Eles têm sempre a razão

de Vinícius e Tom:

haja o que houver
há sempre um homem para uma mulher
e há de sempre haver
pra esquecer um falso amor
e uma vontade de morrer
seja como for
há de vencer o grande amor
que há de ser um coraçao
como perdão pra quem chorou

E quem sou pra discordar?

O retorno

edit1b

Nos últimos dias, enquanto lia, tinha ímpetos de correr para o computador – não sabia bem o porquê. Depois de abrir email, reader, orkut e todas aquelas parafernálias online a que estou acostumada, sentia uma imensa insatisfação – também inexplicável. Desligava tudo e voltava, fiel, à leitura que inspirara o acesso.

A verdade é que o amor, quando amor, não passa mesmo de um conjunto de clichês. Por isso, ao ler romances, contos, crônicas, poesias, frases que remetam a esse assunto – estando apaixonada – acabava rolando uma identificação absurda. Aí corria para o mundo paralelo. E puf! “Ele” não estava mais lá. Nunca mais estaria, fui eu mesma quem o expulsou, ora vejam.

Foi a lição mais dura que tive nos últimos tempos: O amor só é bom quando é a dois. Ou não, que não falo aqui por todos os amores e amantes que existem (será que alguém tem noção de quantos são?), apenas por mim e pela minha maneira de sentir. Na minha situação, o amor só seria bom se fosse correspondido. Não era. Não era posse também – que isso o amor nunca é, quem disser que sim está confundindo.

Então, lá vou eu, de volta aos romances, às lágrimas. Soube, finalmente, que deveria curar o sofrimento. Que não era saudável. Que poderia ser evitado. Eu lembrei, depois de tanto tempo, o quanto isso é normal. Voltei às minhas companhias habituais. Papel, caneta, poucos e bons amigos de verdade. Música, literatura, poesia, fotografia… Com muito esforço, uma gotícula de amor próprio. Que sem isso é impossível conseguir.

E já não me sinto vítima de uma obssessão. Não. Agora meus sonhos mudaram, agora até dormindo eu consigo dizer não ao que antes não podia resistir. Sim, porque antes eu tomava o veneno sabendo do seu efeito nocivo – apenas porque o amor exigia de mim um segundo de êxtase mesmo que esse segundo viesse aliado a anos de agonia.

Curada não estou. Mas o processo de resguardo que precede minha cura agora é bem menos doloroso.

A velha Ariane voltou.
(A Ariane pré-babaca, pros que ainda não entenderam.)

Bukowskiando

20090113180603

“Sometimes you climb out of bed in the morning and you think, I’m not going to make it, but you laugh inside — remembering all the times you’ve felt that way.”

– Charles Bukowski

10 things we all must figure out for ourselves

1. Love – There is no official guide for falling in love, falling out of love, or dealing with the emotional intricacies of love. Love cannot be taught and it certainly cannot be forced.

2. Friendship – Some personalities simply click and others clash. Just like love, friendship is a natural process that cannot be forced.

3. Loss – At some point each one of us will experience a loss in life. It could be the death of a loved one, the devastation of personal belongings, or a vicious rejection in our career.

4. The Short vs. Long Catch-22 – There is a paradox found in various situations where we must choose between short-term and long-term fulfillment. It governs the path we take concerning our aspirations, desires, and available opportunities.

5. Self-Forgiveness – We all make mistakes. It is an inevitable element of being alive. Since we are undoubtedly our own toughest critic, we sometimes inflict unnecessary self-guilt on our conscious for certain actions we did or did not take.

6. Life Balance – Living a healthy, rewarding life involves the simple art of balance. We must balance risk vs. reward, family and friends vs. career goals, quantity vs. quality… the list could continue indefinitely.

7. Responsibility and Independence – Responsibility is not a quality instinctually instilled in all human beings. Some of us have to work really hard at leading a responsible life. The key is to realize that it is okay to assist someone, but the full burden of a responsibility should never be taken away from its owner.

8. Character Identity – “Who am I?” We all have to figure this out for ourselves. Character identity is incredibly difficult to define. We all have ideas in our minds of who we are, who we want to become, or how we want to live.

9. Betrayal – Dealing with betrayal usually sends a person on an emotional rollercoaster ride. There is no practical way of preparing for it because every act of betrayal contains a different set of variables. When it happens, we are usually left asking a series of questions.

10. Happiness and Success – Happiness is doing what you love, and success is excelling at doing what you love. Nobody else can tell us how to be happy or what to love.

(http://www.marcandangel.com/2008/03/02/10-things-we-all-must-figure-out-for-ourselves/)

Fundo do Baú – I

Achei no meu fotolog (da época em que ele era basicamente meu blog) e, de certa forma, meio que como um texto de auto-ajuda (nesse caso LITERALMENTE), resolvi seguir meus próprios conselhos. Os grifos são de hoje.

Em véspera de dia dos namorados vir aqui falar sobre amor parece até algum tipo de “protesto da encalhada”, confesso. Mas não vejo outra alternativa senão pôr pra fora aquilo que não sai da minha cabeça. Já no comecinho eu deixo avisado que pensem o que quiserem disso – desabafo, intriga, despeito, até inveja. Já pensei em todas as hipótese possíveis, mas descobri que não é nada disso.

Não, pelo contrário. São verdades – contestáveis é claro – mas verdades.
Eu descobri que não há coisa mais difícil do que encontrar alguém pra nos completar hoje em dia. Parece que tudo banalizou, mudou de tal forma… E embora eu não seja ‘velha’ suficiente pra dizer que ‘no meu tempo não era assim’, eu vejo com muita tristeza que do meu nascimento pra cá as coisas deram aquela guinada de quase uns 180º – e isso me assusta! Talvez pela maneira ‘conservadora’ (?) como fui criada, não sei. Não julgo mal, por exemplo, as pessoas que conseguem sair ficando com qualquer um por aí (não, às vezes até admiro!), ou apegar/desapegar facilmente … Admito que também não sou fácil de lidar, com toda essa minha inconstância, essa mania de enxergar as pessoas como elas são e não fingir gostar como muitos fazem, nem mesmo me deixar mudar por alguém… É, eu sou uma pessoa difícil de lidar (e talvez por isso tenha me conformado com o fato de estar sempre sozinha…). Se é trauma ou não, eu não sei.
Do comecinho desse mês pra cá eu já entrei em mil e uma paranóias – coisa que nunca tive na vida, incrível – do gênero “Oh, meu Deus, vou passar o dia dos namorados sozinha!”. Confesso – fiquei mal, chorei, deprimi… Mas quando parei pra pensar de verdade sobre isso, a única coisa que consegui fazer foi rir de mim mesma. Como pode? Nunca tinha me perguntado o porquê de eu estar sozinha (acho que muita gente faz como eu: simplesmente acaba se achando o maior lixo do mundo e se culpando eternamente). Pois bem, perguntei à mim mesma: “Por quê?”. A verdade estava bem ali, ao lado. Coisa que eu falo pra tanta gente na hora de consolar e quase nunca lembro de aplicar à minha vida. Eu estou sozinha porque EU não me permito estar com ninguém. Porque eu espanto qualquer alma viva que se aproxime, com medo de me apegar. Porque eu escolho sempre aquelas pessoas que considero “inalcançáveis” (o nome já diz tudo). E quando, caso aconteça, um “inalcançável” passa a estar ao meu alcance, eu encontro um milhão de defeitos para não estar com ele. Eu fujo de relacionamentos. Se é trauma, medo, o que é eu não sei. Mas eu só consigo gostar de uma pessoa – há longos 6 anos (quase 7 já!) e me conformo por nunca ter sido querida por ela.
Tá, tá, eu enjôo, eu boto defeito, eu critico, eu não aceito relacionamentos (a não ser quando são à distância ou EXPRESSAMENTE proibidos pelos meus pais), então POR QUE DIABOS ESSA CARÊNCIA TODA? Simples… é do ser humano essa necessidade de receber carinho, de se sentir querido, de poder trocar calor… é humana… e eu sou humana (por mais que odeie essa raça ¬¬). Eu não sei ter um relacionamento ‘aberto’, um algo que não seja sério. E eu não quero nada sério, porque não quero me prender à ninguém agora – estar presa à outra pessoa me irrita! Por mais conservadora que eu seja, por mais “BV” que eu seja (hahaha =X), por mais “santa” que me considerem nos grupos (afinal, até hoje eu sempre fui considerada a menos experiente em todos os grupos aos quais pertenci), por mais que haja fatores que me fazem chegar àquelas conclusões bizarras do gênero “homem nenhum presta”, ISSO TUDO NÃO É FATOR FIXO! Isso tudo é variável! Depende de mim. E não é só comigo, não. Descobri que tem MUITA gente que sofre tanto quanto eu do mesmo mal (ou de males parecidos). Enfim, o segredo é não precisar de ninguém pra ser feliz! Enquanto você não for capaz de ser feliz sozinho, não encontrará outra pessoa pra ser feliz com você. Depender dos outros não vale a pena – isso eu sempre soube.

Enfim, falei um monte de baboseiras. A conclusão – nada a ver agora hein! – é que é difícil encontrar alguém que pense da mesma maneira que nós. Sempre. E por isso, vocês que têm namorado, aproveiteeeem! Não só amanhã, essa data comercial, mesquinha, presa à tradições tão pouco interessantes… Aproveitem cada segundo, cada instante, com demonstrações de carinho, com afeto, compartilhando idéias, fazendo aquilo que se tem vontade ao lado daquele que gosta. Não há nada melhor que amar e ser amadooo, aquele amor platônico que nem chega a ser amor, aquela paixãozinha adoescente que acomete não importa a idade… aproveitem…!
Pra quem está sozinho (e eu me incluo agora!), aproveitemos também! À nossa maneira, curtindo aquilo que a solteirice proporciona, sem ficar procurando desesperado por alguém. Na hora certa alguém aparece. E NEM PENSE EM DIZER QUE A SUA HORA JÁ PASSOU. Ninguém sabe qual a hora certa (e é aí que está a graça – quando menos esperamos: puf! surge alguém).

Claro que não tenho mais 16 anos, que o que eu quero agora é bem diferente do que queria naquela época. Mas a verdade é que os grifos – o principal – dizem tudo que eu precisava ouvir agora.