(dois fragmentos, uma vida)

Bem, sou um homem com muitos problemas e suponho que em sua maioria sejam criados por mim mesmo. Estou falando de problemas com mulheres, jogo, hostilidade contra grupos de pessoas, e, quanto maior o grupo, maior a hostilidade. Dizem que sou negativo, sombrio e taciturno.

Sempre me lembro da mulher que um dia me gritou assim:

— Você é tão negativo, porra! A vida pode ser bonita!

dr. nazi, charles bukowski

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henry lee, nick cave & pj harvey

#youpix loading: O dia em que conheci a Stefhany

*mais um daqueles posts meus que geram ódio no coração dos leitores de meus mimimis. é, um post feliz. 😀

<em>Não é que eu sou feia, vejam bem: Ela é diva e ofuscou meu brilho. =P</em>” title=”Stefhany Absoluta no meio. @Pelogia e eu =D” width=”500″ height=”447″ class=”size-full wp-image-2962″ /><figcaption class=Não é que eu sou feia, vejam bem: Ela é diva e ofuscou meu brilho. =P

Na hora em que o Pelogia me contou que a Pix ia trazê-la pra São Paulo, não botei fé. Dei risada, falei “me avisa quando for” e segui a vida. Pois bem. A hora chegou e eu, boboca, fui pega de surpresa. É, fui sim. E tinha aula, pepinos a resolver… Mas né? Não hesitei (hesitei sim!) em estar lá, feliz e contente esperando pra vê-la. Ela apareceu (não no seu Crossfox, mas apareceu) linda, absoluta, totalmente timais. Gente, ela é Stefhany, ela é diva, é lição de vida – e ela não é bobinha como a maioria das pessoas pensa, não. Ponto!


Pra quem ainda não viu.

O ponto é que depois da coletiva com a Absoluta havia a tal da #maisafest. Pânico, oi? Eu sempre falo do pânico que esses eventos me dão: eu me sinto num twitter presencial, com um monte de arrobas indo e vindo ao meu redor – umas conhecidas, outras nem tanto, assim segue a vida. É bizarro, porque, diferente da timeline do twitter, não dá pra ignorar algumas presenças e também não tem como exaltar outras. Não foi diferente ontem. (Eu faria uma lista de quem encontrei, mas o medo de esquecer alguém me impede. Hahaha. Eu sou tímida, nunca se esqueçam disso). Descobri da pior maneira que algumas pessoas não são amigas quando estão em público. E ok, levei horas pra conseguir sair distribuindo sorrisos pra todo mundo que eu conhecia (não era pouca gente, ok? :P), mas, quando o fiz, foi tudo muito sincero. Sem drama, porque no fim da noite eu já tava tão em casa que gritei de longe “Eu também quero um abraço do Ian Black!” antes que ele fosse embora sem que nos falássemos pela milésima vez (exagero, eu sei, só foram 3 desencontros at all. haha). Faltou o Inagaki, né? Mas parece que ele tava doentinho.

Enfim, tô triste porque a vontade era de colocar tooooooooodos os nomes aqui, e descrever cada encontrozinho! Mimimi.
Obrigada a todos que animaram minha noite ontem. =D

(Prometo que não vai virar mania colocar foto minha aqui! É que essa é com a musa, né, gente?)

E STEFHANY É LIÇÃO DE VIDA. Continuarei entoando as letras dela feito um hino, todos os dias, pra levantar a auto estima. “Será que você pensa que vou chorar, me desesperar por um bobo e velho romance? Eu sou linda *tã nãnãnã-nã* Absoluta *tã nãnãnã-nã* Eu sou Stefhanyyy”. Tá, parei.

Eu prometi pra mim mesma que não ia surtar nunca mais, mas né, EPIC FAIL. Apelei pro amigo errado na hora de desabafar e acabei ficando pior ainda. TUDO PASSA, tou bem, tou viva, vamos para a próxima tentativa. Nada a perder, nada a perder, nada a perder… #mantra

Melhores amigos de infância

Foi tudo sensacional como há muito não era. Inesperado também. Engraçado: eu tenho essa queda pelo inesperado. Quando algo me pega desprevenida, tendo a gostar muito mais. Às vezes, mais até do que deveria. Hoje eu não estou preocupada com o quanto devo ou não gostar: hoje eu apenas fui feliz. E nada sei sobre isso.

Só sei que eu estava lá, ele também: e uma amiga. Aí vieram a capirinha, a garçonete gostosa, a Bettie Page, as visões começaram a se embaralhar, a verdade foi dita num tom mais alto… E o silêncio constrangedor (não tão constrangedor assim) soou melhor do que qualquer música soaria.

No mais, hoje entendo alguns amigos e me sinto mal por ter batido neles tantas vezes, ou ter lhes tomado o celular quando o álcool começava a pedir licença e correr atrás de seus amores. Deixa mandar, deixa dizer o que é preciso. Nessas horas é que muitas coisas se resolvem. (O que não significa necessariamente que darão certo, é fato!)

A propósito, eu ainda volto lá pra ver Bettie Page de novo. E contar segredinhos, presenciar DRs, rir à beça, ficar fedendo ao cigarro alheio, beber um pouco a mais e dizer à garçonete o que me deu vontade de dizer… Só não volto lá pra me humilhar de novo.

Como o tempo passa: ontem eu não sabia o que prestar no vestibular. Hoje estou no segundo ano de duas faculdades. Duas… Apaixonada pelas duas. Ontem eu era fria e não me apegava a ninguém: hoje tenho amigos. Ontem eu sofria calada, hoje, embora o sofrimento seja outro, não tenho medo de gritar pro mundo. É! EU AMEI, EU FUI INFELIZ! Viro uma ou mais duas doses, trago o cigarro alheio, beijo a primeira boca que se insinuar pra mim e vou levando. A vida é isso, um cai-levanta dos infernos. Baixo astral – ou não.

Eu estou vivendo, finalmente. E se alguém tiver de me censurar por isso, sou eu. Mas hoje não, hoje estou feliz.

A propósito, caso você esteja lendo isso… Nem sempre o que dizemos se parece conosco.

Agora eu vou dormir. Labor uocat me.

AHHH! Esse é o post 600 do lovemaltine. 😀

Belinha

Não podia ouvir ninguém chegar, fosse de carro ou a pé, que corria pra porta, latindo. “Quieta, Belinha! Já é tarde! shiiiiu!” Voltava, avisava a todos na casa, ia desesperada em direção ao portão. Sem boas vindas nem tem graça entrar em casa. Ao menor barulho do saco de pão, disparava em direção à cozinha. “Ô, Belinha, me deixa tomar meu café!”.

Nem quando alguém ia ao banheiro dava sossego. Corria atrás e se escondia embaixo da pia. Vira e mexe passava despercebida aos olhos de alguém e acabava lá presa, sozinha, até latir por socorro.Isso quando não esqueciam a porta aberta na hora do banho – ia pra baixo do chuveiro na hora! “Belinha, sua danada, acabei de secar você…!”. Adorava tomar banho, sentir-se limpa, bonita. Caminhava feito uma princesa pela casa. Isabella. Mais Bela que Isa, mas era o nome perfeito. Beleza imponente. “Nunca vi cachorra assim! Parece uma gata!”.

Dormia o tempo todo no braço do sofá. “Bela, desce daí!” E ela esperava a gente virar as costas e subia de novo. Eu, papai, mamãe, Tainá e Melissa éramos mais dela que ela nossa. Escalava escadas como ninguém, avançava em qualquer um que lhe parecesse ameaçar um de nós. Ciumenta que só. Pulava de um sofá para o outro. Orgulhosa.  Nem adiantava chamá-la se pegássemos a Melzinha primeiro. Virava a cara. “Belinha! Bela! Vem cá, cheirosa!”. E a sem vergonha sumia.

Num passe de mágica, surgiam calças e calcinhas furadas. Quantas calcinhas novas joguei no lixo por ter esquecido na cama no dia da compra! “Dá um beijo, Belinha!” E ela dava uma lambidinha só, rápida e carinhosa, na face de quem pedia. Belinha era a alegria da casa. Até quando fazia coisa errada, nos fazia sorrir.

Dormia na porta do quarto esperando alguém levantar. Às vezes, no meio da madrugada, empurrava a porta e subia na minha cama. Eu acordava com o que mais parecia um bolinho peludo no edredom, fazendo calor em cima das minhas pernas. “Sai daqui, Belinha!”. De vez em quando, engasgava com alguma porcaria achada no chão e deixava todo mundo assustado. Companhia quando eu estava carente. Inspiração nas minhas aventuras escritas. Belinha sim era cachorra pra amar…

Assustada. Sempre. O que tinha de espoleta, tinha de medrosa. Medo de tudo. Sombra, bonecas, espelho, televisão… Temia o tartarugo… Temia até – e principalmente! – rodos e vassouras. Era só ver um que saia latindo e chorando, rosnando pra quem se pusesse em seu caminho. Invocava até, mas era só oferecer um carinho que já se abria toda. Não fazia xixi fora do jornal, não aceitava sair sem antes colocar um lacinho, ah, Belinha! ô Belinha… De vez em quando eu ainda a espero vir correndo. De vez em quando ainda me pego chamando. Belinha! Belinha! Mas ninguém vem.

Bobeira segurar as lágrimas. Bom deixar correr. “Belinha! Belinha! Não faça isso! O que você tem? Engasgou de novo? Responde, Belinha! Belinha… ô, minha menina… Belinha?” Fiz tudo o que pude, juro. Mas o corpo foi esfriando, fez-se duro – e ela nunca mais respondeu.

escrito na madrugada de 21 para 22/02, no quarto escuro, entre o rodízio de lágrimas dos quatro que Belinha deixou aqui quando partiu.

minuto de sabedoria

Essa tal de tequila chapa a gente, meu nego
Limão e sal no dedo e “vamo ficá loco”
Mas essa tal de tequila chapa a gente, meu nego
Abre a garrafa porque eu quero mais um pouco

Porque ontem, ao falar da Arriba, eu me peguei dizendo “Mas não fui eu, foi a tequila!”. 

É pior que gasolina e que nitroglicerina
Dinamite, pólvora, seja o que for
Sal e limão, limão e sal
Sou pernalonga ou pica-pau
Voando pelo céu “tô”vendo estrelas

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Se puser no tanque do carro, ele funciona envenenado
Motor de avião ou então fórmula um
Derrete mesa, fura porta
As “perna treme”, a vista entorta
Essa bebidinha é do além

Eu nunca tive coragem de postar essas fotos aqui, mas ando numa fase meio “Dignidade pra quê?”, então foda-se. hahaha.  Velhas Virgens pra complementar. Legendas dispensáveis!

Aliás, quando rola outra tequilada open bar? Tô pirando na vontade, já.

Essa tal de tequila chapa a gente, meu nego
Limão e sal no dedo e “vamo ficá loco”

(eu não sou sempre assim, juro.)

Trote

Comentário número um do dia: no quesito “sonhos bizarros”, o de hoje superou todos os que tive esse mês (e olhe que já foram muitos). Merece um post só pra ele SE eu tiver coragem, QUANDO eu tiver tempo.

 

A partir daqui é só blablabla desinteressante sobre o “trote”. HAHAHA.

Agora, voltando ao dia de ontem. Ah, que saudades eu estava de ver meus amigos. Aliás, retardada seria pouco pra definir meu estado ontem. Odeio esses dias oversharing, em que a gente discute lingerie, tolices, perspectivas sobre o casamento dos amigos e até documento de ex namorado. (não sei se rio ou se choro aqui) Sério. Odeio quando falo demais. Quem acha que falo muito aqui certamente não me conhece. O pior do oversharing não são as coisas que eu falo (mentira, elas também são péssimas), mas o que me leva a falar tudo aquilo. Saudades, insegurança, medo, complexos infinitos e a MALDITA fobia das pessoas em volta. Tanto é que eu ADORO quando essa fobia vem em forma de silêncio – porque geralmente ela não se estende por muito tempo quando é assim. Simplesmente me acostumo a ter muita gente em volta. Quando o encontro é cheio de oversharings, confesso, eu fico por muito mais tempo do que deveria me sentindo a pessoa mais idiota do mundo. E aí a vergonha ETERNA, bla bla bla, mimimi, etc.

Enfim, deixamos os bixos pegando seu dinheiro no farol e os outros veteranos que não tiveram infância mandando, gritando, coletando dinheiro e se cansando e fomos até o Blue Pub, como de costume, matar saudades entre bests. Depois que pararam de pedir grana no farol, voltamos e nos reunimos no Dom’s, com direito a breja patrocinada pelo trabalho dos bixinhos – mas não sem antes fazermos uma caminhada IMENSA e LAMENTÁVEL devido a descuidos da Associação Atlética Acadêmica Jesse Owens, que teve a idéia genial de juntar bixos e veteranos de todos os cursos num lugar onde não cabia nem um quarto deles. Mas eu supero, sempre supero os exercícios físicos compulsórios. O difícil de superar vai ser a sensação de falta de ar e o nojinho daquelas pessoas suadas e eventualmente cheias de tinta se esfregando por falta de espaço.

Não havia bixos bonitos, I’m so sorry, não sinto atração por pessoas azuis, cinzas e/ou vermelhas. Francisco se arranjou com um “bixo bundudo”, mas, considerando que é o Francisco (aquele lá que conquista até primo de rolo meu HAHA) a gente releva. Também não queria bixo nenhum, não consigo mais gostar de criança devido a traumas recentes com pessoas mais velhas. (q?) 

Confesso que houve coraçãozinho acelerado e tal. Várias vezes. Mas não foi por ninguém que vocês que lêem aqui já não conheçam.

Antes que o nonsense nesse post ultrapasse os limites do aceitável, vou me retirar. =)

 

#notamental: apagar mais tarde. U_U

Barcelona

 

Engraçado. Dia desses alguém me passou o link pro download da trilha sonora completa de Vicky Cristina Barcelona. Eu nunca tinha procurado, mas não hesitei em clicar quando recebi. O filme, que eu achei realmente muito bom, tem uma trilha bem marcante, reparamos já no cinema, mesmo que ainda inebriados pela imagem de Javier Barden, Scarlet Johansson e Penélope Cruz na mesma tela. Foi encanto imediato, total. Só que baixei, descompactei e esqueci de ouvir. É, culpem essa maldita correria pós-uma-prova-pré-outra.

Daí que hoje, passeando pela minha pasta de músicas – que anda, por sinal, catastróficamente depressiva – eu trombei, de repente, com a pasta Vicky Cristina Barcelona Soundtrack“, dizendo “Oi, amiga, lembra de mim aqui?”. Confesso que não lembrava. Mas coloquei pra reproduzir. (Pausa pra respiração.)

Êxtase total. Primeiro de Dezembro, o início do fim. A noite em que vimos o filme, as minha sensações de agora, as minhas sensações anteriores, tudo se misturou dentro de mim. De repente, eu estava lá no escadão da Gazeta, Brunos ao meu lado, Tory atrás de mim, Clarinha e Francisco num canto, cabeça do Hugo no meu colo, levando cafuné. Violões ao fundo. “Barcelona”, de Giulia y Los Tellarini.

A minha angústia, mesmo com todos os amigos a minha volta, esperando a ligação dele. O olhar cansado do Bruno Mancini, que, sentado ao meu lado, dizia querer estudar mais. “Quero aprender mais.”. Contando sobre os planos de mudar de curso enquanto eu, entre uma olhada e outra no celular – que eu fingia me atrair pela hora, mas, na verdade, atraía pela ansiedade. Bruno Guerrero anunciando, especialmente pra mim, que o Ricardo Cruz se juntaria a nós. Aquele misto de empolgação e retração invadindo meu corpo enquanto eu implorava a Deus por um sinal de vida daquele que eu tanto queria ver, antes que a tentação chegasse. “Your Shining Eyes”, Biel Ballester Trio, Graci Pedro, Leo Hipaucha.

Meu celular que, definitivamente, não tocava. Todos cansados, com sono, estressados com os resultados da faculdade, que, aos poucos, estavam aparecendo: alguns com muitos exames a fazer (coloquem meu nome nessa lista), outros com nenhum. Aquela melancolia de fim de ano, o que foi ruim, o que foi bom, como todos viemos parar aqui. “Vamos para o padabar?”. Telefone tocou. Não o meu, o da Tory. Capiau vindo nos acompanhar em nossa melancolia. “El Noi De La Mare”, Muriel Anderson & Jean-Feliz Lalanne

Todos em pé, prontos para partir em direção à padaria, logo ali na Brigadeiro. Então meu telefone finalmente toca. “Estou aqui na Joaquim Eugênio de Lima. Paro o carro em frente ao Top Center, pode ser?”. Pode. Claro. Poderia qualquer coisa, já que eu não aguentava mais as saudades. Olhei na direção da banca, o carro não estava lá. Levantei-me, despedi-me de todos. “Vamos conosco ao bar!”. Não podia. Não queria. Só queria um tempinho sozinha com ele. Os amigos compreenderam. “When I Was a Boy”, Biel Ballester Trio, Graci Pedro, Leo Hipaucha.

O carro parou em frente à banca, conforme o combinado. Entrei, nos beijamos, eu e meus olhinhos brilhantes, ele e seu sorriso doce. Parecia cansado. “Posso te roubar hoje?”. “Pode”. Fomos embora, sem ir a lugar algum. “Granada”, Emilio de Benito.

Deu uma volta no quarteirão. Parou o carro, olhou para mim e me beijou. Eu estava apaixonada. Trágico ou não, eu estava entregue, qualquer um que olhasse para mim perceberia isso. Trocamos poucas palavras e muitos carinhos. Era difícil nos vermos, eu tinha de ir embora logo. A sensação era a de que não podíamos perder um segundo sequer. Desabafos entre as sessões de beijinhos. Olhares abobados de menina apaixonada. Ah, aqueles olhos, aqueles cabelos, aquele abraço. “Senti tanto sua falta…”.O tempo passava rápido ali. Mais rápido que tudo.  “Entre Olas”, Juan Serrano.

A rádio avisou que passava das onze. Deu partida no carro. Dirigiu rumo à estação mais distante, comigo ao lado, ainda aos suspiros. A cada parada, um beijinho ou um carinho nas mãos. Olhares de lado. Cafunés. Sem que ele soubesse, eu pensava em como sempre quis aquilo. Como sempre quis aqueles carinhos. Como nunca tinha me dado bem daquele jeito com ninguém. Sem que ele soubesse, eu me apaixonava cada vez mais. Mostrou-me coisas que talvez nunca façam sentido algum senão pra mim – o caminho de sua casa, os enfeites da Avenida, as pessoas na rua, tudo parecia especial. E eu só queria estar lá mais vezes com ele. Muito mais. Acho que esse foi um dos momentos em que mais me perdi dentro de mim. Em que mais me entreguei ao sentimento. O trajeto entre os carinhos e a despedida. Mas acabou. “Entre Dos Aguas”, Paco de Lucia.

Acabou. Já estávamos há tempo demais parados na vaga de descarga, na porta do metrô. Passou da hora de ir embora. Eu hesitava: quando pensava poder sair do carro, um suspiro de qualquer um dos lados me colocava de volta pra dentro, beijando aqueles lábios enquanto o mundo lá fora desmoronava. É, chovia lá fora. E não nos importava nada. Uma buzinada. Soltei-o, abri a porta e fui embora. “Te amo”, teria dito, mas preferi calar. “La Ley Del Retiro”, Giulia y Los Tellarini.

Andar nunca foi tão engraçado. Sentia-me flutuando. Minha boca ainda tinha o gosto dele e eu queria mais. Não pensava em nada além dele. Queria saber o que tínhamos, mas também não queria saber de nada. Entrei no trem, sentei-me, segui viagem pensando nos és e nos nãos da minha vida até então. Nas frustrações que havia tido, nas que ainda podia ter. “Onde você estava, que não te encontrei antes?”, mandei por sms. “Eu estava aqui o tempo todo, só você não viu…”. Retrucar com Pitty é covardia. Derreteu-me. Chovia, eu tinha de correr pra casa. Tinha de ser natural. Estava sendo. Mas aquele cheiro ainda estava em mim… “Gorrion”, Juan Serrano.

Minha parada. Desci a rampa, na chuva, correndo. Meia noite e dez. Àquela hora meu pai já deveria estar surtando no carro. Minha irmã tinha vindo com ele. Estava no banco da frente. Entrei atrás, acomodei-me. Sem que tivesse controle, saiu de mim um suspiro e um sorriso no canto dos lábios. Tainá virou para trás na hora. “Está apaixonada, Ni?”. “Não, não estou não, impressão sua. Impressão sua… Vamos logo”. “Big Brother”, The Stephane Wrembel Trio.

Os cinco minutos a caminho de casa foram tensos. Não queria que ninguém soubesse da minha paixão. Ninguém. Fiquei calada. Já em casa, corri para o quarto. Um bom banho quente, um café, e eu já estava pronta para deitar. Não para dormir. Muito para mim, se querem saber. Não sei lidar com sentimentos. Passei a noite virando de um lado para o outro na cama, como se faltasse algo lá. E faltava. Estava mais claro do que nunca. O grande problema é que parecia faltar só pra mim. Eu e minha cabeça criativa: já fantasiava não-correspondências, abandono, imaginava não ser tão querida quanto queria. Mandei mensagem. Escrevi. Desejei um cigarro, desejei a morte, chorei. Eu sou assim, cheia de altos e baixos, quentes e frios, secos e molhados de uma hora para a outra. Quando vi, passava das três da manhã. Pesaram-me minhas responsabilidades, minhas alegrias, minhas tristezas. Odiei-me por ter entregue tão rápido meu coração nas mãos dele. Odiei-o por ter parecido não querer nada além do meu corpo. Odiei as faculdades, por não estar ainda de férias. Odiei o espelho e o relógio, que me diziam que era tarde. E então, de repente, eu já não estava mais ali. Então já era outro dia. “Asturias”, Juan Quesada.

Engraçado como os dias, mesmo os mais grandiosos, são pequenos: cabem num CD.

Dancing Queen

You can dance, you can jive, having the time of your life
See that girl, watch that scene, dig in the dancing queen

Friday night and the lights are low
Looking out for the place to go
Where they play the right music, getting in the swing
You come in to look for a king
Anybody could be that guy
Night is young and the musics high
With a bit of rock music, everything is fine
Youre in the mood for a dance
And when you get the chance…

You are the dancing queen, young and sweet, only seventeen
Dancing queen, feel the beat from the tambourine
You can dance, you can jive, having the time of your life
See that girl, watch that scene, dig in the dancing queen

Youre a teaser, you turn em on
Leave them burning and then youre gone
Looking out for another, anyone will do
Youre in the mood for a dance
And when you get the chance…

You are the dancing queen, young and sweet, only seventeen
Dancing queen, feel the beat from the tambourine
You can dance, you can jive, having the time of your life
See that girl, watch that scene, dig in the dancing queen

Saudades absurdas das minhas Dancing Queens. Foda não estar de férias, ao contrário do universo.

Conclusão pós-festa:

PVC – o retorno.

Cena XX - O casamento
Cena XX - O casamento

É. Maquiagem borrada, amigos longe, pés e pernas intocáveis, nariz entupido, voz indo embora um dia antes do ensaio… É a Porra da Velhice Chegando pra acabar com a alegria da garotada. Nem na sexta passada eu fiquei tão acabada quanto hoje! Mas I WILL SURVIVE. Eu tenho os melhores amigos DO MUNDO!!!!

ps: Sim, estou vivendo meus 12 anos com atraso. Agora é certeza.

ps2: logo menos mostro mais fotos, deixa só o Fran vir em casa me passar!

Meus 12 anos

Amanhã tem a festa da Tainá. Fotografar adolescentes que ficam me passando as cantadas mais miadas do mundo. Aos 12 anos, eles acham que podem dar em cima de você. Eles acham que podem dar em cima de todo mundo. É simples. Precisam de mais. Sempre mais. Estão se descobrindo. Precisam de números. E o mais engraçado é que, na maioria das vezes, seus números são imaginários.

Engraçado. Não sei se por ter me apaixonado aos 11 anos e ter carregado essa paixão até metade dos 18, eu nunca fui assim. Quer dizer, nunca me preocupei com números. Eu tinha medo deles. Dos números e dos garotos. E aí as minhas amigas contavam todas as suas experiências (inclusive as – pelo menos pra mim – mais constrangedoras) e eu ficava lá, com meu jeito tímido/blasé, dizendo que só beijaria se fosse ele, e outros mimimis românticos que pretendo não reproduzir aqui. Não que eu não seja mais romântica, só não sou mais inocente como quando era adolescente.

Fui dar meu primeiro beijo aos 15 anos, de susto, cheia de idéias mirabolantes sobre uma relação. O beijo não foi com quem eu me queria, a relação só existia na minha cabeça. Vá lá… Águas passaram, anos passaram sem que eu sequer pensasse em beijar novamente. Eu descobri que beijar só quando se está loucamente apaixonada não existe. Às vezes é dar uma chance a alguém que vai criar essa paixão. As coisas mudam e hoje em dia eu dou risada de como estou diferente. No tempo certo, as vontades, prioridades e certezas mudam. A gente aprende a lidar com a timidez. De certa forma, isso me deixa feliz.

A minha mãe diz que estou vivendo meus 12 anos agora, aos dezoito. Só agora comecei a me permitir mais.

É, talvez ela tenha razão. Talvez sejam meus novos 12 anos. Com um pouquinho de maturidade a mais.