Na sua estante
Desde quando nos conhecemos ele me pede pra cantar essa música. Eu sempre neguei. Dentro de mim, sempre desejei que ela nunca refletisse nossa realidade. No entanto, hoje ela é exatamente a nossa história, sem falha alguma, sem que falte uma vírgula ou um ponto final. Então hoje eu canto – e que o mundo ouça, porque não vai ter bis.
Te vejo errando e isso não é pecado,
Exceto quando faz outra pessoa sangrar
Te vejo sonhando e isso dá medo
Perdido num mundo que não dá pra entrar
Você está saindo da minha vida
E parece que vai demorar
Se não souber voltar ao menos mande notícias
Cê acha que eu sou louca
Mas tudo vai se encaixarTô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédiaE não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viuE não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viuVocê tá sempre indo e vindo, tudo bem
Dessa vez eu já vesti minha armadura
E mesmo que nada funcione
Eu estarei de pé, de queixo erguido
Depois você me vê vermelha e acha graça
Mas eu não ficaria bem na sua estanteTô aproveitando cada segundo
Antes que isso aqui vire uma tragédiaE não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viuE não adianta nem me procurar
Em outros timbres, outros risos
Eu estava aqui o tempo todo
Só você não viuSó por hoje não quero mais te ver
Só por hoje não vou tomar a minha dose de você
Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam
E essa abstinência uma hora vai passar…
Um ponto final: é isso que falta. Eu preciso pontuar direito essa história, parar de usar vírgulas, reticências ou travessões. É hora do ponto final. Passou da hora.