Barcelona

 

Engraçado. Dia desses alguém me passou o link pro download da trilha sonora completa de Vicky Cristina Barcelona. Eu nunca tinha procurado, mas não hesitei em clicar quando recebi. O filme, que eu achei realmente muito bom, tem uma trilha bem marcante, reparamos já no cinema, mesmo que ainda inebriados pela imagem de Javier Barden, Scarlet Johansson e Penélope Cruz na mesma tela. Foi encanto imediato, total. Só que baixei, descompactei e esqueci de ouvir. É, culpem essa maldita correria pós-uma-prova-pré-outra.

Daí que hoje, passeando pela minha pasta de músicas – que anda, por sinal, catastróficamente depressiva – eu trombei, de repente, com a pasta Vicky Cristina Barcelona Soundtrack“, dizendo “Oi, amiga, lembra de mim aqui?”. Confesso que não lembrava. Mas coloquei pra reproduzir. (Pausa pra respiração.)

Êxtase total. Primeiro de Dezembro, o início do fim. A noite em que vimos o filme, as minha sensações de agora, as minhas sensações anteriores, tudo se misturou dentro de mim. De repente, eu estava lá no escadão da Gazeta, Brunos ao meu lado, Tory atrás de mim, Clarinha e Francisco num canto, cabeça do Hugo no meu colo, levando cafuné. Violões ao fundo. “Barcelona”, de Giulia y Los Tellarini.

A minha angústia, mesmo com todos os amigos a minha volta, esperando a ligação dele. O olhar cansado do Bruno Mancini, que, sentado ao meu lado, dizia querer estudar mais. “Quero aprender mais.”. Contando sobre os planos de mudar de curso enquanto eu, entre uma olhada e outra no celular – que eu fingia me atrair pela hora, mas, na verdade, atraía pela ansiedade. Bruno Guerrero anunciando, especialmente pra mim, que o Ricardo Cruz se juntaria a nós. Aquele misto de empolgação e retração invadindo meu corpo enquanto eu implorava a Deus por um sinal de vida daquele que eu tanto queria ver, antes que a tentação chegasse. “Your Shining Eyes”, Biel Ballester Trio, Graci Pedro, Leo Hipaucha.

Meu celular que, definitivamente, não tocava. Todos cansados, com sono, estressados com os resultados da faculdade, que, aos poucos, estavam aparecendo: alguns com muitos exames a fazer (coloquem meu nome nessa lista), outros com nenhum. Aquela melancolia de fim de ano, o que foi ruim, o que foi bom, como todos viemos parar aqui. “Vamos para o padabar?”. Telefone tocou. Não o meu, o da Tory. Capiau vindo nos acompanhar em nossa melancolia. “El Noi De La Mare”, Muriel Anderson & Jean-Feliz Lalanne

Todos em pé, prontos para partir em direção à padaria, logo ali na Brigadeiro. Então meu telefone finalmente toca. “Estou aqui na Joaquim Eugênio de Lima. Paro o carro em frente ao Top Center, pode ser?”. Pode. Claro. Poderia qualquer coisa, já que eu não aguentava mais as saudades. Olhei na direção da banca, o carro não estava lá. Levantei-me, despedi-me de todos. “Vamos conosco ao bar!”. Não podia. Não queria. Só queria um tempinho sozinha com ele. Os amigos compreenderam. “When I Was a Boy”, Biel Ballester Trio, Graci Pedro, Leo Hipaucha.

O carro parou em frente à banca, conforme o combinado. Entrei, nos beijamos, eu e meus olhinhos brilhantes, ele e seu sorriso doce. Parecia cansado. “Posso te roubar hoje?”. “Pode”. Fomos embora, sem ir a lugar algum. “Granada”, Emilio de Benito.

Deu uma volta no quarteirão. Parou o carro, olhou para mim e me beijou. Eu estava apaixonada. Trágico ou não, eu estava entregue, qualquer um que olhasse para mim perceberia isso. Trocamos poucas palavras e muitos carinhos. Era difícil nos vermos, eu tinha de ir embora logo. A sensação era a de que não podíamos perder um segundo sequer. Desabafos entre as sessões de beijinhos. Olhares abobados de menina apaixonada. Ah, aqueles olhos, aqueles cabelos, aquele abraço. “Senti tanto sua falta…”.O tempo passava rápido ali. Mais rápido que tudo.  “Entre Olas”, Juan Serrano.

A rádio avisou que passava das onze. Deu partida no carro. Dirigiu rumo à estação mais distante, comigo ao lado, ainda aos suspiros. A cada parada, um beijinho ou um carinho nas mãos. Olhares de lado. Cafunés. Sem que ele soubesse, eu pensava em como sempre quis aquilo. Como sempre quis aqueles carinhos. Como nunca tinha me dado bem daquele jeito com ninguém. Sem que ele soubesse, eu me apaixonava cada vez mais. Mostrou-me coisas que talvez nunca façam sentido algum senão pra mim – o caminho de sua casa, os enfeites da Avenida, as pessoas na rua, tudo parecia especial. E eu só queria estar lá mais vezes com ele. Muito mais. Acho que esse foi um dos momentos em que mais me perdi dentro de mim. Em que mais me entreguei ao sentimento. O trajeto entre os carinhos e a despedida. Mas acabou. “Entre Dos Aguas”, Paco de Lucia.

Acabou. Já estávamos há tempo demais parados na vaga de descarga, na porta do metrô. Passou da hora de ir embora. Eu hesitava: quando pensava poder sair do carro, um suspiro de qualquer um dos lados me colocava de volta pra dentro, beijando aqueles lábios enquanto o mundo lá fora desmoronava. É, chovia lá fora. E não nos importava nada. Uma buzinada. Soltei-o, abri a porta e fui embora. “Te amo”, teria dito, mas preferi calar. “La Ley Del Retiro”, Giulia y Los Tellarini.

Andar nunca foi tão engraçado. Sentia-me flutuando. Minha boca ainda tinha o gosto dele e eu queria mais. Não pensava em nada além dele. Queria saber o que tínhamos, mas também não queria saber de nada. Entrei no trem, sentei-me, segui viagem pensando nos és e nos nãos da minha vida até então. Nas frustrações que havia tido, nas que ainda podia ter. “Onde você estava, que não te encontrei antes?”, mandei por sms. “Eu estava aqui o tempo todo, só você não viu…”. Retrucar com Pitty é covardia. Derreteu-me. Chovia, eu tinha de correr pra casa. Tinha de ser natural. Estava sendo. Mas aquele cheiro ainda estava em mim… “Gorrion”, Juan Serrano.

Minha parada. Desci a rampa, na chuva, correndo. Meia noite e dez. Àquela hora meu pai já deveria estar surtando no carro. Minha irmã tinha vindo com ele. Estava no banco da frente. Entrei atrás, acomodei-me. Sem que tivesse controle, saiu de mim um suspiro e um sorriso no canto dos lábios. Tainá virou para trás na hora. “Está apaixonada, Ni?”. “Não, não estou não, impressão sua. Impressão sua… Vamos logo”. “Big Brother”, The Stephane Wrembel Trio.

Os cinco minutos a caminho de casa foram tensos. Não queria que ninguém soubesse da minha paixão. Ninguém. Fiquei calada. Já em casa, corri para o quarto. Um bom banho quente, um café, e eu já estava pronta para deitar. Não para dormir. Muito para mim, se querem saber. Não sei lidar com sentimentos. Passei a noite virando de um lado para o outro na cama, como se faltasse algo lá. E faltava. Estava mais claro do que nunca. O grande problema é que parecia faltar só pra mim. Eu e minha cabeça criativa: já fantasiava não-correspondências, abandono, imaginava não ser tão querida quanto queria. Mandei mensagem. Escrevi. Desejei um cigarro, desejei a morte, chorei. Eu sou assim, cheia de altos e baixos, quentes e frios, secos e molhados de uma hora para a outra. Quando vi, passava das três da manhã. Pesaram-me minhas responsabilidades, minhas alegrias, minhas tristezas. Odiei-me por ter entregue tão rápido meu coração nas mãos dele. Odiei-o por ter parecido não querer nada além do meu corpo. Odiei as faculdades, por não estar ainda de férias. Odiei o espelho e o relógio, que me diziam que era tarde. E então, de repente, eu já não estava mais ali. Então já era outro dia. “Asturias”, Juan Quesada.

Engraçado como os dias, mesmo os mais grandiosos, são pequenos: cabem num CD.

Promessas de fim de ano

Acho que nem eu tenho noção do quanto mudei do começo do ano pra cá. Com o excesso de agitação no mundo real, eu acabei deixando minha vida virtual se banalizar completamente. Virou uma válvula de escape que saiu do controle,e, quando vi, twitter, blog, msn, orkut, tudo era muro das lamentações. Eu extrapolei os limites e, de uma forma ou de outra, por ter sempre muito a ler e/ou a fazer, virei uma usuária fútil daqui. Sabe, do tipo desprezível. A Ariane criativa, dinâmica, estudiosa, antenada, que até apareceu várias vezes esse ano! (vide a idéia do vitroleiros.org, às fotos e algumas saidas) deu lugar maior à Ariane mimimizeira e ranzinza que fica o dia todo falando muito e fazendo pouco por si mesma. Quero e vou mudar isso. Segunda-feira é minha última prova, teoricamente (não sei se pegarei exames ou recs, enfim), e eu pretendo mudar de vida (não, eu não largarei minhas contas em lugar nenhum e nem pretendo deixar de ser eu mesma nelas – vou ser como sempre fui!): fazer layout decente pro blog, procurar emprego, estudar mais e melhor (é, vou trancar a usp e voltar só depois de terminar jornalismo!), sair mais, viver um pouco além do que a internet me leva. Sim, porque, numa conversa de bar esses dias, descobri que tudo que tenho começou aqui.

Essa é uma daquelas promessas (ou um daqueles planos, anyway) de final de ano. Mas não é daquelas que a gente faz e joga no limbo pra um dia falar “Putz! Já quis fazer isso um dia!”. Não, essa é uma das que começo desde agora a cumprir. Quero fazer o que me dá prazer, descobri relendo Cibercultura para uma prova de Teoria da Comunicação. Não vou explicar aqui as coisas que passaram pela minha cabeça, só o que preciso dizer é que, como diz minha mãe, se eu gosto tanto de uma área, se vivo dela e para ela, então por que diabos eu não vou trabalhar com ela? É, dessa vez tenho o apoio da minha mãe. E que venha o fim de ano, o Natal, perder peso, arrumar emprego, comprar uma câmera, desencalhar (carência mata, mano!), e, por hoje, aprender tudo sobre cibercultura porque amanhã tem a prova da minha vida. OI? hahaha.

É, eu vou viver um dia de cada vez, como sempre fiz. Mas não posso deixar de pensar no futuro, não.
Porque eu quero poder olhar pro passado e me sentir feliz, como me senti hoje.
E não dá pra ser feliz olhando pra um passado inútil ou vazio…
Por enquanto, o mantra ainda é #TVP…

Missão cumprida

É, ou não. Ainda faltam muitas, mas tá tudo correndo bem – o que já é um alívio. 
Terminei o trabalho de História Oral à tempo, assisti às enrolações aulas, falei com a Florzinha.
Essa terça eu me recuso a ir pra USP, estou cansada, acabada, tenho mais coisas pra fazer. Enfim, a vida vai indo, sempre vai. Na medida do possível, estou atualizando até aqui, mesmo estando completamente fudida sem tempo.

 

A saúde já era, foi embora. Mas também, já tô querendo demais, né? Enfim, umbeijomeliga que eu vou dormir.

 

AH! Paguei o domínio novo! Acho que essa semana tá tudo pronto! MUAHAHAHAHA

História Oral e Memória

O que ele quer? Eu ficaria feliz com apenas um depoimento, mais nada. Sem introduções, análises ou conclusões.

Eu perguntava pra ela “Mãe, o que que o papai falava pra senhora quando ‘cês namoravam?”
E ela respondia: “O que que ele falava… Que ele me amava muito”.
“É, mãe?”
“E depois ele falava que se ele lavasse meus pés e eu mandasse ele tomar a água, ele tomaria…”

Coisas do século passado… ou não.

 

 

Aliás, ando sentindo uma falta estranha de passados que não vivi.

Sexxxta-feira!

 

 

 

 

Dia de correr com o projeto (deadline é segunda, oi?), tem ensaio aqui em casa mais tarde, à noite tem “luau” na casa da Tory, e eu ainda tenho vinte mil trabalhos pra entregar segunda-feira! Nem ligo!
Tô aqui susse na correria. Enquanto eu tô por aí entoando meu mantra (TVP TVP TVP!!!!) assistam o vídeo e vão procurar o que fazer (mentirinha, adoro todo mundo! haha).
 

(Sensacional, man!)

Beijão.

Sobre ideologias e picaretagem

 

 

 

 

 

Didn’t teach me how to love
They say they have their reasons
All coming from above
You can forget the seasons inside your factory
There’s one thing they can’t teach you is how to feel free
And stand alone in a beautiful world
We have to respond…
Schools are prisons
Forget the seasons

Schools are prisons
Schools are one of the reasons for this waste of the spring
And where to begin 
Outside or within
It took the best years of my life
And made it so I couldn’t decide

Statistic as in prisons
Statistic as in life

Schools Are Prisons, Sex Pistols

 

Beatniks, Hippies, Punks, Grunges e alguns minutos de discussão depois… 

“Parabéns, meninos, aprendi muito hoje. Deram aula melhor que eu!”

Valeram a correria,  o estudo, a dedicação e até alguns dos infortúnios, sinceramente. É verdade que ouvir isso de alguém que dá aulas baseado na wikipédia  costuma ser bem crítico nem foi tão legal assim mm1…

 

NOT!!! :B foi sim. loko

OK , OK, Voltarei ao trabalho. As coisas estão correndo bem, sim… Bem! =)

Logo menos eu volto pra contar a história, com direito a novidades! :B

 

ps: Saudades incríveis da minha Florzinha. É, a correria não me dá tempo nem pra ver meus amores.

Semelhanças irônicas

 

O pior de ver Eu e As Mulheres é, com certeza, a minha maldita memória associativa. O Adam Brody é a cara dele. Pior, o personagem, Carter, tem tudo daquele maldito. As roupas, o modo se se mexer, o jeitinho blasé. Se eu tenho fugido de ir à faculdade, de ir ao pub (ou qualquer outro tipo de evento) com os amigos só pra não ter que vê-lo, por que demônios o personagem principal do meu filme favorito tem que ser IGUALZINHO a ele? Assim, fisicamente? De você olhar às vezes e não saber se é o Adam Brody ou ele ali, naquela Samsung de 42” à sua frente! Shit. 

“AHHHH, Ari! Por um desse eu secava rapidinho” 

FREITAS, Débora Cavalcante Queiroz de.

Eu até secaria, se eu soubesse que assim ele olharia pra mim, de alguma maneira. Mas sei que não. Então continuo aqui. Gordinha. Vendo filme, lembrando dele e evitando-o na faculdade, no msn e no orkut. É infantil, eu sei. Mas eu preciso esquecê-lo. Somos muito iguais às vezes. E somos completamente diferentes. [São dois anos nessa paquerinha besta em que eu fico olhando e flertando, mas sempre esqueço que estamos separados por uma daquelas paredes em que eu o enxergo, mas ele, ao olhar na minha direção, só vê a si mesmo, como se ali houvesse um espelho.]

E então, o que resta pra hoje é chorar com o filme, terminar a monografia e torcer pra que amanhã eu não me derreta ao primeiro olhar dele.

 

Notas mentais:

1. Não assistir In The Land Of Woman desacompanhada.
2. NUNCA deixar Carinhoso na lista de reprodução, pra evitar o incômodo dela tocar no shuffle e eu lembrar daquele dia.
3. Ele não vai me olhar, portanto eu não devo pensar nele.
4. “I’m trying to wake you up! There’s a big fucking world out there. It’s messy, and it’s chaotic, and it’s never, it’s never ever the thing you’d expect. It’s ok to be scared but you cannot allow your fears to turn you into an asshole, not when it comes to the people that really love you, the people that need you.” (WEBB, Carter)

 

 

A pergunta que não quer calar é: por que eu só olho pra quem nunca vai me olhar?
(E por que diabos ele tem que estar em tudo na minha vida? :O)

 

Ainda bem que minhas paixonites são só paixonites.

Automatic Flowers

Porque hoje o @willpubli me definiu melhor que qualquer um quando me mandou essa música. E eu acho muito digno registrar. 🙂

And Sara thinks she’s died here once before
She’s crazy
A pop-up book, of flowers from grade 4
Are driving her insane
No one knows why
She’s sad tonight
No one can help her find

Crying crying, she couldn’t afford the view
Crying crying, these automatic flowers won’t do

Another brick
Another window frames confusion
Her garden blooms
But Sarah can’t see straight
She’s drinking herself blind

No one knows why
She stares outside
No one can help her find

Crying crying, she couldn’t afford the view
Crying crying, these automatic flowers won’t do

She never admitted
She never considered
That she always means better
She’s wasting all her time

Crying crying, she couldn’t afford the view
Crying crying, these automatic flowers won’t do
These automatic flowers won’t do
Flowers won’t do

Não é legal como são as pessoas que a gente menos imagina que têm a melhor percepção ao nosso respeito?