Jul 17
ps: i love you
icon1 Ariane Freitas | icon2 O Fantástico Mundo de Ariane | icon4 07 17th, 2008| icon31 Comment »

hey, coração, desacelera.

lágrimas, parem! já não têm mais por que sair, descontroladas.

eu não preciso mais soluçar, já acabou.

já posso ver os créditos, por que tudo aí dentro ainda chora?

(tolinha, tolinha! o que dói aqui não é a dor dos outros, não.

o que dói aqui dentro são suas próprias dores e fantasmas.)

por que tudo dentro de mim insiste em me deixar sozinha…?

.

.

.

[ps: eu te amo]

(faz oito anos. e parece que ainda fará muito mais…)

Jun 29
Dream
icon1 Ariane Freitas | icon2 O Fantástico Mundo de Ariane | icon4 06 29th, 2008| icon3No Comments »

How many a year has passed and gone,
And many a gamble has been lost and won,
And many a road taken by many a friend,
And each one I’ve never seen again.

I wish, I wish, I wish in vain,
That we could sit simply in that room again.
Ten thousand dollars at the drop of a hat,
I’d give it all gladly if our lives could be like that.

E quando tudo vai passando por sua cabeça – tudo que você já viveu? O tempo passou, e, definitivamente, 18 anos não são tão pouco assim. Parece que eu já vivi bastante – e nem lembrava. O que queria mesmo era saber entender porque tudo sempre me vem a mente junto de um aperto na garganta – por que tudo se recusa a me trazer um sentimento bom?

Jun 16
Obviedades
icon1 Ariane Freitas | icon2 O Fantástico Mundo de Ariane | icon4 06 16th, 2008| icon3No Comments »

Gonna change my way of thinking,
Make myself a different set of rules.

Gonna change my way of thinking,
Make myself a different set of rules.
Gonna put my good foot forward,
And stop being influenced by fools.
Stripes on your shoulders,
Stripes on your back and on your hands.
Stripes on your shoulders,
Stripes on your back and on your hands.
Swords piercing your side,
Blood and water flowing through the land.Well don’t know which one is worse,
Doing your own thing or just being cool.
Well don’t know which one is worse,
Doing your own thing or just being cool.
You remember only about the brass ring,
You forget all about the golden rule.

You can mislead a man,
You can take ahold of his heart with your eyes.
You can mislead a man,
You can take ahold of his heart with your eyes.
But there’s only one authority,
And that’s the authority on high.

I got a God-fearing woman,
One I can easily afford.
I got a God-fearing woman,
One I can easily afford.
She can do the Georgia crawl,
She can walk in the spirit of the Lord.

Jesus said, “Be ready,
For you know not the hour in which I come.”
Jesus said, “Be ready,
For you know not the hour in which I come.”
He said, “He who is not for Me is against Me,”
Just so you know where He’s coming from.

There’s a kingdom called Heaven,
A place where there is no pain of birth.
There’s a kingdom called Heaven,
A place where there is no pain of birth.
Well the Lord created it, mister,
About the same time He made the earth.

 

 

[Dylan falando comigo de novo! (Procure no arquivo e você encontra vários diálogos nossos, haha!) É, parece que falta alguma coisa... olhe bem.]

Jun 5
Devaneio (I)
icon1 Ariane Freitas | icon2 O Fantástico Mundo de Ariane | icon4 06 5th, 2008| icon3No Comments »

Porque eu vi esse texto no meu Recanto e achei que deveria publicá-lo novamente. Bons tempos aqueles em que eu conseguia escrever …

 

Por mais que eu tente dizer não a todos esses sentimentos que se chocam aqui dentro, o máximo que consigo fazer é assistir calada ao meu próprio fim. De que vale resistir tanto  se ao dormir são novamente eles que reinam em mim?

Não posso. Não, não! Está errado. Até porquê… Olhar-me com esses olhos? Ele? Jamais… (?) Não! Estou confundindo tudo. Não quero nada com ele! Nunca quis! É tudo criação da minha cabeça confusa. Estou estudando demais, é isso. Só pode ser isso.

{Mas e todos aqueles beijos, olhares e carinhos trocados ’sem intenção’? Aqueles abraços calorosos, aquela espera ansiosa todas as vezes em que cogitávamos um encontro, aqueles elogios soltos em meio a situações que não chamavam isso? E todas aquelas insinuações e sutilezas que sempre deixaram claro que havia ali algo a mais…?}

Não. Estou lúcida, sei que não há nada aqui além de um afeto inocente. Mas os objetos ao meu redor mentem. A taça pela metade, o cinzeiro cheio, as roupas – recém-tiradas – espalhadas pelo chão, a fotografia dele. Malditos objetos! Insistem em me dizer que eu o desejo; que os sonhos com ele são apenas reflexo do que me nego a enxergar quando estou acordada; que há realmente a chance de estarmos juntos um dia – mesmo que ‘um’ seja, nesse caso, não artigo; mas numeral.

O cheiro dele impregnou-se em mim – em meu pescoço, em minhas roupas, em meu sofá -  de maneira que não posso pensar em outra coisa, senão em seu toque. Mas estou lúcida, e isso exige de mim uma postura séria.

Por hoje eu decidi continuar sendo apenas a garota dos “incríveis olhos verde-musgo”. {Embora meu coração diga que sou não apenas uma garota com belos olhos, mas a garota “dele”.}

Jun 1

Por um motivo que desconheço, não costumo lembrar muito de quem já morreu. De um jeito ou de outro, acho que acabo me acostumando a sua (não) presença.

Apesar disso, tenho sonhado bastante com meu avô. Falado com muito carinho nele. Sentido falta das piadinhas sem-graça, de quando ele trocava meu nome, de quando me chamava pra pertinho dele e, encontrando um bolso em minha roupa, preenchia logo com uma nota de dez reais. Sinto falta do dias em que São Paulo jogava contra Corinthians e ele infernizava a vida da minha mãe, corintiana. Sinto falta dele chamando-a de senzala por ela ser a única pessoa na família toda que se aproximava do que se pode chamar de negro. Sinto falta de tanta coisa, de repente! De Páscoas, Natais, Reveillons, e todos os outros feriados em que ele fazia questão da família toda junta em volta da mesa – que tinha que ser sempre farta, sempre cheia de tudo que se possa imaginar – mesmo sabendo que não poderia comer (já que sua saúde não lhe permitia). Sinto falta dele falando com minha irmã: “Tanaca, venha cá, Tanaca” – e desprezando toda e qualquer correção – “É Tainá, vô! Tainá”… “Ô, Tanaca…”

Acho que, pensando bem, eu sei por que eu costumo não pensar muito em quem já se foi. Eu não lembrava o quanto doía sentir saudade de alguém e não poder simplesmente telefonar pra ele dizendo “Eu te amo”, ou pegar o carro e ir até ele pra dar um abraço e, encostando a cabeça nos ombros dele, sorrir e me sentir acolhida, como se tudo fosse pra sempre.

Eu não fui ao enterro do meu avô. Tinha onze anos e meus pais me julgavam ainda pequena demais para isso. Eu não sei como ele estava vestido, se estava com uma feição de paz no rosto. Não sei quem estava lá, nem sei onde é que ‘lá’ podia ser. De certo modo, pra mim, naquele tempo, era um alívio sabê-lo morto. “Ele não vai sofrer mais, não é, mãe?”. Era muito bom pensar que ele não estaria mais em casa, sofrendo com os erros de alguns de seus filhos, ou com a falta de cumplicidade de sua mulher. Era maravilhoso saber que ele não estaria mais lá na UTI, ao lado de outras pessoas tão mal quanto ele – ou piores – pessoas morrendo, pessoas chorando… Me agradava a idéia de que ele não sofreria mais. Mas eu nunca pensei que minha vida mudaria tanto depois que ele morresse.

Eu não tenho mais vontade de compartilhar minha vida com minha família paterna. Não sinto nada que eu não possa chamar de raiva pela minha avó. Não consigo perdoar tantas coisas que poderiam ter sido evitadas e que só contribuíram para criar ao meu avô a possibilidade de ter morrido infeliz – ele, que sempre quis o bem de todos. Não consigo evitar pensar que ele morreu de desgosto – e que foi tudo culpa da minha avó e de minhas tias.

Faz cerca de 7 anos que ele se foi. E eu ainda me pego, por vezes, como agora - se chão, chorando, sem controle. Apenas por sentir falta dele. Como ninguém nunca conseguiu me fazer sentir. E é por ele que eu vibro e me estresso a cada jogo do São Paulo. É por ele que evito ao máximo estar lá, na casa da minha avó, como se nada tivesse acontecido.

Não sei… é por ele que agora eu soluço, escondida no meu quarto. Porque sei que ele está, certamente, melhor do que estava aqui. Mas também sei que a falta dele torna meus dias vazios, querendo ou não.

Jun 1

Por um motivo que desconheço, não costumo lembrar muito de quem já morreu. De um jeito ou de outro, acho que acabo me acostumando a sua (não) presença.

Apesar disso, tenho sonhado bastante com meu avô. Falado com muito carinho nele. Sentido falta das piadinhas sem-graça, de quando ele trocava meu nome, de quando me chamava pra pertinho dele e, encontrando um bolso em minha roupa, preenchia logo com uma nota de dez reais. Sinto falta do dias em que São Paulo jogava contra Corinthians e ele infernizava a vida da minha mãe, corintiana. Sinto falta dele chamando-a de senzala por ela ser a única pessoa na família toda que se aproximava do que se pode chamar de negro. Sinto falta de tanta coisa, de repente! De Páscoas, Natais, Reveillons, e todos os outros feriados em que ele fazia questão da família toda junta em volta da mesa – que tinha que ser sempre farta, sempre cheia de tudo que se possa imaginar – mesmo sabendo que não poderia comer (já que sua saúde não lhe permitia). Sinto falta dele falando com minha irmã: “Tanaca, venha cá, Tanaca” – e desprezando toda e qualquer correção – “É Tainá, vô! Tainá”… “Ô, Tanaca…”

Acho que, pensando bem, eu sei por que eu costumo não pensar muito em quem já se foi. Eu não lembrava o quanto doía sentir saudade de alguém e não poder simplesmente telefonar pra ele dizendo “Eu te amo”, ou pegar o carro e ir até ele pra dar um abraço e, encostando a cabeça nos ombros dele, sorrir e me sentir acolhida, como se tudo fosse pra sempre.

Eu não fui ao enterro do meu avô. Tinha onze anos e meus pais me julgavam ainda pequena demais para isso. Eu não sei como ele estava vestido, se estava com uma feição de paz no rosto. Não sei quem estava lá, nem sei onde é que ‘lá’ podia ser. De certo modo, pra mim, naquele tempo, era um alívio sabê-lo morto. “Ele não vai sofrer mais, não é, mãe?”. Era muito bom pensar que ele não estaria mais em casa, sofrendo com os erros de alguns de seus filhos, ou com a falta de cumplicidade de sua mulher. Era maravilhoso saber que ele não estaria mais lá na UTI, ao lado de outras pessoas tão mal quanto ele – ou piores – pessoas morrendo, pessoas chorando… Me agradava a idéia de que ele não sofreria mais. Mas eu nunca pensei que minha vida mudaria tanto depois que ele morresse.

Eu não tenho mais vontade de compartilhar minha vida com minha família paterna. Não sinto nada que eu não possa chamar de raiva pela minha avó. Não consigo perdoar tantas coisas que poderiam ter sido evitadas e que só contribuíram para criar ao meu avô a possibilidade de ter morrido infeliz – ele, que sempre quis o bem de todos. Não consigo evitar pensar que ele morreu de desgosto – e que foi tudo culpa da minha avó e de minhas tias.

Faz cerca de 7 anos que ele se foi. E eu ainda me pego, por vezes, como agora - se chão, chorando, sem controle. Apenas por sentir falta dele. Como ninguém nunca conseguiu me fazer sentir. E é por ele que eu vibro e me estresso a cada jogo do São Paulo. É por ele que evito ao máximo estar lá, na casa da minha avó, como se nada tivesse acontecido.

Não sei… é por ele que agora eu soluço, escondida no meu quarto. Porque sei que ele está, certamente, melhor do que estava aqui. Mas também sei que a falta dele torna meus dias vazios, querendo ou não.