Não, eu não vou falar pela milionésima vez no Caio-da-infância, o Caio-primeiro-amor, o Caio-que-amei-durante-oito-anos-e-jamais-esquecerei. Não é desse Caio que falo hoje. Como se eu já não fosse criativamente piegas sozinha, resolvi me desprender de obrigações e passar a tarde com Caio Fernando Abreu. O livro, CAIO3D, eu já tinha lido e reencontrei ontem na Biblioteca, enquanto fuçava uma das prateleiras que mais me fascinam. (Ok, a bibliografia de que realmente ..
“Você é masoquista, eu não”, ele disse, sério, enquanto subiam a Avenida Consolação. E essa ideia, esse “você é masoquista” perturbou-a ainda repetidas vezes antes que finalmente aceitasse essa condição. Masoquista. O maldito tinha razão. Tinha razão. Não gostava de nada que não a descontrolasse, remexesse por dentro, arrancasse pedaços, causasse espasmos loucos de vontade. Não gostava de nada ameno e racional. Não gostava da tranquilidade: só achava bom quando ..
Ela volta do jantar solitário, cabeça nas nuvens, pasta sanfonada na mão, coquezinho-secretária, óculos embaçados pelo rímel recém-passado. Malditos cílios gigantes que sempre esbarram nas lentes… Não é um de seus melhores dias. Confusão mental, a sempre triste confusão mental. Caminha olhando para cima, sempre. Não por arrogância ou esperança, mas porque, inexplicavelmente, há algum tempo já não há o que lhe fascine mais que o céu. Especialmente o céu ..
A lua estava chamando a atenção ontem. Enorme, linda. Com uma enxaqueca enlouquecedora, o meu passeio de moto noturno não foi a coisa mais agradável do mundo. Mas a lua estava lá. E estava linda. Em meio a contrações de dor e parcela leve da atenção no trânsito (que eu também não queria morrer), eu chorei. Todos temos os nossos momentos de fraqueza, ainda o que nos vale é sermos ..
Terminei o livro com um estranho pesar que não saberia explicar aqui: mal o consigo compreender. Saí do quarto, pus-me de frente ao grande espelho da copa. Não gostei do que vi, nunca gosto. Senti vontade de me fechar ali para sempre – bobagem minha, pessoas com problemas realmente muito mais sérios que os meus não o fazem, por que eu, aparentemente saudável, tenho agora esse medo de encarar a vida? ..
Uma das maiores recordações da minha infância, é engraçado, é a de como eu amava ouvir as fitas do meu pai: tinha coisas loucas, sempre, mas as minhas favoritas eram Queen, Beatles e, especialmente, Raul Seixas e Pink Floyd. O diabo é o pai do rock! O diabo é o pai do rock! Enquanto Freud explica as coisas o diabo fica dando toque! Pra mim, criança de tudo, era sensacional aquele cara gritando ..
de Vinícius e Tom: haja o que houver há sempre um homem para uma mulher e há de sempre haver pra esquecer um falso amor e uma vontade de morrer seja como for há de vencer o grande amor que há de ser um coraçao como perdão pra quem chorou E quem sou pra discordar?
Não podia ouvir ninguém chegar, fosse de carro ou a pé, que corria pra porta, latindo. “Quieta, Belinha! Já é tarde! shiiiiu!” Voltava, avisava a todos na casa, ia desesperada em direção ao portão. Sem boas vindas nem tem graça entrar em casa. Ao menor barulho do saco de pão, disparava em direção à cozinha. “Ô, Belinha, me deixa tomar meu café!”. Nem quando alguém ia ao banheiro dava sossego. ..
– É daqui que sai o ônibus que vai para o Pacaembu? Quem, na saída de uma missa, vê a sorridente senhora de 73 anos perguntando, animada, onde pegar um ônibus, não imagina a sua vida triste. Maria Alaburda Katsus é descendente de lituanos. Seus pais vieram para o Brasil por conta própria, como imigrantes, iludidos com a idéia de que aqui “pão dava nas árvores”, fugindo da crise instaurada ..
Passei o dia customizando coisinhas. Sempre bom. A verdade é que as férias estão acabando, Cásper Líbero e USP me esperam e eu, embora nada empolgada, estou aqui, aos trancos e barrancos, encapando cadernos, jogando fora papéis velhos e dando espaço aos novos, organizando meu horário e, sobretudo, gritando “CORRÃO!!!!” pra todo mundo que vem me pedir conselho sobre fazer duas faculdades. Olha, não é pouca gente que vem falar ..