Aconteceu que, num balanço racional, o freela dos meus sonhos mostrou-se nada lucrativo. Não pelo dinheiro – eu não preciso de dinheiro nesse momento, e, confesso, era uma boa grana! – nem pelo serviço, que me pareceu bastante simples (embora trabalhoso). O meu grande problema são as quatro dolorosas horas de viagem “metrô – ônibus – trem” que eu teria de fazer pelos próximos 15 dias – os quinze dias de férias que ainda me restam. E eu nem havia pensado nessas horas quando aceitei o trabalho, afinal, estou acostumada a fazer esse percurso todos os dias, de carro, em quase uma hora. Podia ter nascido um pouquinho antes… Com carta, tudo seria mais fácil.
Tive de rejeitar a proposta depois de praticamente firmado o negócio. Com um aperto enorme no peito. Com um medo indefinível. “Você apressa demais o rio. Ele tem que correr sozinho” – Minha mãe, depois de dias intercedendo para que eu aproveitasse minhas férias em viagem, quando me viu entrar em desespero por ter dito não a algo que queria, só me lançou esse clichê. Eu sei. Mal acabei o primeiro semestre, do primeiro ano, de duas faculdades que exigem tudo de mim. Mas é exatamente por isso: quantos, nas minhas condições, têm a chance de trabalhar – só quinze dias, tudo bem – no lugar que sempre sonharam?
Tá, bola pra frente. A vida não acaba aqui. Só está começando.
(ou não…)
Pelo menos eu sei que tem alguém no mundo que se lembra de mim. (E acho que vai ser difícil diminuir o afeto e a gratidão que tenho por ele…)
ps.: Ainda me acho uma burra por ter perdido uma oportunidade dessa. E nem venham me dizer que “era só um freela…”.