Amélie Poulain Mode de Vie

Já que eu vivo de sonhos, me deixa – só hoje – viver repetidas vezes um final feliz?

O amor só dura em liberdade
O ciúme é só vaidade
Sofro mas eu vou te libertar
O que é que eu quero se eu te privo
Do que eu mais venero
Que é a beleza de deitar

  • Raul Seixas
  • Orgulhinho

    Não esperava menos desde que falamos pela primeira vez.

    [Conheço desde sempre e nem sabia, ó! Mas foi depois de descobrir seu abraço que aprendi olhar o nome do repórter matéria por matéria.]

    Quando crescer, quero ser igual a você.

    E, ah… Que saudades eu tenho.

    (A única tristeza? Ele não é mais foca. – bah! Quem liga?)

    E mil urras ao twitter, que ajudou a amizade nascer.

    (ps> não esquece, hein? você sempre terá uma leitora assídua além da sua mãe. ahaha)

    (ps2> arranje um tempo pra responder aos meus emails, cazzo!)

    Sempre as “sortes”

    Sorte de hoje: Você passará por algumas experiências maravilhosas

    Acho que nunca falo de outra coisa que não minhas sortes aleatórias. Vão ganhar até marcador aqui, pode apostar. Mas se imagina no meu lugar: depressão, hiato criativo, tristeza crônica, deadlines batendo à porta e nada sequer começado. Você está praticamente atolado na merda e aí, para seu espanto, abre o Orkut, exatamente 0h01 e ele diz que você passará por experiências maravilhosas. A última vez em que ele disse que eu teria surpresas emocionantes, recebi uma declaraçãozinha e também um esculacho. Enfim, quem sabe ele não tem razão? Quem sabe hoje eu não tenho algo pra alegrar meu dia e me tirar desse bode eterno?
    Continuo, enquanto isso, à base das minhas cafeínas alternativas. E sem nenhum ânimo pra procurar me levantar e encarar a vida.

    Hard to Say – The Used

    Cafeína alternativa

    Já faz algum tempo que não durmo. É. São trabalhos e mais trabalhos ocupando minha mente. Quando as preocupações não me causam insônia, é porque estou acordada fazendo trabalhos. Enfim, minha vida sai-às-cinco-chega-meia-noite-deita-às-três-sai-às-cinco- (…) não está sendo legal. Pareço um zumbi, não rendo, não ando muito feliz por mil e um motivos que qualquer um que lê esse blog já pescou de alguma maneira, embora eu nunca seja muito clara. Enfim, estou bem downzinha. E não consigo dormir. É café, chocolate, coca-cola, red bull, enfim. Os cânceres andei deixando de lado. Mas há outros vícios que não deixo. Roer unhas, música, música, música. Madrugadas à base de Blip.Fm, Last.Fm, Twitter e poesia. É um tal de ler feeds, comentar, postar em tudo que é possível, observar. Nada saudável. Nada. Continuo a mesma dramática piegas de sempre, e, infelizmente ainda me importo bastante com a reação dos outros quanto a isso. Não canso de ter a sensação de que estou atrapalhando, cansando, chateando. Mesmo quando eu lembro que só lê o blog quem quer, só lê meu twitter quem me segue (e segue porque quer!), só me ouve quem pergunta.

    Começo a conhecer-me. Não existo.

    Começo a conhecer-me. Não existo.
    Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
    ou metade desse intervalo, porque também há vida …
    Sou isso, enfim …
    Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
    Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
    É um universo barato.

    Álvaro de Campos

    E continuo aqui. Esperando respostas. Emails. Replies. Recomendações. Torpedos. Janelinhas piscando. Continuo aqui, na minha cafeína alternativa, no meu remédio das madrugadas, na minha fuga desse mundo cruel e doido a que chamamos ‘realidade’. Agora me diz: vale a pena? Vale a pena me preocupar com o real se outras pessoas têm a mesma função e não se preocupam? Vale a pena ir ao mesmo lugar todos os dias e não ver mudança nenhuma? Esses pensamentos me incomodam, acreditem. Eles parecem querer me fazer largar tudo. E eu não posso. Ou não quero, não sei. Eu só sei que não consigo dormir. E por hoje, pra mim, é o suficiente. Saber que minha cafeína não acaba, embora as pestanas estejam já pesando. Sabendo que a angústia vêm rapidinho, basta olhar pro lado e ver o número de tarefas se acumulando.

    Eu sei, eu falo com saquinhos plásticos. Eles são bem mais sensíveis que seres humanos, ok?
    Eu sei, eu falo com saquinhos plásticos. Eles são bem mais sensíveis que seres humanos, ok?

    Às vezes eu sinto falta do semestre passado. Pior que fosse, tínhamos uns aos outros. Não tinha rolado ainda toda uma coisa que me chateou muito e fez com que o grupo se dissolvesse (e – pelo menos na minha concepção – tenha se tornado insuportável conviver com todos e nenhum ao mesmo tempo). Saudades do padabar, de dividir a conta com poucos porque alguns nunca tinham dinheiro (e também nunca avisavam não ter!), de comprar e compartilhar cânceres como se fosse proibido e escondido, como criança. Saudades de sentar numa mesa com pessoas em que confio, falar besteira, rir à toa, chorar também – por que não?, e simplesmente estar lá, vendo o sorriso dos outros. Quanto sentimento se constrói e se destrói em tão pouco tempo… (E como eu odeio, odeio, odeio quando algumas coisas acontecem!) Certas atitudes não só magoam como deixam feridas expostas. Mas não quero entrar em detalhes, só queria dividir com alguém (alguém TEM que ler isso) um dos motivos da minha falta de sono.

    E eu juro, juro mesmo, que tento ser feliz. No meu mundo, no Fantástico Mundo de Ariane, na minha vidinha sem sal.

    É um universo barato.

    Fraqueza

    Passou o final de semana entre lágrimas, desabafos, gritos e aleatoriedades que não precisa contar aqui. “Você não era assim. A vida inteira eu me orgulhei de sua força, de sua coragem. De repene, você se mostra uma fraca. Uma fraca. E a sua fraqueza não está destruindo só a sua vida, mas a de todos aqui ao seu redor. Você me faz querer morrer toda vez que pede a morte a Deus. Está me destruindo, e isso também prejudica seu pai, sua irmã, meus empregos… Pare com isso e vá se amar um pouco mais. O que te faz infeliz? Você tem tudo. Só te falta mesmo Deus…!”. Não era algo bom de se ouvir, mas ela mereceu. E resolveu ser mais forte, arriscar, aceitar propostas que normalmente não aceitaria. Não era apenas mais uma fraca no mundo.

    Mas a verdade é que seus problemas certamente não eram fraqueza e solidão. E ela só conseguiu, iludida por palavras bonitinhas e um ar de quem não sabe o que fazer, se afundar ainda mais. Mais feridas, pra ela e pra um outro alguém. Ou não, ou ainda vai rir disso tudo. Por enquanto, tinha angústias de quem ouviu o que não merecia. Preferia quando era fraca. Pelo menos sua dor era só sua

    Lama

    Não, não dê mais tantas voltas, não
    Se chicoteia assim por qualquer perdão
    Todo esse teatro não impressiona
    Por maior que seja sua recompensa
    Não se importe tanto assim
    Com sua imagem decadente, enfim
    Nada adianta depois se lamentar
    Por maior que seja sua displicência
    Volta, ou vá embora, meu amor
    Sem ameaças, ensaiadas na frente do espelho
    O caminho mais fácil, nem sempre é melhor que o da dor

    Dê uma chance pra vida, te mostrar
    Um jeito menos doloroso de se despedir
    Não seja assim tão dura com as palavras
    Lave bem as suas mãos antes de se decidir
    Tira essa lama das botas,
    Antes de me dar as costas

    Não, não dê mais tantas voltas, não
    Se chicoteia assim por qualquer perdão
    Todo esse teatro não impressiona
    Por maior que seja sua recompensa
    Não se importe tanto assim
    Com sua imagem decadente enfim
    Nada adianta depois se lamentar
    Por menor que seja sua displicência

    Volta, ou vá embora, meu amor
    Sem ameaças ensaiadas na frente do espelho
    O caminho mais fácil, nem sempre é melhor que o da dor.

    Dê uma chance pra vida te mostrar
    Um jeito menos doloroso de se despedir
    Não seja assim tão dura com as palavras
    Lave bem as suas mãos antes de se decidir
    Tira essa lama das botas,
    Antes de me dar as costas

    (Luxúria)

    What if

    i wanted to break?

    e daí eu simplesmente me derreti. me entreguei. desabei. uma hora meu mundo ia cair, eu já sabia. mas não precisava ter sido agora. não. agora as lágrimas não querem parar de correr, e o coração dói. dói literalmente, sem metáforas por hoje. e o peito e a garganta têm aquela sensação de nó, aperto estranho. eu queria largar tudo. já queria faz algum tempo, só não tinha coragem pra dizer. agora a vontade está ficando mais forte. e mais forte. cada dia mais. cada vez que a máscara de alguém cai na minha frente, a vontade é maior. e máscaras têm caído a todo instante por aqui. eu odeio aquelas pessoas, toda aquela hipocrisia, toda aquela falsidade, todo aquele blablablá de “eu não tenho preconceito, mas…”. que “mas” o quê, meu filho! esse “mas” é a porra do preconceito, se enxerga. largamão dessa politicagem. esse negócio do politicamente correto me irrita. sim. quase todo mundo naquele lugar me irrita. e eu me sinto mal. se eu já não me sinto grande coisa por aí, lá me sinto ainda mais diminuída. gente olhando por baixo, gente fingindo ser o que não é pra ter “amiguinhos”, gente julgando sem me conhecer. gente. gente. gente. por que eu peguei tanto nojo disso? por que eu simplesmente não consigo mais me enganar, como fazia antes, e fingir que tá tudo bem, que aquelas pessoas que se dizem minhas amigas realmente o são, que aquele lugar é maravilhoso e que o fato de eu ter sonhado a vida inteira em estudar lá faz com que as pessoas de lá mereçam minha atenção? por quê? talvez eu só esteja cansada demais. estafada. mas eu não consigo conversar com ninguém, não consigo desabafar como estou fazendo aqui. (e eu vou ser sincera: não consigo desabafar com ninguém poque eu simplesmente não confio mais nas pessoas que estão ao meu redor. algumas ganharam a desconfiança junto com uma medalhinha de honra ao mérito. outras sequer mereciam isso, mas a distância criou essa barreira.) vira e mexe eu tenho uma sensação horrível, como se meu corpo pedisse colo, e eu não tenho a quem recorrer. eu não quero preocupar ainda mais a minha mãe nem o meu pai. minha irmã eu vejo só aos finais de semana. e essa necessidade é tão complexa que sequer aceita qualquer colo. mas também não diz que colo quer. eu não consigo mais escapar do mundo nem por um instante, tudo é mecânico, tudo é obrigação, e, além de tudo, eu perco o pouco tempo que tenho com bobagens. e nem consigo evitar. quer saber, eu posso parecer reclamar à toa. tem gente com problema “muito pior”, eu sei. mas é que pra mim o “muito pior” não existe. ruim é sempre o que nós sentimos! quem nos vê sentir não tem idéia do que se passa por dentro. eu preciso parar. já está na hora de ir, tenho muito a fazer. eu só queria poder me sentir bem de novo. há anos não consigo mais, e sei que ninguém tem culpa nem obrigação de me aguentar. mas eu precisava desabafar em algum lugar.

    Parabéns (?)!

    É hoje. 22 de agosto. Aniversário dele. Aquele sobre o qual eu sempre falo com um olhar cheio de melancolia e histórias tristes. O único amor da minha vida. <piegas><apelona>O meu príncipe encantado.</piegas></apelona>

    Cansei um pouco de gostar tanto dele. Mas isso não fez o sentimento diminuir. Eu posso ter zingbilhões de paixonites… Ele sempre volta pra me assombrar. Apelei até pro iGod. Deus disse o óbvio:

    Me:
    Should I tell Caio I love him?
    God:
    Only you can answer that.
    Me:
    Why?
    God:
    I couldn’t think of anything else to say.
    Me:
    What if he hate me?
    God:
    Try it and see.
    Me:
    Won’t it hurt me?
    God:
    It usually does, doesn’t it?
    Me:
    Yes, it does.
    God:
    Mmm. How often?
    Me:
    All the time. What’s worse?
    God:
    It must keep you busy. Check back later and see if I learn the answer to that one.
    Me:
    I showed him he’s special to me. Is it enought?
    God:
    How did it go? Maybe.

    Enfim. É aquela coisa do homem-aranha, sempre. Grandes poderes vêm com grandes responsabilidades. Brincadeiras à parte, só eu tenho o poder pra descobrir se isso tudo vai dar certo um dia ou não. Mas a tentativa implicaria outras coisas até mesmo assustadoras pra mim.

    O que me restou foi deixar os parabéns da forma mais sucinta que já pude fazê-lo. No final, ele vai ignorar mesmo. Capaz até de rejeitar, tão infantil que ainda é. Mas ninguém pode dizer que não tentei:

    Parabéns! Saúde, alegria, bebida, farra e toda aquela coisa bonita que se deseja todo ano pra alguém. Mais que isso, que as coisas aconteçam de verdade pra ti, porque isso é um privilégio de poucos. Te gosto um tantão gigante, não de agora, mais de tempos bem distantes – que aos 12 anos ainda éramos crianças. Ainda bem que crescemos(?). (Olha só a vida passando e todo mundo já praticamente adulto… É estranho, mas é legal). É legal ver que ainda lembro de alguns com grande freqüência. É interessante perceber que tenho sentimentos que nunca mudaram. 🙂

    Beijo enorme,
    Você sabe o quanto é especial.

    Ariane. 🙂
    22.08.08

    Nem quero pensar em reação ou algo do gênero. Só fico lembrando do abraço trêmulo e das bochechinhas vermelhas dele na última vez em que nos vimos.
    É foda, muito foda, não conseguir esquecer alguém. Foi foda cada vez que tentei ficar com outra pessoa, foi foda nas únicas poucas vezes em que outros lábios tocaram os meus, é foda cada vez que reclino a cabeça no travesseiro, olho no espelho, acordo de um sonho em que ele é o protagonista. É foda saber que tudo sempre foi só fantasia que o amor criou em minha cabeça.

    Eu te amo, Caio. Eu te amo.
    (É uma pena, às vezes, que algumas pessoas não leiam meu blog. Uma benção e uma maldição).

    Enfim… Espero passar o dia numa good vibe. “Ando tão à flor da pele que qualquer beijo de novela me faz chorar…”

    Presença

    Pensamentos aleatórios,
    olhar perdido,
    mãos trêmulas,
    gagueira,
    palavras sem sentido.

    Silêncio. O coração saindo pela boca,
    as palavras presas lá dentro.

    Não parece normal – e não é.
    É tudo igual, dum jeito diferente.

    – Mas… O que há? Algum problema?
    Que nada… – responde.
    (E lá dentro tudo completa: “é amor…”)

    (tá, tô romântiquinha hoje ).