Repeteco sentimental

via-unicorlogy

Preciso de carinho. De um corpo soltando seu peso sobre minhas costas, ambos deitados de bruços. Preciso dar e receber colo de verdade. Quero carinho, um amigo. Quero um amor. Poder esperar o pior de mim e do outro. Quero alguém que não resolva aparecer só depois que eu o abandonar. Quero dar valor e ser valorizada. Algo além daquele contato físico que os hormônios pedem… Eu nem faço questão do contato físico. Eu quero alguém em sintonia comigo, só isso.

“Só isso”. Como se fosse fácil.
19 anos esperando…

(imagem via)

Coisas que uma garota piegas não deve ler

The Blissful Art of Being and Breathing

We must not allow the clock and the calendar to blind us to the fact
that each moment of life is a miracle and a mystery.
– H. G. Wells

One warm evening nine years ago…

After spending nearly every waking minute with Angel for eight straight days, I knew that I had to tell her just one thing. So late at night, just before she fell asleep, I whispered it in her ear. She smiled… the kind of smile that makes me smile back. And she said, “When I’m seventy-five, and I think about my life and what it was like to be young, I hope that I can remember this very moment.”

A few seconds later she closed her eyes and fell asleep. The room was peaceful… almost silent. All I could hear was the soft purr of her breathing. I stayed awake thinking about the time we’d spent together and all the choices in our lives that made this moment possible. And at some point, I realized that it didn’t matter what we’d done or where we’d gone. Nor did the future hold any significance.

All that mattered was the serenity of the moment.

Just being with her and breathing with her.

do Marc and Angel Hack Life, Practical Tips for Productive Living

Eu chorei. Loucamente.

Melhores amigos de infância

Foi tudo sensacional como há muito não era. Inesperado também. Engraçado: eu tenho essa queda pelo inesperado. Quando algo me pega desprevenida, tendo a gostar muito mais. Às vezes, mais até do que deveria. Hoje eu não estou preocupada com o quanto devo ou não gostar: hoje eu apenas fui feliz. E nada sei sobre isso.

Só sei que eu estava lá, ele também: e uma amiga. Aí vieram a capirinha, a garçonete gostosa, a Bettie Page, as visões começaram a se embaralhar, a verdade foi dita num tom mais alto… E o silêncio constrangedor (não tão constrangedor assim) soou melhor do que qualquer música soaria.

No mais, hoje entendo alguns amigos e me sinto mal por ter batido neles tantas vezes, ou ter lhes tomado o celular quando o álcool começava a pedir licença e correr atrás de seus amores. Deixa mandar, deixa dizer o que é preciso. Nessas horas é que muitas coisas se resolvem. (O que não significa necessariamente que darão certo, é fato!)

A propósito, eu ainda volto lá pra ver Bettie Page de novo. E contar segredinhos, presenciar DRs, rir à beça, ficar fedendo ao cigarro alheio, beber um pouco a mais e dizer à garçonete o que me deu vontade de dizer… Só não volto lá pra me humilhar de novo.

Como o tempo passa: ontem eu não sabia o que prestar no vestibular. Hoje estou no segundo ano de duas faculdades. Duas… Apaixonada pelas duas. Ontem eu era fria e não me apegava a ninguém: hoje tenho amigos. Ontem eu sofria calada, hoje, embora o sofrimento seja outro, não tenho medo de gritar pro mundo. É! EU AMEI, EU FUI INFELIZ! Viro uma ou mais duas doses, trago o cigarro alheio, beijo a primeira boca que se insinuar pra mim e vou levando. A vida é isso, um cai-levanta dos infernos. Baixo astral – ou não.

Eu estou vivendo, finalmente. E se alguém tiver de me censurar por isso, sou eu. Mas hoje não, hoje estou feliz.

A propósito, caso você esteja lendo isso… Nem sempre o que dizemos se parece conosco.

Agora eu vou dormir. Labor uocat me.

AHHH! Esse é o post 600 do lovemaltine. 😀

Adoecendo

Ficar doente não é de todo mal. À parte dores, delírios, à parte a febre e o mal estar, os enjoos e o excesso de sono… É quando se está doente que acontecem algumas das cenas mais raras que podem haver na vida quando já não se é mais um bebê.

Quando é que, por exemplo, você vai acordar com sua mãezinha ao pé da cama, falando baixinho, oferecendo-lhe um mingau feito na hora? Diga-me, quando vai poder assistir Lisbela e o Prisioneiro em plena terça-feira à tarde? É comum seus pais chegarem em casa cheios de livros novos pra lhe dar de presente de um dia para o outro? (Livros são o meu presente favorito, tomem nota.) Pois bem, tudo isso magicamente acontece quando você está doente. E você também pode pedir colo sem parecer um lunático depressivo, pode passar a manhã no Facebook brigando para ter alguém pra você no Friends for Sale, pode ler exaustivamente, pode escrever sem ninguém te atrapalhando, porque a casa fica vazia e o silêncio vira seu aliado!

É claro que é um pouco decepcionante quando você chega à conclusão de que: o mingau oferecido era apenas uma forma de lhe dar algo que parasse em seu estômago, ver filme romântico numa terça-feira à tarde causa saudade e melancolia irreversíveis, os livros eram somente para que você não notasse que vai (ou não se sentisse tão mal por) ter que ficar em casa, na cama, o dia todo, sozinha, enquanto os saudáveis trabalham, estudam ou se divertem por aí. É claro. Mas a ideia de pedir colo e ganhar sem hesitação ainda me acalenta, e, de mais a mais… Se é pra ficar doente, por que não fazer de conta que todos os benefícios são naturais?

Além disso, você percebe o quanto é inútil gastar tempo brincando em apps do Facebook (e que sim, sempre teve razão quando dizia isso por aí!), e como é possível ler e escrever muito mesmo quando a vida está numa correria louca. Você passa a dar mais valor àquelas pessoas que cuidaram de você. Àquelas que mandaram mensagens. Você descobre quem te ama de verdade. E ainda, no meio de um bode imenso (“você está curtindo demais essa depressão”, disse sua mãe antes de sair), você se dá conta de como a pessoa que você pensa amar nunca quis nada a não ser usar você. E isso, pela primeira vez em muito tempo, te faz bem.

É, adoecer não é de todo ruim. Não, porque quando você melhora, volta à ativa com muito mais dentro de si do que se pode prever. Sim, vontade de viver é algo muito mais amplo do que qualquer conceito que eu possa usar aqui.

Let it go

lua em 2.03.09

A lua estava chamando a atenção ontem. Enorme, linda. Com uma enxaqueca enlouquecedora, o meu passeio de moto noturno não foi a coisa mais agradável do mundo. Mas a lua estava lá. E estava linda. Em meio a contrações de dor e parcela leve da atenção no trânsito (que eu também não queria morrer), eu chorei. Todos temos os nossos momentos de fraqueza, ainda o que nos vale é sermos capazes de chorar, o choro muitas vezes é uma salvação, há ocasiões em que morreríamos se não chorássemos. Chorei porque vi a lua, e a lua me lembrou de uma conversa que tive há não muito tempo com alguém que, espero, não terei conversas íntimas nunca mais.

A noite mal dormida graças às dores insuportáveis trouxe de presente uma manhã melancólica e tão dolorosa quanto a madrugada. Na caixa de entrada,  só o Personare, dizendo, infelizmente, aquilo que eu já sabia desde a cena na moto:  “transbordamento de emoções e problemas que você tem tentado evitar nos últimos dias, Ariane. (…) sugerindo que você até deseja levar as coisas numa boa, com mais relaxamento e tranqüilidade, mas há problemas e pendências a resolver que não podem ser evitadas! (…) não faça de conta que não existem coisas que lhe incomodam e que dê atenção a estes pontos. (…) A reflexão para o período é: do que eu preciso me libertar?” . Eu realmente estava fugindo, vide posts anteriores nesse mesmo blog. Já sabia também do que precisava me libertar. Só não sabia como.

No início a culpa era minha. Eu ia atrás da dor, todos os dias, em silêncio, sem que ninguém soubesse. Ele não sabia que eu estava ali, mas eu estava. Fuçava tudo, achando que descobrir as coisas me faria sentir uma raiva inexplicável e levaria todo amor embora. Bobagem, amor é perdão, sou toda perdão, sempre fui. Descobrir as coisas me deixava mal comigo mesma, com ninguém mais. Mas o fundamental é não perdermos o respeito por nós próprios, então eu disse adeus (confesso: submissinha como nunca o fui com ninguém, esperando que do outro lado viesse um “Não, não vá, sei o que quero, quero você” – bobagem de novo, não se deve esperar que alguém te diga algo só porque você o diria). Enfim, disse que ia embora, mas isso muitas vezes o fiz: despedia-me, mas voltava antes de virar a esquina. Dessa vez fui de verdade. Achei que finalmente fosse conseguir vencer esse sentimento estranho e o “Adeus” foi com toda a convicção que ainda restava aqui dentro.

Era a vez dele ser culpado. É dessa massa que nós somos feitos, metade de indiferença e metade de ruindade. Sempre se fez de bobo, nisso não havia novidade nenhuma. Mas achei que o bom senso se manifestaria dessa vez. Esqueci a miséria egoísta que todo ser humano é. Na verdade ainda está por nascer o primeiro ser humano desprovido daquela segunda pele a que chamamos egoísmo, bem mais dura que a outra, que por qualquer coisa sangra. Ter me recolhido aos estudos me fez muito bem. Enquanto lia, fingi não notar que tudo parecia um aviso, um lembrete. Mas está tudo lá, está tudo aqui, e o pior cego é aquele que não quer ver. Eu não queria, talvez fosse uma esperança, talvez achasse realmente que isso fosse dar certo um dia. Mas agora vejo, não que isso me tenha feito bem, que não vai ser diferente do que foi até hoje. Agora sou capaz de notar o quanto tenho sido boba, o quanto muita gente o é. O que começa errado, termina errado, e errado será se tiver novas chances de acontecer, a experiência da vida e das vidas tem cabalmente demonstrado que ao tempo não há quem o governe.  O tempo vai curar, eu espero, essa ferida que tem corrido cada vez mais previsível. O tempo vai me manter forte para que eu não falhe, de novo, comigo mesma.

Sinto falta de tanta gente, de tanta coisa, que engraçada é a internet, que engraçada é a vida, que panaca sou eu. A consciência moral, que tantos insensatos têm ofendido e muitos mais renegado, é coisa que existe e existiu sempre, não foi uma invenção dos filósofos do Quaternário, quando a alma mal passava ainda de um projecto confuso. Está tudo ali, na sua mão, e você acaba por não segurar. Está tudo disperso, tudo solto, tudo confuso, e você chora dizendo que queria ter. Nunca achei que essa coisa de Close your eyes, clean your heart, let it go fosse fácil, juro. Mas não sonhei – nem de longe – com toda essa dificuldade que tenho enfrentado. Não é que eu queira ter alguém, não, que ultimamente o que quero é que me tenham. Cansei de ser só minha, cuidar sempre dos outros e acabar esquecida. Sinto que só vai parar de doer quando ele deixar de existir pra mim. Só não vejo meios disso acontecer sem que eu aja de maneira infantil. Porque é assim que ele tem agido. Sendo infantil.

É por isso que horóscopos, em especial o Personare, me divertem. Eles dizem o óbvio, ok. Todo mundo tem algo de que precisa se libertar. Às vezes, só precisamos ouvir isso de alguém, ué. E ele diz. É só não viver em função disso. É só saber o que vale a pena ouvir. Hoje ele confirmou o que tenho pensado há tanto tempo… “Seja fiel aos seus ideais, não se contente com pouco. Avalie criticamente o ambiente e corte todas as pessoas e situações que não servem mais em sua vida, sobretudo pessoas que você não avalia como construtivas, afinal todas as relações se pautam numa boa troca. Conselho: Mantenha seu nível de exigência alto, não se contente com pouco.” Vêem? O mesmo que eu disse ontem no Twitter, ao citar Saramago. É de doer o fígado. (Mentira, as dores são por culpa da enxaqueca mesmo). É de partir o coração que, com tanta reflexão, tanta dor e sofrimento (não só psicológicos, mas físicos!) eu ainda não tenha conseguido me resolver. Eu quero meu equilíbrio de volta. Enquanto isso não acontece, quero ir logo ao pronto-socorro tomar uma injeção na veia, que a Neosaldina já não está resolvendo mais.

Observação:
O conteúdo grafado em itálico corresponde a trechos de Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago.

O conteúdo entre aspas foi retirado do site Personare.

A imagem da lua é realmente dessa noite é foi tirada por Dave Young.

Eles têm sempre a razão

de Vinícius e Tom:

haja o que houver
há sempre um homem para uma mulher
e há de sempre haver
pra esquecer um falso amor
e uma vontade de morrer
seja como for
há de vencer o grande amor
que há de ser um coraçao
como perdão pra quem chorou

E quem sou pra discordar?

Belinha

Não podia ouvir ninguém chegar, fosse de carro ou a pé, que corria pra porta, latindo. “Quieta, Belinha! Já é tarde! shiiiiu!” Voltava, avisava a todos na casa, ia desesperada em direção ao portão. Sem boas vindas nem tem graça entrar em casa. Ao menor barulho do saco de pão, disparava em direção à cozinha. “Ô, Belinha, me deixa tomar meu café!”.

Nem quando alguém ia ao banheiro dava sossego. Corria atrás e se escondia embaixo da pia. Vira e mexe passava despercebida aos olhos de alguém e acabava lá presa, sozinha, até latir por socorro.Isso quando não esqueciam a porta aberta na hora do banho – ia pra baixo do chuveiro na hora! “Belinha, sua danada, acabei de secar você…!”. Adorava tomar banho, sentir-se limpa, bonita. Caminhava feito uma princesa pela casa. Isabella. Mais Bela que Isa, mas era o nome perfeito. Beleza imponente. “Nunca vi cachorra assim! Parece uma gata!”.

Dormia o tempo todo no braço do sofá. “Bela, desce daí!” E ela esperava a gente virar as costas e subia de novo. Eu, papai, mamãe, Tainá e Melissa éramos mais dela que ela nossa. Escalava escadas como ninguém, avançava em qualquer um que lhe parecesse ameaçar um de nós. Ciumenta que só. Pulava de um sofá para o outro. Orgulhosa.  Nem adiantava chamá-la se pegássemos a Melzinha primeiro. Virava a cara. “Belinha! Bela! Vem cá, cheirosa!”. E a sem vergonha sumia.

Num passe de mágica, surgiam calças e calcinhas furadas. Quantas calcinhas novas joguei no lixo por ter esquecido na cama no dia da compra! “Dá um beijo, Belinha!” E ela dava uma lambidinha só, rápida e carinhosa, na face de quem pedia. Belinha era a alegria da casa. Até quando fazia coisa errada, nos fazia sorrir.

Dormia na porta do quarto esperando alguém levantar. Às vezes, no meio da madrugada, empurrava a porta e subia na minha cama. Eu acordava com o que mais parecia um bolinho peludo no edredom, fazendo calor em cima das minhas pernas. “Sai daqui, Belinha!”. De vez em quando, engasgava com alguma porcaria achada no chão e deixava todo mundo assustado. Companhia quando eu estava carente. Inspiração nas minhas aventuras escritas. Belinha sim era cachorra pra amar…

Assustada. Sempre. O que tinha de espoleta, tinha de medrosa. Medo de tudo. Sombra, bonecas, espelho, televisão… Temia o tartarugo… Temia até – e principalmente! – rodos e vassouras. Era só ver um que saia latindo e chorando, rosnando pra quem se pusesse em seu caminho. Invocava até, mas era só oferecer um carinho que já se abria toda. Não fazia xixi fora do jornal, não aceitava sair sem antes colocar um lacinho, ah, Belinha! ô Belinha… De vez em quando eu ainda a espero vir correndo. De vez em quando ainda me pego chamando. Belinha! Belinha! Mas ninguém vem.

Bobeira segurar as lágrimas. Bom deixar correr. “Belinha! Belinha! Não faça isso! O que você tem? Engasgou de novo? Responde, Belinha! Belinha… ô, minha menina… Belinha?” Fiz tudo o que pude, juro. Mas o corpo foi esfriando, fez-se duro – e ela nunca mais respondeu.

escrito na madrugada de 21 para 22/02, no quarto escuro, entre o rodízio de lágrimas dos quatro que Belinha deixou aqui quando partiu.

consciência

20090121204030Tem horas em que a situação fica insustentável. Incrível como a vida traz algumas consequências que nem sempre a gente merece. Ainda não sei de que me valeu ser uma boa filha a vida toda. Não sei pra que servem meus princípios ou minha inteligência, se ninguém enxerga ou aceita isso. Dói pra caralho não poder falar com ninguém sobre isso. Dói pra caralho não poder reclamar, não poder pensar as coisas que eu penso sem que a culpa tome conta da minha cabeça. Dói demais. Saber que eu tenho que guardar essas dores pra mim e, no final, acabo com a fama de chorona, de garota-que-sofre-por-amor-o-tempo-todo, como se uma paixão fosse meu único problema. Não é. Aliás, ultimamente, tem sido o mais irrelevante dos problemas, porque eu já me propus solucioná-lo.

Eu não sou mais criança, sabe? Não tenho aquela ilusãozinha infantil de que eu posso fugir de casa e tudo vai ficar bem. Não espero mais príncipe encantado, já destruí em mim as maiores expectativas e os maiores objetivos que eu trazia da infância.

A pior parte de tudo isso é ser maltratada todos os dias e ter de aceitar calada, pra não correr o risco de piorar a situação. A pior parte é ter de recorrer a um blog pra expressar o que estou sentindo – sendo que aqueles que realmente precisavam ler, saber o que estão me causando, nunca vão chegar aqui. É ridículo olhar pro lado e ver no espelho uma imagem acabada, inchada, manchada,  chorando em frente a um computador. Todo mundo critica a droga do computador, mas se não fosse ele eu nem sei como estaria agora. Não sei se estaria aqui agora. É daqui que, na maior parte das vezes, sai algum consolo.

Aos que pensam que ‘lovemaltine’ é uma personagem, só aviso uma coisa: não é. Não é porque uso um nickname que não sou verdadeira. Na maior parte do tempo, sou mais verdadeira do que aqueles que usam seus próprios nomes. E dói saber que só porque eu não tenho medo de esconder a minha dor ela parece menos real aos olhos dos outros. Foda-se, também. Só eu sei quantas coisas estão passando pela minha cabeça. Só eu sei o quanto eu já pensei em desistir da vida nos últimos dias. Eu não aguento mais. Não aguento mais.

(no other way – jack johnson)

Solidão, que nada!

Ela é um satélite
E só quer me amar
Mas não há promessas, não
É só um novo lugar

Em que ela sou eu e quem canta é pessoa X.

Perdida

Olhei hoje para o alto, para os lados e, por último, para dentro de mim.

Só o que vi foi destruição e tristeza. É, eu vi o mundo em minha volta desabando, as pessoas que eu amo se ferindo – tudo, tudo por minha causa.

Daí desejei que as coisas voltassem a ser como eram, mas foi bobagem minha. Sei que não voltam, nunca voltarão. Desejei morrer, pra parar de estragar a alegria alheia com minha tristeza e meu mau humor. Mas não morri. Estou aqui, parece que continuarei por muito mais tempo.

O fato de estar aqui não muda nada. Eu cansei de sofrer, cansei de ferir os outros, cansei de sentir falta de coisas que talvez eu nunca tenha tido. Cansei de viver, de respirar fundo mais uma vez e sentir que não foi suficiente, que preciso tentar de novo.

 

Eu cansei e não tenho como fugir. 

Olhei para o alto, para os lados e, por último, para dentro de mim – mas não vi saída em lugar nenhum.