o amor não basta

Algumas pessoas dizem “eu te amo” como se só isso compensasse todas as outras faltas. Uma notícia a essas pessoas: o amor não basta. Não a declaração.

Eu sei porque eu já fui assim: uma incansável difusora de “eu te amo”. ainda hoje expresso sempre que posso – no entanto, não para corrigir nada. Apenas para que fique claro.

Obviamente, não basta.

faz parar

estou acontecendo muito ao mesmo tempo, confusa, topando com as paredes, perdida, vivendo os pesadelos repetidamente e me perdendo entre a realidade, a visão, os medos e os desejos

eu quero parar

não tá fácil pra ninguém

2014 tá a pura galinha preta da macumba.
toda semana fico doente. toda semana algo dá errado.
todo dia tem uma merda.

pra não parecer que estou reclamando sem embasamento, vou narrar só os últimos acontecimentos:

– não consegui dormir de ontem pra hoje;
– minhas pálpebras estão tremendo há 3 dias;
– nasceu uma espinha interna na base do meu nariz;
– estou com rinite alérgica no máximo;
– moro na penha e todos os meus compromissos são a pelo menos 25km daqui;
– minha DSLR sumiu dentro de casa e eu tenho uma dúzia de coisas pra fotografar.

tá pouco de merda, 2014. manda mais.

(mas vamos pensar positivo: desejei não ir à academia e meu personal mandou mensagem dizendo que não vai dar aula hoje.)

de tanto te querer

As coisas estão ali, exatamente no mesmo lugar, mas nós mudamos. E se meu rosto arrepia com a umidade das lágrimas contra o vento, não tem problema. Chorando ao menos eu me sinto viva – tenho consciência do meu corpo.

As coisas estão ali, exatamente no mesmo lugar, mas eu me sinto perdida.

sábadomingo

Ligar pra ele só para ouvir sua voz.

“Está tudo bem?”
“Sim, e aí?”
“Sim”

Não está. E você só quer continuar ouvindo aquela voz te dizer que está tudo bem. Porque repetir talvez faça com que as coisas mudem. Mas não dá pra ficar segurando o outro na linha – e vocês desligam porque não tem assunto e tudo começa a ficar desconfortável…

Queria ficar ouvindo a respiração dele ali do outro lado o dia todo, porque o restante não importa. Tanto já foi deixado pra lá. Tanto no não dito.

Seguir em frente não é fácil pra ninguém, acho.

quase a sexta santa

Quando ele desceu do táxi e o motorista pisou fundo rumo à Radial, meus olhos visitaram a lombada de um livro e mais um desejo nasceu. Sou boa nessa coisa de querer, pensei, mas não muito em se tratando de colocar as coisas em prática. Tenho desejos e mais desejos acumulados, alguns que vivo e descubro não terem graça alguma, outros que não chego a realizar porque paro no meio do caminho. Nada pessoal: apenas acho que não sou boa o suficiente. Mas o que será que torna as pessoas suficientemente boas?

Sentindo o vento nos cabelos, penso em acender um cigarro e hesito ao lembrar que não estou no meu carro. Eles vão continuar amassados na carteira e terei que lidar com a dor de cabeça da abstinência.

Em outros tempos, o desejo não era problema para mim. Sabia controlar as vontades, canalizar tudo na escrita, na música. Depois veio o desenho. Hoje nenhuma palavra sai: somos eu, a página em branco e o corpo pedindo o cheiro, o toque e a violência equilibrada do encontro com outro alguém. Às vezes acho que o amo, às vezes me ocorre que talvez ele tenha vindo apenas cobrir um vão da minha existência e aplacar a carência que havia em mim. Eu nunca sei muito bem se sorrio ou se calo enquanto ele me olha nos olhos e diz que me ama. Criei uma dependência nada saudável desta relação. Tudo faz com que eu queira os lábios quentes dele tocando os meus. Meu coração diz não, minha alma diz que há algo de errado, mas eu só consigo olhar para ele e querer mais um beijo, mais um minuto ao seu lado, mais, mais, mais. A ausência me desespera. Eu só sei querer – querer que nada mude, que sempre haja a chama do início, querer mais. Querer, quere, querer.

O taxista interrompe minha digressão para me alertar sobre um motorista ziguezagueando na Radial: “Desgraçado não morre sozinho. Leva a vida da gente junto”. Concordo meio sem enxergar o que acontece. Os óculos ficaram em casa, a dor de cabeça pesa as pálpebras e a vontade verdadeira é de fugir, de um canto só meu, dormir e acordar acariciando aquela barba ruiva que tem meu cheiro favorito, pintar novos desenhos, os livros todos que sonhei e cada dia tenho mais certeza que nunca vou publicar.

É bom morar longe, eu diria, e melhor ainda atravessar a cidade a essa hora da noite. Não há quase carros nas ruas, não há quase gente acordada. A Augusta que acabei de abandonar continua fervendo e o meu bairro já está adormecido – tem algo de lindo nesses contrastes, algo que nem o taxímetro rodando furioso consegue apagar.

“É pra pegar sentido a Toco?”
“Não. Pode atravessar e subir a Olivetanos.”

Um motoqueiro fica me encarando – por um segundo me assusto. Vivo dizendo que quero morrer, mas quando a possibilidade se aproxima, o único desejo é que tudo passe. Querer é muito mais fácil quando a gente sabe que conseguir não depende de nós.

“Pode subir?”
“Pode sim.”

Parado no farol, um pedestre palita os dentes sem cerimônia, a boca escancarada, o barulhinho da saliva nos dentes. Em algum dos bares ainda acesos, Elis Regina canta “você me pergunta sobre a minha paixão…”. Relembro o espetáculo que assisti há alguns dias. Me identifiquei tanto com Elis. Tanto quanto com Maysa. E não acho que isso seja saudável. Não é. Mas me lembro. O celular vibra: “Já estou em casa :)”, diz a mensagem no visor. Eu sei, meu amor. Mas o que eu mais queria, dentre todas as outras coisas, era que você estivesse aqui.

E olha que querer é a minha especialidade.

duas vidas

tem a vida que a gente vive e a vida que a gente conta. a que a gente vive: cinza, desalinhada, encharcada em lágrimas salgadas que ressecam a pele. limitada a um quartinho escuro, solitária, exaustiva. a que a gente conta: colorida, centrada, ensolarada e cheia de sorrisos. pra ela o mundo não é suficiente, os amigos são sempre muitos, diversão e mais diversão. a vida que a gente conta consome a gente tanto quanto a que a gente vive, se parar pra pensar. e nenhuma das duas fazem sentido.

https://www.youtube.com/watch?v=Rn_O3DK5u0A&feature=kp

hiato

ando sentindo falta da delicia que é ter um projeto paralelo. algo pra canalizar minhas energias, mostrar quem sou eu. algo pra ocupar o tempo que eu nem tenho e me ajudar a espairecer. antes eu tinha o Indiretas do bem mas (bendita a hora em que criei a página e coloquei a Jess de admin) agora ele é minha profissão e extravasar exige outros canais.

claro, eu sempre posso escrever. e tem os desenhos, os livros. e tem os cursos, viagens. só estou pensando mesmo é em como vou unir tudo assim, tão objetivamente. será que volto a blogar? será que volto com o Grifatexto? será? será?

não percam o próximo episódio de Lovemaltine e a necessidade de criar 2638384944 projetos que vai largar.

velhas novas

essa semana eu comecei um curso de desenho. porque, como eu já contei, desenho tem me feito bem, é algo que sempre quis estudar e, atualmente, com a minha agenda mais flexível, resolvi aproveitar o tempo que nunca tive antes.

faz dois anos que me formei e já nem lembrava como era uma sala de aula. na verdade, no fim da faculdade mesmo eu já não tinha a menor noção. acho que vivia num planeta paralelo.

pra começar, isso me levou de volta ao transporte público, ao calor da rua, à interação com outras pessoas… apenas situações que eu certamente sempre vou adorar evitar. mas vale a pena. vale?

pois bem, aconteceu o óbvio: sendo um curso no meio da semana, das 14h às 17h, a sala é lotada de gente mais nova que eu. mais da metade da turma vestia camisetas do ensino médio. uns dois mencionaram entregas de desenho para a faculdade. os outros são do tipo nerd-de-idade-não-identificável. pra falar a verdade, depois dos minutos de estranhamento (tipo ~sou velha demais pra isso, a quem estou querendo enganar~) eu achei massa. queria ter estudado arte nos meus tenros 15 aninhos, saudades. queria ter tudo coragem de me formar nisso. mas tamos aí firmes e fortes e vivões. vivendo.

como eu sou filha do bichinho-insegurança, não precisei nem enxergar os desenhos dos meus colegas de classe pra achar todos incríveis e todos talentosos e MEU DEUS PRECISO IR EMBORA DAQUI SOU UMA FARSA E E E E E

depois respirei fundo (afinal eu realmente não sei desenhar, – parabéns pela conclusão, cérebro gênio – e é por isso mesmo que estou no curso). acho que vou gostar, que vai me fazer bem. fazia tempo que eu não estudava nada, que o tesão tinha morrido.

então eu volto lá na próxima terça-feira, com as tarefas todas prontas (ou assim espero, que o domingo colabore!), preparada pra aprender mais. do meu jeitinho, com os novinhos por perto e pensando no quanto eu sou privilegiada por fazer o que quiser, tendo tempo livre e dinheiro pra pagar, mas, sobretudo, tendo paixão pra continuar. porque fazer as coisas sem paixão, pra mim, é um suplício danado. não funciona.

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dos rabiscos, almofadas e histórias pra contar

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No ano passado, tomei coragem de fazer na minha vida uma mudança que sempre tive vontade. Apesar de amar o local em que trabalhava (já contei por aqui, aliás) e gostar muito da minha profissão, decidi viajar sozinha pela primeira vez, ver a beleza do mundo, curtir o silêncio dos desconhecidos e esfriar a cabeça para, na volta, trocar tudo por uma rotina mais tranquila, em que tivesse mais tempo pra mim. A rotina exaustiva de trabalhar a 25km de casa e perder metade do dia em transporte, descontar as tristezas em junk food e tal… Isso acabou.  O meu trabalho ainda tem muito a ver com o que eu fazia antes, mas hoje, fora de uma agência, tenho tempo pra me cuidar e, principalmente, pra fazer mais do que eu gosto. Digo, além  de trabalhar.

E uma das coisas que eu mais gosto de fazer desde criança é desenhar. Não que eu saiba – muito pelo contrário, vou observando fotos, reproduzindo isto e aquilo, às vezes sonho com umas coisas muito loucas (e é um pouco frustrante porque não tenho técnica suficiente pra tornar esses sonhos reais) e corro pra colocar no papel. Desenhar tem sido minha terapia muito mais do que escrever foi até então. Eu entrego muito de mim num desenho sem precisar dizer palavra alguma. Então eu rabisco, claro. E, como tudo que eu gosto de fazer, eu compartilho os rabiscos por aí.

As pessoas nas redes sociais são um amor – e tenho plena convicção de que estou cercada das melhores possíveis, on e offline. Por isso, tive uma recepção muito boa publicando os meus desenhos no instagram. O Daniel Belarmino, que já era parceiro por conta das Almofadas do bem, convidou minhas ilustrinhas para fazerem parte da coleção Ilustradores lá do Laboratório Monstro. Eu hesitei (vocês já viram os desenhos INCRÍVEIS que ele tem por lá? sério, vejam). Mas topei. Tudo bem, fiquei tão insegura que mexi nelas por mais de um mês, desenhei, redesenhei e um dia, por impulso, mandei tudo antes que desistisse. haha. Taí, então, temos uma coleção Lovemaltine. <3

Seria errado se eu não topasse. Eu mesma disse outro dia pra criar sem medo do que os outros vão dizer o pensar, lembram?

Eu já tinha ficado felizona de ver as fotos, mas quando o correio chegou com elas aqui em casa eu quase tive um treco de tão boba que fiquei. <3

Por enquanto são 7 almofadas inspiradas naquilo que eu mais gosto: séries de TV (a minha Jess de New Girl é ruiva, repararam? me deixa!), livros (porque As Vantagens de Ser Invisível é, sim, um dos livros que mais gostei de ler nos últimos tempos), música (o trecho de “Landslide” na almofada de urso é o mesmo que eu tenho tatuado na nuca) e meus draminhas e modos de ver a vida – as palavras que escorrem quando nada mais resolve, o coração pulsando e errando sem parar, a certeza de que tudo é temporário, tudo passa. Por fim, duas paixões numa almofada só: cachorrinhos e minha melhor amiga – que pediu “Ari, desenha a Zooey pra mim?”. Desenhei, Bru! E amei. E agora também tenho a Zooey na minha casa. 😛

Na verdade eu só ia postar isso tudo mais pra frente, porque comprei uma câmera nova linda e uma objetiva mágica e nenhuma das duas chegaram ainda. Mas posto mais fotos depois, hehe.