de hoje: Você terá felicidade e harmonia na sua vida amorosa

 

E pra fechar…

 

    10 de Paus

Aprendendo a lidar com pressões

O 10 de Paus como arcano conselheiro sugere que você precisará se preparar para lidar com situações de estresse que geram cansaço e tédio, Ariane. Você precisará ser forte e paciente, a fim de esperar que a fase mais densa passe, mas caso não mantenha esta firmeza moral em mente poderá ser vítima de seu próprio desânimo e botar tudo a perder. Apenas relaxe e não leve as coisas tão a sério, pois elas terão o peso que você der para elas e você poderá terminar piorando aquilo que era apenas uma brisa, transformando-a num tufão! Há momentos em que o humor é a melhor saída, em que precisamos diminuir os problemas vendo o aspecto ridículo que há neles. Se você olhar com atenção, rirá de si e os entraves perderão poder. 

Conselho: Tenha paciência e humor para lidar com o estresse.

 

 

Cara, só quem me conhece pra sacar a puta ironia que todos eles têm; vêm sempre na hora pertinente!

 

 

Oct 18

Sorte de hoje: Você tem uma grande necessidade e capacidade de realização

 

capacidade de realização
capacidade de realização
capacidade de realização
capacidade
capacidade
capacidade
realização
realização
realização
.

 

TVP

Oct 8
Tarot do dia
icon1 Ariane Freitas | icon2 #Personare | icon4 10 8th, 2008| icon3No Comments »

    O Diabo

Assumindo o uso do poder e do magnetismo pessoal

Vivemos numa sociedade que nos leva a sentir culpa quando assumimos as rédeas do nosso destino, quando assumimos o uso do poder. Todavia, existem circunstâncias em que não podemos ser tão “bonzinhos” assim, em que precisamos – devemos! – assumir uma postura de maior competição e desejo pelo poder sobre as coisas do mundo. O arcano XV como conselho para este momento de sua vida, Ariane, chama a atenção para a importância do cultivo do magnetismo pessoal para conquistar coisas no mundo material. Não tenha pudores de fazer valer sua força de autoridade quando sentir que é devido. Cuidado, apenas, para não se deixar levar por emoções extremas demais. 

Conselho: Não temer o uso do próprio poder!


Oct 5

 Por ela é que eu faço bonito
Por ela é que eu faço o palhaço
Por ela é que saio do tom
E me esqueço no tempo e no espaço
Quase levito
Faço sonhos de crepon

E quando ela está nos meus braços
As tristezas parecem banais
O meu coração aos pedaços
Se remenda prum número a mais

Por ela é que o show continua
Eu faço careta e trapaça
É pra ela que faço cartaz
É por ela que espanto de casa
As sombras da rua
Faço a lua
Faço a brisa
Pra Luisa dormir em paz

Chico Buarque e Francis Hime

 

Nós três jogados no confortável sofá por onde pairava a fumaça dos não sei quantos cigarros espalhados pelo mezanino. Eu, bêbada das circunstâncias, tentava me desviar ao máximo das doses de vodca, tequila, cerveja e wisky alheias – embora elas viessem de todas as direções – enquanto comentávamos insistentemente sobre cada detalhe que passava por nossos olhos. “Um pouco mais de gelo?” Acho que eu não estava lá, só meu corpo. Na verdade, na maior parte do tempo, faço questão de transportar espaço/companhias para o meu mundo. No meu mundo aquilo tudo era diferente. O lugar podia até ser o mesmo, mas não havia aquela música que eles chamavam ambiente. No meu mundo, ele não seria tão desinteressado, nem eu desinteressante. No entanto, estávamos ali: pessoas desconhecidas, a melhor amiga, o impossível affair e eu, estado total de deprimência, fugindo completamente da rotina e do script, assustando todo e qualquer ser acostumado a me ver sempre fechada e certinha no meu canto. “Eu pego uma coca-cola pra você”.

Depois de um tempo distribuindo sorrisos amarelos e alguns “o pessoal não vem?”, não sei ao certo em que ponto da noite, Hugo resolveu aparecer. Sorria, trazia (ainda mais) cigarros, perguntava se estávamos ali há muito tempo, se tínhamos idéia de onde estavam os meninos, se isso, se aquilo, pura função fática e tentativa de enquadramento no ambiente. Chamou-me para dar uma volta, fomos ao andar de baixo buscar um drinque. Momento de jogar conversa fora. “Ah, eu tenho certeza que ele já ficou com ela… Eles combinam, não é legal?”. Não, não é, ele é meu. Não respondi, mas deu vontade. Na verdade, às vezes eu até consigo não falar o que penso – embora na maior parte delas eu me dedique a falar e fazer tudo o que me dá vontade. E a vontade agora era ser engolida por toda a fumaça do mundo. Mas foi por pouco tempo – logo que subimos, chegaram os outros.

Agora estávamos completos, não chegaria mais ninguém. Éramos então nove – André, Bruno e seu amigo, Fernando, Henry, Hugo, Ricardo, Tory e eu. Basicamente, o canto esquerdo do fundão do JoC. E aí, já defumada e mais alta que o normal com a alegria alheia, presenciei tequilas num gole só, mendicância de cigarros, piadas infames, xavecos insólitos, desabafos, intimidades desgastantes.
“Ai, você precisa ter menos pudor”. O vestido subindo e descendo de acordo com as mãos que o tocavam. Alguns rasgos na meia arrastão. Henry indo embora por culpa da maldita lei seca. A dona da festa sorrindo pra todos, num equilíbrio entre a falta de sobriedade e a alegria sincera de ver que a festa não havia miado. “Você ficou linda de franjinha, estou apaixonado” e outras pérolas. A vergonha alheia veio antes da vergonha pessoal, ainda bem. E, dentre mortos e feridos, salvaram-se todos.
Ele foi embora com outra. Eu, para variar, fui assediada por um idiota. Ficamos em seis – fechamos um táxi por R$25 a rodada até Sumaré. Bruno dormindo no meu colo, Tory entre o meu e o do Ladeira, Capiau rindo horrores em seu canto, o idiota na frente com o Taxista. “Não sei, você me quer com ou sem pênis?” e “Ninguém aqui gosta de você” – porque a vida é uma escola e eu, embora bem tosca, também tenho meus aluninhos – foram as aspas que fecharam a noite pública com chave de ouro. Ah! E como me orgulho delas…

Nós duas deitadas lado a lado na cama, cansadas e (in)conformadas. Madrugada daquelas que qualquer um gostaria de ter todos os dias: momento de ouvir e ser ouvida, não importa qual a pauta. E aí, nem preciso dizer, a pauta foi totalmente previsível. A noite, as aspas, a vergonha alheia, os corações, os malditos homens, as vontades, os erros, os acertos, as dúvidas. Coisa de mulherzinha, com direito a conselhos e planos.Com direito a balanço físico e emocional. Mensagem de texto ctrl+C e ctrl+V fazendo vibrar o celular das duas. Resposta coletiva. (Não sabíamos se era pra rir ou pra chorar.) De repente, de um segundo pro outro, simplesmente nos cobrimos, apagamos a luz, e começamos a (tentar) dormir.

Maldita esperança acumulada, maldita proximidade venenosa, maldito sorriso lindo que ele tem. Sonhei a noite toda com o que podia ter sido e não foi (e ficadicaprasempre: nunca vai ser), acordei repetidas vezes pronta a escrever um manual de “como se deixar iludir repetidas vezes por alguém que nem olha pra você”, mas não tinha papel e meu notebook estava em casa; portanto perdi a obra da minha vida. (Ok, exagerei). Entre resmungos, roncos alheios, deprimências e passarinhos, dormimos até que o telefone – lá pelas 14h do sábado – nos fez pular da cama.

“Janta” no café da manhã. Sem ressaca, o que é pior. “Mora Na Filosofia”. A dedicatória mais linda que eu já vi. “Um Copo de Cólera”. Amy Winehouse. Ressaca moral tardia por, talvez, excesso de sobriedade. Dores de cabeça, “I Will Survive”. Alguém por favor me ensina a voltar no tempo? Planos, Personare, dúvidas.

(E agora eu estou aqui. Chove lá fora. O relógio marcando 00h53. Podia estar dormindo, mas sabia que não conseguiria enquanto não me aproveitasse do silêncio pra dizer o quanto gostei desse fim de semana em algum lugar. A cada dia eu tenho mais certeza de que tenho pessoas especiais ao meu redor. E de que só atraio losers e afins. Acho que não cansei de sonhar ou me iludir, não. Não tem doído como doía antes, não sou mais criança. Cada dia sei melhor em que terreno estou pisando ou a quem devo ou não ouvir. E o melhor disso tudo é que, não importa como nem quando, eu fiz amigos de verdade. Pessoas sem as quais eu já não me vejo. E eu não me canso de ouvir Vinícius de Moraes sussurrando em meu ouvido: “Que não seja imortal – posto que é chama; mas que seja infinito enquanto dure”. Ah, como sou piegas! E quem liga?)

Entoe o mantra: Ela vai se livrar dos ordinários…
(Bora lá, galere! Entoem e mentalizem minha face, pra ver se ajuda…)

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