Bom dia, quarta-feira.

O despertador toca. Chuva batendo na janela. Organização mental. “Ligar pra ele. Ir ao mercado. Arrumar o guarda-roupas. Postar no vitrola. Mandar email pra galera. Ir à autoescola. Descobrir como chegar à Vila Madalena. Arrumar cabelo/roupa. Mas ah.. Ligar pra ele… É, ligar pra ele…”. Chuva batendo na janela. 9h10 no relógio. “Dez minutos pensando no que preciso fazer? hunf”. Puxo o edredom e me cubro até a cabeça. “Preciso de força. Força”. Coloco o despertador pra tocar 9h30 e fico lá, sufocando no meu mundinho de medo, enquanto a chuva bate na janela. 

 

Despertador toca de novo. Chuva batendo na janela. Levanto, tomo um banho, café e pão quentinho me esperam na mesa. E eu corro pra vida, que correr dela, está comprovado, não me leva a lugar nenhum.

Fraquezas

Fraquezas. Somos cheios delas. Às vezes ficam ocultas por um bom tempo. Às vezes, a vida toda. Alguns não têm essa sorte; são assaltados por elas freqüentemente. Como eu. Eu vivo minhas fraquezas.

 

Durante grande parte da minha vida, fui incapaz de chorar. Incapaz de sentir pena, piedade, compaixão. Não sofria pelos outros, não sofria nem mesmo por mim. Sorria sempre, uma forma de parecer forte – não importa quão despedaçada eu estivesse por dentro. De repente, reviravoltas. Eu, que sempre fui acostumada à vitória, deparei-me com derrotas sucessivas, arranhões dignos de cicatrizes horrendas. Pela primeira vez e numa estocada só, meu mundo caiu.

 

Então eu levantei. Não olhei para trás, não é fácil seguir em frente quando se pensa naquilo que ficou. Lembrei que nunca deixei de realizar aquilo que sonhei. Que sempre consegui tudo o que tinha por objetivo. E simplesmente segui. Achei que fosse ser tudo como sempre foi, mas não. Algo mudou em mim. Talvez a dor tenha me feito humana. Eu enxerguei. Enxerguei o que o tempo todo esteve exatamente na minha frente sem que eu notasse. Vi que fingir alegria era me boicotar. Que só feria a mim mesma, mais ninguém.

 

Aprendi, na marra, a chorar. Não tinha controle. E aí foi a fase manteiguinha derretida. É que a luta era grande (não que não seja mais) e eu chorava para não desistir. Cada vez que a fraqueza batia, deixava explodir. Foi me permitindo ter essas explosões que consegui chegar aos objetivos mais uma vez. 

 

Mas esse não foi o fim. Para chegar onde estou agora, retrocedi. Parece que o ser humano tem esse defeito de querer ser forte. De se mostrar capaz. E foi assim que, guardadas as devidas proporções, minhas vitórias, ainda que pequenas, inflaram meu ego mais do que deveriam. De um segundo para o outro, sem me pedir permissão, o auto boicote voltou à ativa – e lá estava eu, me segurando de novo. 

 

Às vezes, vestia a máscara da alegria excessiva. Às vezes, a da tristeza incomum. Eventualmente, surgia a máscara do despeito. “Não estou nem aí”. Só um idiota acreditaria em qualquer uma delas. Ninguém é cem por cento nada. Ninguém é só alegria, ou só tristeza. Ninguém tem um momento “nem aí” e sai dizendo isso por todos os cantos, simplesmente porque quando você realmente não está nem aí… Não está nem aí MESMO. Ignora os fatos, não debocha deles. 

 

Dessa vez funcionou menos do que de costume. O ano não estava nem na metade e eu já sentia as dores, o peso da verdade sobre mim. “Eu não vou conseguir”, era o que pensava. E dentro de mim, uma montanha russa de sensações fazia questão de funcionar 24 horas. Cedi. Cedi às máscaras, à dor. Passei a viver de reclamar, deixei de fazer a única coisa que podia me tornar vitoriosa. Fiquei esperando que tudo acontecesse sozinho, que as coisas viessem prontas em minha direção. 

 

Quando a paixão chegou, nem hesitei. Por que não me entregar? Já havia perdido tudo o que levara um tempão para conseguir. Não tinha nada a perder. Nos últimos anos, guardava amor e mágoas lado a lado. E não me permitia mais sentir. E como amei! Reprimi durante muito tempo todo e qualquer sentimento alheio a esse amor. Alimentei um fantasma, dormi com ele todas as noites, ano a ano. No dia em que, de surpresa, meu coração acelerou por outra pessoa da mesma maneira que havia acelerado 8 anos antes pelo fantasma, exatamente da mesma maneira, eu o libertei. 

 

Por algum tempo, eu vivi a vida de verdade, não aquela que criei pra mim. Foi paixão daquelas doentias, que tiram do sério. Senti coisas que não sentia há muito tempo. Fiz coisas que nunca tinha feito. Faria muito mais ainda, se o tempo não tivesse se encarregado de me mostrar que eu estava errada. Que não era mais adolescente, não devia mais agir como tal. Que a paixão, por mais intensa que fosse, não era a mesma dos dois lados – e que minhas expectativas não condiziam com o que o outro lado tinha a me oferecer. 

 

Misturaram-se a frustração de um amor não correspondido às consequências de minha irresponsabilidade. Estou aqui, no início de mais um ano, sem saber o que fazer, sem ter a quem recorrer, cheia de decisões a tomar sem que possa pedir ajuda. São decisões que cabem a mim. Não há certo ou errado. E aí eu choro. O ar me falta, a cabeça dói. Algumas vezes perco o controle do corpo, noutras estou rindo e fingindo que está tudo bem.

 

Olhando de cima, tudo o que vejo são fraquezas. Fraturas expostas, tocadas, uma a uma. O que eu vivo são minhas fraquezas. O que não temo eu evito, o que me é seguro demais não me importa. Não sei se é algo significativo ou não, se enxergam minhas fraquezas como eu as enxergo. Eu só sei que eu não mudaria minha maneira de viver a vida. Talvez apenas umas coisa: essa minha mania de pensar demais antes de fazer. Isso é coisa de gente fraca.

 

(Texto sem sentido e sem revisão. quem liga? O blog é meu.Hunf.)

Olá!

Eu não morri. Não morri MESMO. É uma delícia poder dizer isso. Hahaha.

Estou passando por um momento de reclusão. Não, não num SPA. Na Campus Party. Sim, meu momento de reclusão “bloguística”  é, ironicamente, o meu momento de expansão social. Enfim, só não tenho postado mesmo porque ão consegui ainda organizar minhas idéias. É muita informação aqui, o tempo todo. Agora mesmo, estou a uns 6 metros da Samara Fellipo enquanto ela fala sobre como é ser uma celebridade blogueira. (Prometo não dar meu parecer a respeito).

Só dei uma passadinha no blog pra não deixá-lo morrer. Tenho esperança de que conseguirei postar mais depois. Contar das “arrobas” que conheci, dos micos que paguei, das palestras que assisti. Sempre bom, também, é falar das decepções que me acometeram. Senão, não seria eu. Hahaha.

E hoje meus novos olhos chegaram. Que delícia, parece que eu troquei a televisãozinha velha de 14” por uma LCD de 42”. Só que 24 horas, em todas as direções. ô diliça…

Volto qualquer hora dessas, com mais informações (des)interessantes sobre minha vidinha (cada vez mais) nerd. 😀

Beijinhos.

Reerguendo a cabeça

Things have changed for me and that’s ok
I feel the same
I’m on my way and I say
Things have changed for me and that’s ok
I feel the same and I say
(Well, things have changed for me
Come on everybody let’s dance and sing
I’m not saying it’s all my fault
Come on everybody just know the song and say)
Things have changed for me and that’s ok

A música resume o atual estado de espírito 🙂
As coisas que precisavam ser ditas já foram. Eu já ouvi, eu já desabafei, ficar chorando não vai resolver nada. Então é isso. Hora de correr atrás do prejuízo e ver qualé a da vida. Talvez ela decida parar de me chicotear. (Se não decidir, fuck off. Sou masoquista mesmo…).

Things have changed for me, but I’m ok. E vamo que vamo, botar os projetos na roda, dar a cara a tapa e seguir em frente que o ano ainda nem começou!

(MUITO obrigada à galera que me apoiu. MESMO. Não sabia que tinha tantos leitores – tanta gente que sabe de quase tudo que se passa aqui e, talvez por vergonha, talvez por preguiça, talvez por educação (whatever) nunca se manifesta. Mais que leitores, cada vez eu tenho mais certeza de que posso chamá-los de AMIGOS. As pessoas certas sentirão e saberão que é delas que estou falando, sure? Obrigada pelos emails, directs, sms, bate-papos no gtalk e no msn, e, acima de tudo, por se preocuparem comigo às vezes mais do que quem me conhece e convive diariamente. Beijinhos!)

Quarta-FAIL

Perfume, maquiagem, roupa bonitinha,  cabelo ok, cheirosinha, tudo como manda o figurino. Aliás,  o figurino não manda nada, é só que eu gosto de me arrumar. Oito horas em ponto (eu sei, pontualidade é a virtude dos fracos!) eu estava lá, conforme o combinado. Sorriso no rosto, matando as saudades acumuladas em duas semaninhas de distância – o que é muito pra uma solitária carente como eu.

Daí foram conversas legais, conversas chatas, tristezas e alegrias lançadas à mesa entre nachos, batatas fritas, pints, coca-cola, caipirinhas, Marlboros, LA’s e mimimis. Por dentro, desde o início, a promessa era não demonstrar a tristeza, não expelir fumaça nem ingerir álcool. Não foi cumprida. De novo eu me via no meio de muitas pessoas, fissurada por um celular que não dava sinal de vida. Porque eu sou burra, claro, e eu fiquei esperando o celular dar sinais que (meu coração me dizia com propriedade e razão) ele não daria.

A tentação ao lado – a GRANDE tentação – sem que eu sequer olhasse pra ela. Já sem muito equilíbrio – entenda-se aí físico e emocional – decidimos que era hora de ir. E, talvez por alguma palavra mal utilizada por alguém, simplesmente surtei. Surtei por aquilo que estava engolindo a noite toda e que todos ali sabiam o que era. Tropeçar, balançar, perder o rumo, tudo isso era fichinha perto da salada de emoções que estava dentro de mim. Aí o celular vibrou.

O mesmo mimimi de sempre. Aquela coisa que a gente ouve e sabe que não é de coração. Lágrimas guardadas pra mais tarde, ódio infinito queimando no coração. Balanço: Alguns cânceres, caipirinhas e mais uma noite de solidão e desespero. Tory, no banco da frente do carro que eu, em meu estado, nem consegui identificar qual era antes de entrar, soltou tudo que havia a se dizer: HE SUCKS.

No metrô, sozinha, constrangida pelo vexame que meus excessos permitiram vir à tona e nervosa pelo fato de ser tratada feito uma babaca, apelei ao amigo distante. SORRISO, foi o que ele disse. Sorriso, eu tenho que lembrar do sorriso sempre. Bonito, todo me parece bonito.  Tory tentou me mostrar que eu era especial, também ao celular. Não me acho especial, não me fazem sentir assim. Mas aceitei o carinho. Ao chegar em casa, destruída, Daniel fechou minha noite. “Nessa situação, SORRISO não serve. Tem que ser GARGALHADA“. Um “tô com vc aí, viu? =*” nunca foi tão importante pra que eu conseguisse dormir. Nunca mesmo.

E hoje tem exame, sexta também, e, se possível, Jumbo Elektro. Ou #baladaloka, que a Bottan e o Jreige me deixaram cheia de vontade de ir.

Agora eu vou é deitar, que é um sete na prova ou mais um ano de Teoria da Comunicação pela frente.

META PARA 2009: Menos inocência, mais atitude.

Barcelona

 

Engraçado. Dia desses alguém me passou o link pro download da trilha sonora completa de Vicky Cristina Barcelona. Eu nunca tinha procurado, mas não hesitei em clicar quando recebi. O filme, que eu achei realmente muito bom, tem uma trilha bem marcante, reparamos já no cinema, mesmo que ainda inebriados pela imagem de Javier Barden, Scarlet Johansson e Penélope Cruz na mesma tela. Foi encanto imediato, total. Só que baixei, descompactei e esqueci de ouvir. É, culpem essa maldita correria pós-uma-prova-pré-outra.

Daí que hoje, passeando pela minha pasta de músicas – que anda, por sinal, catastróficamente depressiva – eu trombei, de repente, com a pasta Vicky Cristina Barcelona Soundtrack“, dizendo “Oi, amiga, lembra de mim aqui?”. Confesso que não lembrava. Mas coloquei pra reproduzir. (Pausa pra respiração.)

Êxtase total. Primeiro de Dezembro, o início do fim. A noite em que vimos o filme, as minha sensações de agora, as minhas sensações anteriores, tudo se misturou dentro de mim. De repente, eu estava lá no escadão da Gazeta, Brunos ao meu lado, Tory atrás de mim, Clarinha e Francisco num canto, cabeça do Hugo no meu colo, levando cafuné. Violões ao fundo. “Barcelona”, de Giulia y Los Tellarini.

A minha angústia, mesmo com todos os amigos a minha volta, esperando a ligação dele. O olhar cansado do Bruno Mancini, que, sentado ao meu lado, dizia querer estudar mais. “Quero aprender mais.”. Contando sobre os planos de mudar de curso enquanto eu, entre uma olhada e outra no celular – que eu fingia me atrair pela hora, mas, na verdade, atraía pela ansiedade. Bruno Guerrero anunciando, especialmente pra mim, que o Ricardo Cruz se juntaria a nós. Aquele misto de empolgação e retração invadindo meu corpo enquanto eu implorava a Deus por um sinal de vida daquele que eu tanto queria ver, antes que a tentação chegasse. “Your Shining Eyes”, Biel Ballester Trio, Graci Pedro, Leo Hipaucha.

Meu celular que, definitivamente, não tocava. Todos cansados, com sono, estressados com os resultados da faculdade, que, aos poucos, estavam aparecendo: alguns com muitos exames a fazer (coloquem meu nome nessa lista), outros com nenhum. Aquela melancolia de fim de ano, o que foi ruim, o que foi bom, como todos viemos parar aqui. “Vamos para o padabar?”. Telefone tocou. Não o meu, o da Tory. Capiau vindo nos acompanhar em nossa melancolia. “El Noi De La Mare”, Muriel Anderson & Jean-Feliz Lalanne

Todos em pé, prontos para partir em direção à padaria, logo ali na Brigadeiro. Então meu telefone finalmente toca. “Estou aqui na Joaquim Eugênio de Lima. Paro o carro em frente ao Top Center, pode ser?”. Pode. Claro. Poderia qualquer coisa, já que eu não aguentava mais as saudades. Olhei na direção da banca, o carro não estava lá. Levantei-me, despedi-me de todos. “Vamos conosco ao bar!”. Não podia. Não queria. Só queria um tempinho sozinha com ele. Os amigos compreenderam. “When I Was a Boy”, Biel Ballester Trio, Graci Pedro, Leo Hipaucha.

O carro parou em frente à banca, conforme o combinado. Entrei, nos beijamos, eu e meus olhinhos brilhantes, ele e seu sorriso doce. Parecia cansado. “Posso te roubar hoje?”. “Pode”. Fomos embora, sem ir a lugar algum. “Granada”, Emilio de Benito.

Deu uma volta no quarteirão. Parou o carro, olhou para mim e me beijou. Eu estava apaixonada. Trágico ou não, eu estava entregue, qualquer um que olhasse para mim perceberia isso. Trocamos poucas palavras e muitos carinhos. Era difícil nos vermos, eu tinha de ir embora logo. A sensação era a de que não podíamos perder um segundo sequer. Desabafos entre as sessões de beijinhos. Olhares abobados de menina apaixonada. Ah, aqueles olhos, aqueles cabelos, aquele abraço. “Senti tanto sua falta…”.O tempo passava rápido ali. Mais rápido que tudo.  “Entre Olas”, Juan Serrano.

A rádio avisou que passava das onze. Deu partida no carro. Dirigiu rumo à estação mais distante, comigo ao lado, ainda aos suspiros. A cada parada, um beijinho ou um carinho nas mãos. Olhares de lado. Cafunés. Sem que ele soubesse, eu pensava em como sempre quis aquilo. Como sempre quis aqueles carinhos. Como nunca tinha me dado bem daquele jeito com ninguém. Sem que ele soubesse, eu me apaixonava cada vez mais. Mostrou-me coisas que talvez nunca façam sentido algum senão pra mim – o caminho de sua casa, os enfeites da Avenida, as pessoas na rua, tudo parecia especial. E eu só queria estar lá mais vezes com ele. Muito mais. Acho que esse foi um dos momentos em que mais me perdi dentro de mim. Em que mais me entreguei ao sentimento. O trajeto entre os carinhos e a despedida. Mas acabou. “Entre Dos Aguas”, Paco de Lucia.

Acabou. Já estávamos há tempo demais parados na vaga de descarga, na porta do metrô. Passou da hora de ir embora. Eu hesitava: quando pensava poder sair do carro, um suspiro de qualquer um dos lados me colocava de volta pra dentro, beijando aqueles lábios enquanto o mundo lá fora desmoronava. É, chovia lá fora. E não nos importava nada. Uma buzinada. Soltei-o, abri a porta e fui embora. “Te amo”, teria dito, mas preferi calar. “La Ley Del Retiro”, Giulia y Los Tellarini.

Andar nunca foi tão engraçado. Sentia-me flutuando. Minha boca ainda tinha o gosto dele e eu queria mais. Não pensava em nada além dele. Queria saber o que tínhamos, mas também não queria saber de nada. Entrei no trem, sentei-me, segui viagem pensando nos és e nos nãos da minha vida até então. Nas frustrações que havia tido, nas que ainda podia ter. “Onde você estava, que não te encontrei antes?”, mandei por sms. “Eu estava aqui o tempo todo, só você não viu…”. Retrucar com Pitty é covardia. Derreteu-me. Chovia, eu tinha de correr pra casa. Tinha de ser natural. Estava sendo. Mas aquele cheiro ainda estava em mim… “Gorrion”, Juan Serrano.

Minha parada. Desci a rampa, na chuva, correndo. Meia noite e dez. Àquela hora meu pai já deveria estar surtando no carro. Minha irmã tinha vindo com ele. Estava no banco da frente. Entrei atrás, acomodei-me. Sem que tivesse controle, saiu de mim um suspiro e um sorriso no canto dos lábios. Tainá virou para trás na hora. “Está apaixonada, Ni?”. “Não, não estou não, impressão sua. Impressão sua… Vamos logo”. “Big Brother”, The Stephane Wrembel Trio.

Os cinco minutos a caminho de casa foram tensos. Não queria que ninguém soubesse da minha paixão. Ninguém. Fiquei calada. Já em casa, corri para o quarto. Um bom banho quente, um café, e eu já estava pronta para deitar. Não para dormir. Muito para mim, se querem saber. Não sei lidar com sentimentos. Passei a noite virando de um lado para o outro na cama, como se faltasse algo lá. E faltava. Estava mais claro do que nunca. O grande problema é que parecia faltar só pra mim. Eu e minha cabeça criativa: já fantasiava não-correspondências, abandono, imaginava não ser tão querida quanto queria. Mandei mensagem. Escrevi. Desejei um cigarro, desejei a morte, chorei. Eu sou assim, cheia de altos e baixos, quentes e frios, secos e molhados de uma hora para a outra. Quando vi, passava das três da manhã. Pesaram-me minhas responsabilidades, minhas alegrias, minhas tristezas. Odiei-me por ter entregue tão rápido meu coração nas mãos dele. Odiei-o por ter parecido não querer nada além do meu corpo. Odiei as faculdades, por não estar ainda de férias. Odiei o espelho e o relógio, que me diziam que era tarde. E então, de repente, eu já não estava mais ali. Então já era outro dia. “Asturias”, Juan Quesada.

Engraçado como os dias, mesmo os mais grandiosos, são pequenos: cabem num CD.

Dancing Queen

You can dance, you can jive, having the time of your life
See that girl, watch that scene, dig in the dancing queen

Friday night and the lights are low
Looking out for the place to go
Where they play the right music, getting in the swing
You come in to look for a king
Anybody could be that guy
Night is young and the musics high
With a bit of rock music, everything is fine
Youre in the mood for a dance
And when you get the chance…

You are the dancing queen, young and sweet, only seventeen
Dancing queen, feel the beat from the tambourine
You can dance, you can jive, having the time of your life
See that girl, watch that scene, dig in the dancing queen

Youre a teaser, you turn em on
Leave them burning and then youre gone
Looking out for another, anyone will do
Youre in the mood for a dance
And when you get the chance…

You are the dancing queen, young and sweet, only seventeen
Dancing queen, feel the beat from the tambourine
You can dance, you can jive, having the time of your life
See that girl, watch that scene, dig in the dancing queen

Saudades absurdas das minhas Dancing Queens. Foda não estar de férias, ao contrário do universo.

Telefone

Eu nunca gostei de telefone. Sempre aquela chatice, aquele blablabla de “Gostaria de estar falando com o dono da casa”, ou “Sou de ong X e queria que você contribuísse com …”. Hoje foi o dia da Revista Veja. 40% de desconto para estudantes. Ligou pelo menos três vezes (não estou exagerando) me oferecendo assinatura. Não quero. Ainda mais depois do cara da primeira ligação ter despejado meu nome completo, endereço, RG e CPF, do nada, no meu ouvido. Tive foi medo.

Telefone móvel eu tenho desde os doze anos e só me servia pra exibir por aí. Eu digo servia porque, nos últimos tempos, eu tenho utilizado-o até que consideravelmente. E nem é só pra atender ligações bizarras, como a de hoje – em que, no meio do casamento do meu tio, uma mulher do Ibope resolveu que queria fazer uma pesquisa sobre baladas universitárias comigo. É claro que não: agora eu tenho pra quem ligar e mandar mensagens. (Talvez eu sempre tenha tido, não sei).

Eu só sei que hoje eu vivo em função do barulhinho desse aparelho maldito chamado celular. Não me importa se é na hora em que eu esqueço ele no sonoro e ele me avisa que é hora de morfar, com aquele beep dos Power Rangers, ou se escuto o barulho dele vibrando sobre a mesa ou dentro da bolsa. O que me importa é que ele me avise que tem mensagem. A mensagem – ai dela! – tem que vir de alguém especial para que eu fique contente.

E, pelo menos por enquanto, ela não veio. Daí eu fico aqui, deitada, olhando para o celular. Meu sorriso depende disso. Deveria ser ruim… Mas não é. Não tem nada melhor que o aperto no peito e o friozinho na barriga quando … vrrrrruuuuum! Vibrou!

Ok, vibrou mesmo. Mas dessa vez era só um sinal de Bateria Fraca. FAIL.

Hot’n’Cold

Bom, é sexta-feira, e, como já lamentei a semana inteira no Twitter, vou passar o final de semana inteiro sozinha, trancadinha por aqui, enquanto meus amigos foram para Parati/Trindade. Até fiz planos de sair com alguém, mas, como previa, deu/vai dar errado. Ficar em casa aos finais de semana é ótimo: você começa a ler, ouvir músicas, pensar em todos se divertindo e – puf! – de repente descobre coisas lá de dentro de você que estão há um tempão querendo sair, querendo ser vistas, mas que você faz de tudo pra não ver.

Foi assistindo o clipe da Katy Perry, Hot’n’cold. Até então, nunca tinha parado pra reparar na letra. Hoje, cabeça vazia, a letra ecoou na minha cabeça; E aí eu vi. Vi que andei fantasiando demais, e que era hora de acordar. Aliás, falando com o Daniel foi que eu concretizei toda a idéia. (Pobre Daniel, tem me ouvido constantemente. Só por isso, já um santo.) Quando ele me mandou “acordar arrependida, mas não dormir com vontade“, matei a charada. Quer dizer, eu tenho essa mania idiota estúpida incrível de me permitir sentir tudo ao extremo. Não sei sentir nada pela metade, não gosto de ficar controlando, só me entrego. Ou é ou não é, ou faz ou não faz, ou quer ou não quer. Meio termo, pra mim, é coisa de quem não quer nada. Não, eu não aguento o clima Hot’n’Cold. Mas sou certinha, por mais que não pareça. E não, eu não gosto de acordar arrependida. O arrependimento me machuca, me faz sentir uma fraca.
Eu não gosto do modo como minha vida está caminhando, sabe? A verdade mesmo é que a culpa é toda do meu egoísmo. É egoísmo querer estar com alguém, querer esse alguém só pra você. Ainda mais eu, que estou sempre com aquele discurso de “relacionamentos pra quê?”.  Egoísmo. Ninguém nunca olha pra mim. Daí, durante seis meses alguém me demonstrou carinho sem que, em momento algum, eu correspondesse ou desse esperanças. Insistiu. De verdade, sabe? De mandar mensagem todos os dias nos últimos dois meses. E, um dia, sem que eu tivesse tido em nenhum desses seis meses sequer vontade de beijar aquela pessoa, ela se sentou ao meu lado, me deu o braço e beijou forte meu rosto. Passou a mão em meus cabelos. E eu senti naqueles braços um porto seguro. Entreguei-me a eles sem nem perguntar se eles ainda me queriam. E aí, quando dei por mim, já estava entregue. Ele mudado, sem reação, talvez. E eu, boba, querendo mais e mais. Eu quero sempre mais. Ficando triste com supostos sumiços. Afetada todos os dias pela sensação de abandono – mesmo quando o abandono não existia. Tudo bem, tem certas coisas que não convém serem ditas aqui no blog, mas que são certas. Fatuais. Essas magoam ainda mais, porque não posso questioná-lo sobre isso. Também não posso questionar ninguém. Mas eu tenho a certeza, e ela dorme comigo todas as noites. Queria agir com frieza, a frieza necessária. Mas estou sendo egoísta.

O Francisco me falou algo que é bem verdade. Tenho o defeito (qualidade?) de, quando necessário, excluir em segundos alguém da minha vida. Posso sangrar, pode doer, mas a pessoa sofre mais. Sim, porque é rápido, e cruel. Não há nada mais cruel que o desprezo. O ser humano não aceita ser ignorado. Ele me lembrou que eu sou capaz de ter o controle sobre as coisas. Vou cortar esse clima “hot then you’re cold, You’re yes then you’re no, You’re in then you’re out, You’re up then you’re down, You’re wrong when it’s right, It’s black and it’s white, We fight we break up, We kiss we make up” e vou viver no meu estilo. E aí, as pessoas decidem se ficam ou não na minha vida, enquanto faço minha parte – que é vivê-la. Eu sei que a responsável pelas minhas alegrias e tristezas sou só eu. Então chega de delegar esse poder a outros.

(Sempre falo muito e, no fim, não falei nada)

Sobre Heloísas, Bentinhos e Tweets desesperados

“A imaginação foi a companheira de toda a existência, viva, rápida, inquieta, alguma vez tímida e amiga de empacar, as mais delas capaz de engolir campanhas e campanhas, correndo.”

Dom Casmurro, Capítulo XL

Daí que, assistindo Capitu, passou pela minha cabeça de novo algo que sempre passa quando leio Machado de Assis. É, eu não sou tão Heloísa quanto espalho por aí. Quer dizer, já matei um ou outro por ciúme e tenho em minha lista mais umas duas ou três que não escaparão, mas, ah, isso é tão normal. Posso até ser, na verdade, não sei. Mas o fato é que, ciumento por ciumento, eu estou muito mais para Bentinho.

Queria ser Capitu. Com os olhos de cigana oblíqua e dissimulada. Sim, aqueles olhos de ressaca. Aquele poder de mexer com um homem, de enlouquecê-lo, de fazê-lo servo. Mas eu sou Bentinho. O que consigo mesmo é me entregar, de repente. De repente, porque a situação sempre está ali por um bom tempo antes que eu a note de verdade. E aí, depois da entrega, resta criar em minha cabeça situações que podem ou não existir. Fantasiar o tempo inteiro que não sou boa o suficiente (e o que é ser boa o suficiente?), que alguém melhor vai levar o que é meu embora. E me corroer, sangrar, morrer por dentro. Sem fazer mal a ninguém, a não ser a mim mesma.

Mas nem todo mundo é assim. Minha irmã, hoje mesmo, mostrou que é muito diferente de mim. E foi dela que tirei a maior lição do dia. “Ele já disse ‘eu te amo‘ alguma vez?”, perguntou-me enquanto almoçávamos. “Sim. Quer dizer, isso foi antes de ficarmos, mas…” – nem me deixou terminar. “Se ele disse ‘eu te amo‘, acredite. Você só precisa acreditar. Não ficar inventando milhares de possibilidades ridículas dentro da sua cabeça e enchendo o saco dele” (Ela ainda complementou com um “e nem adianta me olhar com essa cara de cachorro morto, é isso e ponto!”). Tudo bem, foi um tremendo desabafo (ela tem um namorado tão Bentinho quanto eu), mas não deixa de ter razão. O grande problema é que eu não tenho controle sobre isso (a ponto de minha irmã de 12 13 anos estar me dando conselhos maduros enquanto eu, aos dezoito, às vezes choro pelos cantos por me sentir mal amada).

Não consigo não imaginar coisas, nem deixar de acreditar cegamente em cada uma delas. Não consigo parar de encontrar evidências e torná-las cada vez mais reais. É, sou convincente. Não venço meus argumentos, nunca. E aí, o que eu faço? Eu corro pro Twitter. Pro lugar mais errado possível. E eu despejo tudo lá. Minhas mágoas. Minhas obssessões. Se estou vidrada, se estou bêbada, se estou infeliz, se estou amargurada, se não sinto nada… Não importa. Eu sou realmente uma personagem. Meu livro está escrito em parágrafos de até 140 caracteres, pra qualquer um que peça permissão para me seguir. Pois é, pois é, pois é. Perdi a noção do perigo, deturpei o uso de uma ferramenta interessante e, ainda assim, sou eu, no final, a vítima da tragédia. Sei que não sou a única a fazer esse tipo de coisas, mas dói por dentro, vez por outra, quando ouço algum comentário ou crítica fervorosa a usuários compulsivos como eu. (Mentira, não me dói nada. Se não gosta de ler meus posts, não me siga – simples assim!).

“Ora, há só um modo de escrever a própria essência, é contá-la toda, o bem e o mal.”

Capítulo LXVIII

No fundo, acho que seria menos feio ser Heloísa. Extravasar, gritar, esfaquear, correr atrás, enlouquecer. É, certamente. Mas eu só sei ser assim, quietinha. Cada descoberta (ou criação?) é uma nova punhalada que dou em mim mesma. Cada vez que encontro uma pista, meto-me mais pra dentro de mim. E eu não consigo (ou não quero, quem sabe?) mudar. Eu só sei ser assim, não sei dissimular nem esconder o que penso. Não tenho porque viver de meias verdades, ou dizer somente o que os outros querem ouvir.

Eu sou insuperavelmente piegas, possessiva, ciumenta, carinhosa e entregue. Mas não sou nada ingênua. Não sempre. A única coisa que me dá medo, de verdade, é essa minha mania Bentinho de me prender à minha versão da história. Sim, porque eu sinto que isso vai acabar me fazendo morrer sozinha. Não que eu tenha medo da solidão, não é isso. É só que eu acho-a desnecessária. (E que eu sonho ter alguém que, numa noite de frio, saia de debaixo do edredom, levante-se e calce em mim mais um par de meias, pra depois voltar pro quentinho da nossa cama e dormir abraçado comigo, trocando cheirinhos e um calor sem fim).

Mas o fim… Quem sabe do fim? Eu vou continuar escrevendo minha vida até o dia em que sentir que devo parar – ou até que a vida pare por mim. Bentinho ou  Heloísa, uma coisa é certa: eu me permito sentir, sem medo. E isso nem todo mundo consegue.

“Tudo acaba, leitor; é um velho truísmo, a que se pode acrescentar que nem tudo o que dura muito tempo. Esta segunda parte não acha crentes fáceis, ao contrário, a idéia de que um castelo de vento dura mais que o mesmo vento de que é feito, dificilmente se despegará da cabeça, e é bom que seja assim, para que se não perca o costume daquelas construções quase eternas.”

Capítulo CXVIII