Lisbela

De novo o sinal. De novo o “Próxima Estação: Vila Mariana”. Eu já reparei que aquele turbilhão de pensamentos que começa a me incomodar quando estou com ele resolve se organizar quando eu chego na estação Santa Cruz.

É sempre a mesma coisa. Sempre a mesma vontade de entender o que não dá pra descrever. E o pior é que me divirto com isso.

Às vezes eu acho engraçado, sabe? Eu não acho normal ficar fazendo perguntas pra ele na hora em que estamos… cheios de carinho. Mas, ao mesmo tempo, eu não consigo segurar algumas. Sinto-me uma menina boba, ingênua. Às vezes sinto que estou fazendo papel de idiota. Mas não consigo não fazer. Não consigo deixar, não consigo não parar pra pensar no que tá rolando. É difícil.

Às vezes eu me sinto uma criança. É. Eu, que na maior parte do tempo fico filosofando e criando teorias, de repente só me vejo capaz de fazer perguntas. E perguntas tolas, perguntas inocentes, infantis. Coisa que ninguém, jamais, perguntaria literalmente a alguém, sabe? E eu pergunto! Eu solto as minhas dúvidas como se as pessoas fossem obrigadas a saber respondê-las. É um impasse: ou fico calada e parece que estou sendo, sei lá, debochada, desdenhosa, ou pergunto e fico parecendo uma criança. Ultimamente tenho preferido parecer a criança. Tenho fugido de me esconder. Sempre fui assim, aliás. Não sei porque nos últimos tempos tive tanto medo de me mostrar. Talvez fosse medo de perdê-lo. Mas eu não vou perder. Eu sinto isso.

Sinto que na verdade nem o tenho pra mim. Na verdade eu não tenho o homem em si, tenho os momentos que passo com ele. É isso. Isso é tudo, tudo que me pertence. E isso nunca ninguém vai tirar de mim. Nunca. Ele vai, mas os momentos continuarão sendo meus.

“No dia em que alguém me disser o que temos, dou um troféu a ele”
“Isso te tortura, né?’
“Muito”
(olhares, mimimis e carinhos)
“Eu só me pergunto: É bom ou não? Se é bom, aí eu não ligo”
“Eu não. Se é bom é que eu me preocupo. Eu sou egoísta. Se acho bom, quero prolongar o quanto puder… E nunca, nunca o que é bom dura muito pra mim…”
“Aaaaaaaaaaaah, como ela é otimista… otimista, otimista.”
“Eu nunca disse que era otimista.”

Acho que estou aprendendo a lidar com essa situação. Com essa entrega incompleta. Como se houvesse um elástico, não sei. É, um elástico preso num ponto fixo, no centro da minha vida. E quando eu vou muito longe, ele me puxa de volta ao meu lugar.

A minha felicidade não é ele, não pode ser ele. É sim feita dos  momentos que tenho com ele – porque isso eu posso ter com outras pessoas, eventualmente. Bom, eu sei que nada dura pra sempre com ninguém. Queria parar de pensar no amanhã, sabe? Pelo menos por um segundo… Conseguir pensar só no agora, curtir só o que tá acontecendo. Queria só ser feliz, mas eu não sei. Eu não sei ser assim.  Desde pequena, o futuro sempre me fascinou muito. Eu só espero não perder meu presente pensando no que vai acontecer depois . (por ficar olhando demais pra frente.)  Ahhhh…

Eu devia ter mais dificuldade pra dizer “Eu te amo”. É. Por que dizer “eu te amo”? Acho que isso é uma coisa que eu posso guardar pra mim. A menos que eu goste de ficar com cara de boba, quando digo “eu te amo” e ele só sorri e destrava a porta do carro para que eu vá embora logo. Sempre há horários, compromissos, sempre há alguma coisa entre nós. E quer saber a verdade? É melhor assim. Essa é a primeira pessoa de quem eu não enjoei após um dia junto. Vai ver é isso. Vai ver é isso que me fascina nele: o fato dele saber “não estar nem aí” nas horas certas. Porque quando as pessoas realmente estão completamente na minha, a única coisa que sei fazer é olhar pra elas e dizer “Tchau, tchau, não é isso que eu quero”. Pode ser. Pode não ser. Quem liga?

Cara, devia ser proibido ficar viajando depois de um tempão maravilhoso com alguém que amamos, sabe? Devia ser proibido pensar! Sei lá, é engraçado. De repente eu me vejo sem conseguir completar um raciocínio, eu penso numa coisa – e ai já vem outra, e outra, e outra… e eu não consigo parar, e ao mesmo tempo eu não posso parar.É muito estranho. Mas eu não trocaria estar com ele por nada no mundo.

Seria piração se eu dissesse que tudo que eu queria agora era deitar a cabeça no colchão – assim, no colchão mesmo, sem travesseiro – ficar totalmente estirada e dormir? Dormir e sonhar com tudo que aconteceu, porque eu preciso que isso se refaça na minha cabeça – eu ainda não consigo acreditar. Eu não sei, eu me perdi, sabe? Num dos momentos com ele. Em alguma hora ali, eu me perdi. E eu não consigo me recompôr. Não consigo. Tudo o que eu queria era que isso passasse logo. E que não passasse nunca.

Nossa Língua Portuguesa, que eu tanto prezo, vai me perdoar dessa vez. Isso é a transcrição fiel de uma piração que tive no metrô hoje, no caminho de volta pra casa. Não estou em condições de decidir se deve permanecer aqui ou não. O fato de eu ter gravado isso em público deixa claro que não estou em estado normal. Só me dei conta agora. Então eu vou. E depois eu volto. Ou não. Sempre tem essa opção.

Casais

Cheguei meia hora antes do combinado. O amigo, quase meia hora depois. Nesse intervalo de uma hora que passei sozinha, só consegui reparar numa coisa: Casais. Muitos casais.  Heteros, homos, baixos, altos, monocromáticos, coloridos, casais. Alguns conhecidos, inclusive. E outros que eu faço questão de nunca conhecer. Sem falar nos casais novos (aqueles que demoram até pra pegar na mão) e nos casais que supostamente moram longe – hoje eu cansei de ver beijos de despedida. Teve até ex-namorado passeando com a namorada nova (encontro constrangedor, diga-se de passagem. Nessas horas, reverências à aliança de prata no meu anelar direito!). 

Tive certeza que todo mundo tem sua metade.  Lembrei da minha solidão constante, lembrei do tempo gigante que passei sem ninguém, praguejando contra cada casal que passava à minha frente. Ri de mim mesma por um instante quando uma reminiscência me levou a um passado próximo em que eu dizia que “casais são a coisa mais ridícula do mundo. Nunca entendi por que tanto mimimi. Não quero isso, nunca”. A gente cospe pra cima e o bendito vem direto na nossa testa. Senti aquela saudadezinha apertar o peito. Segurei. Tentei ser forte. Não deu. Peguei o celular e nem precisei discar. Ultimamente, aquele era o único número na lista de chamadas recentes. Demorou para completar, estava no metrô, pouco sinal.

 

 – Oi… Amor?
– Você vai me achar uma louca se eu te disser que liguei só pra falar que te adoro?
– owwwnnn
 – É. Eu adoro.

 

A ligação caiu. Fato: sou louca. Mais tarde, uma mensagem preencheu o que faltava.

E eu segui minha noite, tentando não reparar mais nos casais. Acho que, de uma forma ou de outra, faço parte deles agora. Por mais que indiretamente. E não queria ter de sentir a dor da saudade batendo à porta de novo.

Quedas e recaídas

Cortando o silêncio:

– Eu caí hoje, sabia?
– Caiu? Como assim?
– Sabe quando você para de fazer algo… Larga algum vício… E aí faz de novo? Então, aí dizem que você caiu.
– Você teve uma recaída, é isso?
– Também se usa isso, mas não, não foi uma recaída. Foi quase isso, é mais esse termo mesmo, “Caiu”.
– Não é, mas tudo bem.
– É sim… Também não conto mais.
– Não, conta… Daí você caiu… Caiu por que mesmo?
– Eu tava simulando meu próprio MADA. Fiz até apresentação hoje. “Meu nome é Ariane, tenho 18 anos e não mando SMS faz dois dias”. Daí você me mandou aquele “Oi, linda” e eu caí… Tive uma recaída, vai.
– MADA?
Mulheres que Amam Demais Anônimas. Pra você ver o que você faz comigo…
*beijinhos*

Dez horas e cinco minutos. Pelo menos é o que marcava o relógio quando o trem resolveu apitar. Do outro lado da janela choravam algumas crianças e também chorava uma moça, perdida em si mesma. As portas se fecharam. “Próxima estação: Vila Mariana”. Nada mais se ouviu. E dentro de mim tudo festejava. É que às vezes eu fico assim, feliz, sem motivo aparente. (Se bem que hoje haviam motivos de sobra). A vontade era encostar a cabeça na janelinha e só acordar em casa. Memórias, aaaaaah!

“Eu tenho medo na maior parte do tempo. Medo de te perder”.

É… Agora que já não é mais segredo, talvez me doa menos.
Daí que a serra nos separa e eu queria que alguns momentos fossem eternos. :~

magic, colbie caillat

Barcelona

 

Engraçado. Dia desses alguém me passou o link pro download da trilha sonora completa de Vicky Cristina Barcelona. Eu nunca tinha procurado, mas não hesitei em clicar quando recebi. O filme, que eu achei realmente muito bom, tem uma trilha bem marcante, reparamos já no cinema, mesmo que ainda inebriados pela imagem de Javier Barden, Scarlet Johansson e Penélope Cruz na mesma tela. Foi encanto imediato, total. Só que baixei, descompactei e esqueci de ouvir. É, culpem essa maldita correria pós-uma-prova-pré-outra.

Daí que hoje, passeando pela minha pasta de músicas – que anda, por sinal, catastróficamente depressiva – eu trombei, de repente, com a pasta Vicky Cristina Barcelona Soundtrack“, dizendo “Oi, amiga, lembra de mim aqui?”. Confesso que não lembrava. Mas coloquei pra reproduzir. (Pausa pra respiração.)

Êxtase total. Primeiro de Dezembro, o início do fim. A noite em que vimos o filme, as minha sensações de agora, as minhas sensações anteriores, tudo se misturou dentro de mim. De repente, eu estava lá no escadão da Gazeta, Brunos ao meu lado, Tory atrás de mim, Clarinha e Francisco num canto, cabeça do Hugo no meu colo, levando cafuné. Violões ao fundo. “Barcelona”, de Giulia y Los Tellarini.

A minha angústia, mesmo com todos os amigos a minha volta, esperando a ligação dele. O olhar cansado do Bruno Mancini, que, sentado ao meu lado, dizia querer estudar mais. “Quero aprender mais.”. Contando sobre os planos de mudar de curso enquanto eu, entre uma olhada e outra no celular – que eu fingia me atrair pela hora, mas, na verdade, atraía pela ansiedade. Bruno Guerrero anunciando, especialmente pra mim, que o Ricardo Cruz se juntaria a nós. Aquele misto de empolgação e retração invadindo meu corpo enquanto eu implorava a Deus por um sinal de vida daquele que eu tanto queria ver, antes que a tentação chegasse. “Your Shining Eyes”, Biel Ballester Trio, Graci Pedro, Leo Hipaucha.

Meu celular que, definitivamente, não tocava. Todos cansados, com sono, estressados com os resultados da faculdade, que, aos poucos, estavam aparecendo: alguns com muitos exames a fazer (coloquem meu nome nessa lista), outros com nenhum. Aquela melancolia de fim de ano, o que foi ruim, o que foi bom, como todos viemos parar aqui. “Vamos para o padabar?”. Telefone tocou. Não o meu, o da Tory. Capiau vindo nos acompanhar em nossa melancolia. “El Noi De La Mare”, Muriel Anderson & Jean-Feliz Lalanne

Todos em pé, prontos para partir em direção à padaria, logo ali na Brigadeiro. Então meu telefone finalmente toca. “Estou aqui na Joaquim Eugênio de Lima. Paro o carro em frente ao Top Center, pode ser?”. Pode. Claro. Poderia qualquer coisa, já que eu não aguentava mais as saudades. Olhei na direção da banca, o carro não estava lá. Levantei-me, despedi-me de todos. “Vamos conosco ao bar!”. Não podia. Não queria. Só queria um tempinho sozinha com ele. Os amigos compreenderam. “When I Was a Boy”, Biel Ballester Trio, Graci Pedro, Leo Hipaucha.

O carro parou em frente à banca, conforme o combinado. Entrei, nos beijamos, eu e meus olhinhos brilhantes, ele e seu sorriso doce. Parecia cansado. “Posso te roubar hoje?”. “Pode”. Fomos embora, sem ir a lugar algum. “Granada”, Emilio de Benito.

Deu uma volta no quarteirão. Parou o carro, olhou para mim e me beijou. Eu estava apaixonada. Trágico ou não, eu estava entregue, qualquer um que olhasse para mim perceberia isso. Trocamos poucas palavras e muitos carinhos. Era difícil nos vermos, eu tinha de ir embora logo. A sensação era a de que não podíamos perder um segundo sequer. Desabafos entre as sessões de beijinhos. Olhares abobados de menina apaixonada. Ah, aqueles olhos, aqueles cabelos, aquele abraço. “Senti tanto sua falta…”.O tempo passava rápido ali. Mais rápido que tudo.  “Entre Olas”, Juan Serrano.

A rádio avisou que passava das onze. Deu partida no carro. Dirigiu rumo à estação mais distante, comigo ao lado, ainda aos suspiros. A cada parada, um beijinho ou um carinho nas mãos. Olhares de lado. Cafunés. Sem que ele soubesse, eu pensava em como sempre quis aquilo. Como sempre quis aqueles carinhos. Como nunca tinha me dado bem daquele jeito com ninguém. Sem que ele soubesse, eu me apaixonava cada vez mais. Mostrou-me coisas que talvez nunca façam sentido algum senão pra mim – o caminho de sua casa, os enfeites da Avenida, as pessoas na rua, tudo parecia especial. E eu só queria estar lá mais vezes com ele. Muito mais. Acho que esse foi um dos momentos em que mais me perdi dentro de mim. Em que mais me entreguei ao sentimento. O trajeto entre os carinhos e a despedida. Mas acabou. “Entre Dos Aguas”, Paco de Lucia.

Acabou. Já estávamos há tempo demais parados na vaga de descarga, na porta do metrô. Passou da hora de ir embora. Eu hesitava: quando pensava poder sair do carro, um suspiro de qualquer um dos lados me colocava de volta pra dentro, beijando aqueles lábios enquanto o mundo lá fora desmoronava. É, chovia lá fora. E não nos importava nada. Uma buzinada. Soltei-o, abri a porta e fui embora. “Te amo”, teria dito, mas preferi calar. “La Ley Del Retiro”, Giulia y Los Tellarini.

Andar nunca foi tão engraçado. Sentia-me flutuando. Minha boca ainda tinha o gosto dele e eu queria mais. Não pensava em nada além dele. Queria saber o que tínhamos, mas também não queria saber de nada. Entrei no trem, sentei-me, segui viagem pensando nos és e nos nãos da minha vida até então. Nas frustrações que havia tido, nas que ainda podia ter. “Onde você estava, que não te encontrei antes?”, mandei por sms. “Eu estava aqui o tempo todo, só você não viu…”. Retrucar com Pitty é covardia. Derreteu-me. Chovia, eu tinha de correr pra casa. Tinha de ser natural. Estava sendo. Mas aquele cheiro ainda estava em mim… “Gorrion”, Juan Serrano.

Minha parada. Desci a rampa, na chuva, correndo. Meia noite e dez. Àquela hora meu pai já deveria estar surtando no carro. Minha irmã tinha vindo com ele. Estava no banco da frente. Entrei atrás, acomodei-me. Sem que tivesse controle, saiu de mim um suspiro e um sorriso no canto dos lábios. Tainá virou para trás na hora. “Está apaixonada, Ni?”. “Não, não estou não, impressão sua. Impressão sua… Vamos logo”. “Big Brother”, The Stephane Wrembel Trio.

Os cinco minutos a caminho de casa foram tensos. Não queria que ninguém soubesse da minha paixão. Ninguém. Fiquei calada. Já em casa, corri para o quarto. Um bom banho quente, um café, e eu já estava pronta para deitar. Não para dormir. Muito para mim, se querem saber. Não sei lidar com sentimentos. Passei a noite virando de um lado para o outro na cama, como se faltasse algo lá. E faltava. Estava mais claro do que nunca. O grande problema é que parecia faltar só pra mim. Eu e minha cabeça criativa: já fantasiava não-correspondências, abandono, imaginava não ser tão querida quanto queria. Mandei mensagem. Escrevi. Desejei um cigarro, desejei a morte, chorei. Eu sou assim, cheia de altos e baixos, quentes e frios, secos e molhados de uma hora para a outra. Quando vi, passava das três da manhã. Pesaram-me minhas responsabilidades, minhas alegrias, minhas tristezas. Odiei-me por ter entregue tão rápido meu coração nas mãos dele. Odiei-o por ter parecido não querer nada além do meu corpo. Odiei as faculdades, por não estar ainda de férias. Odiei o espelho e o relógio, que me diziam que era tarde. E então, de repente, eu já não estava mais ali. Então já era outro dia. “Asturias”, Juan Quesada.

Engraçado como os dias, mesmo os mais grandiosos, são pequenos: cabem num CD.

Hot’n’Cold

Bom, é sexta-feira, e, como já lamentei a semana inteira no Twitter, vou passar o final de semana inteiro sozinha, trancadinha por aqui, enquanto meus amigos foram para Parati/Trindade. Até fiz planos de sair com alguém, mas, como previa, deu/vai dar errado. Ficar em casa aos finais de semana é ótimo: você começa a ler, ouvir músicas, pensar em todos se divertindo e – puf! – de repente descobre coisas lá de dentro de você que estão há um tempão querendo sair, querendo ser vistas, mas que você faz de tudo pra não ver.

Foi assistindo o clipe da Katy Perry, Hot’n’cold. Até então, nunca tinha parado pra reparar na letra. Hoje, cabeça vazia, a letra ecoou na minha cabeça; E aí eu vi. Vi que andei fantasiando demais, e que era hora de acordar. Aliás, falando com o Daniel foi que eu concretizei toda a idéia. (Pobre Daniel, tem me ouvido constantemente. Só por isso, já um santo.) Quando ele me mandou “acordar arrependida, mas não dormir com vontade“, matei a charada. Quer dizer, eu tenho essa mania idiota estúpida incrível de me permitir sentir tudo ao extremo. Não sei sentir nada pela metade, não gosto de ficar controlando, só me entrego. Ou é ou não é, ou faz ou não faz, ou quer ou não quer. Meio termo, pra mim, é coisa de quem não quer nada. Não, eu não aguento o clima Hot’n’Cold. Mas sou certinha, por mais que não pareça. E não, eu não gosto de acordar arrependida. O arrependimento me machuca, me faz sentir uma fraca.
Eu não gosto do modo como minha vida está caminhando, sabe? A verdade mesmo é que a culpa é toda do meu egoísmo. É egoísmo querer estar com alguém, querer esse alguém só pra você. Ainda mais eu, que estou sempre com aquele discurso de “relacionamentos pra quê?”.  Egoísmo. Ninguém nunca olha pra mim. Daí, durante seis meses alguém me demonstrou carinho sem que, em momento algum, eu correspondesse ou desse esperanças. Insistiu. De verdade, sabe? De mandar mensagem todos os dias nos últimos dois meses. E, um dia, sem que eu tivesse tido em nenhum desses seis meses sequer vontade de beijar aquela pessoa, ela se sentou ao meu lado, me deu o braço e beijou forte meu rosto. Passou a mão em meus cabelos. E eu senti naqueles braços um porto seguro. Entreguei-me a eles sem nem perguntar se eles ainda me queriam. E aí, quando dei por mim, já estava entregue. Ele mudado, sem reação, talvez. E eu, boba, querendo mais e mais. Eu quero sempre mais. Ficando triste com supostos sumiços. Afetada todos os dias pela sensação de abandono – mesmo quando o abandono não existia. Tudo bem, tem certas coisas que não convém serem ditas aqui no blog, mas que são certas. Fatuais. Essas magoam ainda mais, porque não posso questioná-lo sobre isso. Também não posso questionar ninguém. Mas eu tenho a certeza, e ela dorme comigo todas as noites. Queria agir com frieza, a frieza necessária. Mas estou sendo egoísta.

O Francisco me falou algo que é bem verdade. Tenho o defeito (qualidade?) de, quando necessário, excluir em segundos alguém da minha vida. Posso sangrar, pode doer, mas a pessoa sofre mais. Sim, porque é rápido, e cruel. Não há nada mais cruel que o desprezo. O ser humano não aceita ser ignorado. Ele me lembrou que eu sou capaz de ter o controle sobre as coisas. Vou cortar esse clima “hot then you’re cold, You’re yes then you’re no, You’re in then you’re out, You’re up then you’re down, You’re wrong when it’s right, It’s black and it’s white, We fight we break up, We kiss we make up” e vou viver no meu estilo. E aí, as pessoas decidem se ficam ou não na minha vida, enquanto faço minha parte – que é vivê-la. Eu sei que a responsável pelas minhas alegrias e tristezas sou só eu. Então chega de delegar esse poder a outros.

(Sempre falo muito e, no fim, não falei nada)

Descarrego

Madrugadas são uma merda. Primeiro a gente despeja tudo, depois é que repara na cagada que fez. O foda é quando você despeja as mágoas que tão apertando sua garganta e não vê reação nenhuma de quem as ouve. Nenhuma. Pior ainda, é quando a reação é debochada, quando só vêm elogios. Há momentos em que não quero elogios, quero respostas.

 

Então eu simplesmente desisto, aqui, loucamente apaixonada.

Eu podia ter calado a boca, guardado tudo. Engolido. Mas eu me entreguei. Me entreguei demais.

 

Caralho.

Como se a minha vida não fosse feita dessas punhaladas e hemorragias. Como se eu não me mantivesse pelas cicatrizes.

 

E o Personare? Disse tudo.

A Lua na sétima casa sugere que você estará emocionalmente dependente da ajuda de terceiros, que poderão facilitar as coisas para você. Ou dificultar, se você deixar que orgulhos tolos lhe impeçam de aceitar ajuda. Como o Sol e a Lua estão quase formando uma oposição, o ajuste necessário envolverá o dilema “o que eu quero e estabeleço enquanto prioridade” versus “o que o outro deseja e necessita neste momento”.

Domingueira

Uma semana correndo atrás de festa de Tainá e de algumas notas. Pois bem. A festa foi um sucesso, o Sérgio Amadeu não me salvou da forca e lá vou eu pros exames de Lingüística, Sociologia e Teoria da Comunicação. Provavelmente vá para o de Clássicos também, ainda não saíram os resultados e eu não tenho mais nenhuma esperança ingênua. Quando tudo acabar, quando a USP estiver trancada pra eu fazer DIREITINHO e com dedicação mais tarde, respirarei aliviada.

 

Por enquanto, vou estudar. É domingo, vamos lá.

Saudades de alguém que eu nem sei onde está. Mas eu prometi pra mim mesma que não ia atormentá-lo no fds. E até agora, desde ontem, não mandei nenhuma mensagem, neeeeenhuma ligação. =)

(Não que seja bom, mãs…)

 

“Te esperei por todos esses anos
E agora não vou mais me enganar
Desde que eu te vi não paro de pensar
Se não for você não vale nem tentar”

Tô na vibe cpm, mas é só porque tô despedaçadinha. Isso passa. Eu sei que passa.
Amanhã é segunda, tem ensaio (?), Cásper, Fran…

 

 

A vida segue.

 

Domingo…

Meus 12 anos

Amanhã tem a festa da Tainá. Fotografar adolescentes que ficam me passando as cantadas mais miadas do mundo. Aos 12 anos, eles acham que podem dar em cima de você. Eles acham que podem dar em cima de todo mundo. É simples. Precisam de mais. Sempre mais. Estão se descobrindo. Precisam de números. E o mais engraçado é que, na maioria das vezes, seus números são imaginários.

Engraçado. Não sei se por ter me apaixonado aos 11 anos e ter carregado essa paixão até metade dos 18, eu nunca fui assim. Quer dizer, nunca me preocupei com números. Eu tinha medo deles. Dos números e dos garotos. E aí as minhas amigas contavam todas as suas experiências (inclusive as – pelo menos pra mim – mais constrangedoras) e eu ficava lá, com meu jeito tímido/blasé, dizendo que só beijaria se fosse ele, e outros mimimis românticos que pretendo não reproduzir aqui. Não que eu não seja mais romântica, só não sou mais inocente como quando era adolescente.

Fui dar meu primeiro beijo aos 15 anos, de susto, cheia de idéias mirabolantes sobre uma relação. O beijo não foi com quem eu me queria, a relação só existia na minha cabeça. Vá lá… Águas passaram, anos passaram sem que eu sequer pensasse em beijar novamente. Eu descobri que beijar só quando se está loucamente apaixonada não existe. Às vezes é dar uma chance a alguém que vai criar essa paixão. As coisas mudam e hoje em dia eu dou risada de como estou diferente. No tempo certo, as vontades, prioridades e certezas mudam. A gente aprende a lidar com a timidez. De certa forma, isso me deixa feliz.

A minha mãe diz que estou vivendo meus 12 anos agora, aos dezoito. Só agora comecei a me permitir mais.

É, talvez ela tenha razão. Talvez sejam meus novos 12 anos. Com um pouquinho de maturidade a mais.

Garota de Aluguel

 

Ela me chama quando quer eu penso se vou lá
Me envolve num ardil qualquer querendo me enganar
Essa situação não quer chegar a um final
Eu sou garoto de aluguel mas não vão me comprar
Eu vou te dar o teu prazer
Mas com amor é mais caro
Com amor é mais caro
O meu amor é o mais caro
Me diz quanto você pode pagar

(poléxia, aos garotos de aluguel)

 

Daí que às vezes me sinto uma garota de aluguel. E, sinceramente, não sei se há algum tipo de moeda com que se pague meu amor. Aliás, estive lembrando… Houve uma única proposta que me interessou, quando, numa dessas minhas tardes de drama, questionei o mundo, com toda a licença do Poléxia, sobre quanto pagariam por ele. 

Eis que o vencedor foi…

Mas ainda tenho minhas dúvidas sobre meu preço. É, porque na verdade, se parar pra pensar, pra ele eu daria meu amor até sem nada em troca. Quer saber? O amor é assim: quando ele é de verdade, ele não exige nada. É gratuito… 

 

Que acabou se tornando uma proposta irrecusável, acabou. E agora eu não devolvo o envelope MESMO!

quereres

eu queria amar um pouco menos você
não ligar para eventuais sumiços ou conversas entrecortadas
não chorar cada vez que visse um beijo na tevê

eu queria amar um pouco menos você
ser do tipo que não liga quando não pode ver
do tipo que não associa cada música que ouve a um momento qualquer
– em que basta a sua presença pra memória ligar a amor

eu queria amar um pouco menos você
ter facilidade pra encarar que a verdade não vai ser sempre simples assim
que a verdade já não é simples
e que estamos distantes até quando você me abraça

eu queria amar um pouco menos você
apenas o suficiente pra saber que não é pra sempre
e que não somos iguais
nunca seremos, por mais parecidos que possamos ser.

eu até acho que queria amar um pouco menos você,
mas eu amo assim – muito. muito mesmo.
suficiente pra me arrepender dos erros que talvez nenhum de nós saibamos que existiram;
pra te perdoar daquilo que me machucou sem que você soubesse sequer que fez.

eu te amo o suficiente pra esperar o quanto for preciso,
pra sair do planeta a cada vez que sua boca toca na minha,
pra dar risada todas as vezes em que me deparo com uma placa de “Proibido Estacionar”
ou com alguma efeméride que guardei no coração só por ter me feito sorrir.

eu gosto de te amar assim, simples e intenso.
não valeria a pena amar menos você.

não. porque aí, um dia, quando tudo acabar

(tudo passa, tudo vai passar…)

quando tudo acabar eu terei muito do que lembrar
e pouca coisa que valha mesmo a pena esquecer.

creed, are you ready?