loving you is killing me
when i’m with you I still feel a little lonely.
[a dica foi do Raphael Bispo. apaixonei para sempre]
when i’m with you I still feel a little lonely.
[a dica foi do Raphael Bispo. apaixonei para sempre]
e essa coisa de ficar sonhando com o guri o tempo todo, acordada e dormindo, online e offline? e esse desespero estranho porque a qualquer momento a campainha pode tocar e pelo vidro da porta ser o sorriso dele a te dizer oi enquanto giras a chave, maltrapilha, cansada, querendo enfiar a cara num buraco? caralho, de novo não, não é mesmo?
não que adiante alguma coisa questionar. agora já sentes isso e não há muito o que fazer senão torcer para que o destino pare de fazer com que os dois se cruzem. por favor.
(mas também não vá ficar vendo vídeos dele no youtube e digitando o nome dele no google todo dia atrás de novidades, que ninguém é de ferro e não tens como te defender de ti mesma.)
sempre.

aqui eu ia repetir amargamente o quanto doi não ter teu sorriso por perto todos os dias e nem sentir teu cheiro ao acordar de manhã. ia lamentar não ser amada por ti e pra quê, me diga? iria mudar alguma coisa?
faz sol lá fora, é véspera de feriado e eu posso ouvir aquele disco do black keys à exaustão enquanto tento não lembrar de tudo que te dei e tudo que me destes e tudo que não aconteceu.
(foda-se o mundo caindo ou as coisas dando errado por aí tem mulheres lindas e bailarinas dançam como se não houvesse mais nada e a doçura de uns e outros contagia o ambiente. até mesmo ver o sangue de alguém faz bem — às vezes o meu próprio. nem tudo vai sempre dar certo e só o que importa é poder ver as coisas belas acontecerem)
o amor dura o tempo de um cigarro, amigo, que eu parei de fumar faz tempo.
ultimamente tenho sentido falta do tempo em que o blog era o meu quartinho escuro. quando eu vinha aqui, botava tudo pra fora e sempre tinha alguém que comentava comigo, compartilhava experiências e tudo o mais. que ria e chorava junto. era adorável especialmente quando não precisava medir as palavras porque estava sendo observada pela família, pela faculdade, pelo trabalho, por mim mesma. quando não havia esse policiamento. mas passou, faz anos — quase dez, por sinal. e hoje o que mudou não foi só a internet ou a maneira como lidamos com ela. com toda a liberdade do mundo, estamos ainda numa prisão, eu sei. mas o problema maior não é esse: é que eu não sou mais criança. só isso. passou a fase de declarar um amor por dia e expor confissões aqui e lá. passou da hora de trocar o sonho de ser a power ranger amarela (só porque ela era japonesa) pelo de uma carreira, uma família, uma vida que vá além de levantar, trabalhar, estudar, comer e, eventualmente, surtar para todo mundo. não sou a heroína que era em 1995. e o melhor que eu faço, na maior parte do tempo, é ficar quieta.
o problema é conseguir.
(ouça a letra com atenção e ficamos todos entendidos.)
Foram bons dias e tentativas nem um pouco sutis de que não parecesse nada — não era — até que sumisses de novo. Já era previsto, desde o início falávamos das tuas mulheres e dos teus planos e qualquer um que alguma vez já tenha trocado duas palavras contigo sabe que não és e nunca serás de ninguém senão de ti mesmo. Mas foi engraçado poder ter uma perspectiva de como ages por dentro da carcaça inventada, os modos tão carinhosos e doces que poucas vezes alguém já teve comigo.
Porque naquele momento eu te servia, e tu me servias, então estávamos bem. Eu podia acordar no meio da madrugada com tua boca na minha, querendo atenção. Travar batalhas contra o teu desejo que me impedia de pegar no sono. E depois que cochilássemos, a ressaca dos cigarros da noite anterior me faria hesitar antes de levantar a buscar água, e depois comemorar a glória de poder então sentar ao teu lado e observar teu sono tranquilo. E como éramos iguais, almas gêmeas. De repente e sem menos ou mais, descobrir que não era bem assim, e em ambos os lados havia alguém especial, e não éramos feitos um para o outro, mas um do outro, um como o outro, irmãos.
E ali, naquela cama, num adeus silencioso enquanto dormias, aquele era o nosso fim.