03 Oct 2009

Equilíbrio: não trabalhamos.

Post by lovemaltine at 13:57 on O Fantástico Mundo de Ariane

Sentimentos não tem timing, mas você tem que ter. Grande parte das merdas da vida já parte daí. Afinal, é difícil, parece hipócrita e soa incoerente: mas você tem que saber quando se podar. Tem que ser capaz de fazê-lo ou simplesmente aceitar as consequências de continuar insistindo em algo que, já sabe claramente, não tem futuro algum.

Ok, vamos aos fatos: em um mês de agência eu aprendi muito mais do que poderia imaginar. Trabalho com o que gosto, ao lado de pessoas incríveis e descobri (sem nenhum espanto) que realmente não sei ser outra senão essa Ariane transparente, que conta tudo e não esconde nada. Não que isso seja bom (e muitas vezes não é), mas é raro.

Outra das minhas grandes descobertas é a de que dinheiro não é fácil de ganhar como é fácil de gastar (alô, olha que eu trabalho com o que amo, hein?) e que não importa quando nem onde você esteja, mesmo se todos perdem a noção, sempre há alguém inteligente o suficiente para saber a hora de parar. (Eu ainda quero poder ser esse alguém um dia). Filtro: eu recomendo (mas, infelizmente, não tenho).

Olha que lindo: cada um tem uma maneira diferente de reagir às brincadeiras/problemas.Tem gente que gosta de trollar todo mundo mas perde a linha na primeira vez que recebe trollagem de alguém. É a vida. Não sabe brincar, não desce pro play? Não, não é assim. A gente aprende a entender e a maneirar com as brincadeiras com quem não gosta. Mesmo eu sendo praticamente um molequinho nessa área, tenho aprendido bastante a controlar minha língua grande.

Até porque… Assim como alguém pode parecer uma aberração pra você, você é uma aberração pra alguém, e por aí vai. Pra uma briga acontecer, duas pessoas precisam querer – e eu sei que não sou o exemplo máximo de calma, mas realmente recomendo que se evitem brigas sempre que possível. Geralmente elas não resolvem porra nenhuma, só aumentam a proporções BIZZARRAS todos e quaisquer problemas.

Então está tudo absolutamente lindo, o trabalho caminhando bem (embora eu sinta que preciso me dedicar ainda mais, e tornar o meu melhor ainda superior, e largar um pouco mão da insegurança), as brigas sendo evitadas, os amigos mais amigos que nunca, livros infinitos pra ler, dinheirinho entrando pra eu comprar equipamento (essa é a única razão real pela qual eu trabalho: comprar livros e equipamento fotográfico), NO FUCKING REASONS pra eu ficar triste. At all.

At all não. Coisas pequenas tem um big significado pra mim. E eu faço tempestades em copo d’água numa frequência assustadora. É o freela que não ficou bom o suficiente e me faz sentir a pior profissional do mundo (e achar que nunca mais ninguém me chama de novo), é o oversharing com colegas que não têm obrigação de me aguentar (e, sobretudo, não deveriam saber de certos aspectos da minha vida), é o cansaço abundante, é a fucking vontade de chorar quando eu penso ‘nele’ (e pensar ‘nele’ é algo muito mais frequente do que eu gostaria).

Eu sei que tudo que não está no meu foco de atenção desaparece. E eu realmente me esforço para que ‘ele’ não esteja. Mas é que queria dizer muitas coisas, e sempre que nos vemos não consigo dizer nada. Sempre estrago tudo ficando de novo e de novo e insistindo num erro que é meu e só meu, uma vez que ele já deixou claro que não gosta de mim. Dane-se se está ali por pena, se é pra ver se eu aquieto por um tempo ou se realmente gostaria de passar um tempo comigo, a questão é que nossos objetivos são diferentes, nossos sonhos são diferentes, nossas vidas não vão pelos mesmos caminhos e eu, ao invés de me ligar a tudo de bom que tem me acontecido, fico presa nesse “e agora, o que eu faço, eu o amo e ele não me ama, como doi essa porra desse coração, socorro”. Assim não dá. Equilíbrio, cadê?

Eu sei que não falei muito sobre a minha morte aqui. Naquela época, não me senti à vontade o suficiente. Talvez consiga um dia, não sei. O que posso dizer é apenas que ela me assombra todos os dias desde então. Todos os dias tenho medo de ter um ataque daqueles de novo e, dessa vez, não conseguir retomar os sentidos. De ficar presa pra sempre na escuridão e na ausência. De ouvir apenas o choro da minha mãe – e depois, nada: porque até o choro da minha mãe uma hora vai acabar. A morte me assombra porque ela foi fruto apenas da minha tristeza profunda. E eu não tenho conseguido – de novo – conter essa tristeza.

Eu preciso encontrar o equilíbrio. Entender que o importante é o que está dando certo na minha vida. Sorrir e acreditar que um dia encontrarei alguém que eu ame e que me ame de volta, nem que seja só um pouquinho.

Enquanto isso, a carência me tortura TANTO… É. Equilíbrio: não trabalhamos.

Mas vamos em frente, porque de nada adianta parar: a vida continua, com ou sem minha presença nela.

4 Responses to "Equilíbrio: não trabalhamos." | Add yours »

  1. Ana
    Oct 03, 2009 @ 14:23 {}

    Com toda licença do do mundo… mas do 8° paragrafo poderia ser meu!

    Entendo perfeitamentee absolutamenteee tudo que sente!

    Obrigada por existir e compartilhar!

  2. Oct 03, 2009 @ 15:10 {}

    Sobre o trabalho não tem porque ter insegurança, você está indo muito bem, espero que a empresa possa atender as suas expectativas também :)

  3. Feb 05, 2012 @ 19:18 {}

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