Feb 20
Na sua estante
icon1 Ariane Freitas | icon2 O Fantástico Mundo de Ariane | icon4 02 20th, 2009| icon3No Comments »

Desde quando nos conhecemos ele  me pede pra cantar essa música. Eu sempre neguei. Dentro de mim, sempre desejei que ela nunca refletisse nossa realidade. No entanto, hoje ela é exatamente a nossa história, sem falha alguma, sem que falte uma vírgula ou um ponto final. Então hoje eu canto – e que o mundo ouça, porque não vai ter bis.

Te vejo errando e isso não é pecado,
Exceto quando faz outra pessoa sangrar
Te vejo sonhando e isso dá medo
Perdido num mundo que não dá pra entrar
Você está saindo da minha vida
E parece que vai demorar
Se não souber voltar ao menos mande notícias
Cê acha que eu sou louca
Mas tudo vai se encaixar

Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia

E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu

E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu

Você tá sempre indo e vindo, tudo bem
Dessa vez eu já vesti minha armadura
E mesmo que nada funcione
Eu estarei de pé, de queixo erguido
Depois você me vê vermelha e acha graça
Mas eu não ficaria bem na sua estante

Tô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédia

E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu

E não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viu

Só por hoje não quero mais te ver
Só por hoje não vou tomar a minha dose de você
Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam
E essa abstinência uma hora vai passar…

Um ponto final: é isso que falta. Eu preciso pontuar direito essa história, parar de usar vírgulas, reticências ou travessões. É hora do ponto final. Passou da hora.

Feb 12
É você?
icon1 Ariane Freitas | icon2 O Fantástico Mundo de Ariane | icon4 02 12th, 2009| icon3No Comments »

Você já perdeu uma foto sua? Esqueceu um photoboot na pressa?
Descartou um amante? Se sim, você pode estar aqui.

isthisyounewEssa é a descrição do projeto Is This You?, site inglês que reúne fotos encontradas nas calçadas do Reino Unido. O projeto nasceu da vontade de responder a questão “É possível retornar essas fotografias a seus donos?”. A idéia é que as pessoas ajudem enviando a url para quem conhecem – o velho boca-a-boca, de maneira que uma hora alguém se reconheça e entre em contato com o site.

Além das fotos, há uma página chamada Is This Yours?, que reúne pequenas anotações e bilhetes, fragmentos de papéis colecionados também pelos criadores do site.

Nos links do Is This You há ainda o blog do Dave, um dos colecionadores, que mostra seus novos achados e fotos que já chegaram a seus donos por meio dos sites, o fotolog oficial do projeto e algumas páginas com idéias semelhantes. Vale a pena correr lá pra ver. :)

Jan 7

De novo o sinal. De novo o “Próxima Estação: Vila Mariana”. Eu já reparei que aquele turbilhão de pensamentos que começa a me incomodar quando estou com ele resolve se organizar quando eu chego na estação Santa Cruz.

É sempre a mesma coisa. Sempre a mesma vontade de entender o que não dá pra descrever. E o pior é que me divirto com isso.

Às vezes eu acho engraçado, sabe? Eu não acho normal ficar fazendo perguntas pra ele na hora em que estamos… cheios de carinho. Mas, ao mesmo tempo, eu não consigo segurar algumas. Sinto-me uma menina boba, ingênua. Às vezes sinto que estou fazendo papel de idiota. Mas não consigo não fazer. Não consigo deixar, não consigo não parar pra pensar no que tá rolando. É difícil.

Às vezes eu me sinto uma criança. É. Eu, que na maior parte do tempo fico filosofando e criando teorias, de repente só me vejo capaz de fazer perguntas. E perguntas tolas, perguntas inocentes, infantis. Coisa que ninguém, jamais, perguntaria literalmente a alguém, sabe? E eu pergunto! Eu solto as minhas dúvidas como se as pessoas fossem obrigadas a saber respondê-las. É um impasse: ou fico calada e parece que estou sendo, sei lá, debochada, desdenhosa, ou pergunto e fico parecendo uma criança. Ultimamente tenho preferido parecer a criança. Tenho fugido de me esconder. Sempre fui assim, aliás. Não sei porque nos últimos tempos tive tanto medo de me mostrar. Talvez fosse medo de perdê-lo. Mas eu não vou perder. Eu sinto isso.

Sinto que na verdade nem o tenho pra mim. Na verdade eu não tenho o homem em si, tenho os momentos que passo com ele. É isso. Isso é tudo, tudo que me pertence. E isso nunca ninguém vai tirar de mim. Nunca. Ele vai, mas os momentos continuarão sendo meus.

“No dia em que alguém me disser o que temos, dou um troféu a ele”
“Isso te tortura, né?’
“Muito”
(olhares, mimimis e carinhos)
“Eu só me pergunto: É bom ou não? Se é bom, aí eu não ligo”
“Eu não. Se é bom é que eu me preocupo. Eu sou egoísta. Se acho bom, quero prolongar o quanto puder… E nunca, nunca o que é bom dura muito pra mim…”
“Aaaaaaaaaaaah, como ela é otimista… otimista, otimista.”
“Eu nunca disse que era otimista.”

Acho que estou aprendendo a lidar com essa situação. Com essa entrega incompleta. Como se houvesse um elástico, não sei. É, um elástico preso num ponto fixo, no centro da minha vida. E quando eu vou muito longe, ele me puxa de volta ao meu lugar.

A minha felicidade não é ele, não pode ser ele. É sim feita dos  momentos que tenho com ele – porque isso eu posso ter com outras pessoas, eventualmente. Bom, eu sei que nada dura pra sempre com ninguém. Queria parar de pensar no amanhã, sabe? Pelo menos por um segundo… Conseguir pensar só no agora, curtir só o que tá acontecendo. Queria só ser feliz, mas eu não sei. Eu não sei ser assim.  Desde pequena, o futuro sempre me fascinou muito. Eu só espero não perder meu presente pensando no que vai acontecer depois . (por ficar olhando demais pra frente.)  Ahhhh…

Eu devia ter mais dificuldade pra dizer “Eu te amo”. É. Por que dizer “eu te amo”? Acho que isso é uma coisa que eu posso guardar pra mim. A menos que eu goste de ficar com cara de boba, quando digo “eu te amo” e ele só sorri e destrava a porta do carro para que eu vá embora logo. Sempre há horários, compromissos, sempre há alguma coisa entre nós. E quer saber a verdade? É melhor assim. Essa é a primeira pessoa de quem eu não enjoei após um dia junto. Vai ver é isso. Vai ver é isso que me fascina nele: o fato dele saber “não estar nem aí” nas horas certas. Porque quando as pessoas realmente estão completamente na minha, a única coisa que sei fazer é olhar pra elas e dizer “Tchau, tchau, não é isso que eu quero”. Pode ser. Pode não ser. Quem liga?

Cara, devia ser proibido ficar viajando depois de um tempão maravilhoso com alguém que amamos, sabe? Devia ser proibido pensar! Sei lá, é engraçado. De repente eu me vejo sem conseguir completar um raciocínio, eu penso numa coisa – e ai já vem outra, e outra, e outra… e eu não consigo parar, e ao mesmo tempo eu não posso parar.É muito estranho. Mas eu não trocaria estar com ele por nada no mundo.

Seria piração se eu dissesse que tudo que eu queria agora era deitar a cabeça no colchão – assim, no colchão mesmo, sem travesseiro – ficar totalmente estirada e dormir? Dormir e sonhar com tudo que aconteceu, porque eu preciso que isso se refaça na minha cabeça – eu ainda não consigo acreditar. Eu não sei, eu me perdi, sabe? Num dos momentos com ele. Em alguma hora ali, eu me perdi. E eu não consigo me recompôr. Não consigo. Tudo o que eu queria era que isso passasse logo. E que não passasse nunca.

Nossa Língua Portuguesa, que eu tanto prezo, vai me perdoar dessa vez. Isso é a transcrição fiel de uma piração que tive no metrô hoje, no caminho de volta pra casa. Não estou em condições de decidir se deve permanecer aqui ou não. O fato de eu ter gravado isso em público deixa claro que não estou em estado normal. Só me dei conta agora. Então eu vou. E depois eu volto. Ou não. Sempre tem essa opção.

Jan 4
2009
icon1 Ariane Freitas | icon2 O Fantástico Mundo de Ariane | icon4 01 4th, 2009| icon32 Comments »

Alguns viram o ano comemorando. Outros vendo os fogos, fazendo simpatias, orando, agradecendo, pedindo. Eu, caros leitores (supondo que haja alguém para ler – assim é que são escritos todos os textos), virei o ano sentada no sofá, telefone na mão, turbilhão de pensamentos.

Não quis ir até a praia ver queima de fogos nenhuma, não quis ligar o rádio ou coisa parecida. Sentei-me no sofá, sozinha na gigante casa de praia, olhei para o aparelhinho que ultimamente tem sido meu único meio de contato com o mundo (e com ele, sempre ele) e paralisei. Acho que gastei alguns minutos paralisada, até que o aparelho vibrou – mensagem de amigos e mais amigos, pessoas que eu realmente posso dizer que amo – fazendo com que eu voltasse ao mundo “real” (se é que o meu mundinho não pode também ser chamado assim).

Nas primeiras horas desse 2009, pensei em muita coisa. Em como tudo tem acontecido de maneira inesperada na minha vida, que já foi tão previsível. Não cheguei a conclusão nenhuma. Se tivesse chegado, seria às conclusões erradas. Sim, porque desde o dia primeiro muita coisa mudou.

Muita coisa se fez e desfez no meu coração, e eu já não me sinto tão deslumbrada quanto antes. Acho que nem deveria. De vez em quando é bom encarar que a verdade não é tão doce quanto me faz pensar meu fantástico mundo. É, o mundo não é sempre fantástico, os amores nem sempre são correspondidos, as coisas nem sempre seguem o rumo planejado. Às vezes chove exatamente no dia em que você foi à praia. Às vezes é bem no dia em que você se prepara pra fazer aquele programinha de frio que faz aquele calor desesperador. Às vezes as pessoas erram tentando acertar, às vezes quem mais queremos por perto precisa ir embora. Às vezes quem mais pensamos merecer nosso amor não é digno nem do nosso olhar. Às vezes um inimigo tem mais serventia do que um suposto amigo.

A vida é cheia desses “às vezes”. A vida é cheia de “e se?”s e de ironias maldosas. A vida também é cheia de alegrias, é só saber de qual ângulo olhar.

Agora mesmo, estou olhando de um ângulo que, embora seja cruel o suficiente para me entristecer por dias, é também o melhor que eu poderia ter escolhido. Tem coisas que estão fadadas ao fracasso. Aquelas que doeriam a qualquer instante. Nessas horas, prefiro a dor precoce. Prefiro conhecer o terreno no qual piso. E é muito, muito melhor quando descobrimos estar cavando no lugar errado antes de cansar. E eu estava. Meu tesouro não está aqui. O meu dilema é: devo preencher o que cavei até agora antes de partir em busca do lugar certo ou simplesmente abandonar o buraco vazio e ir viver minha eterna busca sem pensar na falha novamente?

Dec 29

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.


João Cabral de Melo Neto

Acho que nem preciso comentar.

Dec 27
Esperança
icon1 Ariane Freitas | icon2 O Fantástico Mundo de Ariane | icon4 12 27th, 2008| icon3No Comments »

Feita a promessa, acredita que é capaz de cumpri-la. Exercita o controle a paciência, e espera, Pequena.

Espera que tua hora ainda vai chegar.

Ninguém nunca te mandou amar demais…

Dec 26

Noelzinho,

Eu sei que já estou quase saindo dos dezoito anos e talvez já não tenha mais idade pra escrever pra você (se é que há idade pra isso), mas senti necessário investir um tempinho num diálogo entre nós. Sei também que há algum tempo não sou mais a menina ideal, a filhinha dos sonhos de toda família e aquele besteirol todo que vira e mexe eu escuto de algum tio inconformado com o fato de eu ser mais certinha que as filhas e filhos dele. Eu não sou perfeita como pensam. Falo palavrões demais, reclamo o tempo inteiro, não vou mais à igreja (e nem pretendo entrar na categoria “vícios”, porque isso não é uma carta de confissão)… Não vejo razão pra me vangloriar.

Até me incomoda um pouco ter mudado tanto. Mas eu cresci, acho que essas coisas fazem parte da vida. Não faço a mínima questão de ser a “boa menina”. Você sabe, dear Santa, que eu não dou a mínima para o que pensam de mim. Quero mais é ser feliz.

Pra ser feliz de verdade, eu já precisei de coisas materiais. Vários Natais foram completamente desvirtuados por mim, significando apenas a espera de algum presente que eu queria muito – sempre ganhei tudo o que quis, nem sei se posso reclamar. Mas hoje, Noel, o que eu quero não é nada material. Qualquer um vê nos meus olhos que o que eu quero é amor. (É claro que se você quiser me dar uma câmera eu não ligo) Acho que essa escolha muda um pouco as anteriores. Acho que esse Natal não está tão desvirtuado assim.

Amor, sim, não estou sendo hipócrita. Durante muito tempo eu amei da maneira errada. Não vou ser pretensiosa o suficiente para dizer que agora amo da maneira certa, porque sei que não o faço. Mas tenho dado tudo de mim para ser uma pessoa melhor. E tudo que eu peço, papaizinho, é que eu receba carinho em troca. Eu sempre precisei loucamente de carinho. Agora parece que ainda mais. Quero alguém que não tenha medo de assumir que sente algo por mim para o mundo, alguém que  não ligue de passar um dia inteiro comigo vendo filme abraçadinho embaixo do edredom. Alguém que consiga dizer “Eu te amo” sem titubear, que diga “é minha namorada” sem hesitar nem por um segundo. É, porque eu quero namorar. Descobri que tenho esse defeito de não gostar das coisas pela metade. Ou é, ou não é. Eu quero a pessoa só pra mim, já dizia a Chii. Quero controlar meu ciúme. Serei menos Heloísa, prometo!, se você mandar alguém que me goste.

Pensandobem, desvirtuei a essência do Natal de novo. O aniversariante é, supostamente, Jesus, não eu. Mas eu não vou ficar aqui pedindo paz na Terra enquanto os outros pedem o que é bom pra si. Juro que meu pedido não está sendo tão egoísta quanto parece, Papai Noel. Tudo isso que eu pedi, pretendo dar em dobro àquele que você escolher me mandar. Aliás, falando nisso… Se você puder me mandar especificamente aquele a quem tenho dedicado meu tempo e meu coração, eu fico agradecida. Se não puder… Bom, você é quem sabe de todas as coisas. Tá aí, do ladinho de Deus, o que custa perguntar a ele quem é o melhor pra mim?

Ah! Aproveita que vai passar pela casa dos meus amigos e manda um cheirinho em cada um por mim? Tá todo mundo tão longe…

Mil beijinhos,

Ariane.

ps: Por favor, não me deixe ter recaídas esse ano. Por favor. Demorou, mas acho que finalmente esqueci. Aí eu não te importuno com o mesmo pedido. Acho que oito anos foram o suficiente. :)

ps²: Se não for pedir muito, realiza os pedidos da Tainá? Eu nem sei quais são, mas ela merece.

Eu já havia escrito uma ‘cartinha-post’ pra esse ano, daí decidi que não postaria. Como o vinik me ‘condenou’ a postar, modifiquei um pouquinho a carta-base, e taí. O pedido foi mesmo esse. Sim, eu sou exageradamente piegas. Mesmo assim, preferi deixar pra postar só depois do Natal. Está aí, não que vá mudar a vida de alguém. ;)

Dec 12
Hot’n'Cold
icon1 Ariane Freitas | icon2 #Amores, #Cotidiano | icon4 12 12th, 2008| icon3No Comments »

Bom, é sexta-feira, e, como já lamentei a semana inteira no Twitter, vou passar o final de semana inteiro sozinha, trancadinha por aqui, enquanto meus amigos foram para Parati/Trindade. Até fiz planos de sair com alguém, mas, como previa, deu/vai dar errado. Ficar em casa aos finais de semana é ótimo: você começa a ler, ouvir músicas, pensar em todos se divertindo e – puf! – de repente descobre coisas lá de dentro de você que estão há um tempão querendo sair, querendo ser vistas, mas que você faz de tudo pra não ver.

Foi assistindo o clipe da Katy Perry, Hot’n'cold. Até então, nunca tinha parado pra reparar na letra. Hoje, cabeça vazia, a letra ecoou na minha cabeça; E aí eu vi. Vi que andei fantasiando demais, e que era hora de acordar. Aliás, falando com o Daniel foi que eu concretizei toda a idéia. (Pobre Daniel, tem me ouvido constantemente. Só por isso, já um santo.) Quando ele me mandou “acordar arrependida, mas não dormir com vontade“, matei a charada. Quer dizer, eu tenho essa mania idiota estúpida incrível de me permitir sentir tudo ao extremo. Não sei sentir nada pela metade, não gosto de ficar controlando, só me entrego. Ou é ou não é, ou faz ou não faz, ou quer ou não quer. Meio termo, pra mim, é coisa de quem não quer nada. Não, eu não aguento o clima Hot’n'Cold. Mas sou certinha, por mais que não pareça. E não, eu não gosto de acordar arrependida. O arrependimento me machuca, me faz sentir uma fraca.
Eu não gosto do modo como minha vida está caminhando, sabe? A verdade mesmo é que a culpa é toda do meu egoísmo. É egoísmo querer estar com alguém, querer esse alguém só pra você. Ainda mais eu, que estou sempre com aquele discurso de “relacionamentos pra quê?”.  Egoísmo. Ninguém nunca olha pra mim. Daí, durante seis meses alguém me demonstrou carinho sem que, em momento algum, eu correspondesse ou desse esperanças. Insistiu. De verdade, sabe? De mandar mensagem todos os dias nos últimos dois meses. E, um dia, sem que eu tivesse tido em nenhum desses seis meses sequer vontade de beijar aquela pessoa, ela se sentou ao meu lado, me deu o braço e beijou forte meu rosto. Passou a mão em meus cabelos. E eu senti naqueles braços um porto seguro. Entreguei-me a eles sem nem perguntar se eles ainda me queriam. E aí, quando dei por mim, já estava entregue. Ele mudado, sem reação, talvez. E eu, boba, querendo mais e mais. Eu quero sempre mais. Ficando triste com supostos sumiços. Afetada todos os dias pela sensação de abandono – mesmo quando o abandono não existia. Tudo bem, tem certas coisas que não convém serem ditas aqui no blog, mas que são certas. Fatuais. Essas magoam ainda mais, porque não posso questioná-lo sobre isso. Também não posso questionar ninguém. Mas eu tenho a certeza, e ela dorme comigo todas as noites. Queria agir com frieza, a frieza necessária. Mas estou sendo egoísta.

O Francisco me falou algo que é bem verdade. Tenho o defeito (qualidade?) de, quando necessário, excluir em segundos alguém da minha vida. Posso sangrar, pode doer, mas a pessoa sofre mais. Sim, porque é rápido, e cruel. Não há nada mais cruel que o desprezo. O ser humano não aceita ser ignorado. Ele me lembrou que eu sou capaz de ter o controle sobre as coisas. Vou cortar esse clima “hot then you’re cold, You’re yes then you’re no, You’re in then you’re out, You’re up then you’re down, You’re wrong when it’s right, It’s black and it’s white, We fight we break up, We kiss we make up” e vou viver no meu estilo. E aí, as pessoas decidem se ficam ou não na minha vida, enquanto faço minha parte – que é vivê-la. Eu sei que a responsável pelas minhas alegrias e tristezas sou só eu. Então chega de delegar esse poder a outros.

(Sempre falo muito e, no fim, não falei nada)

Dec 7

Eu sei, abandonei o lovemaltine de jeito. Nunca mais fiz um post decente pro vitroleiros. Não tem desculpa, mesmo estando fora do ar. Enfim, eu só tenho tido tempo pra posts desabafo no meu quartinho escuro. Uma hora isso passa.Sei que passa. E aí o love volta a bombar de posts legais, como era no começo do ano. Ou não.

Ou eu morrerei cantando no escuro pra sempre.

Dec 7
Domingueira
icon1 Ariane Freitas | icon2 #Aleatório, #Amores, #Cotidiano | icon4 12 7th, 2008| icon3No Comments »

Uma semana correndo atrás de festa de Tainá e de algumas notas. Pois bem. A festa foi um sucesso, o Sérgio Amadeu não me salvou da forca e lá vou eu pros exames de Lingüística, Sociologia e Teoria da Comunicação. Provavelmente vá para o de Clássicos também, ainda não saíram os resultados e eu não tenho mais nenhuma esperança ingênua. Quando tudo acabar, quando a USP estiver trancada pra eu fazer DIREITINHO e com dedicação mais tarde, respirarei aliviada.

 

Por enquanto, vou estudar. É domingo, vamos lá.

Saudades de alguém que eu nem sei onde está. Mas eu prometi pra mim mesma que não ia atormentá-lo no fds. E até agora, desde ontem, não mandei nenhuma mensagem, neeeeenhuma ligação. =)

(Não que seja bom, mãs…)

 

“Te esperei por todos esses anos
E agora não vou mais me enganar
Desde que eu te vi não paro de pensar
Se não for você não vale nem tentar”

Tô na vibe cpm, mas é só porque tô despedaçadinha. Isso passa. Eu sei que passa.
Amanhã é segunda, tem ensaio (?), Cásper, Fran…

 

 

A vida segue.

 

Domingo…

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