08 Aug 2011

me ocorre o tempo todo:

Post by lovemaltine at 02:53 on O Fantástico Mundo de Ariane

quando foi que desisti de ser eu para virar esse projeto de adulto que mais é um rato na roda que qualquer outra coisa?

22 May 2011

mortos-vivos

Post by lovemaltine at 21:20 on O Fantástico Mundo de Ariane

aquelas pessoas que não nos fazem mal, mas também não nos acrescentam nada e que, pelo nosso próprio bem, optamos por apagar completamente de nossas vidas.

(então que em algum momento estamos vivendo normalmente e uma delas —  sempre a que julgávamos morta a mais tempo — aparece subitamente em nosso caminho, causando um desconforto estranho, mas passageiro. porque não somos devorados senão uma vez — e o que fica mesmo, no final, é a certeza de que tudo está em seu lugar. está tudo bem.  uma vez morto, não importa quão vivo lhe pareça o indivíduo: não fará falta e é incapaz de causar qualquer mal.)

lembrando que o mantra desta que vos fala sempre foi tudo passa.

12 May 2011

e teve boatos de que eu estava na pior

Post by lovemaltine at 21:05 on O Fantástico Mundo de Ariane

faz algumas semanas que tou só nas frutinhas. já tive até ALUCINAÇÕES pela falta de açúcar, mas aí foram-se 4kg em uma semana e ó, tô numa boa, continuemos assim, faltam só mais 25kg pra eu voltar a um peso aceitável e poder ser chamada de “gordinha”. só que é sempre assim: começo a fazer dieta FOR REAL, direito, sem refrigerante,  fast food e chocolate diários, e a resistência vai abaixo.

eu não gosto de ficar doente. já teve um tempo em que eu curtia, fazia charminho, adorava os dias de molho da escola, sendo o centro das atenções e do carinho da mãe. mas hoje, com 21 anos, sozinha em casa, em férias forçadas, em ano de tcc, essa não parece a opção mais agradável. porque amigo, se você curte ficar com uma dor horrível que não te permite nem falar, embaixo do edredom, se contorcendo tamanha a febre, suando e tremendo ao mesmo tempo, sem ninguém pra te ajudar… masoquismo não explica.

então, quando o médico me disse “a garganta está muito inflamada”, eu já sabia o que ia acontecer.

“você tomou amoxicilina recentemente?”
“não. tem mais de um ano desde a última vez”
“certo. então é isso. amoxicilina de 8 em 8 horas, por 8 dias”
“você não tem uma injeção?”
“INJEÇÃO? só tenho benzetacil”
“imaginei. então, vou ficar com a benzetacil.”
“você já tomou alguma vez? sabe que dói, né?”
“sei. mas eu vou ficar com ela mesmo”
“SÉRIO? mas dói muito! tem certeza? eu não tomo nem a pau”

em resumo, ficamos ali uns cinco minutos, ele tentando me convencer de que benzetacil dói, eu explicando pra ele que, olá, não tenho medo de dor e só não quero ficar doente. injeção é muito mais eficiente, muito menos desconfortável para quem odeia tomar remédio. e quando ele finalmente aceitou, pediu pra que eu sentasse na sala de medicação e esperasse. aí vem a enfermeira, com um sorrisinho sádico de canto de lábio:

“você é a Ariane?”
“sim.”
“seu médico avisou que você vai tomar benzetacil?”
“avisou”
“hm, ok. vou ali preparar e já te chamo”

minha mãe, que me acompanhou e estava endossando o coro do médico, desacreditou de vez.  e eu fui pra salinha de procedimento com a enfermeira numa boa. depois de perguntar da minha cicatriz na coluna — e, em seguida, pedir desculpas pela indiscrição — ela preparou a seringa e recomeçou o papo.

(enfiando a agulha) “dói essa picadinha, né?”
“pouco.”
“pois é, mas o líquido dói de verdade.” (risos) (começa a injetar)

nem doeu tanto, amigos. só curti um enjoo automático e uma sensação de CADÊ MINHAS PERNAS? então aproveitei a leveza rara e saí com aquela cara de FUCK YEA, pedindo somente uma coisa: “me leva direto pra casa” .

ok que eu podia contar de como fiquei verde de repente e quis estapear a enfermeira pelo tom sádico dela, e de como minha mãe me incomodou desde então perguntando se estava tudo bem. mas quer saber, o que me importa acima de tudo é que eu acordei OUTRA PESSOA. garganta quase sem dor, cabeça mexendo normalmente (ontem não podia nem levantar ;~) e respiração normal novamente. ainda estou doente, sem voz nenhuma, mas não estou mais morrendo, então posso dizer que tá tudo uma maravilha por aqui.

 

…menos pra minha bunda, que acordou inchada, dura e intocável. mas sei lá, sentar nem é algo muito útil mesmo, né?

24 Apr 2011

isn’t it ironic?

Post by lovemaltine at 20:36 on O Fantástico Mundo de Ariane

quando você volta à civilização e tem centenas de mensagens com as quais você tem de lidar, mas tudo o que queria era um (1) – UM – email… que não veio.

don’t you think?

11 Apr 2011

descobrindo as internets

Post by lovemaltine at 14:48 on O Fantástico Mundo de Ariane

minha mãe sempre odiou computador, mas agora tem usado as redes sociais com maior frequência.

agora há pouco ela entrou no facebook dos meus primos e falou de uma foto. entrei pelo note pra ver:

“vem ver”, me chamou da sala.
“estou vendo aqui”
“NOSSA, DÁ PRA DUAS PESSOAS VEREM AO MESMO TEMPO?”

sem mais.

(update: neste momento ela está rindo alto e dizendo AGORA EU ENTENDI! O QUE EU FALO POR AÍ VEM PARAR AQUI! (mural) QUE LEGAL!)

21 Mar 2011

(fale por mim, jack)

Post by lovemaltine at 23:37 on O Fantástico Mundo de Ariane

“Basta dizer que não estou amando. Talvez eu seja ‘indomável’ demais para casos de amor prolongados. O que mais preciso é do mundo. Nunca seria capaz de dizer, nos braços de uma mulher, o mesmo que um herói de Wagner: ‘Deixe-me morrer!’. Quero viver… e ver mais do mundo, & Deus sabe por que, e o amor de uma mulher é um dos muitos amores indomáveis. Uma coisa é certa: a paixão goetheana não é a minha. Há irritação, agitação, ‘loucura’ demais em mim para esse estado de languidez. Preciso correr, sempre. Só dois tipos de mulher servem para mim: uma louca Edie que iguala minha própria impaciência e loucura e horror, até a exaustão de um de nós, ou uma garota simples (parecida com a minha mãe) que absorve e compreende e aceita isso tudo. Ontem mesmo uma mulher em San Francisco sufocou seu bebê até a morte porque ela ‘não queria que qualquer outra pessoa o tocasse’. De fato, sim, ‘deixe-me morrer’ em uma paixão wagneriana… vou acreditar no que Leon Robinson diz em ‘Viagem ao fim da noite’ — ‘estou bastante ocupado tentando me manter vivo’. E junte a isso… ‘e me divertindo loucamente’ com isso. Isso começa a indicar a falta de amor peculiar de minha posição nos últimos 3 anos, talvez nos últimos 26 anos… e nunca gostei tanto de uma ideia sobre mim mesmo, sério, e acho que isso também significa algo: espontaneidade é a palavra que mais me agrada… Por Deus, não é todo dia que se encontra um álibi perfeito para si mesmo, e o mais impressionante é que é tão brutalmente verdadeiro!”

 

Jack Kerouac, Diários.
27.06.1948

 

[momento grifatexto]

11 Mar 2011

assombração

Post by lovemaltine at 10:06 on O Fantástico Mundo de Ariane

“Sonhei contigo. Podíamos nos ver, não?”, dizia o recado que não te mandei. Porque foram tantos os anos que se abateram por cima dessa história — um, dois, agora já são dez! — como se nada mais pudesse fazê-la viver novamente, e eu resolvo voltar a sonhar contigo? Não, o recado fica comigo. Mas espero sinceramente que também te lembres de mim vez ou outra, com um carinho ímpar como o que dediquei a ti em 2001 e que vive aqui desde então, impedindo que eu ame qualquer outro tanto quanto amei você: de verdade.

09 Feb 2011

geração 2.0

Post by lovemaltine at 10:19 on O Fantástico Mundo de Ariane

“Quando uma pessoa se transforma numa série de dados num website como o Facebook, tudo nela fica menor: a personalidade individual, as amizades, a linguagem, a sensibilidade. De certo modo, não deixa de ser uma forma de transcendência: perdemos nosso corpo, nossos sentimentos contraditórios, nossos desejos, nossos medos — o que me faz pensar que aqueles de nós que sempre recusaram, com repulsa, o que vemos como uma ideia burguesa hiperinflada da identidade individual talvez tenham exagerado no sentido inverso: as identidades despojadas que assumimos na rede não mostram mais liberdade. São, apenas, mais controladas por alguém.”

“Todo programa de computador pode reduzir os seres humanos, mas as gradações variam. A literatura de ficção também reduz os indivíduos — só que a má literatura reduz mais que a boa, e sempre temos a opção de escolher a boa literatura. O que Jaron Lanier diz é que a ‘conversão’ para a internet 2.0 vai acontecer dentro de pouco tempo; está acontecendo agora; até certo ponto, já aconteceu. E o que foi ‘convertido’?”

Zadie Smith: Quero ficar na geração 1.0.
Revista Piauí, Edição 53. Fevereiro/2011

~> tinha acabado de escrever sobre a mudança que as redes sociais trouxeram à comunicação (em particular às minhas formas de comunicação) quando comecei o artigo de Zadie na Piauí — coisa que, de certa forma, fez com que me sentisse ingênua em diversos aspectos.

mas já estava feito. então guardei os parágrafos que mais gostei e toquei pra frente. vai demorar algumas semanas até que eu descubra em que parte tudo o que eu disse naquele texto não condizia com minha realidade, mas com a de Zadie. no entanto, e por mais contraditório que possa parecer, recomendo fervorosamente a leitura dela. é agradável, mesmo para quem (como eu) está conectado desde que o mundo é mundo e, por isso, confronta as ideias da autora em diversos pontos do texto.

08 Feb 2011

ah, essa gente difícil!

Post by lovemaltine at 20:55 on O Fantástico Mundo de Ariane

Voltando da editora com a minha irmã, no carro de reportagem, o motorista puxa papo comigo:

– Menina, você é divertida. Pena que nem todo mundo é assim… Cê não sabe como eu dirijo pra gente difícil.
– Eu imagino!
– Mas de todos da editora, os piores são os… (pensando no que havíamos conversado até então) … Peraí, você é repórter?
– Sou.
– AH, então desculpe mas você faz parte do grupo dos piores. Repórter está sempre atrasado! Ô gente pra sentar e falar “Moço, tô com pressa”. Tenta não deixar tudo pra cima da hora, tá? Não tenho como mudar o trânsito! Não sou o helicoptero do Civita! (em tom de piada) Os repórteres, esses folgados. hahaha

Rimos horrores, os dois.
Tudo isso pra dizer: OS REPÓRTERES, ESSES FOLGADOS.

[só compartilho aqui porque esse foi o motorista mais incrível que já me transportou até hoje. o cara tem altos papos com seu gps e fala dele como se fosse uma mulher de verdade. como se fosse mulher dele. haha]

20 Jan 2011

Na madrugada

Post by lovemaltine at 13:23 on O Fantástico Mundo de Ariane

Osmar olhou para mim do outro lado da mesa e questionou sobre a hora do parabéns. Não sei bem o porquê dele estar ali quando tinha certeza de que não nos víamos há mais de dez anos. Mas era ele, estava claro. “Estamos esperando ela voltar”, eu disse. Se era o meu aniversário ou o dela, não sei. “Mas será possível? Será que a guria morreu no banheiro?”, perguntei em tom de brincadeira. Todos riram. O bar ficava na esquina da rua Olívia de Oliveira com a avenida Amador Bueno da Veiga, não muito distante de um quartel, de modo que o barulho das ambulâncias não nos assustou de primeira. Só ao ver a movimentação em direção à avenida foi que a minha própria brincadeira ecoou por dentro. Eu ouvia repetidas vezes minha voz dizendo “morreu”. A esta altura, já correndo desesperada em direção ao acidente, uma voz na rua irrompeu meus pensamentos, dizendo: “ela desceu as escadas saltitando, cantando. escorregou, distraída, coitada. com o impacto do carro, morreu na hora”. Vazio e dor.

Rodeado de pessoas, o corpo de minha irmã estava estatelado no meio da avenida, carro nenhum à vista, os cabelos loiros caídos sobre o rosto, os olhos azuis fechados para sempre. Invadi o cerco e deitei-me no chão ao lado dela, abraçando aquele pedacinho de carne sem vida, implorando aos olhos que se abrissem, tentando ouvir as batidas de um coração que já não funcionava mais. “Acorda, Tainá, diz que tudo isso é brincadeira, por favor. Acorda”… Um corpo tão presente e alma nenhuma acompanhando. Tantas coisas passaram pela minha cabeça, tudo tão rápido. Meus pais, como contar? Como viver sem tê-la ao meu lado, todos os dias, contando sobre como conseguira um ensaio fotográfico, ou como faltavam poucos dias para sua viagem para os Estados Unidos… Sua voz repetia em meus ouvidos suas contas eternas de quantos dólares poderia gastar e como amava a todos nós e gostaria de trazer algo para cada um… E tudo havia terminado ali, de forma tão… Inesperada? Não sei se é essa a palavra. Quando uma pessoa tem 15 anos e é saudável, acho que a morte nunca é esperada, não é mesmo?

Sufocada pelo meu choro e ainda temendo abrir os olhos, virei para a esquerda de minha cama a tempo de vê-la coçar o nariz. Respirava embalada por um sono tranquilo, abraçada ao edredom com inscrições japonesas. Quis eternizar aquilo, tive medo de que fosse outro sonho, que ela não estivesse mesmo comigo, mas a câmera não estava na cabeceira, como de costume. Não importava: era verdade ela estava ali, viva. A morte, em mim essa ferida exposta, não levou minha irmã essa noite, a não ser num pesadelo profundo. Mas me fez pensar em como somos impotentes diante dela, no quanto todos em casa sofremos nos últimos meses, no último ano, com a partida de tia Adeilda. A sensação é a de que nunca estarei preparada, de que preciso estar sempre alerta, de que não posso ficar mais nenhum instante longe de todos que amo. Porque é assim, um dia, antes mesmo que possa piscar os olhos, um de nós pode não estar mais aqui. E mesmo com todo o conhecimento, a impressão é de que nunca estarei preparada para certas ausências.

Tainá, uma das presenças mais importantes da minha vida desde 1995