Caio e eu

Não, eu não vou falar pela milionésima vez no Caio-da-infância, o Caio-primeiro-amor, o Caio-que-amei-durante-oito-anos-e-jamais-esquecerei. Não é desse Caio que falo hoje.

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Como se eu já não fosse criativamente piegas sozinha, resolvi me desprender de obrigações e passar a tarde com Caio Fernando Abreu. O livro, CAIO3D, eu já tinha lido e reencontrei ontem na Biblioteca, enquanto fuçava uma das prateleiras que mais me fascinam.

(Ok, a bibliografia de que realmente precisava pra estudar/trabalhar ficou por lá mesmo. Peguei só o que eu queria ler. Sei que é total FAIL, que no fim do bimestre mimimi mimimi mimimi, blablabla whiskas sachê, whatever.)

Eu quero e preciso de uma pausa pra mim. Preciso de um tempo pra pensar, preciso de um carinho, preciso da sexta-feira. Acima de tudo, preciso entrar mais um pouco em mim enquanto ela não chega. Caio se encaixa perfeitamente nessa necessidade, porque me identifico com ele, porque sinto que há muito dele em mim e (eu poderia ficar falando o dia todo), enfim, é melhor parar por aqui, afinal, ele me espera na cama, com mousse de maracujá na mão, pra continuar a me contar de novo suas histórias deliciosas.

(Por mim eu nem ia pra Cásper hoje. Nem pra USP amanhã. Por mim eu largava da vida e ia morar numa biblioteca. E eu não estou brincando nem figurativizando nada…)

imagem via unicorlogy.

Coração

20090321232749É isso, o coração é essa coisa mole que faz a gente chorar às cinco da manhã por saber que não há ninguém do outro lado. Do telefone. Do computador. Da janela. Não há ninguém em lugar nenhum. Pelo menos ninguém que ele esteja esperando. Não há ninguém que o ame, ninguém que ele ame em troca. O coração é essa coisa dura que nos força a sentir o que ele quer, na hora em que bem entende. Ele nos enche de esperança na vida, depois nos faz desejar a morte como quem nunca teve esperança nenhuma. Nem ele mesmo é capaz de se limitar. Limites. O coração não conhece limites. Pelo menos o meu, não. E eu sofro. Sofro, porque tenho um coração maior que o mundo – e ele nem se preocupa em saber o que eu quero, como me sinto. O coração é arma do demo. Tira do sério.

E o pior, pior de tudo, é que ninguém acredita quando eu digo. Todo mundo acha que o coração é só uma bomba que nada tem a ver com as desventuras dessa vida.

O que eles não percebem é que, numa segunda-feira pela manhã, eu jamais estaria chorando assim se ele, o coração, não perdesse o ritmo, apertasse forte e, de repente, disparasse, como quem quer alcançar o primeiro lugar duma corrida contra ele mesmo. Não veem que, até quando a gente fecha os olhos e dorme, quando todo o corpo descansa, o tinhoso continua lá, funcionando, maquinando, agitando tudo com seu vem e vai.

Ah, o coração… Coisa do demo.

Café, amor e figurinhas

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O gosto acre na boca grita socorro enquanto, lá na frente, uma voz fala sobre a história de Portugal e suas “dinastias monárquicas” num ritmo à la novela das oito. Nada me toca, apenas o café amargo que tomei antes de vir. Sinto-o, feito ácido, corroendo cada milímetro do meu estômago vazio. Súbita vontade de um cigarro. Balanço a cabeça com ar de reprovação. Inútil. Balançar a cabeça para mim mesma?
Passeio os olhos pelas árvores ao redor, amaldiçoo a preguiça que me impediu de ir ao Circuito Fellini no final de semana, rio da minha infantilidade ao tratar com quem amo, e, só mais uma vez, volto àquela censura que me lembra que meu sonho sempre foi encontrar a pessoa só pra mim – encontrar de primeira, não como se faz hoje – essa espécie estranha de tentativa e erro, como se a vida fosse um álbum de figurinhas e o amor fosse a rara figurinha metálica que, às vezes, duvidamos até mesmo que exista para todos, tamanha a dificuldade de se encontrar. Não! Não quero colecionar nada. Meu pequeno histórico já é trágico o suficiente. Uma figura me basta para preencher, se não um álbum, pelo menos um pouco do vazio dessa minha existência sem amor.
Definitivamente, não quero a vida como um álbum de figurinhas. Porque eu quero a mesma sempre, e figurinha repetida não completa álbum. Eu quero um amor tranquilo, um amor longo e verdadeiro desses que hoje só se ouve falar no cinema, na televisão, na literatura ou pela boca de uma senhora viúva que senta-se todos os dias à porta de sua casa e observa o movimento da rua enquanto, em sua solidão conformada, espera a hora de juntar-se ao seu amado.
Quero um amor feito o dos meus pais, cúmplice, amigo, alguém para passar os bons e maus dias comigo. Quero alguém sem a ambição do eterno, mas sem medo dele também. Um amor que arrisque, sem dúvida, que se atire como eu me atirei e me atirarei sempre que o sentimento assim me pedir.
O estômago reclama novamente, a história de Portugal parece ter avançado significativamente no tempo, a ideia de ver Fellini me passa, de novo, pela cabeça. Abaixo os olhos cedendo a uma leve tontura. Nunca dei sorte com o amor. Não deveria ter bebido aquela dose. Jamais deixarei de me orgulhar do que fiz por nós dois. Seja lá quem for o outro do ‘nós’, a paixão tira o raciocíno lógico da gente. Será que tem um Engov na bolsa? Uma Neosaldina? Acho que ele nunca mais vai falar comigo. E que diferença isso faz? Ele não queria o mesmo que eu. Ele não queria nada. Só me usou o quanto pôde. Não sou tão desprezível assim só por ter perguntado algo que não lhe parece muito educado. Cigarro, cigarro, cigarro! Quatro meses de angústia. O amor é mais nocivo que qualquer câncer, ora. E ele eu, além de não conseguir evitar, consumo sempre excessivamente.
Desisto. Não dá pra ficar mais nesse canto sentindo meu estômago ser derretido pelo café e meu coração ser devastado pelas lembranças. Arrumo as coisas, saio da sala e me prometo em pensamento (eu também sei me iludir muito bem!) que amanhã estará tudo lindo, tudo certo, cada coisa em seu lugar. Até um novo amor vir e bagunçar tudo outra vez.

O pior de tudo? Ainda não são nem nove da manhã.

Melhores amigos de infância

Foi tudo sensacional como há muito não era. Inesperado também. Engraçado: eu tenho essa queda pelo inesperado. Quando algo me pega desprevenida, tendo a gostar muito mais. Às vezes, mais até do que deveria. Hoje eu não estou preocupada com o quanto devo ou não gostar: hoje eu apenas fui feliz. E nada sei sobre isso.

Só sei que eu estava lá, ele também: e uma amiga. Aí vieram a capirinha, a garçonete gostosa, a Bettie Page, as visões começaram a se embaralhar, a verdade foi dita num tom mais alto… E o silêncio constrangedor (não tão constrangedor assim) soou melhor do que qualquer música soaria.

No mais, hoje entendo alguns amigos e me sinto mal por ter batido neles tantas vezes, ou ter lhes tomado o celular quando o álcool começava a pedir licença e correr atrás de seus amores. Deixa mandar, deixa dizer o que é preciso. Nessas horas é que muitas coisas se resolvem. (O que não significa necessariamente que darão certo, é fato!)

A propósito, eu ainda volto lá pra ver Bettie Page de novo. E contar segredinhos, presenciar DRs, rir à beça, ficar fedendo ao cigarro alheio, beber um pouco a mais e dizer à garçonete o que me deu vontade de dizer… Só não volto lá pra me humilhar de novo.

Como o tempo passa: ontem eu não sabia o que prestar no vestibular. Hoje estou no segundo ano de duas faculdades. Duas… Apaixonada pelas duas. Ontem eu era fria e não me apegava a ninguém: hoje tenho amigos. Ontem eu sofria calada, hoje, embora o sofrimento seja outro, não tenho medo de gritar pro mundo. É! EU AMEI, EU FUI INFELIZ! Viro uma ou mais duas doses, trago o cigarro alheio, beijo a primeira boca que se insinuar pra mim e vou levando. A vida é isso, um cai-levanta dos infernos. Baixo astral – ou não.

Eu estou vivendo, finalmente. E se alguém tiver de me censurar por isso, sou eu. Mas hoje não, hoje estou feliz.

A propósito, caso você esteja lendo isso… Nem sempre o que dizemos se parece conosco.

Agora eu vou dormir. Labor uocat me.

AHHH! Esse é o post 600 do lovemaltine. 😀

uns e outros

 

tão diferentes, tão distantes universos

se um é retiro espiritual, o outro é fantástico mundo

um já viveu tanto, o outro tão pouco

um é tão feliz , o outro tão triste

um é tão distante , o outro tão entregue

um se preserva tanto, o outro tanto se expõe

um já tem seus grandes amigos, o outro está ainda descobrindo o que é amizade

um deseja, o outro ama

um vive , o outro sonha

um aproveita , o outro planeja

um aceita , o outro questiona

um sabe, o outro quer saber

um não quer, o outro quer

um finge não ouvir, o outro finge não estar falando

 

enquanto um adquire repertório e experiência, o outro está apenas se iniciando.
então um
está sossegado, o outro não poderia estar mais aflito

(e nem mesmo a aflição consegue diminuir um pouco o efeito arrebatador que a paixão por um causou no outro
se alguém tem de ceder, ele cede, um recebe do outro tudo que quiser)

 

 

 

e a parte em que o outro virá logo a ser só um pedacinho insignificante da história de um

dói  só no primeiro, o lado mais fraco

 

mesmo assim

este só se sente tentado a uma coisa:

dizer “eu te amo” infinito

em silêncio, com os olhos

quantas vezes puder

 

 

até o dia em que tudo (tudo o quê?)

até o dia em que isso acabar

 

 

seja lá o que isso for.

porque assim como um pode ser o inverso do outro,

nada impede que estes sejam, na verdade, não o inverso, mas a metade.

 

dizem por aí, afinal, que yin e yang se complementam.

 

e o consolo dessa vez não é de que tudo sempre pode piorar, não.
o consolo hoje é também a verdade e a razão do desespero: a verdade é que tudo vai passar

 

(alguém diz pro outro ir dormir ao invés de passar  madrugada chorando em frente ao computador enquanto o um – sem vergonha – o um… sabe-se lá onde o um se meteu?)

quinta-feira à tarde

14h. silêncio indesejado: o cd acabou. falta de coragem de apertar play em qualquer coisa.

falta de vontade de pensar.

pensamentos aleatórios que deveriam ser enviados por telepatia

os efeitos do meu sagrado remédio – você – passaram. quero, preciso loucamente de mais. de novo. muito. pra sempre.
agora.

minha droga, meu vício.
você. é só o que me falta aqui.

(contra a minha vontade, vou deitar. só o que me resta, longe de ti, é sonhar)

Lisbela

De novo o sinal. De novo o “Próxima Estação: Vila Mariana”. Eu já reparei que aquele turbilhão de pensamentos que começa a me incomodar quando estou com ele resolve se organizar quando eu chego na estação Santa Cruz.

É sempre a mesma coisa. Sempre a mesma vontade de entender o que não dá pra descrever. E o pior é que me divirto com isso.

Às vezes eu acho engraçado, sabe? Eu não acho normal ficar fazendo perguntas pra ele na hora em que estamos… cheios de carinho. Mas, ao mesmo tempo, eu não consigo segurar algumas. Sinto-me uma menina boba, ingênua. Às vezes sinto que estou fazendo papel de idiota. Mas não consigo não fazer. Não consigo deixar, não consigo não parar pra pensar no que tá rolando. É difícil.

Às vezes eu me sinto uma criança. É. Eu, que na maior parte do tempo fico filosofando e criando teorias, de repente só me vejo capaz de fazer perguntas. E perguntas tolas, perguntas inocentes, infantis. Coisa que ninguém, jamais, perguntaria literalmente a alguém, sabe? E eu pergunto! Eu solto as minhas dúvidas como se as pessoas fossem obrigadas a saber respondê-las. É um impasse: ou fico calada e parece que estou sendo, sei lá, debochada, desdenhosa, ou pergunto e fico parecendo uma criança. Ultimamente tenho preferido parecer a criança. Tenho fugido de me esconder. Sempre fui assim, aliás. Não sei porque nos últimos tempos tive tanto medo de me mostrar. Talvez fosse medo de perdê-lo. Mas eu não vou perder. Eu sinto isso.

Sinto que na verdade nem o tenho pra mim. Na verdade eu não tenho o homem em si, tenho os momentos que passo com ele. É isso. Isso é tudo, tudo que me pertence. E isso nunca ninguém vai tirar de mim. Nunca. Ele vai, mas os momentos continuarão sendo meus.

“No dia em que alguém me disser o que temos, dou um troféu a ele”
“Isso te tortura, né?’
“Muito”
(olhares, mimimis e carinhos)
“Eu só me pergunto: É bom ou não? Se é bom, aí eu não ligo”
“Eu não. Se é bom é que eu me preocupo. Eu sou egoísta. Se acho bom, quero prolongar o quanto puder… E nunca, nunca o que é bom dura muito pra mim…”
“Aaaaaaaaaaaah, como ela é otimista… otimista, otimista.”
“Eu nunca disse que era otimista.”

Acho que estou aprendendo a lidar com essa situação. Com essa entrega incompleta. Como se houvesse um elástico, não sei. É, um elástico preso num ponto fixo, no centro da minha vida. E quando eu vou muito longe, ele me puxa de volta ao meu lugar.

A minha felicidade não é ele, não pode ser ele. É sim feita dos  momentos que tenho com ele – porque isso eu posso ter com outras pessoas, eventualmente. Bom, eu sei que nada dura pra sempre com ninguém. Queria parar de pensar no amanhã, sabe? Pelo menos por um segundo… Conseguir pensar só no agora, curtir só o que tá acontecendo. Queria só ser feliz, mas eu não sei. Eu não sei ser assim.  Desde pequena, o futuro sempre me fascinou muito. Eu só espero não perder meu presente pensando no que vai acontecer depois . (por ficar olhando demais pra frente.)  Ahhhh…

Eu devia ter mais dificuldade pra dizer “Eu te amo”. É. Por que dizer “eu te amo”? Acho que isso é uma coisa que eu posso guardar pra mim. A menos que eu goste de ficar com cara de boba, quando digo “eu te amo” e ele só sorri e destrava a porta do carro para que eu vá embora logo. Sempre há horários, compromissos, sempre há alguma coisa entre nós. E quer saber a verdade? É melhor assim. Essa é a primeira pessoa de quem eu não enjoei após um dia junto. Vai ver é isso. Vai ver é isso que me fascina nele: o fato dele saber “não estar nem aí” nas horas certas. Porque quando as pessoas realmente estão completamente na minha, a única coisa que sei fazer é olhar pra elas e dizer “Tchau, tchau, não é isso que eu quero”. Pode ser. Pode não ser. Quem liga?

Cara, devia ser proibido ficar viajando depois de um tempão maravilhoso com alguém que amamos, sabe? Devia ser proibido pensar! Sei lá, é engraçado. De repente eu me vejo sem conseguir completar um raciocínio, eu penso numa coisa – e ai já vem outra, e outra, e outra… e eu não consigo parar, e ao mesmo tempo eu não posso parar.É muito estranho. Mas eu não trocaria estar com ele por nada no mundo.

Seria piração se eu dissesse que tudo que eu queria agora era deitar a cabeça no colchão – assim, no colchão mesmo, sem travesseiro – ficar totalmente estirada e dormir? Dormir e sonhar com tudo que aconteceu, porque eu preciso que isso se refaça na minha cabeça – eu ainda não consigo acreditar. Eu não sei, eu me perdi, sabe? Num dos momentos com ele. Em alguma hora ali, eu me perdi. E eu não consigo me recompôr. Não consigo. Tudo o que eu queria era que isso passasse logo. E que não passasse nunca.

Nossa Língua Portuguesa, que eu tanto prezo, vai me perdoar dessa vez. Isso é a transcrição fiel de uma piração que tive no metrô hoje, no caminho de volta pra casa. Não estou em condições de decidir se deve permanecer aqui ou não. O fato de eu ter gravado isso em público deixa claro que não estou em estado normal. Só me dei conta agora. Então eu vou. E depois eu volto. Ou não. Sempre tem essa opção.

Casais

Cheguei meia hora antes do combinado. O amigo, quase meia hora depois. Nesse intervalo de uma hora que passei sozinha, só consegui reparar numa coisa: Casais. Muitos casais.  Heteros, homos, baixos, altos, monocromáticos, coloridos, casais. Alguns conhecidos, inclusive. E outros que eu faço questão de nunca conhecer. Sem falar nos casais novos (aqueles que demoram até pra pegar na mão) e nos casais que supostamente moram longe – hoje eu cansei de ver beijos de despedida. Teve até ex-namorado passeando com a namorada nova (encontro constrangedor, diga-se de passagem. Nessas horas, reverências à aliança de prata no meu anelar direito!). 

Tive certeza que todo mundo tem sua metade.  Lembrei da minha solidão constante, lembrei do tempo gigante que passei sem ninguém, praguejando contra cada casal que passava à minha frente. Ri de mim mesma por um instante quando uma reminiscência me levou a um passado próximo em que eu dizia que “casais são a coisa mais ridícula do mundo. Nunca entendi por que tanto mimimi. Não quero isso, nunca”. A gente cospe pra cima e o bendito vem direto na nossa testa. Senti aquela saudadezinha apertar o peito. Segurei. Tentei ser forte. Não deu. Peguei o celular e nem precisei discar. Ultimamente, aquele era o único número na lista de chamadas recentes. Demorou para completar, estava no metrô, pouco sinal.

 

 – Oi… Amor?
– Você vai me achar uma louca se eu te disser que liguei só pra falar que te adoro?
– owwwnnn
 – É. Eu adoro.

 

A ligação caiu. Fato: sou louca. Mais tarde, uma mensagem preencheu o que faltava.

E eu segui minha noite, tentando não reparar mais nos casais. Acho que, de uma forma ou de outra, faço parte deles agora. Por mais que indiretamente. E não queria ter de sentir a dor da saudade batendo à porta de novo.

Carta ao Papai Noel

Noelzinho,

Eu sei que já estou quase saindo dos dezoito anos e talvez já não tenha mais idade pra escrever pra você (se é que há idade pra isso), mas senti necessário investir um tempinho num diálogo entre nós. Sei também que há algum tempo não sou mais a menina ideal, a filhinha dos sonhos de toda família e aquele besteirol todo que vira e mexe eu escuto de algum tio inconformado com o fato de eu ser mais certinha que as filhas e filhos dele. Eu não sou perfeita como pensam. Falo palavrões demais, reclamo o tempo inteiro, não vou mais à igreja (e nem pretendo entrar na categoria “vícios”, porque isso não é uma carta de confissão)… Não vejo razão pra me vangloriar.

Até me incomoda um pouco ter mudado tanto. Mas eu cresci, acho que essas coisas fazem parte da vida. Não faço a mínima questão de ser a “boa menina”. Você sabe, dear Santa, que eu não dou a mínima para o que pensam de mim. Quero mais é ser feliz.

Pra ser feliz de verdade, eu já precisei de coisas materiais. Vários Natais foram completamente desvirtuados por mim, significando apenas a espera de algum presente que eu queria muito – sempre ganhei tudo o que quis, nem sei se posso reclamar. Mas hoje, Noel, o que eu quero não é nada material. Qualquer um vê nos meus olhos que o que eu quero é amor. (É claro que se você quiser me dar uma câmera eu não ligo) Acho que essa escolha muda um pouco as anteriores. Acho que esse Natal não está tão desvirtuado assim.

Amor, sim, não estou sendo hipócrita. Durante muito tempo eu amei da maneira errada. Não vou ser pretensiosa o suficiente para dizer que agora amo da maneira certa, porque sei que não o faço. Mas tenho dado tudo de mim para ser uma pessoa melhor. E tudo que eu peço, papaizinho, é que eu receba carinho em troca. Eu sempre precisei loucamente de carinho. Agora parece que ainda mais. Quero alguém que não tenha medo de assumir que sente algo por mim para o mundo, alguém que  não ligue de passar um dia inteiro comigo vendo filme abraçadinho embaixo do edredom. Alguém que consiga dizer “Eu te amo” sem titubear, que diga “é minha namorada” sem hesitar nem por um segundo. É, porque eu quero namorar. Descobri que tenho esse defeito de não gostar das coisas pela metade. Ou é, ou não é. Eu quero a pessoa só pra mim, já dizia a Chii. Quero controlar meu ciúme. Serei menos Heloísa, prometo!, se você mandar alguém que me goste.

Pensandobem, desvirtuei a essência do Natal de novo. O aniversariante é, supostamente, Jesus, não eu. Mas eu não vou ficar aqui pedindo paz na Terra enquanto os outros pedem o que é bom pra si. Juro que meu pedido não está sendo tão egoísta quanto parece, Papai Noel. Tudo isso que eu pedi, pretendo dar em dobro àquele que você escolher me mandar. Aliás, falando nisso… Se você puder me mandar especificamente aquele a quem tenho dedicado meu tempo e meu coração, eu fico agradecida. Se não puder… Bom, você é quem sabe de todas as coisas. Tá aí, do ladinho de Deus, o que custa perguntar a ele quem é o melhor pra mim?

Ah! Aproveita que vai passar pela casa dos meus amigos e manda um cheirinho em cada um por mim? Tá todo mundo tão longe…

Mil beijinhos,

Ariane.

ps: Por favor, não me deixe ter recaídas esse ano. Por favor. Demorou, mas acho que finalmente esqueci. Aí eu não te importuno com o mesmo pedido. Acho que oito anos foram o suficiente. 🙂

ps²: Se não for pedir muito, realiza os pedidos da Tainá? Eu nem sei quais são, mas ela merece.

Eu já havia escrito uma ‘cartinha-post’ pra esse ano, daí decidi que não postaria. Como o vinik me ‘condenou’ a postar, modifiquei um pouquinho a carta-base, e taí. O pedido foi mesmo esse. Sim, eu sou exageradamente piegas. Mesmo assim, preferi deixar pra postar só depois do Natal. Está aí, não que vá mudar a vida de alguém. 😉