registro

É chato quando a gente sente coisas muito boas mas não tem como registrar numa foto. Quando uma música, uma poesia ou um texto talvez façam o trabalho por nós – mas não se encaixam nas circunstâncias. É chato porque em alguns momentos parece que nosso corpo pede “avisa, avisa que está sentindo isso! que é bom! que você não quer parar!” – mas a gente se perde tentando encontrar a palavra ou o gesto certo, e o momento passa.

Passa mas não permite que você o esqueça. Você pode facilmente se livrar de objetos, musicas, poemas, textos, fotografias. De lugares. Mas não é tão simples se livrar da sensação. Das memórias.

O que é bom fica ali, pra sempre – começa doce, em algum momento vira dor e, quando você menos espera, é só uma pintura opaca nas paredes da memória. Uma música baixinha, ecoando em vão. Cenas de um filme que provavelmente não terminou bem.

uma drama queen e tanto. cabeça de escritora, diploma de jornalista, vida de publicitária. trabalha fazendo Indiretas do bem e espalhando amor por aí. não escreve: transborda. por uma questão de sobrevivência.

2 thoughts on “registro

  • Reply Flá 25 de setembro de 2014 at 9:48 pm

    Uow!
    É bem verdade… acho que você falou bem o que todo mundo sente em algum momento. As pessoas falam em guardar gente num potinho, mas acho que guardar instantes e principalmente sensações, seria incrível!

    =)

  • Reply Amanda 7 de outubro de 2014 at 1:28 pm

    Às vezes é legal quando não dá pra colocar em palavras. Eu gosto de ter sensações só minhas, que ninguém vai conhecer igual – é egoísta sim, mas não ligo :p
    E eu acho ainda mais legal quando uma mesma coisa dá sensações diferentes. Um lugar que foi ao mesmo tempo foi palco das minhas brincadeiras de criança e das minhas fugas quando adolescente; uma música que me remete a várias pessoas ao mesmo tempo. Quando olho pro lugar, eu sei que está estático, mas se eu pensar bem nas duas situações, posso vê-lo totalmente diferente; quando ouço a música, sei que ela está exatamente como foi gravada, mas consigo mentalizar perfeitamente as vezes os momentos em que ela foi trilha sonora da vida.
    Tão bom 🙂

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