Caio e eu

Não, eu não vou falar pela milionésima vez no Caio-da-infância, o Caio-primeiro-amor, o Caio-que-amei-durante-oito-anos-e-jamais-esquecerei. Não é desse Caio que falo hoje.

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Como se eu já não fosse criativamente piegas sozinha, resolvi me desprender de obrigações e passar a tarde com Caio Fernando Abreu. O livro, CAIO3D, eu já tinha lido e reencontrei ontem na Biblioteca, enquanto fuçava uma das prateleiras que mais me fascinam.

(Ok, a bibliografia de que realmente precisava pra estudar/trabalhar ficou por lá mesmo. Peguei só o que eu queria ler. Sei que é total FAIL, que no fim do bimestre mimimi mimimi mimimi, blablabla whiskas sachê, whatever.)

Eu quero e preciso de uma pausa pra mim. Preciso de um tempo pra pensar, preciso de um carinho, preciso da sexta-feira. Acima de tudo, preciso entrar mais um pouco em mim enquanto ela não chega. Caio se encaixa perfeitamente nessa necessidade, porque me identifico com ele, porque sinto que há muito dele em mim e (eu poderia ficar falando o dia todo), enfim, é melhor parar por aqui, afinal, ele me espera na cama, com mousse de maracujá na mão, pra continuar a me contar de novo suas histórias deliciosas.

(Por mim eu nem ia pra Cásper hoje. Nem pra USP amanhã. Por mim eu largava da vida e ia morar numa biblioteca. E eu não estou brincando nem figurativizando nada…)

imagem via unicorlogy.

Meus pensamentos por uma moeda

Liguei o shuffle e apertei play, seja o que Deus quiser!

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*****

Um ponto final é essencial. Mas é tão difícil pontuar uma história enquanto ela acontece, é tão assustador escolher, em alguns momentos, se devo usar vírgulas, dois pontos, parênteses… É difícil optar pelo ponto final.

****

É frequente. Um sono profundo me pesa na alma. Os olhos penam para continuar abertos.
O pensamento é disperso, a respiração parece guardar um eterno bocejo.
E o coração bate devagar, mas sempre – maldito! – tentando alcançar você.
Chega dezembro, mas não chega a sexta-feira pra levar minhas mágoas.

***

Querer me é sempre tão destrutivo…
Sofro quando não tenho,
sofro quando posso ter.

**

O que tem doído é a solidão consensual,
a solidão que dura apenas o tempo
que você escolhe para estar longe de mim.

*

a vida…
*nervoso gigante*
(até quando eu vou viver minha dimensão enquanto os outros vivem a vida de verdade?)
… não vale a pena e a dor de ser vivida.

— Quem diria que um “Quais são seus pequenos prazeres?” mudaria meu dia?

imagem via we ♥ it

Repeteco sentimental

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Preciso de carinho. De um corpo soltando seu peso sobre minhas costas, ambos deitados de bruços. Preciso dar e receber colo de verdade. Quero carinho, um amigo. Quero um amor. Poder esperar o pior de mim e do outro. Quero alguém que não resolva aparecer só depois que eu o abandonar. Quero dar valor e ser valorizada. Algo além daquele contato físico que os hormônios pedem… Eu nem faço questão do contato físico. Eu quero alguém em sintonia comigo, só isso.

“Só isso”. Como se fosse fácil.
19 anos esperando…

(imagem via)

Encontro

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Ela volta do jantar solitário, cabeça nas nuvens, pasta sanfonada na mão, coquezinho-secretária, óculos embaçados pelo rímel recém-passado. Malditos cílios gigantes que sempre esbarram nas lentes… Não é um de seus melhores dias. Confusão mental, a sempre triste confusão mental.

Caminha olhando para cima, sempre. Não por arrogância ou esperança, mas porque, inexplicavelmente, há algum tempo já não há o que lhe fascine mais que o céu. Especialmente o céu logo acima da torre da Gazeta, sua torre, pedacinho da sua vida. De repente, uma voz a tira do transe.

– Olá, você vai atravessar a avenida?
A velhinha sorri afetuosamente.

– Vou sim.
A resposta vem ainda com algum receio. Não gosta de contato com estranhos. Tem dificuldade pra conversar até com conhecidos…

– Me ajuda a atravessar? Fico tão receosa…
A doçura da senhora a conquista. Faz que sim com a cabeça e volta os olhos para o farol.

– Você trabalha por aqui?
– Estudo na Gazeta
– Cursinho?
– Não, Jornalismo…
– Jornalismo… É uma bela profissão para as mulheres. Em que ano está?
– Segundo.
– E como é o campo?
A pergunta do campo. Do mercado de trabalho. Sempre a pergunta do mercado de trabalho. Responde qualquer coisa, deseja não ter parado ali. Odeia falar sobre área de trabalho, campo, especialização… Todos sempre lhe torcem o nariz ao ouvir suas opiniões e opções.
O sinal abre. Coloca a mão nas costas da velhinha e atravessam, enquanto, cachinhos brancos ao vento, vestido floral, a idosa continua:

– A filha do meu irmão fez jornalismo. Trabalha naquela revista… como é… Valor, conhece?
– Economia?
– Isso, isso! Trabalhava na Gazeta Mercantil, mas recebeu uma proposta mais lucrativa, sabe como é, dinheiro a mais é sempre bom… Ela adora economia. Você… Tem alguma área de interesse em especial?
– Tecnologia.

Chegaram ao outro lado da Avenida. Paradas em frente ao Top Center, as duas se entreolham.

– Você tem mesmo cara de quem gosta de tecnologia, como não pensei nisso? Sério…
– Obrigada…

A dona da cabecinha branca olha para os lados como quem não sabe para onde vai. A idade tem dessas coisas. Por um instante, fica com as mãos no queixo. Solta de repente e puxa a garota, que recebe um afetuoso beijo no rosto.

– Sucesso, menina! Sucesso! Você merece muuuuito sucesso! Obrigada, obrigada mesmo!

Ainda assustada com a estranha alegria advinda apenas de alguns segundos de atenção, sorri. Agradece. A confusão já não está mais dominando sua mente. Só consegue se sentir contagiada pela felicidade e pelo carinho da terna desconhecida.

– Mulheres! Mulheres! Sucesso, hein?, ainda gritava a senhora, parada entre a banca de jornal e o ponto e ônibus.

A garota continua seu caminho, passando pelo escadão, até chegar à Faculdade Cásper Líbero. Ah, a Cásper… Sorri para o segurança, cumprimenta o bedel com quem dividiu a viagem elevador e, como se fosse outra pessoa, passa o fim de sua segunda-feira esperando o melhor – não dos outros, mas de si mesma.

Senta em frente ao seu computador para fazer um trabalho, para, de sopetão, por um instante e, de repente, passa-lhe uma ideia louca pela cabeça. Ah, tolinha. Esqueceu de perguntar o nome daquela que por muito tempo ainda irá figurar em seu pensamento lembrando-a de sorrir pra vida…

Quem a vê assim já não sabe mais dizer quem ajudou quem.
Mas qualquer um apostaria que quem mais ganhou nisso tudo foi ela, que, perto de seus vinte anos de idade, andava sofrendo sem porquê.

Foto por Raphael Strada.

Coisas que uma garota piegas não deve ler

The Blissful Art of Being and Breathing

We must not allow the clock and the calendar to blind us to the fact
that each moment of life is a miracle and a mystery.
– H. G. Wells

One warm evening nine years ago…

After spending nearly every waking minute with Angel for eight straight days, I knew that I had to tell her just one thing. So late at night, just before she fell asleep, I whispered it in her ear. She smiled… the kind of smile that makes me smile back. And she said, “When I’m seventy-five, and I think about my life and what it was like to be young, I hope that I can remember this very moment.”

A few seconds later she closed her eyes and fell asleep. The room was peaceful… almost silent. All I could hear was the soft purr of her breathing. I stayed awake thinking about the time we’d spent together and all the choices in our lives that made this moment possible. And at some point, I realized that it didn’t matter what we’d done or where we’d gone. Nor did the future hold any significance.

All that mattered was the serenity of the moment.

Just being with her and breathing with her.

do Marc and Angel Hack Life, Practical Tips for Productive Living

Eu chorei. Loucamente.

Reflections of a Skyline

Algumas coisas nos dizem tanto… Tanto… Que a única reação é não conseguirmos dizer nada. O curta Reflections of a Skyline é uma dessas. Lindo de morrer de amor, eu diria, se não o tivessem dito por mim. E quantas vezes eu já não quis morrer de amor?

Dirigido por Michael Tamman & Richard Jakes, o curtinha foi gravado num telhado em Londres, durante um dia. Atuando, Christopher Dunlop e Fiona Pearce. Sonoplastia de Richard Sprenger. Vale a pena separar cinco minutinhos pra assistir. Desculpas àqueles que não entendem inglês. 🙁

(Confesso… Às vezes até o mais doloroso me faz falta. Amar é muito bom, amar… Tão tolo quem diz “não” ao amor. Tão tolo… A gente nunca sabe quando – e se – ele vai voltar.)

Via vimeo.

BLUE PUB

Segunda-Feira

Prato do dia

Porção de batata-frita sabor italiano

PROMOÇÕES

Uma loira deliciosa por conta da casa

Pague as caipirinhas, leve as pernas bambas

(ps: Adoro batata-frita, ok?)

cada dia mais…

Melhores amigos de infância

Foi tudo sensacional como há muito não era. Inesperado também. Engraçado: eu tenho essa queda pelo inesperado. Quando algo me pega desprevenida, tendo a gostar muito mais. Às vezes, mais até do que deveria. Hoje eu não estou preocupada com o quanto devo ou não gostar: hoje eu apenas fui feliz. E nada sei sobre isso.

Só sei que eu estava lá, ele também: e uma amiga. Aí vieram a capirinha, a garçonete gostosa, a Bettie Page, as visões começaram a se embaralhar, a verdade foi dita num tom mais alto… E o silêncio constrangedor (não tão constrangedor assim) soou melhor do que qualquer música soaria.

No mais, hoje entendo alguns amigos e me sinto mal por ter batido neles tantas vezes, ou ter lhes tomado o celular quando o álcool começava a pedir licença e correr atrás de seus amores. Deixa mandar, deixa dizer o que é preciso. Nessas horas é que muitas coisas se resolvem. (O que não significa necessariamente que darão certo, é fato!)

A propósito, eu ainda volto lá pra ver Bettie Page de novo. E contar segredinhos, presenciar DRs, rir à beça, ficar fedendo ao cigarro alheio, beber um pouco a mais e dizer à garçonete o que me deu vontade de dizer… Só não volto lá pra me humilhar de novo.

Como o tempo passa: ontem eu não sabia o que prestar no vestibular. Hoje estou no segundo ano de duas faculdades. Duas… Apaixonada pelas duas. Ontem eu era fria e não me apegava a ninguém: hoje tenho amigos. Ontem eu sofria calada, hoje, embora o sofrimento seja outro, não tenho medo de gritar pro mundo. É! EU AMEI, EU FUI INFELIZ! Viro uma ou mais duas doses, trago o cigarro alheio, beijo a primeira boca que se insinuar pra mim e vou levando. A vida é isso, um cai-levanta dos infernos. Baixo astral – ou não.

Eu estou vivendo, finalmente. E se alguém tiver de me censurar por isso, sou eu. Mas hoje não, hoje estou feliz.

A propósito, caso você esteja lendo isso… Nem sempre o que dizemos se parece conosco.

Agora eu vou dormir. Labor uocat me.

AHHH! Esse é o post 600 do lovemaltine. 😀

Adoecendo

Ficar doente não é de todo mal. À parte dores, delírios, à parte a febre e o mal estar, os enjoos e o excesso de sono… É quando se está doente que acontecem algumas das cenas mais raras que podem haver na vida quando já não se é mais um bebê.

Quando é que, por exemplo, você vai acordar com sua mãezinha ao pé da cama, falando baixinho, oferecendo-lhe um mingau feito na hora? Diga-me, quando vai poder assistir Lisbela e o Prisioneiro em plena terça-feira à tarde? É comum seus pais chegarem em casa cheios de livros novos pra lhe dar de presente de um dia para o outro? (Livros são o meu presente favorito, tomem nota.) Pois bem, tudo isso magicamente acontece quando você está doente. E você também pode pedir colo sem parecer um lunático depressivo, pode passar a manhã no Facebook brigando para ter alguém pra você no Friends for Sale, pode ler exaustivamente, pode escrever sem ninguém te atrapalhando, porque a casa fica vazia e o silêncio vira seu aliado!

É claro que é um pouco decepcionante quando você chega à conclusão de que: o mingau oferecido era apenas uma forma de lhe dar algo que parasse em seu estômago, ver filme romântico numa terça-feira à tarde causa saudade e melancolia irreversíveis, os livros eram somente para que você não notasse que vai (ou não se sentisse tão mal por) ter que ficar em casa, na cama, o dia todo, sozinha, enquanto os saudáveis trabalham, estudam ou se divertem por aí. É claro. Mas a ideia de pedir colo e ganhar sem hesitação ainda me acalenta, e, de mais a mais… Se é pra ficar doente, por que não fazer de conta que todos os benefícios são naturais?

Além disso, você percebe o quanto é inútil gastar tempo brincando em apps do Facebook (e que sim, sempre teve razão quando dizia isso por aí!), e como é possível ler e escrever muito mesmo quando a vida está numa correria louca. Você passa a dar mais valor àquelas pessoas que cuidaram de você. Àquelas que mandaram mensagens. Você descobre quem te ama de verdade. E ainda, no meio de um bode imenso (“você está curtindo demais essa depressão”, disse sua mãe antes de sair), você se dá conta de como a pessoa que você pensa amar nunca quis nada a não ser usar você. E isso, pela primeira vez em muito tempo, te faz bem.

É, adoecer não é de todo ruim. Não, porque quando você melhora, volta à ativa com muito mais dentro de si do que se pode prever. Sim, vontade de viver é algo muito mais amplo do que qualquer conceito que eu possa usar aqui.

o amor (não) é filme

O importante não é saber o que acontece, mas quando e como acontece.

Já acendeu a luz do cinema, e agora vai começar minha vida (…) Tem uma hora que o coração quer é sossegar com alguém! (…) Ninguém ama por tabela. (…) Eu fui, e vou, toda vez que o amor me chame, vocês entendem? (…) Eu quero queimar minha vida de uma vez só, num fogo muito forte…

Não. Acabou, o amor não é filme.