partidas, #15

Talvez tenha sido a doçura das suas palavras. Minhas cicatrizes ardiam menos cada vez que você via valor em mim ou dizia qualquer coisa carinhosa que me fazia querer ser mais, desenhar mais, merecer mais. Quis tanto, tanto te ver. As madrugadas faziam mais sentido quando você aparecia. Você foi o sol no início do meu verão – aquela luz quente e deliciosa que torna os dias mais longos. Mas aí o destino veio e atrapalhou. Você disse ter problemas, mas na verdade já tinha encontrado a solução. E então chegou o inverno na minha vida.

O meu deslize foi entregar o meu coração antes mesmo de nos conhecermos de verdade – e vê-lo partindo com outra, com razão, com ternura, com fotografias instantâneas, declarações de amor e, sobretudo, com todos os sonhos que construí em segredo e nunca tive oportunidade de compartilhar.

Você acha que é peça sem encaixe, mas na verdade é a figurinha premiada. É raro e muita gente acaba desistindo de encontrar. Só que a vida não é álbum que se completa assim tão simples. Às vezes a mesma peça se encaixa em vários jogos. A vida faz de nós, seres inconstantes, um pouco mais infelizes que o normal. Não existe paz quando se sabe que a qualquer momento tudo vai mudar. Mas não precisa ser assim. Podemos lidar com essas mudanças sem nos culparmos por elas.

Isso não nos torna menos brilhantes ou raros. Ponto.

Se eu contasse, você não acreditaria – eu bem que tentei. Mas não me importa mais o fato de que você não vai saber nunca. Assim como eu não sei por que me dói tanto essa partida – já estou tão acostumada a ser ferida aberta. E quer saber? O meu desejo é verdadeiro. Quero que os sorrisos de vocês se multipliquem. Que as nuvens estejam além dos retratos. Que haja ainda mais amor.

Quanto a mim, já aprendi que vim ao mundo pra assistir o amor acontecer – e lavar com lágrimas as feridas que ele me causa.

uma drama queen e tanto. cabeça de escritora, diploma de jornalista, vida de publicitária. trabalha fazendo Indiretas do bem e espalhando amor por aí. não escreve: transborda. por uma questão de sobrevivência.

2 thoughts on “partidas, #15

  • Reply aline 6 de janeiro de 2015 at 4:10 pm

    não se preocupe, o amor sempre chega. vem depois da tormenta, silencioso e surpreendente.

    🙂

  • Reply Elisa Alecrin 13 de fevereiro de 2015 at 5:33 pm

    É muito louco quando leio alguém que se sentiu da mesma forma que eu várias vezes já me senti vendo as pessoas irem embora.

    “…já estou tão acostumada a ser ferida aberta”

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