Jun 10

*mais um daqueles posts meus que geram ódio no coração dos leitores de meus mimimis. é, um post feliz. :D

<em>Não é que eu sou feia, vejam bem: Ela é diva e ofuscou meu brilho. =P</em>” title=”Stefhany Absoluta no meio. @Pelogia e eu =D” width=”500″ height=”447″ class=”size-full wp-image-2962″ /><p class=Não é que eu sou feia, vejam bem: Ela é diva e ofuscou meu brilho. =P

Na hora em que o Pelogia me contou que a Pix ia trazê-la pra São Paulo, não botei fé. Dei risada, falei “me avisa quando for” e segui a vida. Pois bem. A hora chegou e eu, boboca, fui pega de surpresa. É, fui sim. E tinha aula, pepinos a resolver… Mas né? Não hesitei (hesitei sim!) em estar lá, feliz e contente esperando pra vê-la. Ela apareceu (não no seu Crossfox, mas apareceu) linda, absoluta, totalmente timais. Gente, ela é Stefhany, ela é diva, é lição de vida – e ela não é bobinha como a maioria das pessoas pensa, não. Ponto!


Pra quem ainda não viu.

O ponto é que depois da coletiva com a Absoluta havia a tal da #maisafest. Pânico, oi? Eu sempre falo do pânico que esses eventos me dão: eu me sinto num twitter presencial, com um monte de arrobas indo e vindo ao meu redor – umas conhecidas, outras nem tanto, assim segue a vida. É bizarro, porque, diferente da timeline do twitter, não dá pra ignorar algumas presenças e também não tem como exaltar outras. Não foi diferente ontem. (Eu faria uma lista de quem encontrei, mas o medo de esquecer alguém me impede. Hahaha. Eu sou tímida, nunca se esqueçam disso). Descobri da pior maneira que algumas pessoas não são amigas quando estão em público. E ok, levei horas pra conseguir sair distribuindo sorrisos pra todo mundo que eu conhecia (não era pouca gente, ok? :P ), mas, quando o fiz, foi tudo muito sincero. Sem drama, porque no fim da noite eu já tava tão em casa que gritei de longe “Eu também quero um abraço do Ian Black!” antes que ele fosse embora sem que nos falássemos pela milésima vez (exagero, eu sei, só foram 3 desencontros at all. haha). Faltou o Inagaki, né? Mas parece que ele tava doentinho.

Enfim, tô triste porque a vontade era de colocar tooooooooodos os nomes aqui, e descrever cada encontrozinho! Mimimi.
Obrigada a todos que animaram minha noite ontem. =D

(Prometo que não vai virar mania colocar foto minha aqui! É que essa é com a musa, né, gente?)

E STEFHANY É LIÇÃO DE VIDA. Continuarei entoando as letras dela feito um hino, todos os dias, pra levantar a auto estima. “Será que você pensa que vou chorar, me desesperar por um bobo e velho romance? Eu sou linda *tã nãnãnã-nã* Absoluta *tã nãnãnã-nã* Eu sou Stefhanyyy”. Tá, parei.

Eu prometi pra mim mesma que não ia surtar nunca mais, mas né, EPIC FAIL. Apelei pro amigo errado na hora de desabafar e acabei ficando pior ainda. TUDO PASSA, tou bem, tou viva, vamos para a próxima tentativa. Nada a perder, nada a perder, nada a perder… #mantra

Feb 28

Eis que, depois de alguns meses sem nem olhar o Analytics (sim, meses!) eu parei para fazê-lo hoje.  A pedidos, eis os blogs que mais me mandaram visitas nos últimos 15 dias:

anderssauro.com
crediario.blogspot.com
farofeiros.com.br
desiluminancia.wordpress.com
apulga.wordpress.com
vitroleiros.org
baixacombustao.com
filipekiss.com.br
justplay.info
10° rfranco.org
11° donttouchmymoleskine.wordpress.com
12° ftriff.blogspot.com
13° ledesordre.wordpress.com
14° leonardoatorama.wordpress.com
15° sakuraincubus.com

Feb 12
É você?
icon1 Ariane Freitas | icon2 O Fantástico Mundo de Ariane | icon4 02 12th, 2009| icon3No Comments »

Você já perdeu uma foto sua? Esqueceu um photoboot na pressa?
Descartou um amante? Se sim, você pode estar aqui.

isthisyounewEssa é a descrição do projeto Is This You?, site inglês que reúne fotos encontradas nas calçadas do Reino Unido. O projeto nasceu da vontade de responder a questão “É possível retornar essas fotografias a seus donos?”. A idéia é que as pessoas ajudem enviando a url para quem conhecem – o velho boca-a-boca, de maneira que uma hora alguém se reconheça e entre em contato com o site.

Além das fotos, há uma página chamada Is This Yours?, que reúne pequenas anotações e bilhetes, fragmentos de papéis colecionados também pelos criadores do site.

Nos links do Is This You há ainda o blog do Dave, um dos colecionadores, que mostra seus novos achados e fotos que já chegaram a seus donos por meio dos sites, o fotolog oficial do projeto e algumas páginas com idéias semelhantes. Vale a pena correr lá pra ver. :)

Feb 11
Sempre ele
icon1 Ariane Freitas | icon2 #Aleatório | icon4 02 11th, 2009| icon3No Comments »

Estou relendo “Ensaio sobre a lucidez”. Apaixonadamente, diferente da primeira vez. Dessa vez a vontade veio de repente, depois de dois meses sem conseguir ler nada direito. Olhei para a prateleira, pensei “preciso mergulhar em algo” e tive de decidir entre os favoritos. Daí que “O Caderno de Saramago”, meu feed-pra-ler-antes-de-dormir (sério) me fez olhar pra ele. “Saramago…?”. Hesitei. Ler Saramago sem vontade é pior do que ficar sem ler nada. Não resisti. 

E hoje, já quase desligando o pc, corri pra ler o feed. Encaixou tão bem com o que eu andava precisando ouvir que eu achei até um pouco bizarro (o que eu senti, não o texto! haha). Hoje vai ter que rolar um control copy. haha.

 

Dizemos

Dizemos aos confusos, Conhece-te a ti mesmo, como se conhecer-se a si mesmo não fosse a quinta e mais difícil operação das aritméticas humanas, dizemos aos abúlicos, Querer é poder, como se as realidades bestiais do mundo não se divertissem a inverter todos os dias a posição relativa dos verbos, dizemos aos indecisos, Começar pelo princípio, como se esse princípio fosse a ponta sempre visível de um fio mal enrolado que bastasse puxar e ir puxando até chegarmos à outra ponta, a do fim, e como se, entre a primeira e a segunda, tivéssemos tido nas mãos uma linha lisa e contínua em que não havia sido preciso desfazer nós nem desenredar emanharados, coisa impossível de acontecer na vida dos novelos, e, se uma outra frase de efeito é permitida, nos novelos da vida.

Dizemos, de O Caderno de Saramago

Jan 8

14h. silêncio indesejado: o cd acabou. falta de coragem de apertar play em qualquer coisa.

falta de vontade de pensar.

pensamentos aleatórios que deveriam ser enviados por telepatia

os efeitos do meu sagrado remédio – você – passaram. quero, preciso loucamente de mais. de novo. muito. pra sempre.
agora.

minha droga, meu vício.
você. é só o que me falta aqui.

(contra a minha vontade, vou deitar. só o que me resta, longe de ti, é sonhar)

Jan 7

De novo o sinal. De novo o “Próxima Estação: Vila Mariana”. Eu já reparei que aquele turbilhão de pensamentos que começa a me incomodar quando estou com ele resolve se organizar quando eu chego na estação Santa Cruz.

É sempre a mesma coisa. Sempre a mesma vontade de entender o que não dá pra descrever. E o pior é que me divirto com isso.

Às vezes eu acho engraçado, sabe? Eu não acho normal ficar fazendo perguntas pra ele na hora em que estamos… cheios de carinho. Mas, ao mesmo tempo, eu não consigo segurar algumas. Sinto-me uma menina boba, ingênua. Às vezes sinto que estou fazendo papel de idiota. Mas não consigo não fazer. Não consigo deixar, não consigo não parar pra pensar no que tá rolando. É difícil.

Às vezes eu me sinto uma criança. É. Eu, que na maior parte do tempo fico filosofando e criando teorias, de repente só me vejo capaz de fazer perguntas. E perguntas tolas, perguntas inocentes, infantis. Coisa que ninguém, jamais, perguntaria literalmente a alguém, sabe? E eu pergunto! Eu solto as minhas dúvidas como se as pessoas fossem obrigadas a saber respondê-las. É um impasse: ou fico calada e parece que estou sendo, sei lá, debochada, desdenhosa, ou pergunto e fico parecendo uma criança. Ultimamente tenho preferido parecer a criança. Tenho fugido de me esconder. Sempre fui assim, aliás. Não sei porque nos últimos tempos tive tanto medo de me mostrar. Talvez fosse medo de perdê-lo. Mas eu não vou perder. Eu sinto isso.

Sinto que na verdade nem o tenho pra mim. Na verdade eu não tenho o homem em si, tenho os momentos que passo com ele. É isso. Isso é tudo, tudo que me pertence. E isso nunca ninguém vai tirar de mim. Nunca. Ele vai, mas os momentos continuarão sendo meus.

“No dia em que alguém me disser o que temos, dou um troféu a ele”
“Isso te tortura, né?’
“Muito”
(olhares, mimimis e carinhos)
“Eu só me pergunto: É bom ou não? Se é bom, aí eu não ligo”
“Eu não. Se é bom é que eu me preocupo. Eu sou egoísta. Se acho bom, quero prolongar o quanto puder… E nunca, nunca o que é bom dura muito pra mim…”
“Aaaaaaaaaaaah, como ela é otimista… otimista, otimista.”
“Eu nunca disse que era otimista.”

Acho que estou aprendendo a lidar com essa situação. Com essa entrega incompleta. Como se houvesse um elástico, não sei. É, um elástico preso num ponto fixo, no centro da minha vida. E quando eu vou muito longe, ele me puxa de volta ao meu lugar.

A minha felicidade não é ele, não pode ser ele. É sim feita dos  momentos que tenho com ele – porque isso eu posso ter com outras pessoas, eventualmente. Bom, eu sei que nada dura pra sempre com ninguém. Queria parar de pensar no amanhã, sabe? Pelo menos por um segundo… Conseguir pensar só no agora, curtir só o que tá acontecendo. Queria só ser feliz, mas eu não sei. Eu não sei ser assim.  Desde pequena, o futuro sempre me fascinou muito. Eu só espero não perder meu presente pensando no que vai acontecer depois . (por ficar olhando demais pra frente.)  Ahhhh…

Eu devia ter mais dificuldade pra dizer “Eu te amo”. É. Por que dizer “eu te amo”? Acho que isso é uma coisa que eu posso guardar pra mim. A menos que eu goste de ficar com cara de boba, quando digo “eu te amo” e ele só sorri e destrava a porta do carro para que eu vá embora logo. Sempre há horários, compromissos, sempre há alguma coisa entre nós. E quer saber a verdade? É melhor assim. Essa é a primeira pessoa de quem eu não enjoei após um dia junto. Vai ver é isso. Vai ver é isso que me fascina nele: o fato dele saber “não estar nem aí” nas horas certas. Porque quando as pessoas realmente estão completamente na minha, a única coisa que sei fazer é olhar pra elas e dizer “Tchau, tchau, não é isso que eu quero”. Pode ser. Pode não ser. Quem liga?

Cara, devia ser proibido ficar viajando depois de um tempão maravilhoso com alguém que amamos, sabe? Devia ser proibido pensar! Sei lá, é engraçado. De repente eu me vejo sem conseguir completar um raciocínio, eu penso numa coisa – e ai já vem outra, e outra, e outra… e eu não consigo parar, e ao mesmo tempo eu não posso parar.É muito estranho. Mas eu não trocaria estar com ele por nada no mundo.

Seria piração se eu dissesse que tudo que eu queria agora era deitar a cabeça no colchão – assim, no colchão mesmo, sem travesseiro – ficar totalmente estirada e dormir? Dormir e sonhar com tudo que aconteceu, porque eu preciso que isso se refaça na minha cabeça – eu ainda não consigo acreditar. Eu não sei, eu me perdi, sabe? Num dos momentos com ele. Em alguma hora ali, eu me perdi. E eu não consigo me recompôr. Não consigo. Tudo o que eu queria era que isso passasse logo. E que não passasse nunca.

Nossa Língua Portuguesa, que eu tanto prezo, vai me perdoar dessa vez. Isso é a transcrição fiel de uma piração que tive no metrô hoje, no caminho de volta pra casa. Não estou em condições de decidir se deve permanecer aqui ou não. O fato de eu ter gravado isso em público deixa claro que não estou em estado normal. Só me dei conta agora. Então eu vou. E depois eu volto. Ou não. Sempre tem essa opção.

Dec 28

Cheguei meia hora antes do combinado. O amigo, quase meia hora depois. Nesse intervalo de uma hora que passei sozinha, só consegui reparar numa coisa: Casais. Muitos casais.  Heteros, homos, baixos, altos, monocromáticos, coloridos, casais. Alguns conhecidos, inclusive. E outros que eu faço questão de nunca conhecer. Sem falar nos casais novos (aqueles que demoram até pra pegar na mão) e nos casais que supostamente moram longe – hoje eu cansei de ver beijos de despedida. Teve até ex-namorado passeando com a namorada nova (encontro constrangedor, diga-se de passagem. Nessas horas, reverências à aliança de prata no meu anelar direito!). 

Tive certeza que todo mundo tem sua metade.  Lembrei da minha solidão constante, lembrei do tempo gigante que passei sem ninguém, praguejando contra cada casal que passava à minha frente. Ri de mim mesma por um instante quando uma reminiscência me levou a um passado próximo em que eu dizia que “casais são a coisa mais ridícula do mundo. Nunca entendi por que tanto mimimi. Não quero isso, nunca”. A gente cospe pra cima e o bendito vem direto na nossa testa. Senti aquela saudadezinha apertar o peito. Segurei. Tentei ser forte. Não deu. Peguei o celular e nem precisei discar. Ultimamente, aquele era o único número na lista de chamadas recentes. Demorou para completar, estava no metrô, pouco sinal.

 

 - Oi… Amor?
- Você vai me achar uma louca se eu te disser que liguei só pra falar que te adoro?
- owwwnnn
 - É. Eu adoro.

 

A ligação caiu. Fato: sou louca. Mais tarde, uma mensagem preencheu o que faltava.

E eu segui minha noite, tentando não reparar mais nos casais. Acho que, de uma forma ou de outra, faço parte deles agora. Por mais que indiretamente. E não queria ter de sentir a dor da saudade batendo à porta de novo.

Dec 14

 

 

Engraçado. Dia desses alguém me passou o link pro download da trilha sonora completa de Vicky Cristina Barcelona. Eu nunca tinha procurado, mas não hesitei em clicar quando recebi. O filme, que eu achei realmente muito bom, tem uma trilha bem marcante, reparamos já no cinema, mesmo que ainda inebriados pela imagem de Javier Barden, Scarlet Johansson e Penélope Cruz na mesma tela. Foi encanto imediato, total. Só que baixei, descompactei e esqueci de ouvir. É, culpem essa maldita correria pós-uma-prova-pré-outra.

Daí que hoje, passeando pela minha pasta de músicas – que anda, por sinal, catastróficamente depressiva – eu trombei, de repente, com a pasta Vicky Cristina Barcelona Soundtrack“, dizendo “Oi, amiga, lembra de mim aqui?”. Confesso que não lembrava. Mas coloquei pra reproduzir. (Pausa pra respiração.)

Êxtase total. Primeiro de Dezembro, o início do fim. A noite em que vimos o filme, as minha sensações de agora, as minhas sensações anteriores, tudo se misturou dentro de mim. De repente, eu estava lá no escadão da Gazeta, Brunos ao meu lado, Tory atrás de mim, Clarinha e Francisco num canto, cabeça do Hugo no meu colo, levando cafuné. Violões ao fundo. “Barcelona”, de Giulia y Los Tellarini.

A minha angústia, mesmo com todos os amigos a minha volta, esperando a ligação dele. O olhar cansado do Bruno Mancini, que, sentado ao meu lado, dizia querer estudar mais. “Quero aprender mais.”. Contando sobre os planos de mudar de curso enquanto eu, entre uma olhada e outra no celular – que eu fingia me atrair pela hora, mas, na verdade, atraía pela ansiedade. Bruno Guerrero anunciando, especialmente pra mim, que o Ricardo Cruz se juntaria a nós. Aquele misto de empolgação e retração invadindo meu corpo enquanto eu implorava a Deus por um sinal de vida daquele que eu tanto queria ver, antes que a tentação chegasse. “Your Shining Eyes”, Biel Ballester Trio, Graci Pedro, Leo Hipaucha.

Meu celular que, definitivamente, não tocava. Todos cansados, com sono, estressados com os resultados da faculdade, que, aos poucos, estavam aparecendo: alguns com muitos exames a fazer (coloquem meu nome nessa lista), outros com nenhum. Aquela melancolia de fim de ano, o que foi ruim, o que foi bom, como todos viemos parar aqui. “Vamos para o padabar?”. Telefone tocou. Não o meu, o da Tory. Capiau vindo nos acompanhar em nossa melancolia. “El Noi De La Mare”, Muriel Anderson & Jean-Feliz Lalanne

Todos em pé, prontos para partir em direção à padaria, logo ali na Brigadeiro. Então meu telefone finalmente toca. “Estou aqui na Joaquim Eugênio de Lima. Paro o carro em frente ao Top Center, pode ser?”. Pode. Claro. Poderia qualquer coisa, já que eu não aguentava mais as saudades. Olhei na direção da banca, o carro não estava lá. Levantei-me, despedi-me de todos. “Vamos conosco ao bar!”. Não podia. Não queria. Só queria um tempinho sozinha com ele. Os amigos compreenderam. “When I Was a Boy”, Biel Ballester Trio, Graci Pedro, Leo Hipaucha.

O carro parou em frente à banca, conforme o combinado. Entrei, nos beijamos, eu e meus olhinhos brilhantes, ele e seu sorriso doce. Parecia cansado. “Posso te roubar hoje?”. “Pode”. Fomos embora, sem ir a lugar algum. “Granada”, Emilio de Benito.

Deu uma volta no quarteirão. Parou o carro, olhou para mim e me beijou. Eu estava apaixonada. Trágico ou não, eu estava entregue, qualquer um que olhasse para mim perceberia isso. Trocamos poucas palavras e muitos carinhos. Era difícil nos vermos, eu tinha de ir embora logo. A sensação era a de que não podíamos perder um segundo sequer. Desabafos entre as sessões de beijinhos. Olhares abobados de menina apaixonada. Ah, aqueles olhos, aqueles cabelos, aquele abraço. “Senti tanto sua falta…”.O tempo passava rápido ali. Mais rápido que tudo.  “Entre Olas”, Juan Serrano.

A rádio avisou que passava das onze. Deu partida no carro. Dirigiu rumo à estação mais distante, comigo ao lado, ainda aos suspiros. A cada parada, um beijinho ou um carinho nas mãos. Olhares de lado. Cafunés. Sem que ele soubesse, eu pensava em como sempre quis aquilo. Como sempre quis aqueles carinhos. Como nunca tinha me dado bem daquele jeito com ninguém. Sem que ele soubesse, eu me apaixonava cada vez mais. Mostrou-me coisas que talvez nunca façam sentido algum senão pra mim – o caminho de sua casa, os enfeites da Avenida, as pessoas na rua, tudo parecia especial. E eu só queria estar lá mais vezes com ele. Muito mais. Acho que esse foi um dos momentos em que mais me perdi dentro de mim. Em que mais me entreguei ao sentimento. O trajeto entre os carinhos e a despedida. Mas acabou. “Entre Dos Aguas”, Paco de Lucia.

Acabou. Já estávamos há tempo demais parados na vaga de descarga, na porta do metrô. Passou da hora de ir embora. Eu hesitava: quando pensava poder sair do carro, um suspiro de qualquer um dos lados me colocava de volta pra dentro, beijando aqueles lábios enquanto o mundo lá fora desmoronava. É, chovia lá fora. E não nos importava nada. Uma buzinada. Soltei-o, abri a porta e fui embora. “Te amo”, teria dito, mas preferi calar. “La Ley Del Retiro”, Giulia y Los Tellarini.

Andar nunca foi tão engraçado. Sentia-me flutuando. Minha boca ainda tinha o gosto dele e eu queria mais. Não pensava em nada além dele. Queria saber o que tínhamos, mas também não queria saber de nada. Entrei no trem, sentei-me, segui viagem pensando nos és e nos nãos da minha vida até então. Nas frustrações que havia tido, nas que ainda podia ter. “Onde você estava, que não te encontrei antes?”, mandei por sms. “Eu estava aqui o tempo todo, só você não viu…”. Retrucar com Pitty é covardia. Derreteu-me. Chovia, eu tinha de correr pra casa. Tinha de ser natural. Estava sendo. Mas aquele cheiro ainda estava em mim… “Gorrion”, Juan Serrano.

Minha parada. Desci a rampa, na chuva, correndo. Meia noite e dez. Àquela hora meu pai já deveria estar surtando no carro. Minha irmã tinha vindo com ele. Estava no banco da frente. Entrei atrás, acomodei-me. Sem que tivesse controle, saiu de mim um suspiro e um sorriso no canto dos lábios. Tainá virou para trás na hora. “Está apaixonada, Ni?”. “Não, não estou não, impressão sua. Impressão sua… Vamos logo”. “Big Brother”, The Stephane Wrembel Trio.

Os cinco minutos a caminho de casa foram tensos. Não queria que ninguém soubesse da minha paixão. Ninguém. Fiquei calada. Já em casa, corri para o quarto. Um bom banho quente, um café, e eu já estava pronta para deitar. Não para dormir. Muito para mim, se querem saber. Não sei lidar com sentimentos. Passei a noite virando de um lado para o outro na cama, como se faltasse algo lá. E faltava. Estava mais claro do que nunca. O grande problema é que parecia faltar só pra mim. Eu e minha cabeça criativa: já fantasiava não-correspondências, abandono, imaginava não ser tão querida quanto queria. Mandei mensagem. Escrevi. Desejei um cigarro, desejei a morte, chorei. Eu sou assim, cheia de altos e baixos, quentes e frios, secos e molhados de uma hora para a outra. Quando vi, passava das três da manhã. Pesaram-me minhas responsabilidades, minhas alegrias, minhas tristezas. Odiei-me por ter entregue tão rápido meu coração nas mãos dele. Odiei-o por ter parecido não querer nada além do meu corpo. Odiei as faculdades, por não estar ainda de férias. Odiei o espelho e o relógio, que me diziam que era tarde. E então, de repente, eu já não estava mais ali. Então já era outro dia. “Asturias”, Juan Quesada.

Engraçado como os dias, mesmo os mais grandiosos, são pequenos: cabem num CD.

Nov 12

Eu entrei numa lanchonete e você estava lá, depois de tanto tempo, depois de tanta espera. Entre o acreditar ou não, corri em sua direção, enquanto você, já de braços abertos, sorria pra mim. O seu sorriso, que eu mal sei como é de verdade – já que poucas vezes vi – estava ali, claro, sincero, nem um pouco escondido como da última vez em que te vi pela pequena telinha do computador. Aquilo não era apenas uma imagem, não era webcam. Era real. Quando me abraçou, ainda sorrindo, encostei meus lábios nos seus, de leve, e deixei um beijo no cantinho direito. Saí, rápido, daquela posição tentadora, enquanto você me dizia “Não…”, com um sorriso sem graça de quem queria e não queria aquilo o suficiente para nem ter visto que eu já não estava mais ali. Hesitava entre me tocar ou não. “Não se preocupe, não tenho intenção nenhuma com você, só precisava fazer isso, precisava tocar seus lábios assim. Não pude controlar” – respondi sem graça, ainda pensando na bobagem que havia feito. Abracei-o de novo e nos sentamos pra conversar. É, como eu gosto de conversar contigo, sempre gostei! Passamos grande parte do tempo ali, rindo, trocando piadas, segredos, dúvidas e respostas que tínhamos um sobre o outro. Eu me lembro de pessoas ao redor tentando interferir, lembro de tudo começando a ficar mais escuro, devagar. Lembro da sua promessa de que sempre estaria do outro lado pra cuidar de mim. Lembro de nós dois andando pelas ruas, sentidos opostos, sem pararmos de conversar. Mas depois, não lembro de mais nada. Aliás, lembro de uma escuridão assustadora e de você longe, bem longe. Sem que eu pudesse fazer nada pra mudar. Eu não lembro do fim. Acho que não houve fim. Talvez isso seja bom, talvez signifique que, não importa a distância, esse amor e essa amizade não irão acabar.

Nov 9
Caminante…
icon1 Ariane Freitas | icon2 #Aleatório, O Fantástico Mundo de Ariane | icon4 11 9th, 2008| icon3Comments Off

Todo pasa y todo queda,
pero lo nuestro es pasar,
pasar haciendo caminos,
caminos sobre el mar.

Nunca persequí la gloria,
ni dejar en la memoria
de los hombres mi canción;
yo amo los mundos sutiles,
ingrávidos y gentiles,
como pompas de jabón.

Me gusta verlos pintarse
de sol y grana, volar
bajo el cielo azul, temblar
súbitamente y quebrarse…

Nunca perseguí la gloria.

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar
.

Al andar se hace camino
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.

Caminante no hay camino
sino estelas en la mar…

Hace algún tiempo en ese lugar
donde hoy los bosques se visten de espinos
se oyó la voz de un poeta gritar
“Caminante no hay camino,
se hace camino al andar…”

Golpe a golpe, verso a verso…

Murió el poeta lejos del hogar.
Le cubre el polvo de un país vecino.
Al alejarse le vieron llorar.
“Caminante no hay camino,
se hace camino al andar…”

Golpe a golpe, verso a verso…

Cuando el jilguero no puede cantar.
Cuando el poeta es un peregrino,
cuando de nada nos sirve rezar.

“Caminante no hay camino,
se hace camino al andar…”

Golpe a golpe, verso a verso.

Antonio Machado

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