Eles têm sempre a razão

de Vinícius e Tom:

haja o que houver
há sempre um homem para uma mulher
e há de sempre haver
pra esquecer um falso amor
e uma vontade de morrer
seja como for
há de vencer o grande amor
que há de ser um coraçao
como perdão pra quem chorou

E quem sou pra discordar?

Ouça-me bem, amor

Sorte de hoje: Sua vida é limitada. Não perca tempo vivendo a vida de outra pessoa

daí eu me dei conta de que, infelizmente, andava vivendo outra vida, não a minha.

A propósito, sei que já falei isso aqui, mas reitero: Cazuza cantando O Mundo É Um Moinho é de chorar. E chorar.

Obrigada, Cazuza.

Eu sei que martelei demais a tecla “Cazuza” aqui nos últimos dias, mas eis que eu liguei o player no shuffle e onde fui parar? Cazuza de novo, dessa vez dizendo o que não tive coragem de dizer essa semana. Sem sutileza, como é de praxe. 
Obrigada, Cazuza. Faço das suas minhas palavras.

obrigado (por ter se mandado)
Composição: Cazuza / Luiz

Obrigado 
Por ter se mandado 
Ter me condenado a tanta liberdade 
Pelas tardes nunca foi tão tarde 
Teus abraços, tuas ameaças 

Obrigado 
Por eu ter te amado 
Com a fidelidade de um bicho amestrado 

Pelas vezes que eu chorei sem vontade 
Pra te impressionar, causar piedade 

Pelos dias de cão, muito obrigado 
Pela frase feita 
Por esculhambar meu coração 
Antiquado e careta 

Me trair, me dar inspiração 
Preu ganhar dinheiro 

Obrigado 
Por ter se mandado 
Ter me acordado pra realidade 
Das pessoas que eu já nem lembrava 
Pareciam todas ter a tua cara 

Obrigado 
Por não ter voltado 
Pra buscar as coisas que se acabaram 

E também por não ter dito obrigado 
Ter levado a ingratidão bem guardada 

 

Antes que venham me dar broncas, fica a dica: Nunca estive tão bem, não é um post baixo astral!

Barcelona

 

Engraçado. Dia desses alguém me passou o link pro download da trilha sonora completa de Vicky Cristina Barcelona. Eu nunca tinha procurado, mas não hesitei em clicar quando recebi. O filme, que eu achei realmente muito bom, tem uma trilha bem marcante, reparamos já no cinema, mesmo que ainda inebriados pela imagem de Javier Barden, Scarlet Johansson e Penélope Cruz na mesma tela. Foi encanto imediato, total. Só que baixei, descompactei e esqueci de ouvir. É, culpem essa maldita correria pós-uma-prova-pré-outra.

Daí que hoje, passeando pela minha pasta de músicas – que anda, por sinal, catastróficamente depressiva – eu trombei, de repente, com a pasta Vicky Cristina Barcelona Soundtrack“, dizendo “Oi, amiga, lembra de mim aqui?”. Confesso que não lembrava. Mas coloquei pra reproduzir. (Pausa pra respiração.)

Êxtase total. Primeiro de Dezembro, o início do fim. A noite em que vimos o filme, as minha sensações de agora, as minhas sensações anteriores, tudo se misturou dentro de mim. De repente, eu estava lá no escadão da Gazeta, Brunos ao meu lado, Tory atrás de mim, Clarinha e Francisco num canto, cabeça do Hugo no meu colo, levando cafuné. Violões ao fundo. “Barcelona”, de Giulia y Los Tellarini.

A minha angústia, mesmo com todos os amigos a minha volta, esperando a ligação dele. O olhar cansado do Bruno Mancini, que, sentado ao meu lado, dizia querer estudar mais. “Quero aprender mais.”. Contando sobre os planos de mudar de curso enquanto eu, entre uma olhada e outra no celular – que eu fingia me atrair pela hora, mas, na verdade, atraía pela ansiedade. Bruno Guerrero anunciando, especialmente pra mim, que o Ricardo Cruz se juntaria a nós. Aquele misto de empolgação e retração invadindo meu corpo enquanto eu implorava a Deus por um sinal de vida daquele que eu tanto queria ver, antes que a tentação chegasse. “Your Shining Eyes”, Biel Ballester Trio, Graci Pedro, Leo Hipaucha.

Meu celular que, definitivamente, não tocava. Todos cansados, com sono, estressados com os resultados da faculdade, que, aos poucos, estavam aparecendo: alguns com muitos exames a fazer (coloquem meu nome nessa lista), outros com nenhum. Aquela melancolia de fim de ano, o que foi ruim, o que foi bom, como todos viemos parar aqui. “Vamos para o padabar?”. Telefone tocou. Não o meu, o da Tory. Capiau vindo nos acompanhar em nossa melancolia. “El Noi De La Mare”, Muriel Anderson & Jean-Feliz Lalanne

Todos em pé, prontos para partir em direção à padaria, logo ali na Brigadeiro. Então meu telefone finalmente toca. “Estou aqui na Joaquim Eugênio de Lima. Paro o carro em frente ao Top Center, pode ser?”. Pode. Claro. Poderia qualquer coisa, já que eu não aguentava mais as saudades. Olhei na direção da banca, o carro não estava lá. Levantei-me, despedi-me de todos. “Vamos conosco ao bar!”. Não podia. Não queria. Só queria um tempinho sozinha com ele. Os amigos compreenderam. “When I Was a Boy”, Biel Ballester Trio, Graci Pedro, Leo Hipaucha.

O carro parou em frente à banca, conforme o combinado. Entrei, nos beijamos, eu e meus olhinhos brilhantes, ele e seu sorriso doce. Parecia cansado. “Posso te roubar hoje?”. “Pode”. Fomos embora, sem ir a lugar algum. “Granada”, Emilio de Benito.

Deu uma volta no quarteirão. Parou o carro, olhou para mim e me beijou. Eu estava apaixonada. Trágico ou não, eu estava entregue, qualquer um que olhasse para mim perceberia isso. Trocamos poucas palavras e muitos carinhos. Era difícil nos vermos, eu tinha de ir embora logo. A sensação era a de que não podíamos perder um segundo sequer. Desabafos entre as sessões de beijinhos. Olhares abobados de menina apaixonada. Ah, aqueles olhos, aqueles cabelos, aquele abraço. “Senti tanto sua falta…”.O tempo passava rápido ali. Mais rápido que tudo.  “Entre Olas”, Juan Serrano.

A rádio avisou que passava das onze. Deu partida no carro. Dirigiu rumo à estação mais distante, comigo ao lado, ainda aos suspiros. A cada parada, um beijinho ou um carinho nas mãos. Olhares de lado. Cafunés. Sem que ele soubesse, eu pensava em como sempre quis aquilo. Como sempre quis aqueles carinhos. Como nunca tinha me dado bem daquele jeito com ninguém. Sem que ele soubesse, eu me apaixonava cada vez mais. Mostrou-me coisas que talvez nunca façam sentido algum senão pra mim – o caminho de sua casa, os enfeites da Avenida, as pessoas na rua, tudo parecia especial. E eu só queria estar lá mais vezes com ele. Muito mais. Acho que esse foi um dos momentos em que mais me perdi dentro de mim. Em que mais me entreguei ao sentimento. O trajeto entre os carinhos e a despedida. Mas acabou. “Entre Dos Aguas”, Paco de Lucia.

Acabou. Já estávamos há tempo demais parados na vaga de descarga, na porta do metrô. Passou da hora de ir embora. Eu hesitava: quando pensava poder sair do carro, um suspiro de qualquer um dos lados me colocava de volta pra dentro, beijando aqueles lábios enquanto o mundo lá fora desmoronava. É, chovia lá fora. E não nos importava nada. Uma buzinada. Soltei-o, abri a porta e fui embora. “Te amo”, teria dito, mas preferi calar. “La Ley Del Retiro”, Giulia y Los Tellarini.

Andar nunca foi tão engraçado. Sentia-me flutuando. Minha boca ainda tinha o gosto dele e eu queria mais. Não pensava em nada além dele. Queria saber o que tínhamos, mas também não queria saber de nada. Entrei no trem, sentei-me, segui viagem pensando nos és e nos nãos da minha vida até então. Nas frustrações que havia tido, nas que ainda podia ter. “Onde você estava, que não te encontrei antes?”, mandei por sms. “Eu estava aqui o tempo todo, só você não viu…”. Retrucar com Pitty é covardia. Derreteu-me. Chovia, eu tinha de correr pra casa. Tinha de ser natural. Estava sendo. Mas aquele cheiro ainda estava em mim… “Gorrion”, Juan Serrano.

Minha parada. Desci a rampa, na chuva, correndo. Meia noite e dez. Àquela hora meu pai já deveria estar surtando no carro. Minha irmã tinha vindo com ele. Estava no banco da frente. Entrei atrás, acomodei-me. Sem que tivesse controle, saiu de mim um suspiro e um sorriso no canto dos lábios. Tainá virou para trás na hora. “Está apaixonada, Ni?”. “Não, não estou não, impressão sua. Impressão sua… Vamos logo”. “Big Brother”, The Stephane Wrembel Trio.

Os cinco minutos a caminho de casa foram tensos. Não queria que ninguém soubesse da minha paixão. Ninguém. Fiquei calada. Já em casa, corri para o quarto. Um bom banho quente, um café, e eu já estava pronta para deitar. Não para dormir. Muito para mim, se querem saber. Não sei lidar com sentimentos. Passei a noite virando de um lado para o outro na cama, como se faltasse algo lá. E faltava. Estava mais claro do que nunca. O grande problema é que parecia faltar só pra mim. Eu e minha cabeça criativa: já fantasiava não-correspondências, abandono, imaginava não ser tão querida quanto queria. Mandei mensagem. Escrevi. Desejei um cigarro, desejei a morte, chorei. Eu sou assim, cheia de altos e baixos, quentes e frios, secos e molhados de uma hora para a outra. Quando vi, passava das três da manhã. Pesaram-me minhas responsabilidades, minhas alegrias, minhas tristezas. Odiei-me por ter entregue tão rápido meu coração nas mãos dele. Odiei-o por ter parecido não querer nada além do meu corpo. Odiei as faculdades, por não estar ainda de férias. Odiei o espelho e o relógio, que me diziam que era tarde. E então, de repente, eu já não estava mais ali. Então já era outro dia. “Asturias”, Juan Quesada.

Engraçado como os dias, mesmo os mais grandiosos, são pequenos: cabem num CD.

Dancing Queen

You can dance, you can jive, having the time of your life
See that girl, watch that scene, dig in the dancing queen

Friday night and the lights are low
Looking out for the place to go
Where they play the right music, getting in the swing
You come in to look for a king
Anybody could be that guy
Night is young and the musics high
With a bit of rock music, everything is fine
Youre in the mood for a dance
And when you get the chance…

You are the dancing queen, young and sweet, only seventeen
Dancing queen, feel the beat from the tambourine
You can dance, you can jive, having the time of your life
See that girl, watch that scene, dig in the dancing queen

Youre a teaser, you turn em on
Leave them burning and then youre gone
Looking out for another, anyone will do
Youre in the mood for a dance
And when you get the chance…

You are the dancing queen, young and sweet, only seventeen
Dancing queen, feel the beat from the tambourine
You can dance, you can jive, having the time of your life
See that girl, watch that scene, dig in the dancing queen

Saudades absurdas das minhas Dancing Queens. Foda não estar de férias, ao contrário do universo.

Conclusão pós-festa:

PVC – o retorno.

Cena XX - O casamento
Cena XX - O casamento

É. Maquiagem borrada, amigos longe, pés e pernas intocáveis, nariz entupido, voz indo embora um dia antes do ensaio… É a Porra da Velhice Chegando pra acabar com a alegria da garotada. Nem na sexta passada eu fiquei tão acabada quanto hoje! Mas I WILL SURVIVE. Eu tenho os melhores amigos DO MUNDO!!!!

ps: Sim, estou vivendo meus 12 anos com atraso. Agora é certeza.

ps2: logo menos mostro mais fotos, deixa só o Fran vir em casa me passar!

Garota de Aluguel

 

Ela me chama quando quer eu penso se vou lá
Me envolve num ardil qualquer querendo me enganar
Essa situação não quer chegar a um final
Eu sou garoto de aluguel mas não vão me comprar
Eu vou te dar o teu prazer
Mas com amor é mais caro
Com amor é mais caro
O meu amor é o mais caro
Me diz quanto você pode pagar

(poléxia, aos garotos de aluguel)

 

Daí que às vezes me sinto uma garota de aluguel. E, sinceramente, não sei se há algum tipo de moeda com que se pague meu amor. Aliás, estive lembrando… Houve uma única proposta que me interessou, quando, numa dessas minhas tardes de drama, questionei o mundo, com toda a licença do Poléxia, sobre quanto pagariam por ele. 

Eis que o vencedor foi…

Mas ainda tenho minhas dúvidas sobre meu preço. É, porque na verdade, se parar pra pensar, pra ele eu daria meu amor até sem nada em troca. Quer saber? O amor é assim: quando ele é de verdade, ele não exige nada. É gratuito… 

 

Que acabou se tornando uma proposta irrecusável, acabou. E agora eu não devolvo o envelope MESMO!

Me dê motivo

-“É…
engraçado
Às vezes a gente
Fica pensando
Que está amando
que esta sendo amado
e que Encontrou tudo o que a vida Poderia oferecer
E em cima disso A gente constrói Os nossos sonhos
Os nossos castelos
E cria um mundo de encanto
Onde tudo é belo
Até que a mulher Que a gente ama
vacila
E põe tudo a perder
E põe tudo a perder”.

Me dê motivo
Prá ir embora
Estou vendo a hora
De te perder
Me dê motivo
Vai ser agora
Estou indo embora
O que fazer?…

Estou indo embora
Não faz sentido
Ficar contigo
Melhor assim
É nessa hora
Que o homem chora
A dor é forte
Demais pra mim…

_Ӄ..
a vida é isso mesmo
espero que seja feliz
Ficar contigo não faz sentido
Espero que seja feliz
Em seu novo caminho
esquisito vai te fazer um bom
Não da mais
Sei que vou encontrar alguém
Melhor que você”.

Me dê motivo
Foi jogo sujo
E agora eu fujo
Pra não sofrer
Fui teu amigo
Te dei o mundo
Você foi fundo
Quis me perder…

Agora é tarde
Não tem mais jeito
E o teu defeito
Não tem perdão
Eu vou à luta
Que a vida é curta
Não vale a pena
Sofrer em vão…

Pode crer você pôs tudo a perder
Não podia me fazer o que fez
E por mais que você tente negar
Me deu motivo!
Pode crer eu vou sair por aí
E mostrar que posso ser bem feliz
Encontrar alguém que saiba me dá
Me dar motivo
Me dar motivo!…

Tchu! Tchururururu!
Tchu! Tchururururu!
Tchu! Tchururururu!
Tchu! Tchururururu!

fluxo de consciência

então acordou. desde quando precisava correr atrás de alguém? como foi a última vez que sofreu tanto? igualzinha a essa, não? prestatenção, minha amiga. deixa tudo isso pra lá. não combata o sentimento, não. deixa ele existir em paz. não fica alimentando sonhos à toa. 

 

não corra mais atrás. não; deixa tudo ser como sempre foi.

se não for, é porque não tinha de ser.

não tinha de ser.
‘ não vou me sujar fumando apenas um cigarro, nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom…
quanto ao pano dos confetes, já passou meu carnaval: e isso explica porque o sexo é assunto popular…

no mais, estou indo embora!’

 

 

joe cocker, while my guitar gently weeps

Tudo passa…

Sorte de hoje: Se você obedecer a todas as regras, vai perder toda a diversão

eu você e todos os encontros casuais
os ais e os hão de ser
e todos os casais também
olha, acho até que quem achou que nunca ia
esse ia se espantar de ver que o ódio e o amor
e até eu vou pra ver no que vai dar
a massa a moça
e até esse pra sempre

tudo passa