Nós

Não devia me importar com isso, mas as vezes fico pensando no que você diz de mim para os outros. Até hoje você não me contou os meus defeitos, não me disse o que te fez desistir de mim, mas sei que espalha isso por aí. Talvez para os meus amigos, aqueles que eu te apresentei. Ou os poucos que já tínhamos em comum.

Sei que a cada mulher nova que conhece, apresenta a tal vilã anterior. Eu sei porque eu lembro como foi quando nos conhecemos. Lembro o quanto você falou dela. E de algumas outras. Naquela época nós éramos tão francos um com o outro que eu nem imaginava que talvez você nunca tivesse reclamado nada disso com elas. Que tudo o que você dizia a respeito da ex ela talvez nunca saiba que você sentiu.

Hoje sei como você é. Sei que coragem não é o seu forte, sei que não enfrenta nem as próprias decisões – e que, entre fazer uma coisa funcionar e desistir, você opta pelo segundo, porque é mais simples do que olhar nos olhos de alguém e dizer a verdade.
Às vezes eu me pego pensando no que você diz de mim para as pessoas e me sinto culpada de só ter elogios a seu respeito. Porque era tudo mentira, toda a sua gentileza. Era apenas medo de enfrentar a realidade.

E eu não posso amar uma mentira, por isso foi tão fácil abrir não daquilo que por quase um mês me consumiu. Quando finalmente enxerguei que foi tudo encenação, por mais que tenha doído, isso me salvou. Me salvou de continuar querendo ser perdoada por um crime que não cometi sozinha. As coisas não se desfizeram por minha causa. Elas simplesmente não eram reais. E embora tenha perdido o chão ao notar isso, percebo que fui salva.

Eu sinto falta de momentos que vivemos e sei que não terei com mais ninguém, porque eu te amei de verdade. Porque ninguém é igual e novas emoções são vividas de outras formas. Mas eu não sinto falta da angústia de nunca saber se você estava feliz ou não, de te enxergar insatisfeito e só ouvir mentiras ao tentar acertar as coisas, de implorar para que você me dissesse o que estava havendo e só ouvir “Eu te amo, está tudo bem” em troca, até o dia em que você resolveu gentilmente me apagar da sua vida sem conversar e me mandar um “infelizmente não consigo mais dizer que te amo” por SMS. Eu não sinto falta de ter sido tratada como um peso. E eu tenho medo do que você conta de mim por aí. Porque é tudo que eu queria saber e você sempre se negou a me dizer.

Eu quero ser uma pessoa melhor. Não por você, por mim. E mesmo sem querer me ajudar, você me fez dar um grande passo quando me deixou para trás.

Espero que você seja mais gentil com a próxima pessoa que passar na sua vida. Que saiba usar “eu te amo” com parcimônia e que realmente se importe com ela. Que olhe nos olhos e diga a verdade. E espero tudo isso não por você, você nem merece essa compaixão. Mas por ela.

uma drama queen e tanto. cabeça de escritora, diploma de jornalista, vida de publicitária. trabalha fazendo Indiretas do bem e espalhando amor por aí. não escreve: transborda. por uma questão de sobrevivência.

5 thoughts on “Nós

  • Reply Claudia Bittencourt 28 de agosto de 2014 at 12:24 pm

    Ariane breaking my heart since 2008.

  • Reply Fê Renton 2 de setembro de 2014 at 1:01 am

    eita god maravilhoso. tá breaking my heart também.

  • Reply BA MORETTI 2 de setembro de 2014 at 3:26 am

    tá faltando papo reto nos relacionamento galeres
    mas faz parte né, faz parte
    e no fim, a gente sempre aprende uma coisinha aqui e ali 🙂

    e parabénx por aprender a lidar com a situação assim :*

  • Reply Vanguedes 4 de setembro de 2014 at 11:31 am

    Não sei o que dizer. Deu um nó na garganta aqui.

  • Reply Fernanda Serafim 24 de setembro de 2014 at 11:03 pm

    Poha, Ariane…
    Aí tá tocando All my lovin’ na versão da Amy. Meu estado? Crying a river..
    Também fui salva dessa angústia, a mesma que você escreveu aí em cima, mas não tem jeito, né? A gente deixa os dias passarem, só dá pra ser assim.

    Parabéns pelo texto. Lindo mesmo. 🙂

    Sobre o meu ‘nós’ > http://pisca-dela.blogspot.com.br/2014/09/sobre-dolores-ou-nao.html

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