Café com leite

É preciso amar, sabe ? Ter-se uma mulher a quem se chegue, como o barco fatigado à sua enseada de retorno. O corpo lasso e confortável, de noite, pede um cais. A mulher a quem se chega, exausto e, com a força do cansaço, dá-se o espiritualíssimo amor do corpo.
Como deve ser triste a vida dos homens que têm mulheres de tarde, em apartamentos de chaves emprestadas, nos lençóis dos outros! Como é possível deixar que a pele da amada toque os lençóis dos outros! Quem assim procede (o tom é bíblico e verdadeiro) divide a mulher com o que empresta as chaves.
Para os chamados “grandes homens” a mulher é sempre uma aventura. De tarde, sempre. Aquela mulher que chega se desculpando; e se despe, desculpando-se; e se crispa, ao ser tocada e cerra os olhos, com toda força, com todo desgosto, enquanto dura o compromisso. É melhor ser-se um “pequeno homem”.
Amor não tem nada a ver com essas coisas. Amor não é de tarde, a não ser em alguns dias santos. Só é legítimo quando, depois, se pega no sono. E há um complemento venturoso, do qual alguns se descuidam. O café com leite, de manhã. O lento café com leite dos amantes, com a satisfação do prazer cumprido.
No mais, tudo é menor. O socialismo, a astrofísica, a especulação imobiliária, a ioga, todo o asceticismo da ioga… tudo é menor. O homem só tem duas missões importantes: amar e escrever à máquina. Escrever com dois dedos e amar com a vida inteira.

Antônio Maria

Essa crônica está no livro que ganhei e estou lendo desde ontem à noite, As Cem Melhores Crônicas Brasileiras,  selecionadas por Joaquim Ferreira dos Santos (Ed. Objetiva). Li hoje, ainda no carro, lá pelas seis e meia da manhã. Ficou martelando na minha cabeça: Andei sendo uma dessas aventuras de tarde. Que engraçado, não? As coisas pelas quais passamos são bem mais comuns do que nosso mundinho nos leva acreditar.
A propósito, se eu fosse você, lia o post da Cláu – Sim, sobre o amor – no Desiluminância!. Depois de ler, fui dormir de alma lavada.O maior prêmio do mundo? Entrar no Twitter hoje e ler que tenho uma partezinha nisso. 🙂
Bora lá, já é quinta-feira.
ps: Já consigo levantar a cabeça e ficar de olhos abertos! =)
Foto por Chaval Brasil.

Rascunho do feriado

Eis que, com algum atraso, relato aqui meu feriado. Mas é só um rascunho, um jogar de idéias. Logo menos elas aparecem desenvolvidas, aqui mesmo ou num de meus outros mil blogs. haha. Enfim, vamos logo ao que interessa.

Saí de casa decidida a mudar. Com muito esforço (leia-se: dois meses de tentativas e reinícios) eu coloquei minha cabeça no lugar. Viajei com tudo já certinho, tudo planejado – que assim é mais fácil chegar a resoluções. Sexta-feira à noite saímos de São Paulo, sexta-feira à noite já estávamos em Ubatuba. Uma beleza, a família toda. Levei só dois livros – que eu tenho uma mania de levar dúzias de livros, mas, desequilibrada como estava nas últimas viagens, não consegui ler nem legenda de filme… e voltei frustrada por não ter lido nenhum. Mas dessa vez foi diferente.

Não quero falar nesse post das coisas ruins. Deixo isso pra outra hora, ainda não estou preparada – confesso que talvez nunca esteja. Só o que posso dizer é que no sábado à tarde, depois de um dia de leitura, escrita, mal estar físico e paz de espírito, algo muito triste aconteceu. Algo que não só me fez chorar como também levou minha paz. Pronto: lá estava eu desequilibrada de novo. Tentei não me deixar abater, acho que não falhei tanto dessa vez. Passei a madrugada mandando mensagens para quem não devia, é fato – mas disse exatamente o que deveria ter dito há tempos. Se, quando sã, coragem me faltava, essa noite insana salvou o resto do meu ano.

Dos livros também falarei depois. Levei um de meus favoritos – Para Uma Menina Com Uma Flor, de Vinícius de Moraes – que reli no sábado, antes de ser abatida pela tristeza; e também um novo – 13 Dos Melhores Contos de Amor da Literatura Brasileira, organizado por Rosa Amanda Strausz – que li no domingo, já possuída pela melancolia. Segunda-feira, desesperada por ter devorado tudo o que levei, apelei à banca de jornais. Revista da Semana. Na capa: Nem tudo que faz sucesso na Internet é bom para você. Matéria extremamente apocalíptica, devo dizer. Momentos de razão, mas, no todo, apocalíptica. Não gostei. Falo mais sobre isso depois. Dei uma relida na INFO, uma passeada de olhos na ELLE e na Estilo da minha mãe. Tudo isso em minutos. Estava devorando tudo. Então parei. Relaxei. Me deixei chorar, que faz mal ficar engolindo mágoa. Confusão mental durou até a noite de terça, quando voltei pra casa. Ontem li Amar, Verbo Intransitivo. Mário de Andrade sempre me surpreende. Decidi de vez a minha vida. Não se sabe até quando – que a cabeça é coisa incerta mesmo. Mas, por enquanto, decidi. Não que a confusão tenha ido embora. Só me acertei com ela.

Estou cheia de idéias novas, de vontade de fazer as coisas funcionarem. E tenho corrido atrás – não só das coisas como de uma gotinha de amor próprio (isso também faz bem às vezes). Como estou sem PC, vai demorar um pouquinho mais que o normal. Mas eu apareço. Com novidades ou com os devidos detalhes daquilo que só citei nesse post.

Tô querendo

Já que é carnaval, né? Já escolhi minha fantasia. hahaha!

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(Tá, por mais sexy que seja uma fantasia de diabinha Bettie Page, suuuper pinup e tal… Não vai rolar pra mim. Dela eu só tenho os cabelos mesmo. HAHA. Aliás, achei umas fotos da Bettie que JESUS! Pena que ela está nua e, já que foto de mulher bonita, sensual, gostosa e pelada não faz parte do script desse blog, eu não postarei aqui. Fica só pra mim =P. haha, zoui, é só que a musa é minha e eu sou ciumenta.)

Sempre ele

Estou relendo “Ensaio sobre a lucidez”. Apaixonadamente, diferente da primeira vez. Dessa vez a vontade veio de repente, depois de dois meses sem conseguir ler nada direito. Olhei para a prateleira, pensei “preciso mergulhar em algo” e tive de decidir entre os favoritos. Daí que “O Caderno de Saramago”, meu feed-pra-ler-antes-de-dormir (sério) me fez olhar pra ele. “Saramago…?”. Hesitei. Ler Saramago sem vontade é pior do que ficar sem ler nada. Não resisti. 

E hoje, já quase desligando o pc, corri pra ler o feed. Encaixou tão bem com o que eu andava precisando ouvir que eu achei até um pouco bizarro (o que eu senti, não o texto! haha). Hoje vai ter que rolar um control copy. haha.

 

Dizemos

Dizemos aos confusos, Conhece-te a ti mesmo, como se conhecer-se a si mesmo não fosse a quinta e mais difícil operação das aritméticas humanas, dizemos aos abúlicos, Querer é poder, como se as realidades bestiais do mundo não se divertissem a inverter todos os dias a posição relativa dos verbos, dizemos aos indecisos, Começar pelo princípio, como se esse princípio fosse a ponta sempre visível de um fio mal enrolado que bastasse puxar e ir puxando até chegarmos à outra ponta, a do fim, e como se, entre a primeira e a segunda, tivéssemos tido nas mãos uma linha lisa e contínua em que não havia sido preciso desfazer nós nem desenredar emanharados, coisa impossível de acontecer na vida dos novelos, e, se uma outra frase de efeito é permitida, nos novelos da vida.

Dizemos, de O Caderno de Saramago

minuto de sabedoria

Essa tal de tequila chapa a gente, meu nego
Limão e sal no dedo e “vamo ficá loco”
Mas essa tal de tequila chapa a gente, meu nego
Abre a garrafa porque eu quero mais um pouco

Porque ontem, ao falar da Arriba, eu me peguei dizendo “Mas não fui eu, foi a tequila!”. 

É pior que gasolina e que nitroglicerina
Dinamite, pólvora, seja o que for
Sal e limão, limão e sal
Sou pernalonga ou pica-pau
Voando pelo céu “tô”vendo estrelas

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Se puser no tanque do carro, ele funciona envenenado
Motor de avião ou então fórmula um
Derrete mesa, fura porta
As “perna treme”, a vista entorta
Essa bebidinha é do além

Eu nunca tive coragem de postar essas fotos aqui, mas ando numa fase meio “Dignidade pra quê?”, então foda-se. hahaha.  Velhas Virgens pra complementar. Legendas dispensáveis!

Aliás, quando rola outra tequilada open bar? Tô pirando na vontade, já.

Essa tal de tequila chapa a gente, meu nego
Limão e sal no dedo e “vamo ficá loco”

(eu não sou sempre assim, juro.)

why?

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“Do not seek the because – in love there is no because, no reason, no explanation, no solutions.”

– Anais Nin

500

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“I can’t go back to yesterday – because I was a different person then.”

– Lewis Carroll

consciência

20090121204030Tem horas em que a situação fica insustentável. Incrível como a vida traz algumas consequências que nem sempre a gente merece. Ainda não sei de que me valeu ser uma boa filha a vida toda. Não sei pra que servem meus princípios ou minha inteligência, se ninguém enxerga ou aceita isso. Dói pra caralho não poder falar com ninguém sobre isso. Dói pra caralho não poder reclamar, não poder pensar as coisas que eu penso sem que a culpa tome conta da minha cabeça. Dói demais. Saber que eu tenho que guardar essas dores pra mim e, no final, acabo com a fama de chorona, de garota-que-sofre-por-amor-o-tempo-todo, como se uma paixão fosse meu único problema. Não é. Aliás, ultimamente, tem sido o mais irrelevante dos problemas, porque eu já me propus solucioná-lo.

Eu não sou mais criança, sabe? Não tenho aquela ilusãozinha infantil de que eu posso fugir de casa e tudo vai ficar bem. Não espero mais príncipe encantado, já destruí em mim as maiores expectativas e os maiores objetivos que eu trazia da infância.

A pior parte de tudo isso é ser maltratada todos os dias e ter de aceitar calada, pra não correr o risco de piorar a situação. A pior parte é ter de recorrer a um blog pra expressar o que estou sentindo – sendo que aqueles que realmente precisavam ler, saber o que estão me causando, nunca vão chegar aqui. É ridículo olhar pro lado e ver no espelho uma imagem acabada, inchada, manchada,  chorando em frente a um computador. Todo mundo critica a droga do computador, mas se não fosse ele eu nem sei como estaria agora. Não sei se estaria aqui agora. É daqui que, na maior parte das vezes, sai algum consolo.

Aos que pensam que ‘lovemaltine’ é uma personagem, só aviso uma coisa: não é. Não é porque uso um nickname que não sou verdadeira. Na maior parte do tempo, sou mais verdadeira do que aqueles que usam seus próprios nomes. E dói saber que só porque eu não tenho medo de esconder a minha dor ela parece menos real aos olhos dos outros. Foda-se, também. Só eu sei quantas coisas estão passando pela minha cabeça. Só eu sei o quanto eu já pensei em desistir da vida nos últimos dias. Eu não aguento mais. Não aguento mais.

(no other way – jack johnson)

retalhinhos aleatórios

de Jeffery McDaniel. 

Each morning I look in the mirror
and say promise me something,
don’t do the things I’ve done.

– 

I walk up to people on the street that kind of look like you
and ask them the questions I would ask you.

I don’t wish I was in your arms, 
I just wish I was peddling a bicycle 
toward your arms.

We didn’t deny the obvious
but we didn’t entirely accept it either

Many nights the obvious showed up at our bedroom door in its pajamas
unable to sleep, in need of a hug

 

via tumblr.