Semelhanças irônicas

 

O pior de ver Eu e As Mulheres é, com certeza, a minha maldita memória associativa. O Adam Brody é a cara dele. Pior, o personagem, Carter, tem tudo daquele maldito. As roupas, o modo se se mexer, o jeitinho blasé. Se eu tenho fugido de ir à faculdade, de ir ao pub (ou qualquer outro tipo de evento) com os amigos só pra não ter que vê-lo, por que demônios o personagem principal do meu filme favorito tem que ser IGUALZINHO a ele? Assim, fisicamente? De você olhar às vezes e não saber se é o Adam Brody ou ele ali, naquela Samsung de 42” à sua frente! Shit. 

“AHHHH, Ari! Por um desse eu secava rapidinho” 

FREITAS, Débora Cavalcante Queiroz de.

Eu até secaria, se eu soubesse que assim ele olharia pra mim, de alguma maneira. Mas sei que não. Então continuo aqui. Gordinha. Vendo filme, lembrando dele e evitando-o na faculdade, no msn e no orkut. É infantil, eu sei. Mas eu preciso esquecê-lo. Somos muito iguais às vezes. E somos completamente diferentes. [São dois anos nessa paquerinha besta em que eu fico olhando e flertando, mas sempre esqueço que estamos separados por uma daquelas paredes em que eu o enxergo, mas ele, ao olhar na minha direção, só vê a si mesmo, como se ali houvesse um espelho.]

E então, o que resta pra hoje é chorar com o filme, terminar a monografia e torcer pra que amanhã eu não me derreta ao primeiro olhar dele.

 

Notas mentais:

1. Não assistir In The Land Of Woman desacompanhada.
2. NUNCA deixar Carinhoso na lista de reprodução, pra evitar o incômodo dela tocar no shuffle e eu lembrar daquele dia.
3. Ele não vai me olhar, portanto eu não devo pensar nele.
4. “I’m trying to wake you up! There’s a big fucking world out there. It’s messy, and it’s chaotic, and it’s never, it’s never ever the thing you’d expect. It’s ok to be scared but you cannot allow your fears to turn you into an asshole, not when it comes to the people that really love you, the people that need you.” (WEBB, Carter)

 

 

A pergunta que não quer calar é: por que eu só olho pra quem nunca vai me olhar?
(E por que diabos ele tem que estar em tudo na minha vida? :O)

 

Ainda bem que minhas paixonites são só paixonites.

Wishlist







Sensacional.

Peguei aqui ó: http://www.love-tee.com/ . Por mim, comprava todas.

Divagações

sempreoeleeoeueoeleeoeueoeleeoeueoeleeoeununcanós?

cadernos rabiscados, poesias dedicadas à lata do lixo, apontador, cascas, cascas, rabiscos, pra quê lápis se dispenso a borracha?

abraços, beijinhos, carinhos, escrever e pensar a ternura é muito mais fácil do que de fato vivê-la, realmente.

realmente
real mente
o real?
mente

 

[a vida vaivai vai v a i … e eu fico.]

 

tudo vai passar
vai passar
passar

tudo.

 

 

intuições, parâmetros, desencadeamentos, sentenças

 

já pararam pra pensar?
nem sempre o final é feliz

 
Entoe o mantra
TVP TVP TVP TVP TVP TVP TVP TVP TVP TVP TVP TVP […]

ficadicaeterna:*

Previsível

“Ninguém é mais sentimento que você”.

Tory

Sonhar a noite toda com ele, escrever um manual de como se deixar iludir, ouvir Amy Winehouse compulsivamente, ganhar livro da melhor amiga e passar o sábado à noite sozinha em casa: deprê total.

Mas meu, quem é mais sentimental que eu?

 

MOMENTO DE PROJEÇÃO DA VONTADE

Marte na casa 1

DE: 04/10 Hoje, 7h14
ATÉ: 17/11 , 20h39

Nestes próximos dias, que vão de 04/10 Hoje e 17/11, Ariane, o planeta Marte estará passando pelo seu signo ascendente, marcando o seu setor da identidade. Este é um momento muito especial, que só acontece de dois em dois anos. Uma vez que a primeira casa é a mais importante casa astrológica de um tema astral, consequentemente Marte será o mais importante planeta em sua vida por alguns dias. Ele lhe concede vitalidade alta e, por fim, você sentirá uma grande necessidade de vencer e de se tornar alguém de destaque em seu campo de atuação.

Neste período, é bastante provável que você venha a se sentir com muito mais energia, com uma disposição especial para batalhar pelos seus projetos pessoais. Lhe parecerá, Ariane, que as coisas estão mais fáceis de serem resolvidas, mas a verdade é que você está num momento em que sua disposição pessoal para lutas está amplificada.

As pessoas poderão sentir em você uma agressividade maior, mas esta qualidade agressiva não é, por si só, boa ou ruim. Tudo depende da forma como você a vive.

A palavra “Marte” vem do latim, e significa “crescer, tornar-se grande”. E esta é a idéia para este ciclo, Ariane: é o momento de lutar por seu lugar ao Sol, o momento de fazer valer sua vontade afirmativa, nem que para isso você precise brigar um pouco mais.

É recomendável que você busque direcionar esta qualidade agressiva de uma maneira objetiva, caso contrário você pode simplesmente usá-la de maneira inadequada, explodindo em raivas ou cometendo atos impulsivos, precipitados. Em geral, recomendo a pessoas que, como você, passam pelo momento de energização marciana, que procurem praticar alguma atividade física neste período, a fim de descarregar o excesso de energia. É um momento bom para o exercício do sexo, conveniente para aproveitar esta “disposição a mais”. Ainda que você não tenha uma parceria sexual, a qualidade energética de Marte é positiva para caso você queira “caçar” pessoas de fora do seu círculo social. Afinal de contas, a energia conquistadora de Marte na Casa 1 não se limita apenas a propósitos materiais. Ela pode ser utilizada para propósitos amorosos, também!

Neste ciclo, você perceberá que estará conquistando as coisas com maior facilidade. Mas fique atento, Ariane: este é um momento altamente individualista, e o preço a pagar é que isto pode perturbar um pouco as suas relações afetivas. Não é um momento em que você está com muita disposição para fazer concessões em nenhum de seus relacionamentos, e é possível que nesta fase algumas pessoas lhe acusem de egoísmo. No final das contas, Ariane, é tudo uma questão de proporção: se você souber aproveitar esta “energia a mais” de uma forma consciente e direcionada, canalizando sua agressividade para onde deve, com finalidades úteis e propósitos definidos, tende a ser um excelente período. A idéia deste ciclo de Marte é a da aceleração da vontade pessoal.

SÍNTESE DO MOMENTO:

Cores recomendadas para o período: vermelho e negro, as cores de Marte que estimularão mais ainda a sua vontade pessoal numa direção afirmativa.

Vida afetiva: este é um momento de muito individualismo, Ariane! Favorece muito o sexo e as novas conquistas, mas cuidado com uma tendência de ficar vendo demais o próprio lado nesta fase.

Vida profissional: excelente momento para lutar por objetivos bem definidos e alcançar resultados concretos para seus esforços.

Saúde: cuidado com febres e com uma pequena tendência a acidentes por conta de atos impulsivos e apressados.

Vida espiritual: este é um dos momentos mais “pé no chão” do seu ano, Ariane. Mas convém não perder o prumo da sua espiritualidade, lembre-se que é importante um tempo para meditar e refletir, caso contrário o mundo, com seus problemas e questões práticas, nos engole!

 

Personare, Personare… Uh.

dos parênteses

Quando alguém começa a descobrir detalhes de sua vida pessoal no msn às três da madrugada, tudo fica, no mínimo, constrangedor. Parece que não dá pra falar nada se não for nas entrelinhas.

Bruno says:
(temos muito a conversar)
Ariane Freitas . says:
(sim, talvez sim. eu sou eu mesma o tempo todo, e mesmo assim sou diferente daquilo que aparento)
Bruno says:
(você é exatamente aquilo que parece ser. quem vê errado só está tentando enxergar além e fingir que entendeu algo sem parar pra pensar de verdade)

Eu ainda não entendi, talvez nunca entenda. Desde pequena, sempre fui fissurada por gramática, sempre presa a detalhes que nem minha mãe, professora de Língua Portuguesa, notava. E os parênteses sempre foram um mistério pra mim. Trazem informações internas, externas, observações relevantes ou não. Mas, de uma froma ou de outra, eles sempre fazem tanto sentido… Pelo menos do meu ponto de vista.

(Mas quem sou eu pra ter esse tipo de ponto de vista?)

Infelizmente, a inteligência extrema da infância deu lugar a uma sobrecarga inigualável. Hoje em dia, cometo erros grotescos e mal sou capaz de perceber. A rotina Cásper – USP é bem mais pesada do que parece, mesmo para alguém que não a leva tão a sério. Eu mudei, não vejo mais muitas coisas como via antes. Mas os parênteses estão ali, sempre. Parênteses, travessões, vírgulas, aspas… Sempre me deixando a impressão de que carregam muito, muito, muito do sentido. E mais – de que, do tudo que eles trazem, eu não sei quase nada

Foco nos parênteses. Às vezes neles é que moram as respostas.

Cafeína alternativa

Já faz algum tempo que não durmo. É. São trabalhos e mais trabalhos ocupando minha mente. Quando as preocupações não me causam insônia, é porque estou acordada fazendo trabalhos. Enfim, minha vida sai-às-cinco-chega-meia-noite-deita-às-três-sai-às-cinco- (…) não está sendo legal. Pareço um zumbi, não rendo, não ando muito feliz por mil e um motivos que qualquer um que lê esse blog já pescou de alguma maneira, embora eu nunca seja muito clara. Enfim, estou bem downzinha. E não consigo dormir. É café, chocolate, coca-cola, red bull, enfim. Os cânceres andei deixando de lado. Mas há outros vícios que não deixo. Roer unhas, música, música, música. Madrugadas à base de Blip.Fm, Last.Fm, Twitter e poesia. É um tal de ler feeds, comentar, postar em tudo que é possível, observar. Nada saudável. Nada. Continuo a mesma dramática piegas de sempre, e, infelizmente ainda me importo bastante com a reação dos outros quanto a isso. Não canso de ter a sensação de que estou atrapalhando, cansando, chateando. Mesmo quando eu lembro que só lê o blog quem quer, só lê meu twitter quem me segue (e segue porque quer!), só me ouve quem pergunta.

Começo a conhecer-me. Não existo.

Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo, porque também há vida …
Sou isso, enfim …
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.

Álvaro de Campos

E continuo aqui. Esperando respostas. Emails. Replies. Recomendações. Torpedos. Janelinhas piscando. Continuo aqui, na minha cafeína alternativa, no meu remédio das madrugadas, na minha fuga desse mundo cruel e doido a que chamamos ‘realidade’. Agora me diz: vale a pena? Vale a pena me preocupar com o real se outras pessoas têm a mesma função e não se preocupam? Vale a pena ir ao mesmo lugar todos os dias e não ver mudança nenhuma? Esses pensamentos me incomodam, acreditem. Eles parecem querer me fazer largar tudo. E eu não posso. Ou não quero, não sei. Eu só sei que não consigo dormir. E por hoje, pra mim, é o suficiente. Saber que minha cafeína não acaba, embora as pestanas estejam já pesando. Sabendo que a angústia vêm rapidinho, basta olhar pro lado e ver o número de tarefas se acumulando.

Eu sei, eu falo com saquinhos plásticos. Eles são bem mais sensíveis que seres humanos, ok?
Eu sei, eu falo com saquinhos plásticos. Eles são bem mais sensíveis que seres humanos, ok?

Às vezes eu sinto falta do semestre passado. Pior que fosse, tínhamos uns aos outros. Não tinha rolado ainda toda uma coisa que me chateou muito e fez com que o grupo se dissolvesse (e – pelo menos na minha concepção – tenha se tornado insuportável conviver com todos e nenhum ao mesmo tempo). Saudades do padabar, de dividir a conta com poucos porque alguns nunca tinham dinheiro (e também nunca avisavam não ter!), de comprar e compartilhar cânceres como se fosse proibido e escondido, como criança. Saudades de sentar numa mesa com pessoas em que confio, falar besteira, rir à toa, chorar também – por que não?, e simplesmente estar lá, vendo o sorriso dos outros. Quanto sentimento se constrói e se destrói em tão pouco tempo… (E como eu odeio, odeio, odeio quando algumas coisas acontecem!) Certas atitudes não só magoam como deixam feridas expostas. Mas não quero entrar em detalhes, só queria dividir com alguém (alguém TEM que ler isso) um dos motivos da minha falta de sono.

E eu juro, juro mesmo, que tento ser feliz. No meu mundo, no Fantástico Mundo de Ariane, na minha vidinha sem sal.

É um universo barato.

Um exemplo de aluna

Calma. Não tive essa mudança brusca ainda. Não, eu não sou aluna-modelo de matéria nenhuma – mas é que nas aulas de Teoria da Comunicação (TODAS ELAS) parece que sempre há um exemplo (ruim, que fique bem claro) em que se mostre minha figura.

Ou eu sou muito narcisista, ou o Sérgio Amadeu realmente me odeia. Deixem-me explicar: Toda vez que ele faz a afirmação “Tem uma aluna daqui que eu não vou citar o nome” seguida de “que escreveu isso, isso e aquilo no twitter“, é batata! Não só eu como todos os outros da sala temos em 1º lugar numa hierarquia de quase 50 (sim, 50, já que, embora só eu e Tory tivéssemos twitter antes, quase a sala toda fez depois que ele pediu, no primeiro bimestre) o meu nome piscando na cabeça: é, eu sou a pessoa que mais twitta na Cásper Líbero, pelo menos entre as que ele conhece. Tipo “Oi? Loser! Quem mandou liberar os updates para ele?”.

Ok, sou extra-oficialmente o mau-exemplo da faculdade.

Dica: Ele é meu ídolo, e, no máximo, me despreza. (No máximo porque existe a grande possibilidade de ele simplesmente nem saber da minha existência, a não ser por meio das merdas que falo no twitter – ou dos dias em que o abordo loucamente pra tirar fotos). Nem ligo. Ainda quero ser assim quando crescer. E existe a chance da aluna mala de quem ele sempre fala nem ser eu…(ok, vou me enganar e fingir que acredito nisso. haha)

Agora é hora de estudar mais um pouco, tenho exame no Detran amanhã cedo, ficadica.

Beijão!

Terapias alternativas

Descobri o porquê de nesse blog só aparecer anúncio de música ou autoajuda. Muita coisa acontecendo de uma vez por aqui. É paixão que nem dá tempo de efetivamente virar paixão, vizinho matando vizinho, skinhead abordando na Augusta, show do Mombojó e eu em casa, bomba no Carlos Costa por burrice minha, enfim. Isso aqui é praticamente um divã, e pudera!, eu acho que o BigBoss põe esses anúncios mais pra mim que pro público em geral. Em algum lugar devem achar que sou uma louca precisando urgentemente de terapia. E aí é um tal de anúncio de Paulo Coelho, Zíbia Gasparetto, Sagrado Coração de Jesus, Terapia por Ondas de Choque, Tenha Seu Amor De Volta (é, amarração para o amor, gente!!!!), Namoro Evangélico (e aqui eu me pergunto: O QUE EU TENHO QUE REMETE A NAMORO EVANGÉLICO AQUI?), Como Mudar o Mundo, Cirurgia de Coluna, Logosofia… Vamos parar por aqui.

Não tenho mais a quem recorrer. Fui falar com Deus. Desisti quando perguntei o que deveria fazer em relação à faculdade e ele me perguntou o que eu mais gostava de comer. Abri o Outlook (incrivelmente havia esquecido de fazê-lo hoje – e é sempre a primeira coisa que faço quando acordo…) e encontrei um novo trânsito astrológico, que por sinal eu já deveria ter visto (chegou 1h40AM e a última vez que abri minha caixa foi às 3h). Ok. O mesmo trânsito que eu recebi quase o mês passado inteiro. Ok. Vou passar mais tempo com os amigos, prometo, horóscopo de merda. Lembrei que fazia tempo eu não jogava o tarô do dia e resolvi arriscar. Pois bem, faz sentido mas não é legal. Veio ele e disse: Vá resgatar sua auto-estima. (Se bem que resgatar implica tê-la tido algum dia! .-.).

Não consigo gravar CDs ou DVDs aqui, estou ferrada. Concentração pra prova do Detran tá foda, e depois do que o Personare me disse essa semana, melhor eu me matar de estudar. Tem um mês ou mais que fiz a porra do curso, lembrança zero.

Tem gente que anda me linkando por aí e dizendo que eu ouço música ruim. Pois bem, ouço mesmo, ok? Hahahaha. Isso porque ele ainda não me viu na fossa-vibe-nxzero (graças à Deus minha fossa ultimamente tem sido até bem requintada).

Enfim, essa porra beleza de layout vai ficar em construção pra sempre, que eu tenho sérios problemas com tempo e com a estrutura css do wp. Apanhei tanto já do Myspace que devo ter pego algum trauma. *cry*. Só queria diminuir as letras dessa bagaça e terminar de personalizá-la, porra, será que é tão difícil? :~~

No mais, minha vida está a mesma merda de sempre. Com alguns adicionais, ruins – óbvio. Mas eu estou sorrindo, porque um dia alguém, lá do outro lado, me disse para que o fizesse – e me disse com amor. 🙂

Ok, sem mais emices no momento. Vou apertar aqui o “Get a life!” e ir ler um pouco, que às 16h saio de casa hoje.

Até porquê, eu sei o que acontece no final.

Beijões, amores.

(Ok, eu falando como se muita gente além de mim lesse essa merda esse blog.)

Assassinato em Buenos Aires

Eu estava dormindo, feliz e contente, quando ouvi barulho e agitação em casa. Foi o tempo de abrir o olho e ouvir minha não dizer: “O Senhor recolheu a Dona Edna”.

Dona Edna, para quem não sabe, é a vizinha da casa ao lado, o 11A. A família dela é a única com que a minha tem contato aqui na rua, porque somos anti-sociais reservados, e acaba que temos um carinho muito grande por ela e por seu marido, Firmino. Nos últimos dias, andou tendo uma apendicite muito forte e foi submetida à uma cirurgia de alto risco – alto devido à idade dela, que, se já tem 50 anos de casada, não está mais na fase mais áurea de seus anos. Enfim, a D. Edna estava internada e meu pai não recebia notícias dela há alguns dias.

Levantei e fui ver o que estava acontecendo. Minha mãe estava chorando, desconsolada. Várias vezes ficou mal. (Ela sempre fica muito abalada com a morte de pessoas próximas. É um tal de refletir sobre o valor da vida, relembrar momentos, sofrer, sofrer, sofrer, “nós não somos nada, filha!”, … ). Então ela me disse que estava na feira e uma outra vizinha (que por sinal mal conversa conosco) a abordou e: “Não sei nem como te dizer, menina…”, enrolou ela. Enfim. Já havíamos almoçado o arroz sem sal da minha mãe, e ela escovava os dentes pra disfarçar o choro, pois dissemos pra ela parar – “Mas o enterro já deve ter passado, deve ter sido no interior! Como será que o seu Firmino vai se virar agora? Como eu vou fazer pra ajudá-los, não tenho tempo, que triste… Que triste… Ai, a vida…” – quando a campainha tocou. Ela foi atender. A vizinha da feira. Na maior cara de pau, soltou apenas uma frase: “Não morreu não, viu? Foi só um engano. Agora deixa eu ir ali avisar a Tininha que eu já tinha contado pra ela também…”.

Minha irmã voltou pra dentro estupefata. Não sabiámos se era pra rir ou chorar. No fim das contas, mamãe ficou feliz porque Dona Edna estava viva. Mas só eu sei o quanto eu achei que ela, em seu profundo estado de choque, fosse infartar. Pois é, pois é. Assassinaram e enterraram minha vizinha antes da hora: pior – quase que levaram minha mãe junto. Porque ela, se tivesse tido um ataque, não ia voltar não…

Despedida

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra…)
Quero solidão.
Cecília Meireles

daí que eu tive uma daquelas palpitaçõezinhas que avisam que passou da hora de inovar, que tudo novo manda embora parte do sofrimento. e eu vou mudar, só pra constar.

 

malditas palpitações que vêm justo quando a gente acha que está tudo muito bem, tudo muito certo. acho que é ilusão, mas também não perco nada ao arriscar.

 

(também, quanto eu já não perdi com medo de tentar?)