Feb 26
Belinha
icon1 Ariane Freitas | icon2 #Amigos, #Amores, #AméliePoulain, #Cotidiano, #TVP | icon4 02 26th, 2009| icon3No Comments »

Não podia ouvir ninguém chegar, fosse de carro ou a pé, que corria pra porta, latindo. “Quieta, Belinha! Já é tarde! shiiiiu!” Voltava, avisava a todos na casa, ia desesperada em direção ao portão. Sem boas vindas nem tem graça entrar em casa. Ao menor barulho do saco de pão, disparava em direção à cozinha. “Ô, Belinha, me deixa tomar meu café!”.

Nem quando alguém ia ao banheiro dava sossego. Corria atrás e se escondia embaixo da pia. Vira e mexe passava despercebida aos olhos de alguém e acabava lá presa, sozinha, até latir por socorro.Isso quando não esqueciam a porta aberta na hora do banho – ia pra baixo do chuveiro na hora! “Belinha, sua danada, acabei de secar você…!”. Adorava tomar banho, sentir-se limpa, bonita. Caminhava feito uma princesa pela casa. Isabella. Mais Bela que Isa, mas era o nome perfeito. Beleza imponente. “Nunca vi cachorra assim! Parece uma gata!”.

Dormia o tempo todo no braço do sofá. “Bela, desce daí!” E ela esperava a gente virar as costas e subia de novo. Eu, papai, mamãe, Tainá e Melissa éramos mais dela que ela nossa. Escalava escadas como ninguém, avançava em qualquer um que lhe parecesse ameaçar um de nós. Ciumenta que só. Pulava de um sofá para o outro. Orgulhosa.  Nem adiantava chamá-la se pegássemos a Melzinha primeiro. Virava a cara. “Belinha! Bela! Vem cá, cheirosa!”. E a sem vergonha sumia.

Num passe de mágica, surgiam calças e calcinhas furadas. Quantas calcinhas novas joguei no lixo por ter esquecido na cama no dia da compra! “Dá um beijo, Belinha!” E ela dava uma lambidinha só, rápida e carinhosa, na face de quem pedia. Belinha era a alegria da casa. Até quando fazia coisa errada, nos fazia sorrir.

Dormia na porta do quarto esperando alguém levantar. Às vezes, no meio da madrugada, empurrava a porta e subia na minha cama. Eu acordava com o que mais parecia um bolinho peludo no edredom, fazendo calor em cima das minhas pernas. “Sai daqui, Belinha!”. De vez em quando, engasgava com alguma porcaria achada no chão e deixava todo mundo assustado. Companhia quando eu estava carente. Inspiração nas minhas aventuras escritas. Belinha sim era cachorra pra amar…

Assustada. Sempre. O que tinha de espoleta, tinha de medrosa. Medo de tudo. Sombra, bonecas, espelho, televisão… Temia o tartarugo… Temia até – e principalmente! – rodos e vassouras. Era só ver um que saia latindo e chorando, rosnando pra quem se pusesse em seu caminho. Invocava até, mas era só oferecer um carinho que já se abria toda. Não fazia xixi fora do jornal, não aceitava sair sem antes colocar um lacinho, ah, Belinha! ô Belinha… De vez em quando eu ainda a espero vir correndo. De vez em quando ainda me pego chamando. Belinha! Belinha! Mas ninguém vem.

Bobeira segurar as lágrimas. Bom deixar correr. “Belinha! Belinha! Não faça isso! O que você tem? Engasgou de novo? Responde, Belinha! Belinha… ô, minha menina… Belinha?” Fiz tudo o que pude, juro. Mas o corpo foi esfriando, fez-se duro – e ela nunca mais respondeu.

escrito na madrugada de 21 para 22/02, no quarto escuro, entre o rodízio de lágrimas dos quatro que Belinha deixou aqui quando partiu.

Dec 26

Noelzinho,

Eu sei que já estou quase saindo dos dezoito anos e talvez já não tenha mais idade pra escrever pra você (se é que há idade pra isso), mas senti necessário investir um tempinho num diálogo entre nós. Sei também que há algum tempo não sou mais a menina ideal, a filhinha dos sonhos de toda família e aquele besteirol todo que vira e mexe eu escuto de algum tio inconformado com o fato de eu ser mais certinha que as filhas e filhos dele. Eu não sou perfeita como pensam. Falo palavrões demais, reclamo o tempo inteiro, não vou mais à igreja (e nem pretendo entrar na categoria “vícios”, porque isso não é uma carta de confissão)… Não vejo razão pra me vangloriar.

Até me incomoda um pouco ter mudado tanto. Mas eu cresci, acho que essas coisas fazem parte da vida. Não faço a mínima questão de ser a “boa menina”. Você sabe, dear Santa, que eu não dou a mínima para o que pensam de mim. Quero mais é ser feliz.

Pra ser feliz de verdade, eu já precisei de coisas materiais. Vários Natais foram completamente desvirtuados por mim, significando apenas a espera de algum presente que eu queria muito – sempre ganhei tudo o que quis, nem sei se posso reclamar. Mas hoje, Noel, o que eu quero não é nada material. Qualquer um vê nos meus olhos que o que eu quero é amor. (É claro que se você quiser me dar uma câmera eu não ligo) Acho que essa escolha muda um pouco as anteriores. Acho que esse Natal não está tão desvirtuado assim.

Amor, sim, não estou sendo hipócrita. Durante muito tempo eu amei da maneira errada. Não vou ser pretensiosa o suficiente para dizer que agora amo da maneira certa, porque sei que não o faço. Mas tenho dado tudo de mim para ser uma pessoa melhor. E tudo que eu peço, papaizinho, é que eu receba carinho em troca. Eu sempre precisei loucamente de carinho. Agora parece que ainda mais. Quero alguém que não tenha medo de assumir que sente algo por mim para o mundo, alguém que  não ligue de passar um dia inteiro comigo vendo filme abraçadinho embaixo do edredom. Alguém que consiga dizer “Eu te amo” sem titubear, que diga “é minha namorada” sem hesitar nem por um segundo. É, porque eu quero namorar. Descobri que tenho esse defeito de não gostar das coisas pela metade. Ou é, ou não é. Eu quero a pessoa só pra mim, já dizia a Chii. Quero controlar meu ciúme. Serei menos Heloísa, prometo!, se você mandar alguém que me goste.

Pensandobem, desvirtuei a essência do Natal de novo. O aniversariante é, supostamente, Jesus, não eu. Mas eu não vou ficar aqui pedindo paz na Terra enquanto os outros pedem o que é bom pra si. Juro que meu pedido não está sendo tão egoísta quanto parece, Papai Noel. Tudo isso que eu pedi, pretendo dar em dobro àquele que você escolher me mandar. Aliás, falando nisso… Se você puder me mandar especificamente aquele a quem tenho dedicado meu tempo e meu coração, eu fico agradecida. Se não puder… Bom, você é quem sabe de todas as coisas. Tá aí, do ladinho de Deus, o que custa perguntar a ele quem é o melhor pra mim?

Ah! Aproveita que vai passar pela casa dos meus amigos e manda um cheirinho em cada um por mim? Tá todo mundo tão longe…

Mil beijinhos,

Ariane.

ps: Por favor, não me deixe ter recaídas esse ano. Por favor. Demorou, mas acho que finalmente esqueci. Aí eu não te importuno com o mesmo pedido. Acho que oito anos foram o suficiente. :)

ps²: Se não for pedir muito, realiza os pedidos da Tainá? Eu nem sei quais são, mas ela merece.

Eu já havia escrito uma ‘cartinha-post’ pra esse ano, daí decidi que não postaria. Como o vinik me ‘condenou’ a postar, modifiquei um pouquinho a carta-base, e taí. O pedido foi mesmo esse. Sim, eu sou exageradamente piegas. Mesmo assim, preferi deixar pra postar só depois do Natal. Está aí, não que vá mudar a vida de alguém. ;)

Dec 14

 

 

Engraçado. Dia desses alguém me passou o link pro download da trilha sonora completa de Vicky Cristina Barcelona. Eu nunca tinha procurado, mas não hesitei em clicar quando recebi. O filme, que eu achei realmente muito bom, tem uma trilha bem marcante, reparamos já no cinema, mesmo que ainda inebriados pela imagem de Javier Barden, Scarlet Johansson e Penélope Cruz na mesma tela. Foi encanto imediato, total. Só que baixei, descompactei e esqueci de ouvir. É, culpem essa maldita correria pós-uma-prova-pré-outra.

Daí que hoje, passeando pela minha pasta de músicas – que anda, por sinal, catastróficamente depressiva – eu trombei, de repente, com a pasta Vicky Cristina Barcelona Soundtrack“, dizendo “Oi, amiga, lembra de mim aqui?”. Confesso que não lembrava. Mas coloquei pra reproduzir. (Pausa pra respiração.)

Êxtase total. Primeiro de Dezembro, o início do fim. A noite em que vimos o filme, as minha sensações de agora, as minhas sensações anteriores, tudo se misturou dentro de mim. De repente, eu estava lá no escadão da Gazeta, Brunos ao meu lado, Tory atrás de mim, Clarinha e Francisco num canto, cabeça do Hugo no meu colo, levando cafuné. Violões ao fundo. “Barcelona”, de Giulia y Los Tellarini.

A minha angústia, mesmo com todos os amigos a minha volta, esperando a ligação dele. O olhar cansado do Bruno Mancini, que, sentado ao meu lado, dizia querer estudar mais. “Quero aprender mais.”. Contando sobre os planos de mudar de curso enquanto eu, entre uma olhada e outra no celular – que eu fingia me atrair pela hora, mas, na verdade, atraía pela ansiedade. Bruno Guerrero anunciando, especialmente pra mim, que o Ricardo Cruz se juntaria a nós. Aquele misto de empolgação e retração invadindo meu corpo enquanto eu implorava a Deus por um sinal de vida daquele que eu tanto queria ver, antes que a tentação chegasse. “Your Shining Eyes”, Biel Ballester Trio, Graci Pedro, Leo Hipaucha.

Meu celular que, definitivamente, não tocava. Todos cansados, com sono, estressados com os resultados da faculdade, que, aos poucos, estavam aparecendo: alguns com muitos exames a fazer (coloquem meu nome nessa lista), outros com nenhum. Aquela melancolia de fim de ano, o que foi ruim, o que foi bom, como todos viemos parar aqui. “Vamos para o padabar?”. Telefone tocou. Não o meu, o da Tory. Capiau vindo nos acompanhar em nossa melancolia. “El Noi De La Mare”, Muriel Anderson & Jean-Feliz Lalanne

Todos em pé, prontos para partir em direção à padaria, logo ali na Brigadeiro. Então meu telefone finalmente toca. “Estou aqui na Joaquim Eugênio de Lima. Paro o carro em frente ao Top Center, pode ser?”. Pode. Claro. Poderia qualquer coisa, já que eu não aguentava mais as saudades. Olhei na direção da banca, o carro não estava lá. Levantei-me, despedi-me de todos. “Vamos conosco ao bar!”. Não podia. Não queria. Só queria um tempinho sozinha com ele. Os amigos compreenderam. “When I Was a Boy”, Biel Ballester Trio, Graci Pedro, Leo Hipaucha.

O carro parou em frente à banca, conforme o combinado. Entrei, nos beijamos, eu e meus olhinhos brilhantes, ele e seu sorriso doce. Parecia cansado. “Posso te roubar hoje?”. “Pode”. Fomos embora, sem ir a lugar algum. “Granada”, Emilio de Benito.

Deu uma volta no quarteirão. Parou o carro, olhou para mim e me beijou. Eu estava apaixonada. Trágico ou não, eu estava entregue, qualquer um que olhasse para mim perceberia isso. Trocamos poucas palavras e muitos carinhos. Era difícil nos vermos, eu tinha de ir embora logo. A sensação era a de que não podíamos perder um segundo sequer. Desabafos entre as sessões de beijinhos. Olhares abobados de menina apaixonada. Ah, aqueles olhos, aqueles cabelos, aquele abraço. “Senti tanto sua falta…”.O tempo passava rápido ali. Mais rápido que tudo.  “Entre Olas”, Juan Serrano.

A rádio avisou que passava das onze. Deu partida no carro. Dirigiu rumo à estação mais distante, comigo ao lado, ainda aos suspiros. A cada parada, um beijinho ou um carinho nas mãos. Olhares de lado. Cafunés. Sem que ele soubesse, eu pensava em como sempre quis aquilo. Como sempre quis aqueles carinhos. Como nunca tinha me dado bem daquele jeito com ninguém. Sem que ele soubesse, eu me apaixonava cada vez mais. Mostrou-me coisas que talvez nunca façam sentido algum senão pra mim – o caminho de sua casa, os enfeites da Avenida, as pessoas na rua, tudo parecia especial. E eu só queria estar lá mais vezes com ele. Muito mais. Acho que esse foi um dos momentos em que mais me perdi dentro de mim. Em que mais me entreguei ao sentimento. O trajeto entre os carinhos e a despedida. Mas acabou. “Entre Dos Aguas”, Paco de Lucia.

Acabou. Já estávamos há tempo demais parados na vaga de descarga, na porta do metrô. Passou da hora de ir embora. Eu hesitava: quando pensava poder sair do carro, um suspiro de qualquer um dos lados me colocava de volta pra dentro, beijando aqueles lábios enquanto o mundo lá fora desmoronava. É, chovia lá fora. E não nos importava nada. Uma buzinada. Soltei-o, abri a porta e fui embora. “Te amo”, teria dito, mas preferi calar. “La Ley Del Retiro”, Giulia y Los Tellarini.

Andar nunca foi tão engraçado. Sentia-me flutuando. Minha boca ainda tinha o gosto dele e eu queria mais. Não pensava em nada além dele. Queria saber o que tínhamos, mas também não queria saber de nada. Entrei no trem, sentei-me, segui viagem pensando nos és e nos nãos da minha vida até então. Nas frustrações que havia tido, nas que ainda podia ter. “Onde você estava, que não te encontrei antes?”, mandei por sms. “Eu estava aqui o tempo todo, só você não viu…”. Retrucar com Pitty é covardia. Derreteu-me. Chovia, eu tinha de correr pra casa. Tinha de ser natural. Estava sendo. Mas aquele cheiro ainda estava em mim… “Gorrion”, Juan Serrano.

Minha parada. Desci a rampa, na chuva, correndo. Meia noite e dez. Àquela hora meu pai já deveria estar surtando no carro. Minha irmã tinha vindo com ele. Estava no banco da frente. Entrei atrás, acomodei-me. Sem que tivesse controle, saiu de mim um suspiro e um sorriso no canto dos lábios. Tainá virou para trás na hora. “Está apaixonada, Ni?”. “Não, não estou não, impressão sua. Impressão sua… Vamos logo”. “Big Brother”, The Stephane Wrembel Trio.

Os cinco minutos a caminho de casa foram tensos. Não queria que ninguém soubesse da minha paixão. Ninguém. Fiquei calada. Já em casa, corri para o quarto. Um bom banho quente, um café, e eu já estava pronta para deitar. Não para dormir. Muito para mim, se querem saber. Não sei lidar com sentimentos. Passei a noite virando de um lado para o outro na cama, como se faltasse algo lá. E faltava. Estava mais claro do que nunca. O grande problema é que parecia faltar só pra mim. Eu e minha cabeça criativa: já fantasiava não-correspondências, abandono, imaginava não ser tão querida quanto queria. Mandei mensagem. Escrevi. Desejei um cigarro, desejei a morte, chorei. Eu sou assim, cheia de altos e baixos, quentes e frios, secos e molhados de uma hora para a outra. Quando vi, passava das três da manhã. Pesaram-me minhas responsabilidades, minhas alegrias, minhas tristezas. Odiei-me por ter entregue tão rápido meu coração nas mãos dele. Odiei-o por ter parecido não querer nada além do meu corpo. Odiei as faculdades, por não estar ainda de férias. Odiei o espelho e o relógio, que me diziam que era tarde. E então, de repente, eu já não estava mais ali. Então já era outro dia. “Asturias”, Juan Quesada.

Engraçado como os dias, mesmo os mais grandiosos, são pequenos: cabem num CD.

Dec 12

“A imaginação foi a companheira de toda a existência, viva, rápida, inquieta, alguma vez tímida e amiga de empacar, as mais delas capaz de engolir campanhas e campanhas, correndo.”

Dom Casmurro, Capítulo XL

Daí que, assistindo Capitu, passou pela minha cabeça de novo algo que sempre passa quando leio Machado de Assis. É, eu não sou tão Heloísa quanto espalho por aí. Quer dizer, já matei um ou outro por ciúme e tenho em minha lista mais umas duas ou três que não escaparão, mas, ah, isso é tão normal. Posso até ser, na verdade, não sei. Mas o fato é que, ciumento por ciumento, eu estou muito mais para Bentinho.

Queria ser Capitu. Com os olhos de cigana oblíqua e dissimulada. Sim, aqueles olhos de ressaca. Aquele poder de mexer com um homem, de enlouquecê-lo, de fazê-lo servo. Mas eu sou Bentinho. O que consigo mesmo é me entregar, de repente. De repente, porque a situação sempre está ali por um bom tempo antes que eu a note de verdade. E aí, depois da entrega, resta criar em minha cabeça situações que podem ou não existir. Fantasiar o tempo inteiro que não sou boa o suficiente (e o que é ser boa o suficiente?), que alguém melhor vai levar o que é meu embora. E me corroer, sangrar, morrer por dentro. Sem fazer mal a ninguém, a não ser a mim mesma.

Mas nem todo mundo é assim. Minha irmã, hoje mesmo, mostrou que é muito diferente de mim. E foi dela que tirei a maior lição do dia. “Ele já disse ‘eu te amo‘ alguma vez?”, perguntou-me enquanto almoçávamos. “Sim. Quer dizer, isso foi antes de ficarmos, mas…” – nem me deixou terminar. “Se ele disse ‘eu te amo‘, acredite. Você só precisa acreditar. Não ficar inventando milhares de possibilidades ridículas dentro da sua cabeça e enchendo o saco dele” (Ela ainda complementou com um “e nem adianta me olhar com essa cara de cachorro morto, é isso e ponto!”). Tudo bem, foi um tremendo desabafo (ela tem um namorado tão Bentinho quanto eu), mas não deixa de ter razão. O grande problema é que eu não tenho controle sobre isso (a ponto de minha irmã de 12 13 anos estar me dando conselhos maduros enquanto eu, aos dezoito, às vezes choro pelos cantos por me sentir mal amada).

Não consigo não imaginar coisas, nem deixar de acreditar cegamente em cada uma delas. Não consigo parar de encontrar evidências e torná-las cada vez mais reais. É, sou convincente. Não venço meus argumentos, nunca. E aí, o que eu faço? Eu corro pro Twitter. Pro lugar mais errado possível. E eu despejo tudo lá. Minhas mágoas. Minhas obssessões. Se estou vidrada, se estou bêbada, se estou infeliz, se estou amargurada, se não sinto nada… Não importa. Eu sou realmente uma personagem. Meu livro está escrito em parágrafos de até 140 caracteres, pra qualquer um que peça permissão para me seguir. Pois é, pois é, pois é. Perdi a noção do perigo, deturpei o uso de uma ferramenta interessante e, ainda assim, sou eu, no final, a vítima da tragédia. Sei que não sou a única a fazer esse tipo de coisas, mas dói por dentro, vez por outra, quando ouço algum comentário ou crítica fervorosa a usuários compulsivos como eu. (Mentira, não me dói nada. Se não gosta de ler meus posts, não me siga – simples assim!).

“Ora, há só um modo de escrever a própria essência, é contá-la toda, o bem e o mal.”

Capítulo LXVIII

No fundo, acho que seria menos feio ser Heloísa. Extravasar, gritar, esfaquear, correr atrás, enlouquecer. É, certamente. Mas eu só sei ser assim, quietinha. Cada descoberta (ou criação?) é uma nova punhalada que dou em mim mesma. Cada vez que encontro uma pista, meto-me mais pra dentro de mim. E eu não consigo (ou não quero, quem sabe?) mudar. Eu só sei ser assim, não sei dissimular nem esconder o que penso. Não tenho porque viver de meias verdades, ou dizer somente o que os outros querem ouvir.

Eu sou insuperavelmente piegas, possessiva, ciumenta, carinhosa e entregue. Mas não sou nada ingênua. Não sempre. A única coisa que me dá medo, de verdade, é essa minha mania Bentinho de me prender à minha versão da história. Sim, porque eu sinto que isso vai acabar me fazendo morrer sozinha. Não que eu tenha medo da solidão, não é isso. É só que eu acho-a desnecessária. (E que eu sonho ter alguém que, numa noite de frio, saia de debaixo do edredom, levante-se e calce em mim mais um par de meias, pra depois voltar pro quentinho da nossa cama e dormir abraçado comigo, trocando cheirinhos e um calor sem fim).

Mas o fim… Quem sabe do fim? Eu vou continuar escrevendo minha vida até o dia em que sentir que devo parar – ou até que a vida pare por mim. Bentinho ou  Heloísa, uma coisa é certa: eu me permito sentir, sem medo. E isso nem todo mundo consegue.

“Tudo acaba, leitor; é um velho truísmo, a que se pode acrescentar que nem tudo o que dura muito tempo. Esta segunda parte não acha crentes fáceis, ao contrário, a idéia de que um castelo de vento dura mais que o mesmo vento de que é feito, dificilmente se despegará da cabeça, e é bom que seja assim, para que se não perca o costume daquelas construções quase eternas.”

Capítulo CXVIII

Nov 26

Acho que nem eu tenho noção do quanto mudei do começo do ano pra cá. Com o excesso de agitação no mundo real, eu acabei deixando minha vida virtual se banalizar completamente. Virou uma válvula de escape que saiu do controle,e, quando vi, twitter, blog, msn, orkut, tudo era muro das lamentações. Eu extrapolei os limites e, de uma forma ou de outra, por ter sempre muito a ler e/ou a fazer, virei uma usuária fútil daqui. Sabe, do tipo desprezível. A Ariane criativa, dinâmica, estudiosa, antenada, que até apareceu várias vezes esse ano! (vide a idéia do vitroleiros.org, às fotos e algumas saidas) deu lugar maior à Ariane mimimizeira e ranzinza que fica o dia todo falando muito e fazendo pouco por si mesma. Quero e vou mudar isso. Segunda-feira é minha última prova, teoricamente (não sei se pegarei exames ou recs, enfim), e eu pretendo mudar de vida (não, eu não largarei minhas contas em lugar nenhum e nem pretendo deixar de ser eu mesma nelas – vou ser como sempre fui!): fazer layout decente pro blog, procurar emprego, estudar mais e melhor (é, vou trancar a usp e voltar só depois de terminar jornalismo!), sair mais, viver um pouco além do que a internet me leva. Sim, porque, numa conversa de bar esses dias, descobri que tudo que tenho começou aqui.

Essa é uma daquelas promessas (ou um daqueles planos, anyway) de final de ano. Mas não é daquelas que a gente faz e joga no limbo pra um dia falar “Putz! Já quis fazer isso um dia!”. Não, essa é uma das que começo desde agora a cumprir. Quero fazer o que me dá prazer, descobri relendo Cibercultura para uma prova de Teoria da Comunicação. Não vou explicar aqui as coisas que passaram pela minha cabeça, só o que preciso dizer é que, como diz minha mãe, se eu gosto tanto de uma área, se vivo dela e para ela, então por que diabos eu não vou trabalhar com ela? É, dessa vez tenho o apoio da minha mãe. E que venha o fim de ano, o Natal, perder peso, arrumar emprego, comprar uma câmera, desencalhar (carência mata, mano!), e, por hoje, aprender tudo sobre cibercultura porque amanhã tem a prova da minha vida. OI? hahaha.

É, eu vou viver um dia de cada vez, como sempre fiz. Mas não posso deixar de pensar no futuro, não.
Porque eu quero poder olhar pro passado e me sentir feliz, como me senti hoje.
E não dá pra ser feliz olhando pra um passado inútil ou vazio…
Por enquanto, o mantra ainda é #TVP…

Nov 21

-

Pra mim era só mais um follower no meio dos 500 e tantos. Só mais um leitor do meu twitter, que se divertia rindo das minhas trapalhadas no começo, e, com o tempo e a afinidade, acabou não ligando pro mar de lamúrias em que aquilo se transformou.

Mas só pra mim, e isso é que é engraçado.

É que foi inesperado. Imprevisível. Foi estranho, não tem como dizer que não.
Foram fugas, atrasos, foram idas minhas e vindas dele sem que nada fizesse o menor sentido.

Daí, um dia, de repente, ele me pegou no susto.
E eu, de tão perdida, só me entreguei. Assim, de primeira.
No começo, ficou tudo agitado dentro de mim. Confuso.
Mas depois eu simplesmente quis entender o porquê de ter fugido de algo que me faz tão bem.
Sim, algo que, se eu soubesse que me mudaria tanto, já teria arriscado antes.

Já não fico rabugenta por aí. Ando saltitante, cantando, accidentally in love, accidentally, iiiiinn loooove.
São olhares doces, palavras ternas, mensagens, saudades, é sempre o toque que acalma.
E a pergunta, a que não queria calar, ele respondeu com exatidão.
Onde estava durante todo esse tempo?

eu estava aqui o tempo todo, só você não viu…

Eu só tenho um problema agora: Preciso aprender a ser breve. É, porque chove lá fora.
Tem pessoas ao redor, embora pareça que o mundo somos nós dois. E o pisca alerta não resolve tudo. ;)

— Sorte de hoje: O melhor presente que você pode dar é um abraço: ele é tamanho único, e ninguém vai se importar se você quiser devolvê-lo

[Quero ele aqui comigo, comofas//]

(me deixa que hoje eu tô mimimi. =P)

Nov 13

Acordei com o celular tocando às 4h20 da manhã. Basicamente aquilo que tive vontade de fazer ontem e não fiz. Foi meio que uma troca, ou até mesmo um compartilhamento. O sonho veio aqui ontem, foi lá hoje. Ambos tivemos a mesma sensação – ou não. Só sei que essas coisas me dão medo. Mas eu acho engraçado como tudo tem acontecido. A vida é engraçada, até quando é surreal. Alguém que nunca vi como se tivesse visto mais do que deveria. E vice versa. Ou não. E, só pra constar, não macumbei ninguém. É, no máximo, sintonia mesmo.

 

(Sabe o que me deixa feliz? Bem ou mal, eu existo pra ele tanto quanto ele pra mim. É tão ruim quando a existência se limita a um dos lados… Aliás, não é que seja ruim, é que, quando é de um lado só, simplesmente não é. É isso: não é.)

Nov 8

.

Às vezes, no meio de toda agitação, de todo trabalho, bate o cansaço. A vontade de ir embora. De estar longe. É, eu queria estar longe daqui. Hoje, olhar o mundo com os olhos dos outros foi minha única forma de fugir.

E fez um bem…

Nov 4

 

 

 

 

 

Didn’t teach me how to love
They say they have their reasons
All coming from above
You can forget the seasons inside your factory
There’s one thing they can’t teach you is how to feel free
And stand alone in a beautiful world
We have to respond…
Schools are prisons
Forget the seasons

Schools are prisons
Schools are one of the reasons for this waste of the spring
And where to begin 
Outside or within
It took the best years of my life
And made it so I couldn’t decide

Statistic as in prisons
Statistic as in life

Schools Are Prisons, Sex Pistols

 

Beatniks, Hippies, Punks, Grunges e alguns minutos de discussão depois… 

“Parabéns, meninos, aprendi muito hoje. Deram aula melhor que eu!”

Valeram a correria,  o estudo, a dedicação e até alguns dos infortúnios, sinceramente. É verdade que ouvir isso de alguém que dá aulas baseado na wikipédia  costuma ser bem crítico nem foi tão legal assim mm1…

 

NOT!!! :B foi sim. loko

OK , OK, Voltarei ao trabalho. As coisas estão correndo bem, sim… Bem! =)

Logo menos eu volto pra contar a história, com direito a novidades! :B

 

ps: Saudades incríveis da minha Florzinha. É, a correria não me dá tempo nem pra ver meus amores.

Oct 31

…. que eu com certeza tô perdida no meio delas.

 

(Periga cair, mas a esta altura eu não tô nem ligando…)

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