Sempre ele
Estou relendo “Ensaio sobre a lucidez”. Apaixonadamente, diferente da primeira vez. Dessa vez a vontade veio de repente, depois de dois meses sem conseguir ler nada direito. Olhei para a prateleira, pensei “preciso mergulhar em algo” e tive de decidir entre os favoritos. Daí que “O Caderno de Saramago”, meu feed-pra-ler-antes-de-dormir (sério) me fez olhar pra ele. “Saramago…?”. Hesitei. Ler Saramago sem vontade é pior do que ficar sem ler nada. Não resisti.
E hoje, já quase desligando o pc, corri pra ler o feed. Encaixou tão bem com o que eu andava precisando ouvir que eu achei até um pouco bizarro (o que eu senti, não o texto! haha). Hoje vai ter que rolar um control copy. haha.
Dizemos
Dizemos aos confusos, Conhece-te a ti mesmo, como se conhecer-se a si mesmo não fosse a quinta e mais difícil operação das aritméticas humanas, dizemos aos abúlicos, Querer é poder, como se as realidades bestiais do mundo não se divertissem a inverter todos os dias a posição relativa dos verbos, dizemos aos indecisos, Começar pelo princípio, como se esse princípio fosse a ponta sempre visível de um fio mal enrolado que bastasse puxar e ir puxando até chegarmos à outra ponta, a do fim, e como se, entre a primeira e a segunda, tivéssemos tido nas mãos uma linha lisa e contínua em que não havia sido preciso desfazer nós nem desenredar emanharados, coisa impossível de acontecer na vida dos novelos, e, se uma outra frase de efeito é permitida, nos novelos da vida.
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