ultimamente tenho sentido falta do tempo em que o blog era o meu quartinho escuro. quando eu vinha aqui, botava tudo pra fora e sempre tinha alguém que comentava comigo, compartilhava experiências e tudo o mais. que ria e chorava junto. era adorável especialmente quando não precisava medir as palavras porque estava sendo observada pela família, pela faculdade, pelo trabalho, por mim mesma. quando não havia esse policiamento. mas passou, faz anos — quase dez, por sinal. e hoje o que mudou não foi só a internet ou a maneira como lidamos com ela. com toda a liberdade do mundo, estamos ainda numa prisão, eu sei. mas o problema maior não é esse: é que eu não sou mais criança. só isso. passou a fase de declarar um amor por dia e expor confissões aqui e lá. passou da hora de trocar o sonho de ser a power ranger amarela (só porque ela era japonesa) pelo de uma carreira, uma família, uma vida que vá além de levantar, trabalhar, estudar, comer e, eventualmente, surtar para todo mundo. não sou a heroína que era em 1995. e o melhor que eu faço, na maior parte do tempo, é ficar quieta.
o problema é conseguir.














