<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>lovemaltine &#187; #Cotidiano</title>
	<atom:link href="http://lovemaltine.com.br/categoria/cotidiano/feed" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://lovemaltine.com.br</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Fri, 03 Feb 2012 22:25:25 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.2.1</generator>
		<item>
		<title>Bukowski, esse boca-suja pervertido</title>
		<link>http://lovemaltine.com.br/bukowski-esse-boca-suja-pervertido.html</link>
		<comments>http://lovemaltine.com.br/bukowski-esse-boca-suja-pervertido.html#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 05 Aug 2010 13:15:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariane Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[#Cotidiano]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://lovemaltine.com.br/?p=3591</guid>
		<description><![CDATA[Depois de passar mal o dia todo sozinha em casa, recebi a visita de mãe ao lado da minha cama. Danada resolveu puxar papo lá pelas onze da noite, quando chegou do serviço. Pontuei que não gostaria de ser incomodada a respeito do meu trabalho. Única condição. Então falaríamos de amenidades. Veja bem: eu, minha mãe e minha irmã engatamos, sem razão aparente, um papo sobre livros. Esse final de .. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-3592" style="margin: 10px;" title="bukowski" src="http://lovemaltine.com.br/wp-content/uploads/2010/08/bukowski.jpg" alt="" width="354" height="282" align="right" />Depois de passar mal o dia todo sozinha em casa, recebi a visita de mãe ao lado da minha cama. Danada resolveu puxar papo lá pelas onze da noite, quando chegou do serviço. Pontuei que não gostaria de ser incomodada a respeito do meu trabalho. Única condição. Então falaríamos de amenidades.</p>
<p>Veja bem: eu, minha mãe e minha irmã engatamos, sem razão aparente, um papo sobre livros. Esse final de semana devorei &#8220;Juliet, Nua e crua&#8221; e &#8220;Slam&#8221;, elas queriam saber do que se tratavam ambos. A minha irmã está lendo o extra da Stephenie Meyer, &#8220;A Breve Segunda Vida de Bree Tanner&#8221;, que eu dei de presente na semana passada (com o coração partido por gastar dinheiro com essa literatura vampiresca e ainda estimular a guria a ler esse tipo de coisa), quando ela terminou a saga de Crepúsculo. Minha mãe está estacionada em &#8220;Clarice,&#8221; também presente meu, mas de aniversário (bote aí uns três meses). E eu, nesse meio tempo, já li dúzias de coisas que elas nem sonham conhecer, porque meu caso com livros às vezes é digno de internação. Então ficamos dialogando sobre minha prateleira cheia de sobrenomes que as duas desconheciam, elas me apresentando universos novos pelos quais eu ainda não passeei, eu apresentando meu universo esquisito a elas.</p>
<p>Foi engraçado quando aconteceu. Eu só não sei contar direito.</p>
<p>A questão é que nenhuma das duas CONHECE Bukowski. A não ser de ouvir falar. Mãe até que tentou, mas ao ver duas vezes a palavra buceta na primeira poesia, saiu do quarto horrorizada &#8220;ai-meu-deus-o-que-minha-garotinha-anda-lendo&#8221;. A irmã ouviu esse comentário e desde então eu sou a filha devassa que lê putarias e fala palavrão. Não é  concebível pra família que 1) Vai muito além de onde elas estão olhando; 2) &#8220;Você vai acabar queimando no inferno junto com ele&#8221; não é algo que eu considere ameaçador e 3) Eu já falava e fazia tudo o que faço hoje bem antes de CONHECER o Hank. Na cabeça dos meus pais (e da minha irmã), eu só ouço e leio certas coisas para parecer rebelde, não porque eu gosto. CLARO, NÃO É?</p>
<p>Enfim, ontem, no meio da conversa, dispostas a me provar que Bukowski não é literatura e que uma dama como eu não deveria se submeter a esse tipo de obras (porque, segundo elas, eu falo palavrão, sou amarga e anti social, trabalho muito&#8230; tudo por causa dele. minha mãe adora dizer &#8220;você não era assim antes desse velho safado&#8221;), minha irmã resolveu folhear o &#8220;Fabulário geral do delírio cotidiano&#8221; na cama.   De repente, a guria fala &#8220;MÃE, OUVE ISSO AQUI. NUNCA TINHA OUVIDO NADA PARECIDO&#8221; e desata a ler em voz alta, meu pai na porta, algo do gênero &#8220;chegamos juntos ao orgasmo e esperei ainda dentro dela até que meu pau amolecesse&#8221;. Sério: Vocês não queriam ter visto as caras deles.</p>
<p>Eu ri enquanto ela repetia horrorizada &#8220;Nossa, Ari, nunca tinha ouvido nada parecido&#8230;&#8221;.</p>
<p>Pra complementar, depois de muito HORROR familiar, já no silêncio das luzes apagadas, minha irmã engatou o seguinte diálogo:</p>
<p style="padding-left: 30px;">&#8220;Ari, acho que Bukowski não pode ser considerado erótico.&#8221;<br />
&#8220;Do que você está falando?&#8221;<br />
&#8220;Palavras de baixo calão. Eu ouvi que literatura erótica não tem isso. E ele falou &#8216;pau mole&#8217;. Isso é baixo calão. Devia esta escrito &#8216;pênis não ereto&#8217;.&#8221;</p>
<p>Sim, minha irmã, 14 anos, leitora de Crepúsculo, é o novo Antonio Candido. Manja tudo de literatura.</p>
<p>E minha mãe, lá de fora do quarto, respondeu: &#8220;Filha, esqueça o que você leu. Pare de pensar nesse boca-suja pervertido e vá dormir! Sua irmã não vai mais compartilhar essas coisas conosco&#8221;.</p>
<p>Sozinha, falando baixinho, a caminho do quarto dela: &#8220;Deus, eu sei que errei com a primeira, mas vou acompanhar a educação da segunda bem de perto. Nada de faculdade de jornalismo, Charles Bukowski, palavrões&#8230; Eu prometo, Deus, que eu vou cuidar bem da caçula&#8221;.</p>
<p>Sou o projeto que deu errado. É infantil, eu sei, mas ri sem parar.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://lovemaltine.com.br/bukowski-esse-boca-suja-pervertido.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>12</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Caio e eu</title>
		<link>http://lovemaltine.com.br/caio-e-eu.html</link>
		<comments>http://lovemaltine.com.br/caio-e-eu.html#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 06 May 2009 17:19:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariane Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[#AméliePoulain]]></category>
		<category><![CDATA[#Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[#Piegas[ON]]]></category>
		<category><![CDATA[O Fantástico Mundo de Ariane]]></category>
		<category><![CDATA[#Desabafo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://lovemaltine.com.br/?p=2808</guid>
		<description><![CDATA[Não, eu não vou falar pela milionésima vez no Caio-da-infância, o Caio-primeiro-amor, o Caio-que-amei-durante-oito-anos-e-jamais-esquecerei. Não é desse Caio que falo hoje. Como se eu já não fosse criativamente piegas sozinha, resolvi me desprender de obrigações e passar a tarde com Caio Fernando Abreu. O livro, CAIO3D, eu já tinha lido e reencontrei ontem na Biblioteca, enquanto fuçava uma das prateleiras que mais me fascinam. (Ok, a bibliografia de que realmente .. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não, eu não vou falar pela milionésima vez no <em>Caio-da-infância</em>, o <em>Caio-primeiro-amor</em>, o <em>Caio-que-amei-durante-oito-anos-e-jamais-esquecerei</em>. Não é desse Caio que falo hoje.</p>
<p><img src="http://lovemaltine.com.br/wp-content/uploads/2009/05/7mrbbdtqen06h3uihygdqyn5o1_500.jpg" alt="7mrbbdtqen06h3uihygdqyn5o1_500" title="7mrbbdtqen06h3uihygdqyn5o1_500" width="500" height="332" class="aligncenter size-full wp-image-2809" /></p>
<p>Como se eu já não fosse criativamente piegas sozinha, resolvi me desprender de obrigações e passar a tarde com <strong>Caio Fernando Abreu</strong>. O livro, <strong>CAIO3D</strong>, eu já tinha lido e reencontrei ontem na Biblioteca, enquanto fuçava uma das prateleiras que mais me fascinam.</p>
<p>(Ok, a bibliografia de que <strong>realmente precisava</strong> pra estudar/trabalhar ficou por lá mesmo. Peguei só o que eu queria ler. Sei que é total FAIL, que no fim do bimestre <em>mimimi mimimi mimimi, blablabla whiskas sachê</em>, whatever.)</p>
<p>Eu quero e preciso de uma pausa <strong>pra mim</strong>. Preciso de um tempo pra pensar, preciso de um carinho, preciso da sexta-feira. Acima de tudo, preciso entrar mais um pouco em mim enquanto ela não chega. Caio se encaixa perfeitamente nessa necessidade, porque me identifico com ele, porque sinto que há muito dele em mim e (eu poderia ficar falando o dia todo), enfim, é melhor parar por aqui, afinal, ele me espera na cama, com mousse de maracujá na mão, pra continuar a me contar de novo suas histórias deliciosas. </p>
<p>(Por mim eu nem ia pra Cásper hoje. Nem pra USP amanhã. Por mim eu largava da vida e ia morar numa biblioteca. E eu não estou brincando nem figurativizando nada&#8230;) </p>
<p><font face="verdana" size="1px">imagem via unicorlogy.</font> </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://lovemaltine.com.br/caio-e-eu.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Noite de domingo</title>
		<link>http://lovemaltine.com.br/noite-de-domingo.html</link>
		<comments>http://lovemaltine.com.br/noite-de-domingo.html#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 26 Apr 2009 01:48:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariane Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[#Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[O Fantástico Mundo de Ariane]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://lovemaltine.com.br/?p=2715</guid>
		<description><![CDATA[&#8220;Você é masoquista, eu não&#8221;, ele disse, sério, enquanto subiam a Avenida Consolação. E essa ideia, esse &#8220;você é masoquista&#8221; perturbou-a ainda repetidas vezes antes que finalmente aceitasse essa condição. Masoquista. O maldito tinha razão. Tinha razão. Não gostava de nada que não a descontrolasse, remexesse por dentro, arrancasse pedaços, causasse espasmos loucos de vontade. Não gostava de nada ameno e racional. Não gostava da tranquilidade: só achava bom quando .. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://lovemaltine.com.br/wp-content/uploads/2009/04/859566270_7b1d55ac8e_b.jpg" alt="casal noite rua" title="casal noite rua" width="500" class="aligncenter size-full wp-image-2716" /></p>
<p>&#8220;Você é masoquista, eu não&#8221;, ele disse, sério, enquanto subiam a Avenida Consolação. E essa ideia, esse &#8220;você é masoquista&#8221; perturbou-a ainda repetidas vezes antes que finalmente aceitasse essa condição. Masoquista. O maldito tinha razão.</p>
<p>Tinha razão. Não gostava de nada que não a descontrolasse, remexesse por dentro, arrancasse pedaços, causasse espasmos loucos de vontade. Não gostava de nada ameno e racional. Não gostava da tranquilidade: só achava bom quando era insano, quando era confuso, quando lhe tirava o ar e causava dores estranhas.</p>
<p>(Por isso não estava tão feliz. Aquela relação planejada, cheia de limites, casual, a ideia de não poder se apaixonar, de saber estar com alguém que não a quereria, tudo aquilo a podava, limitava, tudo aquilo causou-lhe um desencanto profundo.)</p>
<p>Às vezes as pessoas pagam um preço alto por sonharem demais. Quase sempre, aliás. Ali, por exemplo. Naquela noite gostosa, feita especialmente para o amor. Ali. A vontade existia, mas não foi daquela vez. Talvez não fosse pra acontecer nunca, isso não importava. Aquela paixão que a motivava a fazer loucuras não estava ali. Não era a ele que ela pertencia. Só estava carente, só isso. Precisava de colo. E se estava fazendo as coisas do jeito errado, meu bem&#8230; Agora não queria nem saber.  A ideia de aproveitar o que tinha nas mãos naquele instante prevaleceu, e foi bom  &#8211; tanto quanto assustador &#8211; conciliar razão e emoção. </p>
<p>&#8220;Você é masoquista, eu não&#8221;, ele disse, sério, enquanto subiam a Avenida Consolação. E ela sorriu como quem sabia que aquilo era verdade. &#8220;Vou pra casa&#8221;, ela respondeu com carinho. Entreolharam-se. Um beijo, um abraço forte o suficiente para machucar. &#8220;Tem certeza?&#8221;, perguntou, respeitando a vontade dela, mas mostrando que não concordava com a decisão. &#8220;Tenho. Vou para casa&#8221;. Estava criando mais uma ferida quando dizia não a ele &#8211; mas e daí? Era masoquista mesmo, a dor é que lhe dava prazer. </p>
<p><font face="verdana" size="1px">imagem via vi.sualize.us</font></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://lovemaltine.com.br/noite-de-domingo.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Encontro</title>
		<link>http://lovemaltine.com.br/2589.html</link>
		<comments>http://lovemaltine.com.br/2589.html#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 30 Mar 2009 20:41:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariane Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[#AméliePoulain]]></category>
		<category><![CDATA[#Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[O Fantástico Mundo de Ariane]]></category>
		<category><![CDATA[#Desabafo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://lovemaltine.com.br/?p=2589</guid>
		<description><![CDATA[Ela volta do jantar solitário, cabeça nas nuvens, pasta sanfonada na mão, coquezinho-secretária, óculos embaçados pelo rímel recém-passado. Malditos cílios gigantes que sempre esbarram nas lentes&#8230; Não é um de seus melhores dias. Confusão mental, a sempre triste confusão mental. Caminha olhando para cima, sempre. Não por arrogância ou esperança, mas porque, inexplicavelmente, há algum tempo já não há o que lhe fascine mais que o céu. Especialmente o céu .. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2594" title="3108085876_fcbe13b89d_b" src="http://lovemaltine.com.br/wp-content/uploads/2009/03/3108085876_fcbe13b89d_b.jpg" alt="3108085876_fcbe13b89d_b" width="437" height="655" /></p>
<p>Ela volta do jantar solitário, cabeça nas nuvens, pasta sanfonada na mão, coquezinho-secretária, óculos embaçados pelo rímel recém-passado. Malditos cílios gigantes que sempre esbarram nas lentes&#8230; Não é um de seus melhores dias. Confusão mental, a sempre triste confusão mental.</p>
<p>Caminha olhando para cima, sempre. Não por arrogância ou esperança, mas porque, inexplicavelmente, há algum tempo já não há o que lhe fascine mais que o céu. Especialmente o céu logo acima da torre da Gazeta, sua torre, pedacinho da sua vida. De repente, uma voz a tira do transe.</p>
<p>- Olá, você vai atravessar a avenida?<br />
A velhinha sorri afetuosamente.</p>
<p>- Vou sim.<br />
A resposta vem ainda com algum receio. Não gosta de contato com estranhos. Tem dificuldade pra conversar até com conhecidos&#8230;</p>
<p>- Me ajuda a atravessar? Fico tão receosa&#8230;<br />
A doçura da senhora a conquista. Faz que sim com a cabeça e volta os olhos para o farol.</p>
<p>- Você trabalha por aqui?<br />
- Estudo na <em>Gazeta</em>&#8230;<br />
- Cursinho?<br />
- Não, Jornalismo&#8230;<br />
- Jornalismo&#8230; É uma bela profissão para as mulheres. Em que ano está?<br />
- Segundo.<br />
- E como é o campo?<br />
A pergunta do campo. Do mercado de trabalho. Sempre a pergunta do mercado de trabalho. Responde qualquer coisa, deseja não ter parado ali. Odeia falar sobre área de trabalho, campo, especialização&#8230; Todos sempre lhe torcem o nariz ao ouvir suas opiniões e opções.<br />
O sinal abre. Coloca a mão nas costas da velhinha e atravessam, enquanto, cachinhos brancos ao vento, vestido floral, a idosa continua:</p>
<p>- A filha do meu irmão fez jornalismo. Trabalha naquela revista&#8230; como é&#8230; <em>Valor</em>, conhece?<br />
- Economia?<br />
- Isso, isso! Trabalhava na <em>Gazeta Mercantil</em>, mas recebeu uma proposta mais lucrativa, sabe como é, dinheiro a mais é sempre bom&#8230; Ela adora economia. Você&#8230; Tem alguma área de interesse em especial?<br />
- Tecnologia.</p>
<p>Chegaram ao outro lado da Avenida. Paradas em frente ao Top Center, as duas se entreolham.</p>
<p>- Você tem mesmo cara de quem gosta de tecnologia, como não pensei nisso? Sério&#8230;<br />
- Obrigada&#8230;</p>
<p>A dona da cabecinha branca olha para os lados como quem não sabe para onde vai. A idade tem dessas coisas. Por um instante, fica com as mãos no queixo. Solta de repente e puxa a garota, que recebe um afetuoso beijo no rosto.</p>
<p>- Sucesso, menina! Sucesso! Você merece muuuuito sucesso! Obrigada, obrigada mesmo!</p>
<p>Ainda assustada com a estranha alegria advinda apenas de alguns segundos de atenção, sorri. Agradece. A confusão já não está mais dominando sua mente. Só consegue se sentir contagiada pela felicidade e pelo carinho da terna desconhecida.</p>
<p>- Mulheres! Mulheres! Sucesso, hein?, ainda gritava a senhora, parada entre a banca de jornal e o ponto e ônibus.</p>
<p>A garota continua seu caminho, passando pelo escadão, até chegar à Faculdade Cásper Líbero. Ah, a Cásper&#8230; Sorri para o segurança, cumprimenta o bedel com quem dividiu a viagem elevador e, como se fosse outra pessoa, passa o fim de sua segunda-feira esperando o melhor &#8211; não dos outros, mas de si mesma.</p>
<p>Senta em frente ao seu computador para fazer um trabalho, para, de sopetão, por um instante e, de repente, passa-lhe uma ideia louca pela cabeça. Ah, tolinha. Esqueceu de perguntar o nome daquela que por muito tempo ainda irá figurar em seu pensamento lembrando-a de sorrir pra vida&#8230;</p>
<p>Quem a vê assim já não sabe mais dizer quem ajudou quem.<br />
Mas qualquer um apostaria que quem mais ganhou nisso tudo foi ela, que, perto de seus vinte anos de idade, andava sofrendo sem porquê.</p>
<p><em>Foto por</em> <a href="http://www.flickr.com/photos/raphaelstrada/">Raphael Strada</a>.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://lovemaltine.com.br/2589.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Let it go</title>
		<link>http://lovemaltine.com.br/let-it-go.html</link>
		<comments>http://lovemaltine.com.br/let-it-go.html#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 03 Mar 2009 16:46:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariane Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[#Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[#BodeEterno]]></category>
		<category><![CDATA[#Desabafo]]></category>
		<category><![CDATA[#Personare]]></category>
		<category><![CDATA[adeus]]></category>
		<category><![CDATA[como esquecer um amor]]></category>
		<category><![CDATA[Ensaio sobre a cegueira]]></category>
		<category><![CDATA[fim]]></category>
		<category><![CDATA[ideais]]></category>
		<category><![CDATA[insistência]]></category>
		<category><![CDATA[tristeza]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://lovemaltine.com.br/?p=2309</guid>
		<description><![CDATA[A lua estava chamando a atenção ontem. Enorme, linda. Com uma enxaqueca enlouquecedora, o meu passeio de moto noturno não foi a coisa mais agradável do mundo. Mas a lua estava lá. E estava linda. Em meio a contrações de dor e parcela leve da atenção no trânsito (que eu também não queria morrer), eu chorei. Todos temos os nossos momentos de fraqueza, ainda o que nos vale é sermos .. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2310" title="lua em 2.03.09" src="http://lovemaltine.com.br/wp-content/uploads/2009/03/3324730613_66e7dec71f_o.jpg" alt="lua em 2.03.09" width="402" height="321" /></p>
<p>A lua estava chamando a atenção ontem. Enorme, linda. Com uma enxaqueca enlouquecedora, o meu passeio de moto noturno não foi a coisa mais agradável do mundo. Mas a lua estava lá. E estava linda.  Em meio a contrações de dor e parcela leve da atenção no trânsito (que eu também não queria morrer), eu chorei. <em>Todos temos os nossos momentos de fraqueza, ainda o que nos vale é sermos capazes de chorar, o choro muitas vezes é uma salvação, há ocasiões em que morreríamos se não chorássemos</em>. Chorei porque vi a lua, e a lua me lembrou de uma conversa que tive há não muito tempo com alguém que, espero, não terei conversas íntimas nunca mais.</p>
<p>A noite mal dormida graças às dores insuportáveis trouxe de presente uma manhã melancólica e tão dolorosa quanto a madrugada. Na caixa de entrada,  só o Personare, dizendo, infelizmente, aquilo que eu já sabia desde a cena na moto:  &#8220;<strong>transbordamento de emoções e problemas que você tem tentado evitar nos últimos dias</strong>, Ariane. (&#8230;) sugerindo que você até deseja levar as coisas numa boa, com mais relaxamento e tranqüilidade, mas há problemas e pendências a resolver que não podem ser evitadas! (&#8230;) não faça de conta que não existem coisas que lhe incomodam e que dê atenção a estes pontos. (&#8230;) A reflexão para o período é: <em><strong>do que eu preciso me libertar?&#8221; </strong></em>. Eu realmente estava fugindo, vide posts anteriores nesse mesmo blog. Já sabia também do que precisava me libertar. Só não sabia como.</p>
<p>No início a culpa era minha. Eu ia atrás da dor, todos os dias, em silêncio, sem que ninguém soubesse. Ele não sabia que eu estava ali, mas eu estava. Fuçava tudo, achando que descobrir as coisas me faria sentir uma raiva inexplicável e levaria todo amor embora. Bobagem, amor é perdão, sou toda perdão, sempre fui. Descobrir as coisas me deixava mal comigo mesma, com ninguém mais. Mas <em>o fundamental é não perdermos o respeito por nós próprios</em>, então eu disse adeus (confesso: submissinha como nunca o fui com ninguém, esperando que do outro lado viesse um &#8220;Não, não vá, sei o que quero, quero você&#8221; &#8211; bobagem de novo, não se deve esperar que alguém te diga algo só porque você o diria). Enfim, disse que ia embora, mas isso muitas vezes o fiz: despedia-me, mas voltava antes de virar a esquina. Dessa vez fui de verdade. Achei que finalmente fosse conseguir vencer esse sentimento estranho e o &#8220;Adeus&#8221; foi com toda a convicção que ainda restava aqui dentro.</p>
<p>Era a vez dele ser culpado. <em>É dessa massa que nós somos feitos, metade de indiferença e metade de ruindade. </em>Sempre se fez de bobo, nisso não havia novidade nenhuma. Mas achei que o bom senso se manifestaria dessa vez. Esqueci a miséria egoísta que todo ser humano é. <em>Na verdade ainda está por nascer o primeiro ser humano desprovido daquela segunda pele a que chamamos egoísmo, bem mais dura que a outra, que por qualquer coisa sangra.</em> Ter me recolhido aos estudos me fez muito bem. Enquanto lia, fingi não notar que tudo parecia um aviso, um lembrete. Mas está tudo lá, está tudo aqui, e o <em>pior cego é aquele que não quer ver</em>. Eu não queria, talvez fosse uma esperança, talvez achasse realmente que isso fosse dar certo um dia. Mas agora vejo, não que isso me tenha feito bem, que não vai ser diferente do que foi até hoje. Agora sou capaz de notar o quanto tenho sido boba, o quanto muita gente o é. O que começa errado, termina errado, e errado será se tiver novas chances de acontecer, <em>a experiência da vida e das vidas tem cabalmente demonstrado que ao tempo não há quem o governe</em>.  O tempo vai curar, eu espero, essa ferida que tem corrido cada vez mais previsível. O tempo vai me manter forte para que eu não falhe, de novo, comigo mesma.</p>
<p>Sinto falta de tanta gente, de tanta coisa, que engraçada é a internet, que engraçada é a vida, que panaca sou eu. <em>A consciência moral, que tantos insensatos têm ofendido e muitos mais renegado, é coisa que existe e existiu sempre, não foi uma invenção dos filósofos do Quaternário, quando a alma mal passava ainda de um projecto confuso.</em> Está tudo ali, na sua mão, e você acaba por não segurar. Está tudo disperso, tudo solto, tudo confuso, e você chora dizendo que queria ter. Nunca achei que essa coisa de <strong>Close your eyes, clean your heart, let it go</strong> fosse fácil, juro. Mas não sonhei &#8211; nem de longe &#8211; com toda essa dificuldade que tenho enfrentado.  Não é que eu queira ter alguém, não, que ultimamente o que quero é que me tenham. Cansei de ser só minha, cuidar sempre dos outros e acabar esquecida. Sinto que só vai parar de doer quando ele deixar de existir pra mim. Só não vejo meios disso acontecer sem que eu aja de maneira infantil. Porque é assim que ele tem agido. Sendo infantil.</p>
<p>É por isso que horóscopos, em especial o Personare, me divertem. Eles dizem o óbvio, ok. Todo mundo tem algo de que precisa se libertar. Às vezes, só precisamos ouvir isso de alguém, ué. E ele diz. É só não viver em função disso. É só saber o que vale a pena ouvir. Hoje ele confirmou o que tenho pensado há tanto tempo&#8230; &#8220;<strong>Seja fiel aos seus ideais</strong>, não se contente com pouco. Avalie criticamente o ambiente e corte todas as pessoas e situações que não servem mais em sua vida, sobretudo pessoas que você não avalia como construtivas, afinal <strong>todas as relações se pautam numa boa troca</strong>. <strong>Conselho:</strong> Mantenha seu nível de exigência alto, não se contente com pouco.&#8221; Vêem? O mesmo que eu disse ontem no Twitter, ao citar Saramago. É de doer o fígado. (Mentira, as dores são por culpa da enxaqueca mesmo). É de partir o coração que, com tanta reflexão, tanta dor e sofrimento (não só psicológicos, mas físicos!) eu ainda não tenha conseguido me resolver. Eu quero meu equilíbrio de volta. Enquanto isso não acontece, quero ir logo ao pronto-socorro tomar uma injeção na veia, que a Neosaldina já não está resolvendo mais.</p>
<blockquote><p>Observação:<br />
O conteúdo grafado em itálico corresponde a trechos de Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago.</p>
<p>O conteúdo entre aspas foi retirado do site <a href="http://personare.com.br">Personare</a>.</p>
<p>A imagem da lua é realmente dessa noite é foi tirada por<a href="http://flickr.com/photos/dcysurfer/3324730613/"> Dave Young</a>.</p></blockquote>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://lovemaltine.com.br/let-it-go.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Madrugada de domingo</title>
		<link>http://lovemaltine.com.br/madrugada-de-domingo.html</link>
		<comments>http://lovemaltine.com.br/madrugada-de-domingo.html#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 02 Mar 2009 16:42:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariane Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[#Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[confusão mental]]></category>
		<category><![CDATA[diálogos]]></category>
		<category><![CDATA[Ensaio sobre a cegueira]]></category>
		<category><![CDATA[mãe]]></category>
		<category><![CDATA[saramagueando]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://lovemaltine.com.br/?p=2305</guid>
		<description><![CDATA[Terminei o livro com um estranho pesar que não saberia explicar aqui: mal o consigo compreender. Saí do quarto, pus-me de frente ao grande espelho da copa. Não gostei do que vi, nunca gosto. Senti vontade de me fechar ali para sempre &#8211; bobagem minha, pessoas com problemas realmente muito mais sérios que os meus não o fazem, por que eu, aparentemente saudável, tenho agora esse medo de encarar a vida? .. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Terminei o livro com um estranho pesar que não saberia explicar aqui: mal o consigo compreender. Saí do quarto, pus-me de frente ao grande espelho da copa. Não gostei do que vi, nunca gosto. Senti vontade de me fechar ali para sempre &#8211; bobagem minha, pessoas com problemas realmente muito mais sérios que os meus não o fazem, por que eu, aparentemente saudável, tenho agora esse medo de encarar a vida? Voltei para o meu quarto, dirigi-me à estante dos adorados, aqueles que sempre me fazem bem. Passei os olhos sobre os títulos, nenhum me chamou dessa vez. Fiquei ali ainda alguns minutos a pensar, olhar e dialogar com eles. <em>Talvez Cecília ou Pessoa, não, não, não estou hoje para poesia, podia tentar Flaubert, Goethe, Remarque, estão acenando de leve, são tão simpáticos&#8230; Mas não, não, não quero, simplesmente me deprimiria ainda mais, não, chega de literatura por hoje, amanha pego algo às escuras, saberei do que se trata apenas quando estiver já na faculdade.</em> Voltei à beira da cama, sentei-me como quem senta no sofá dum desconhecido, recatada, encolhida. Olhei em direção ao meu espelho. <em>Veja só, como mudei, como estou sempre a mudar, cada dia mais diferente e, no entanto, sempre a mesma.</em> Ainda não sabia, mas esse pensamento me viria cutucar de novo na manhã seguinte. A mãe bateu à porta, deitou-se em minha cama como uma adolescente que vai escrever em seu diário, pediu-me um beijo. <em>Eu te amo demais, filha</em>. Beijei-a na testa, dei-lhe um abraço longo e silencioso. Pegou o livro que repousava ao meu lado. <em>Em que parte estás, Já terminei, Não acredito, vives de literatura, és pior que eu, não fazes nada além disso, ler, ler mais um, ler de novo.</em> Suspiramos as duas. Rimos as duas, ela falava de mim como se fosse diferente, não o era, a não ser pelo fato de trabalhar &#8211; mas como seu trabalho envolvia também ler e ler e ler mais um pouco, estávamos agora na mesma. <em>Agora me fale, o que acha da cena das galinhas, acho que é na volta da moça dos óculos escuros, esse li há tempos, não me recordo bem como é, sei que há coelhos também.</em> Pensei por um instante. <em>Sim, sei do que falas, há peles de coelho espalhadas pela casa, pedaços de carne crua mastigados sobre a mesa, só a mulher do médico pode ver, Claro, horrível, lembrei-me dela porque no filme não aparece, Imagino, seria difícil adaptar cena assim, inclusive, falando no filme, dessa vez senti vontade de assisti-lo, sei que nunca gosto de adaptações, se foi por isso mesmo que não fui contigo ano passado, mas agora estou curiosa para saber como o fizeram, Desse gostei, acho que devias ver.</em> Paramos as duas. <em>Vou dormir, estou cansada, amo-te muito, Vá sim, vou também, até amanhã à noite. </em>E ela foi. Fiquei um tempo ainda sentada, olhando em direção ao vazio, a pensar no que me tem angustiado. Melzinha acomodou-se no cantinho a ela reservado ao lado de minha cama, afofou seu cobertor e fechou os olhinhos negros e tristes. Tive pena, apaguei as luzes, achei que realmente era hora de dormir.<em> Boa noite, Melzinha</em>, baixei a mão, recebi uma lambidinha carinhosa, virei para o lado e dormi o sono dos descontentes, a espera do que havia de vir.</p>
<p> </p>
<p>Pela manhã, passei pela prateleira novamente, sorteei um livro ao acaso, coloquei na mochila. Ao chegar na faculdade, depois do trajeto pelos anos 90, abri-a para ver de qual se tratava. <em>Nada de Novo No Front</em>. Remarque vencera. Mais um sinal de que ando reclamando demais de uma vida que tem sido até que bem fácil.</p>
<p> </p>
<blockquote><p>Não me matem por ter escrito à moda de Saramago. Estava piraaando quando rascunhei esse texto. Não quis mudar o original. Não achei bonito, fato. Mas piração é piração, prefiro respeitar. Prometo não fazer de novo. (Não prometo nada, o texto é meu, escrevo como bem entender! hahaha)</p></blockquote>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://lovemaltine.com.br/madrugada-de-domingo.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Eles têm sempre a razão</title>
		<link>http://lovemaltine.com.br/eles-tem-sempre-a-razao.html</link>
		<comments>http://lovemaltine.com.br/eles-tem-sempre-a-razao.html#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 01 Mar 2009 16:03:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariane Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[#autoajuda]]></category>
		<category><![CDATA[#Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[#Música]]></category>
		<category><![CDATA[#BodeEterno]]></category>
		<category><![CDATA[esquecimento]]></category>
		<category><![CDATA[saudades]]></category>
		<category><![CDATA[tom jobim]]></category>
		<category><![CDATA[vinicius de moraes]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://lovemaltine.com.br/eles-tem-sempre-a-razao.html</guid>
		<description><![CDATA[de Vinícius e Tom: haja o que houver há sempre um homem para uma mulher e há de sempre haver pra esquecer um falso amor e uma vontade de morrer seja como for há de vencer o grande amor que há de ser um coraçao como perdão pra quem chorou E quem sou pra discordar?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>de Vinícius e Tom:</p>
<blockquote><p><em>haja o que houver<br />
há sempre um homem para uma mulher<br />
e há de sempre haver<br />
pra esquecer um falso amor<br />
e uma vontade de morrer<br />
seja como for<br />
há de vencer o grande amor<br />
que há de ser um coraçao<br />
como perdão pra quem chorou</em></p></blockquote>
<p>E quem sou pra discordar?</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://lovemaltine.com.br/eles-tem-sempre-a-razao.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Belinha</title>
		<link>http://lovemaltine.com.br/belinha.html</link>
		<comments>http://lovemaltine.com.br/belinha.html#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 26 Feb 2009 15:53:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariane Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[#AméliePoulain]]></category>
		<category><![CDATA[#Amigos]]></category>
		<category><![CDATA[#Amores]]></category>
		<category><![CDATA[#Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[#TVP]]></category>
		<category><![CDATA[#BodeEterno]]></category>
		<category><![CDATA[#Desabafo]]></category>
		<category><![CDATA[#Especial]]></category>
		<category><![CDATA[#ultraconfessional]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://lovemaltine.com.br/?p=2271</guid>
		<description><![CDATA[Não podia ouvir ninguém chegar, fosse de carro ou a pé, que corria pra porta, latindo. &#8220;Quieta, Belinha! Já é tarde! shiiiiu!&#8221; Voltava, avisava a todos na casa, ia desesperada em direção ao portão. Sem boas vindas nem tem graça entrar em casa. Ao menor barulho do saco de pão, disparava em direção à cozinha. &#8220;Ô, Belinha, me deixa tomar meu café!&#8221;. Nem quando alguém ia ao banheiro dava sossego. .. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://farm4.static.flickr.com/3495/3238415050_69a1d7b412_o.jpg" alt="" width="500" height="375" /></p>
<p>Não podia ouvir ninguém chegar, fosse de carro ou a pé, que corria pra porta, latindo. &#8220;Quieta, Belinha! Já é tarde! shiiiiu!&#8221; Voltava, avisava a todos na casa, ia desesperada em direção ao portão. Sem boas vindas nem tem graça entrar em casa. Ao menor barulho do saco de pão, disparava em direção à cozinha. &#8220;Ô, Belinha, me deixa tomar meu café!&#8221;.</p>
<p>Nem quando alguém ia ao banheiro dava sossego. Corria atrás e se escondia embaixo da pia. Vira e mexe passava despercebida aos olhos de alguém e acabava lá presa, sozinha, até latir por socorro.Isso quando não esqueciam a porta aberta na hora do banho &#8211; ia pra baixo do chuveiro na hora! &#8220;Belinha, sua danada, acabei de secar você&#8230;!&#8221;. Adorava tomar banho, sentir-se limpa, bonita. Caminhava feito uma princesa pela casa. Isabella. Mais Bela que Isa, mas era o nome perfeito. Beleza imponente. &#8220;Nunca vi cachorra assim! Parece uma gata!&#8221;.</p>
<p>Dormia o tempo todo no braço do sofá. &#8220;Bela, desce daí!&#8221; E ela esperava a gente virar as costas e subia de novo. Eu, papai, mamãe, Tainá e Melissa éramos mais dela que ela nossa. Escalava escadas como ninguém, avançava em qualquer um que lhe parecesse ameaçar um de nós. Ciumenta que só. Pulava de um sofá para o outro. Orgulhosa.  Nem adiantava chamá-la se pegássemos a Melzinha primeiro. Virava a cara. &#8220;Belinha! Bela! Vem cá, cheirosa!&#8221;. E a sem vergonha sumia.</p>
<p>Num passe de mágica, surgiam calças e calcinhas furadas. Quantas calcinhas novas joguei no lixo por ter esquecido na cama no dia da compra! &#8220;Dá um beijo, Belinha!&#8221; E ela dava uma lambidinha só, rápida e carinhosa, na face de quem pedia. Belinha era a alegria da casa. Até quando fazia coisa errada, nos fazia sorrir.</p>
<p>Dormia na porta do quarto esperando alguém levantar. Às vezes, no meio da madrugada, empurrava a porta e subia na minha cama. Eu acordava com o que mais parecia um bolinho peludo no edredom, fazendo calor em cima das minhas pernas. &#8220;Sai daqui, Belinha!&#8221;. De vez em quando, engasgava com alguma porcaria achada no chão e deixava todo mundo assustado. Companhia quando eu estava carente. Inspiração nas minhas aventuras escritas. Belinha sim era cachorra pra amar&#8230;</p>
<p>Assustada. Sempre. O que tinha de espoleta, tinha de medrosa. Medo de tudo. Sombra, bonecas, espelho, televisão&#8230; Temia o tartarugo&#8230; Temia até &#8211; e principalmente! &#8211; rodos e vassouras. Era só ver um que saia latindo e chorando, rosnando pra quem se pusesse em seu caminho. Invocava até, mas era só oferecer um carinho que já se abria toda. Não fazia xixi fora do jornal, não aceitava sair sem antes colocar um lacinho, ah, Belinha! ô Belinha&#8230; De vez em quando eu ainda a espero vir correndo. De vez em quando ainda me pego chamando. Belinha! Belinha! Mas ninguém vem.</p>
<p>Bobeira segurar as lágrimas. Bom deixar correr. &#8220;Belinha! Belinha! Não faça isso! O que você tem? Engasgou de novo? Responde, Belinha! Belinha&#8230; ô, minha menina&#8230; Belinha?&#8221;  Fiz tudo o que pude, juro. Mas o corpo foi esfriando, fez-se duro &#8211; e ela nunca mais respondeu.</p>
<blockquote><p>escrito na madrugada de 21 para 22/02, no quarto escuro, entre o rodízio de lágrimas dos quatro que Belinha deixou aqui quando partiu.</p></blockquote>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://lovemaltine.com.br/belinha.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>post-diarinho</title>
		<link>http://lovemaltine.com.br/post-diarinho.html</link>
		<comments>http://lovemaltine.com.br/post-diarinho.html#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 04 Feb 2009 23:49:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariane Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[#Cotidiano]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://lovemaltine.com.br/?p=2024</guid>
		<description><![CDATA[Passei o dia customizando coisinhas. Sempre bom. A verdade é que as férias estão acabando, Cásper Líbero e USP me esperam e eu, embora nada empolgada, estou aqui, aos trancos e barrancos, encapando cadernos, jogando fora papéis velhos e dando espaço aos novos, organizando meu horário e, sobretudo, gritando &#8220;CORRÃO!!!!&#8221; pra todo mundo que vem me pedir conselho sobre fazer duas faculdades. Olha, não é pouca gente que vem falar .. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Passei o dia customizando coisinhas. Sempre bom. A verdade é que as férias estão acabando, Cásper Líbero e USP me esperam e eu, embora nada empolgada, estou aqui, aos trancos e barrancos, encapando cadernos, jogando fora papéis velhos e dando espaço aos novos, organizando meu horário e, sobretudo, gritando &#8220;CORRÃO!!!!&#8221; pra todo mundo que vem me pedir conselho sobre fazer duas faculdades. Olha, não é pouca gente que vem falar comigo sobre isso.</p>
<p> </p>
<p>Enfim, eu alerto as pessoas pra que elas não cometam os mesmos erros que eu. Se bem que, no fim, acho até meio chato dizer &#8216;não faça isso&#8217;. É hipócrita, sei lá. Eu só digo &#8216;eu, se pudesse, voltaria atrás&#8217;. Cada um tem um jeito de levar uma experiência. pra mim foi péssimo, pelo menos esse primeiro ano. Mas eu vou confessar: ainda não sei se tranco a USP ou não. É, não quero ter que aguentar mãe em casa todos os dias. Prefiro estudar até pirar. Sério. Sério mesmo. Não estou brincando.</p>
<p> </p>
<p>E por falar em estudar, vou ali ler mais um pouco de Vinícius enquanto eu ouço meu querido Cazuzinha. Dessa vez tô guardando minhas anotações, quando acabar de reler o livro, trago-as pra cá. :}</p>
<p> </p>
<p>Pra vocês, aqueeeeeeele beijo que eu nunca mando, ao som de<a href="http://blip.fm/profile/lovemaltine/blip/3345670"> </a><em><a href="http://blip.fm/profile/lovemaltine/blip/3345670">quase um segundo</a> </em>- que me tirou lágrimas minutos atrás.<br />
Despeço-me por hoje. Melhor, por agora. Por agora, porque sei que sempre volto antes do combinado.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://lovemaltine.com.br/post-diarinho.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Paixão Lámen</title>
		<link>http://lovemaltine.com.br/paixao-lamen.html</link>
		<comments>http://lovemaltine.com.br/paixao-lamen.html#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 04 Feb 2009 01:35:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariane Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[#Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[#Bobagens]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://lovemaltine.com.br/?p=1988</guid>
		<description><![CDATA[Instantânea. A chamada paixão de metrô. Aquela que começa num olhar cruzado e termina na estação de quem desembarcar primeiro.   (Geralmente a gente não encontra essa pessoa nunca mais. Ver uma foto dela no álbum de um amigo é tipo MUITO pra qualquer cabeça. Pode ser um sinal, pode ser uma coincidência, e pode ser mais uma das paranóias da minha vida-novela.) Tô na chuva, meu bem. Quero mais .. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://farm4.static.flickr.com/3119/2576454635_4038c5074b.jpg" alt="" width="500" height="333" /></p>
<p>Instantânea. A chamada paixão de metrô.</p>
<p>Aquela que começa num olhar cruzado e termina na estação de quem desembarcar primeiro.<br />
 </p>
<p>(Geralmente a gente não encontra essa pessoa nunca mais. Ver uma foto dela no álbum de um amigo é tipo MUITO pra qualquer cabeça. Pode ser um sinal, pode ser uma coincidência, e pode ser mais uma das paranóias da minha vida-novela.)</p>
<p>Tô na chuva, meu bem. Quero mais é me molhar, mesmo. Cansei de ficar esperando na calçada, contando com a lona de alguma loja, desprevenida. Não foi no metrô,  óbvio. Só usei da metáfora. Foi na Campus Party. E não foram nem segundos. Foi só um olhar cruzado, logo no início do dia.</p>
<p>(Ok. Quase na hora de ir embora, houve abordagem, confesso. Ele tentou &#8211; e eu não acreditei! &#8211; mas eu não pude conversar naquela hora. &#8220;Oi, está acampada aqui?&#8221; &#8220;Oi? Não&#8230; E você?&#8221; &#8220;Não, tô a trabalho&#8230; Quero te conhecer, posso?&#8221; &#8220;Agora?&#8221; &#8220;Agora!&#8221; &#8220;Jantar&#8230; Inadiável. Mais tarde, pode ser?&#8221; &#8220;Promete?&#8221; &#8220;Prometo!&#8221;. Na verdade, eu fiquei tão sem reação que, ao dizer que conversaria mais tarde, não me toquei de que aquilo mais parecia desculpa de quem quer dizer &#8220;não&#8221; do que qualquer outra coisa. Não nos encontramos mais depois disso. É claro que foram três dias em que meus olhos involuntariamente passearam o Centro de Exposições várias vezes procurando cruzar com os dele de novo. Nada.) </p>
<p>Pausa de quinze dias. Nem lembrava mais de nada. Daí ele aparece numa foto aleatória, num álbum qualquer do Flickr e eu fico tipo &#8220;WTF???&#8221;. Em cinco minutos eu já achei blog, twitter, videolog, msn, skype, portfólio, se pá eu já tenho até o resultado dos últimos exames que o cara fez. (Exageraaaada!) Mas não vou arriscar nada, eu sou devagar.</p>
<p>Foi instantâneo &#8211; é paixão miojo, sabe? Só é gostoso na hora &#8211; esfriou, perdeu o sabor.</p>
<p>E gente, eu tenho paixões de metrô, calçada e elevador todos os dias. Eu vivo disso, das palpitações e do desesperozinho.<br />
Às vezes de um pseudo contato cinematográfico, às vezes de ser invisível também.</p>
<p> </p>
<p>Eu vivo de me apaixonar, o tempo todo. É por isso que eu sofro tanto quando me apego a alguém. Quando eu me apego, minhas paixões se tornam menos freqüentes. Eu foco naquele de quem gosto. E eu preciso de reciprocidade, senão não dá. Da última vez, não deu. Fim.</p>
<p> </p>
<p><a href="http://novo-mundo.org">Rafael</a> me fez lembrar o significado das palavras início e fim. Daí eu finalmente aceitei o fim e pronto.<br />
Não posso ficar mimimizando as coisas pra sempre.</p>
<p> </p>
<p>(E eu não postei sobre o cara na época da #cparty com medo dele achar meu blog. Mas agora eu vou tacar um foda-se, que eu nunca tive muito controle mesmo sobre o que eu posto aqui, tanto quanto não tenho sobre quem lê. ;D)</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://lovemaltine.com.br/paixao-lamen.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Bom dia, quarta-feira.</title>
		<link>http://lovemaltine.com.br/bom-dia-quarta-feira.html</link>
		<comments>http://lovemaltine.com.br/bom-dia-quarta-feira.html#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 28 Jan 2009 12:51:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariane Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[#Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[#BodeEterno]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://lovemaltine.com.br/?p=1844</guid>
		<description><![CDATA[O despertador toca. Chuva batendo na janela. Organização mental. &#8220;Ligar pra ele. Ir ao mercado. Arrumar o guarda-roupas. Postar no vitrola. Mandar email pra galera. Ir à autoescola. Descobrir como chegar à Vila Madalena. Arrumar cabelo/roupa. Mas ah.. Ligar pra ele&#8230; É, ligar pra ele&#8230;&#8221;. Chuva batendo na janela. 9h10 no relógio. &#8220;Dez minutos pensando no que preciso fazer? hunf&#8221;. Puxo o edredom e me cubro até a cabeça. &#8220;Preciso .. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O despertador toca. Chuva batendo na janela. Organização mental. &#8220;Ligar pra ele. Ir ao mercado. Arrumar o guarda-roupas. Postar no vitrola. Mandar email pra galera. Ir à autoescola. Descobrir como chegar à Vila Madalena. Arrumar cabelo/roupa. Mas ah.. Ligar pra ele&#8230; É, ligar pra ele&#8230;&#8221;. Chuva batendo na janela. 9h10 no relógio. &#8220;Dez minutos pensando no que preciso fazer? hunf&#8221;. Puxo o edredom e me cubro até a cabeça. &#8220;Preciso de força. Força&#8221;. Coloco o despertador pra tocar 9h30 e fico lá, sufocando no meu mundinho de medo, enquanto a chuva bate na janela. </p>
<p> </p>
<p>Despertador toca de novo. Chuva batendo na janela. Levanto, tomo um banho, café e pão quentinho me esperam na mesa. E eu corro pra vida, que correr dela, está comprovado, não me leva a lugar nenhum.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://lovemaltine.com.br/bom-dia-quarta-feira.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Fraquezas</title>
		<link>http://lovemaltine.com.br/fraquezas.html</link>
		<comments>http://lovemaltine.com.br/fraquezas.html#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 28 Jan 2009 00:00:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariane Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[#Aleatório]]></category>
		<category><![CDATA[#Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[#BodeEterno]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://lovemaltine.com.br/?p=1840</guid>
		<description><![CDATA[Fraquezas. Somos cheios delas. Às vezes ficam ocultas por um bom tempo. Às vezes, a vida toda. Alguns não têm essa sorte; são assaltados por elas freqüentemente. Como eu. Eu vivo minhas fraquezas.   Durante grande parte da minha vida, fui incapaz de chorar. Incapaz de sentir pena, piedade, compaixão. Não sofria pelos outros, não sofria nem mesmo por mim. Sorria sempre, uma forma de parecer forte &#8211; não importa .. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fraquezas. Somos cheios delas. Às vezes ficam ocultas por um bom tempo. Às vezes, a vida toda. Alguns não têm essa sorte; são assaltados por elas freqüentemente. Como eu. Eu vivo minhas fraquezas.</p>
<p> </p>
<p>Durante grande parte da minha vida, fui incapaz de chorar. Incapaz de sentir pena, piedade, compaixão. Não sofria pelos outros, não sofria nem mesmo por mim. Sorria sempre, uma forma de parecer forte &#8211; não importa quão despedaçada eu estivesse por dentro. De repente, reviravoltas. Eu, que sempre fui acostumada à vitória, deparei-me com derrotas sucessivas, arranhões dignos de cicatrizes horrendas. Pela primeira vez e numa estocada só, meu mundo caiu.</p>
<p> </p>
<p>Então eu levantei. Não olhei para trás, não é fácil seguir em frente quando se pensa naquilo que ficou. Lembrei que nunca deixei de realizar aquilo que sonhei. Que sempre consegui tudo o que tinha por objetivo. E simplesmente segui. Achei que fosse ser tudo como sempre foi, mas não. Algo mudou em mim. Talvez a dor tenha me feito humana. Eu enxerguei. Enxerguei o que o tempo todo esteve exatamente na minha frente sem que eu notasse. Vi que fingir alegria era me boicotar. Que só feria a mim mesma, mais ninguém.</p>
<p> </p>
<p>Aprendi, na marra, a chorar. Não tinha controle. E aí foi a fase manteiguinha derretida. É que a luta era grande (não que não seja mais) e eu chorava para não desistir. Cada vez que a fraqueza batia, deixava explodir. Foi me permitindo ter essas explosões que consegui chegar aos objetivos mais uma vez. </p>
<p> </p>
<p>Mas esse não foi o fim. Para chegar onde estou agora, retrocedi. Parece que o ser humano tem esse defeito de querer ser forte. De se mostrar capaz. E foi assim que, guardadas as devidas proporções, minhas vitórias, ainda que pequenas, inflaram meu ego mais do que deveriam. De um segundo para o outro, sem me pedir permissão, o auto boicote voltou à ativa &#8211; e lá estava eu, me segurando de novo. </p>
<p> </p>
<p>Às vezes, vestia a máscara da alegria excessiva. Às vezes, a da tristeza incomum. Eventualmente, surgia a máscara do despeito. &#8220;Não estou nem aí&#8221;. Só um idiota acreditaria em qualquer uma delas. Ninguém é cem por cento nada. Ninguém é só alegria, ou só tristeza. Ninguém tem um momento &#8220;nem aí&#8221; e sai dizendo isso por todos os cantos, simplesmente porque quando você realmente não está nem aí&#8230; Não está nem aí MESMO. Ignora os fatos, não debocha deles. </p>
<p> </p>
<p>Dessa vez funcionou menos do que de costume. O ano não estava nem na metade e eu já sentia as dores, o peso da verdade sobre mim. &#8220;Eu não vou conseguir&#8221;, era o que pensava. E dentro de mim, uma montanha russa de sensações fazia questão de funcionar 24 horas. Cedi. Cedi às máscaras, à dor. Passei a viver de reclamar, deixei de fazer a única coisa que podia me tornar vitoriosa. Fiquei esperando que tudo acontecesse sozinho, que as coisas viessem prontas em minha direção. </p>
<p> </p>
<p>Quando a paixão chegou, nem hesitei. Por que não me entregar? Já havia perdido tudo o que levara um tempão para conseguir. Não tinha nada a perder. Nos últimos anos, guardava amor e mágoas lado a lado. E não me permitia mais sentir. E como amei! Reprimi durante muito tempo todo e qualquer sentimento alheio a esse amor. Alimentei um fantasma, dormi com ele todas as noites, ano a ano. No dia em que, de surpresa, meu coração acelerou por outra pessoa da mesma maneira que havia acelerado 8 anos antes pelo fantasma, exatamente da mesma maneira, eu o libertei. </p>
<p> </p>
<p>Por algum tempo, eu vivi a vida de verdade, não aquela que criei pra mim. Foi paixão daquelas doentias, que tiram do sério. Senti coisas que não sentia há muito tempo. Fiz coisas que nunca tinha feito. Faria muito mais ainda, se o tempo não tivesse se encarregado de me mostrar que eu estava errada. Que não era mais adolescente, não devia mais agir como tal. Que a paixão, por mais intensa que fosse, não era a mesma dos dois lados &#8211; e que minhas expectativas não condiziam com o que o outro lado tinha a me oferecer. </p>
<p> </p>
<p>Misturaram-se a frustração de um amor não correspondido às consequências de minha irresponsabilidade. Estou aqui, no início de mais um ano, sem saber o que fazer, sem ter a quem recorrer, cheia de decisões a tomar sem que possa pedir ajuda. São decisões que cabem a mim. Não há certo ou errado. E aí eu choro. O ar me falta, a cabeça dói. Algumas vezes perco o controle do corpo, noutras estou rindo e fingindo que está tudo bem.</p>
<p> </p>
<p>Olhando de cima, tudo o que vejo são fraquezas. Fraturas expostas, tocadas, uma a uma. O que eu vivo são minhas fraquezas. O que não temo eu evito, o que me é seguro demais não me importa. Não sei se é algo significativo ou não, se enxergam minhas fraquezas como eu as enxergo. Eu só sei que eu não mudaria minha maneira de viver a vida. Talvez apenas umas coisa: essa minha mania de pensar demais antes de fazer. Isso é coisa de gente fraca.</p>
<p> </p>
<p>(Texto sem sentido e sem revisão. quem liga? O blog é meu.Hunf.)</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://lovemaltine.com.br/fraquezas.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Olá!</title>
		<link>http://lovemaltine.com.br/ola.html</link>
		<comments>http://lovemaltine.com.br/ola.html#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 23 Jan 2009 15:22:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariane Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[#Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[O Fantástico Mundo de Ariane]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://lovemaltine.com.br/?p=1829</guid>
		<description><![CDATA[Eu não morri. Não morri MESMO. É uma delícia poder dizer isso. Hahaha. Estou passando por um momento de reclusão. Não, não num SPA. Na Campus Party. Sim, meu momento de reclusão &#8220;bloguística&#8221;  é, ironicamente, o meu momento de expansão social. Enfim, só não tenho postado mesmo porque ão consegui ainda organizar minhas idéias. É muita informação aqui, o tempo todo. Agora mesmo, estou a uns 6 metros da Samara .. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu não morri. Não morri MESMO. É uma delícia poder dizer isso. Hahaha.</p>
<p>Estou passando por um momento de reclusão. Não, não num SPA. Na Campus Party. Sim, meu momento de reclusão &#8220;bloguística&#8221;  é, ironicamente, o meu momento de expansão social. Enfim, só não tenho postado mesmo porque ão consegui ainda organizar minhas idéias. É muita informação aqui, o tempo todo. Agora mesmo, estou a uns 6 metros da Samara Fellipo enquanto ela fala sobre como é ser uma celebridade blogueira. (Prometo não dar meu parecer a respeito).</p>
<p>Só dei uma passadinha no blog pra não deixá-lo morrer. Tenho esperança de que conseguirei postar mais depois. Contar das &#8220;arrobas&#8221; que conheci, dos micos que paguei, das palestras que assisti. Sempre bom, também, é falar das decepções que me acometeram. Senão, não seria eu. Hahaha.</p>
<p>E hoje meus novos olhos chegaram. Que delícia, parece que eu troquei a televisãozinha velha de 14&#8221; por uma LCD de 42&#8221;. Só que 24 horas, em todas as direções. ô diliça&#8230;</p>
<p>Volto qualquer hora dessas, com mais informações (des)interessantes sobre minha vidinha (cada vez mais) nerd. <img src='http://lovemaltine.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Beijinhos.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://lovemaltine.com.br/ola.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Reerguendo a cabeça</title>
		<link>http://lovemaltine.com.br/superando-o-surto.html</link>
		<comments>http://lovemaltine.com.br/superando-o-surto.html#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 11 Jan 2009 23:32:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariane Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[#Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[O Fantástico Mundo de Ariane]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://lovemaltine.com.br/?p=1747</guid>
		<description><![CDATA[Things have changed for me and that&#8217;s ok I feel the same I&#8217;m on my way and I say Things have changed for me and that&#8217;s ok I feel the same and I say (Well, things have changed for me Come on everybody let&#8217;s dance and sing I&#8217;m not saying it&#8217;s all my fault Come on everybody just know the song and say) Things have changed for me and that&#8217;s .. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><center><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/6XBE49k3zzM&#038;hl=pt-br&#038;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/6XBE49k3zzM&#038;hl=pt-br&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p></center><em>Things have changed for me and that&#8217;s ok<br />
I feel the same<br />
I&#8217;m on my way and I say<br />
Things have changed for me and that&#8217;s ok<br />
I feel the same and I say<br />
(Well, things have changed for me<br />
Come on everybody let&#8217;s dance and sing<br />
I&#8217;m not saying it&#8217;s all my fault<br />
Come on everybody just know the song and say)<br />
Things have changed for me and that&#8217;s ok<br />
</em></p>
<p>
A música resume o atual estado de espírito <img src='http://lovemaltine.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /><br />
As coisas que precisavam ser ditas já foram. Eu já ouvi, eu já desabafei, ficar chorando não vai resolver nada. Então é isso. Hora de correr atrás do prejuízo e ver qualé a da vida. Talvez ela decida parar de me chicotear. (Se não decidir, fuck off. Sou masoquista mesmo&#8230;).</p>
<p><em>Things have changed for me, but I&#8217;m ok.</em> E vamo que vamo, botar os projetos na roda, dar a cara a tapa e seguir em frente que o ano ainda nem começou!</p>
<p>(MUITO obrigada à galera que me apoiu. MESMO. Não sabia que tinha tantos leitores &#8211; tanta gente que sabe de quase tudo que se passa aqui e, talvez por vergonha, talvez por preguiça, talvez por educação (whatever) nunca se manifesta. Mais que leitores, cada vez eu tenho mais certeza de que posso chamá-los de AMIGOS. As pessoas certas sentirão e saberão que é delas que estou falando, sure? Obrigada pelos emails, directs, sms, bate-papos no gtalk e no msn, e, acima de tudo, por se preocuparem comigo às vezes mais do que quem me conhece e convive diariamente. Beijinhos!)</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://lovemaltine.com.br/superando-o-surto.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Quarta-FAIL</title>
		<link>http://lovemaltine.com.br/quarta-fail.html</link>
		<comments>http://lovemaltine.com.br/quarta-fail.html#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 18 Dec 2008 03:17:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariane Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[#Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[#VergonhaAlheia]]></category>
		<category><![CDATA[O Fantástico Mundo de Ariane]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://lovemaltine.com.br/?p=1601</guid>
		<description><![CDATA[Perfume, maquiagem, roupa bonitinha,  cabelo ok, cheirosinha, tudo como manda o figurino. Aliás,  o figurino não manda nada, é só que eu gosto de me arrumar. Oito horas em ponto (eu sei, pontualidade é a virtude dos fracos!) eu estava lá, conforme o combinado. Sorriso no rosto, matando as saudades acumuladas em duas semaninhas de distância &#8211; o que é muito pra uma solitária carente como eu. Daí foram conversas .. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://farm1.static.flickr.com/60/215277311_0ef8e49f54.jpg?v=0" alt="" width="500" height="375" /></p>
<p>Perfume, maquiagem, roupa bonitinha,  cabelo ok, cheirosinha, tudo como manda o figurino. Aliás,  o figurino não manda nada, é só que eu gosto de me arrumar. Oito horas em ponto (eu sei, pontualidade é a virtude dos fracos!) eu estava lá, conforme o combinado. Sorriso no rosto, matando as saudades acumuladas em duas semaninhas de distância &#8211; o que é muito pra uma solitária carente como eu.</p>
<p>Daí foram conversas legais, conversas chatas, tristezas e alegrias lançadas à mesa entre nachos, batatas fritas, pints, coca-cola, caipirinhas, Marlboros, LA&#8217;s e mimimis. Por dentro, desde o início, a promessa era não demonstrar a tristeza, não expelir fumaça nem ingerir álcool. Não foi cumprida. De novo eu me via no meio de muitas pessoas, fissurada por um celular que não dava sinal de vida. Porque eu sou burra, claro, e eu fiquei esperando o celular dar sinais que (meu coração me dizia com propriedade e razão) ele não daria.</p>
<p>A tentação ao lado &#8211; a GRANDE <strong>tentação</strong> &#8211; sem que eu sequer olhasse pra ela. Já sem muito equilíbrio &#8211; entenda-se aí físico e emocional &#8211; decidimos que era hora de ir. E, talvez por alguma palavra mal utilizada por alguém, simplesmente surtei. Surtei por aquilo que estava engolindo a noite toda e que todos ali sabiam o que era. Tropeçar, balançar, perder o rumo, tudo isso era fichinha perto da salada de emoções que estava dentro de mim. Aí o celular vibrou.</p>
<p>O mesmo mimimi de sempre. Aquela coisa que a gente ouve e sabe que não é de coração. Lágrimas guardadas pra mais tarde, ódio infinito queimando no coração. Balanço: Alguns cânceres, caipirinhas e mais uma noite de solidão e desespero. Tory, no banco da frente do carro que eu, em meu estado, nem consegui identificar qual era antes de entrar, soltou tudo que havia a se dizer: <strong>HE SUCKS</strong>.</p>
<p>No metrô, sozinha, constrangida pelo vexame que meus excessos permitiram vir à tona e nervosa pelo fato de ser tratada feito uma babaca, apelei ao amigo distante. <strong>SORRISO, </strong>foi o que ele disse. Sorriso, eu tenho que lembrar do sorriso sempre.<em> Bonito, todo me parece bonito</em>.  Tory tentou me mostrar que eu era especial, também ao celular. Não me acho especial, não me fazem sentir assim. Mas aceitei o carinho. Ao chegar em casa, destruída, Daniel fechou minha noite. &#8220;Nessa situação, SORRISO não serve. Tem que ser<strong> GARGALHADA</strong>&#8220;. Um &#8220;tô com vc aí, viu? =*&#8221; nunca foi tão importante pra que eu conseguisse dormir. Nunca mesmo.</p>
<p>E hoje tem exame, sexta também, e, se possível, Jumbo Elektro. Ou <strong>#baladaloka</strong>, que a <a href="http://substantivolatil.com">Bottan</a> e o <a href="http://outrosolhos.com.br">Jreige</a> me deixaram cheia de vontade de ir.</p>
<p>Agora eu vou é deitar, que é um sete na prova ou mais um ano de Teoria da Comunicação pela frente.</p>
<p>META PARA 2009: Menos inocência, mais atitude.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://lovemaltine.com.br/quarta-fail.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>7</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Barcelona</title>
		<link>http://lovemaltine.com.br/barcelona.html</link>
		<comments>http://lovemaltine.com.br/barcelona.html#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 14 Dec 2008 21:06:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariane Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[#AméliePoulain]]></category>
		<category><![CDATA[#Amigos]]></category>
		<category><![CDATA[#Amores]]></category>
		<category><![CDATA[#CásperLíbero]]></category>
		<category><![CDATA[#Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[#Música]]></category>
		<category><![CDATA[O Fantástico Mundo de Ariane]]></category>
		<category><![CDATA[#CafeínaAlternativa]]></category>
		<category><![CDATA[#Especial]]></category>
		<category><![CDATA[#Filmes]]></category>
		<category><![CDATA[#PieguiceExtrema]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Diretamente do Mundo dos Outros]]></category>
		<category><![CDATA[Escadão]]></category>
		<category><![CDATA[Gazeta]]></category>
		<category><![CDATA[Piegas]]></category>
		<category><![CDATA[Soundtrack]]></category>
		<category><![CDATA[Trilha Sonora Completa]]></category>
		<category><![CDATA[Vicky Cristina Barcelona]]></category>
		<category><![CDATA[Woody Allen]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://lovemaltine.com.br/?p=1565</guid>
		<description><![CDATA[    Engraçado. Dia desses alguém me passou o link pro download da trilha sonora completa de Vicky Cristina Barcelona. Eu nunca tinha procurado, mas não hesitei em clicar quando recebi. O filme, que eu achei realmente muito bom, tem uma trilha bem marcante, reparamos já no cinema, mesmo que ainda inebriados pela imagem de Javier Barden, Scarlet Johansson e Penélope Cruz na mesma tela. Foi encanto imediato, total. Só .. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p><img class="aligncenter" src="http://ecx.images-amazon.com/images/I/5102uAQhHVL._SS500_.jpg" alt="" width="500" height="500" /> </p>
<p>Engraçado. Dia desses alguém me passou o link pro <em>download</em> da trilha sonora completa de <em>Vicky Cristina Barcelona</em>. Eu nunca tinha procurado, mas não hesitei em clicar quando recebi. O filme, que eu achei realmente muito bom, tem uma trilha bem marcante, reparamos já no cinema, mesmo que ainda inebriados pela imagem de<strong> Javier Barden</strong>, <strong>Scarlet Johansson</strong> e <strong>Penélope Cruz </strong>na mesma tela. Foi encanto imediato, total. Só que baixei, descompactei e esqueci de ouvir. É, culpem essa maldita correria pós-uma-prova-pré-outra.</p>
<p>Daí que hoje, passeando pela minha pasta de músicas &#8211; que anda, por sinal, catastróficamente depressiva &#8211; eu trombei, de repente, com a pasta <strong>&#8220;<em>Vicky Cristina Barcelona Soundtrack</em>&#8220;,</strong> dizendo &#8220;Oi, amiga, lembra de mim aqui?&#8221;. Confesso que não lembrava. Mas coloquei pra reproduzir. (Pausa pra respiração.)</p>
<p>Êxtase total. Primeiro de Dezembro, o início do fim. A noite em que vimos o filme, as minha sensações de agora, as minhas sensações anteriores, tudo se misturou dentro de mim. De repente, eu estava lá no escadão da Gazeta, Brunos ao meu lado, Tory atrás de mim, Clarinha e Francisco num canto, cabeça do Hugo no meu colo, levando cafuné. Violões ao fundo. <strong><em>&#8220;Barcelona&#8221;, de Giulia y Los Tellarini.</em></strong></p>
<p>A minha angústia, mesmo com todos os amigos a minha volta, esperando a ligação dele. O olhar cansado do Bruno Mancini, que, sentado ao meu lado, dizia querer estudar mais. &#8220;Quero aprender mais.&#8221;. Contando sobre os planos de mudar de curso enquanto eu, entre uma olhada e outra no celular &#8211; que eu fingia me atrair pela hora, mas, na verdade, atraía pela ansiedade. Bruno Guerrero anunciando, especialmente pra mim, que o Ricardo Cruz se juntaria a nós. Aquele misto de empolgação e retração invadindo meu corpo enquanto eu implorava a Deus por um sinal de vida daquele que eu tanto queria ver, antes que a tentação chegasse.<em><strong> &#8220;Your Shining Eyes&#8221;, Biel Ballester Trio, Graci Pedro, Leo Hipaucha.<br />
</strong></em><br />
Meu celular que, definitivamente, não tocava. Todos cansados, com sono, estressados com os resultados da faculdade, que, aos poucos, estavam aparecendo: alguns com muitos exames a fazer (coloquem meu nome nessa lista), outros com nenhum. Aquela melancolia de fim de ano, o que foi ruim, o que foi bom, como todos viemos parar aqui. &#8220;Vamos para o padabar?&#8221;. Telefone tocou. Não o meu, o da Tory. Capiau vindo nos acompanhar em nossa melancolia. <em><strong>&#8220;El Noi De La Mare&#8221;, Muriel Anderson &amp; Jean-Feliz Lalanne<br />
</strong></em><br />
Todos em pé, prontos para partir em direção à padaria, logo ali na Brigadeiro. Então meu telefone finalmente toca. &#8220;Estou aqui na Joaquim Eugênio de Lima. Paro o carro em frente ao <em>Top Center</em>, pode ser?&#8221;. Pode. Claro. Poderia qualquer coisa, já que eu não aguentava mais as saudades. Olhei na direção da banca, o carro não estava lá. Levantei-me, despedi-me de todos. &#8220;Vamos conosco ao bar!&#8221;. Não podia. Não queria. Só queria um tempinho sozinha com ele. Os amigos compreenderam. <strong><em>&#8220;When I Was a Boy&#8221;, Biel Ballester Trio, Graci Pedro, Leo Hipaucha.</em></strong></p>
<p>O carro parou em frente à banca, conforme o combinado. Entrei, nos beijamos, eu e meus olhinhos brilhantes, ele e seu sorriso doce. Parecia cansado. &#8220;Posso te roubar hoje?&#8221;. &#8220;Pode&#8221;. Fomos embora, sem ir a lugar algum.<strong><em> &#8220;Granada&#8221;, Emilio de Benito.</em></strong></p>
<p>Deu uma volta no quarteirão. Parou o carro, olhou para mim e me beijou. Eu estava apaixonada. Trágico ou não, eu estava entregue, qualquer um que olhasse para mim perceberia isso. Trocamos poucas palavras e muitos carinhos. Era difícil nos vermos, eu tinha de ir embora logo. A sensação era a de que não podíamos perder um segundo sequer. Desabafos entre as sessões de beijinhos. Olhares abobados de menina apaixonada. Ah, aqueles olhos, aqueles cabelos, aquele abraço. &#8220;Senti tanto sua falta&#8230;&#8221;.O tempo passava rápido ali. Mais rápido que tudo.  <strong><em>&#8220;Entre Olas&#8221;, Juan Serrano.</em></strong></p>
<p>A rádio avisou que passava das onze. Deu partida no carro. Dirigiu rumo à estação mais distante, comigo ao lado, ainda aos suspiros. A cada parada, um beijinho ou um carinho nas mãos. Olhares de lado. Cafunés. Sem que ele soubesse, eu pensava em como sempre quis aquilo. Como sempre quis aqueles carinhos. Como nunca tinha me dado bem daquele jeito com ninguém. Sem que ele soubesse, eu me apaixonava cada vez mais. Mostrou-me coisas que talvez nunca façam sentido algum senão pra mim &#8211; o caminho de sua casa, os enfeites da Avenida, as pessoas na rua, tudo parecia especial. E eu só queria estar lá mais vezes com ele. Muito mais. Acho que esse foi um dos momentos em que mais me perdi dentro de mim. Em que mais me entreguei ao sentimento. O trajeto entre os carinhos e a despedida. Mas acabou.<em><strong> &#8220;Entre Dos Aguas&#8221;, Paco de Lucia.<br />
</strong></em><br />
Acabou. Já estávamos há tempo demais parados na vaga de descarga, na porta do metrô. Passou da hora de ir embora. Eu hesitava: quando pensava poder sair do carro, um suspiro de qualquer um dos lados me colocava de volta pra dentro, beijando aqueles lábios enquanto o mundo lá fora desmoronava. É, chovia lá fora. E não nos importava nada. Uma buzinada. Soltei-o, abri a porta e fui embora. &#8220;Te amo&#8221;, teria dito, mas preferi calar. <strong><em>&#8220;La Ley Del Retiro&#8221;, Giulia y Los Tellarini</em></strong>.</p>
<p>Andar nunca foi tão engraçado. Sentia-me flutuando. Minha boca ainda tinha o gosto dele e eu queria mais. Não pensava em nada além dele. Queria saber o que tínhamos, mas também não queria saber de nada. Entrei no trem, sentei-me, segui viagem pensando nos <em>és</em> e nos <em>nãos</em> da minha vida até então. Nas frustrações que havia tido, nas que ainda podia ter. &#8220;Onde você estava, que não te encontrei antes?&#8221;, mandei por <em>sms</em>. &#8220;Eu estava aqui o tempo todo, só você não viu&#8230;&#8221;. Retrucar com Pitty é covardia. Derreteu-me. Chovia, eu tinha de correr pra casa. Tinha de ser natural. Estava sendo. Mas aquele cheiro ainda estava em mim&#8230;<strong><em> &#8220;Gorrion&#8221;, Juan Serrano.</em></strong></p>
<p>Minha parada. Desci a rampa, na chuva, correndo. Meia noite e dez. Àquela hora meu pai já deveria estar surtando no carro. Minha irmã tinha vindo com ele. Estava no banco da frente. Entrei atrás, acomodei-me. Sem que tivesse controle, saiu de mim um suspiro e um sorriso no canto dos lábios. Tainá virou para trás na hora. &#8220;Está apaixonada, Ni?&#8221;. &#8220;Não, não estou não, impressão sua. Impressão sua&#8230; Vamos logo&#8221;. <em><strong>&#8220;Big Brother&#8221;, The Stephane Wrembel Trio.</strong></em></p>
<p>Os cinco minutos a caminho de casa foram tensos. Não queria que ninguém soubesse da minha paixão. Ninguém. Fiquei calada. Já em casa, corri para o quarto. Um bom banho quente, um café, e eu já estava pronta para deitar. Não para dormir. Muito para mim, se querem saber. Não sei lidar com sentimentos. Passei a noite virando de um lado para o outro na cama, como se faltasse algo lá. E faltava. Estava mais claro do que nunca. O grande problema é que parecia faltar só pra mim. Eu e minha cabeça criativa: já fantasiava não-correspondências, abandono, imaginava não ser tão querida quanto queria. Mandei mensagem. Escrevi. Desejei um cigarro, desejei a morte, chorei. Eu sou assim, cheia de altos e baixos, quentes e frios, secos e molhados de uma hora para a outra. Quando vi, passava das três da manhã. Pesaram-me minhas responsabilidades, minhas alegrias, minhas tristezas. Odiei-me por ter entregue tão rápido meu coração nas mãos dele. Odiei-o por ter parecido não querer nada além do meu corpo. Odiei as faculdades, por não estar ainda de férias. Odiei o espelho e o relógio, que me diziam que era tarde. E então, de repente, eu já não estava mais ali. Então já era outro dia. <em><strong>&#8220;Asturias&#8221;, Juan Quesada.</strong></em></p>
<p>Engraçado como os dias, mesmo os mais grandiosos, são pequenos: cabem num CD.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://lovemaltine.com.br/barcelona.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>9</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Dancing Queen</title>
		<link>http://lovemaltine.com.br/dancing-queen.html</link>
		<comments>http://lovemaltine.com.br/dancing-queen.html#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 14 Dec 2008 03:36:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariane Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[#Amigos]]></category>
		<category><![CDATA[#Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[#Música]]></category>
		<category><![CDATA[#Insônia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://lovemaltine.com.br/?p=1560</guid>
		<description><![CDATA[You can dance, you can jive, having the time of your life See that girl, watch that scene, dig in the dancing queen Friday night and the lights are low Looking out for the place to go Where they play the right music, getting in the swing You come in to look for a king Anybody could be that guy Night is young and the musics high With a bit .. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><center><br />
<blockquote><img class="aligncenter" src="http://farm4.static.flickr.com/3085/3099693413_b20430de67.jpg?v=0" alt="" width="500" height="335" /></center></p>
<p><em>You can dance, you can jive, having the time of your life<br />
See that girl, watch that scene, dig in the dancing queen</em></p>
<p><em>Friday night and the lights are low<br />
Looking out for the place to go<br />
Where they play the right music, getting in the swing<br />
You come in to look for a king<br />
Anybody could be that guy<br />
Night is young and the musics high<br />
With a bit of rock music, everything is fine<br />
Youre in the mood for a dance<br />
And when you get the chance&#8230;</em></p>
<p><em>You are the dancing queen, young and sweet, only seventeen<br />
Dancing queen, feel the beat from the tambourine<br />
You can dance, you can jive, having the time of your life<br />
See that girl, watch that scene, dig in the dancing queen</em></p>
<p><em>Youre a teaser, you turn em on<br />
Leave them burning and then youre gone<br />
Looking out for another, anyone will do<br />
Youre in the mood for a dance<br />
And when you get the chance&#8230;</em></p>
<p><em>You are the dancing queen, young and sweet, only seventeen<br />
Dancing queen, feel the beat from the tambourine<br />
You can dance, you can jive, having the time of your life<br />
See that girl, watch that scene, dig in the dancing queen</em></p></blockquote>
<p>Saudades absurdas das minhas Dancing Queens. Foda não estar de férias, ao contrário do universo.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://lovemaltine.com.br/dancing-queen.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Telefone</title>
		<link>http://lovemaltine.com.br/telefone.html</link>
		<comments>http://lovemaltine.com.br/telefone.html#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 14 Dec 2008 00:22:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariane Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[#Aleatório]]></category>
		<category><![CDATA[#AméliePoulain]]></category>
		<category><![CDATA[#Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[O Fantástico Mundo de Ariane]]></category>
		<category><![CDATA[#Esperança]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://lovemaltine.com.br/?p=1545</guid>
		<description><![CDATA[Eu nunca gostei de telefone. Sempre aquela chatice, aquele blablabla de &#8220;Gostaria de estar falando com o dono da casa&#8221;, ou &#8220;Sou de ong X e queria que você contribuísse com &#8230;&#8221;. Hoje foi o dia da Revista Veja. 40% de desconto para estudantes. Ligou pelo menos três vezes (não estou exagerando) me oferecendo assinatura. Não quero. Ainda mais depois do cara da primeira ligação ter despejado meu nome completo, .. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><center><img class="aligncenter" src="http://farm4.static.flickr.com/3227/3087749234_3b075364f7.jpg" alt="" width="500" height="334" /></center></p>
<p>Eu nunca gostei de telefone. Sempre aquela chatice, aquele <em>blablabla</em> de &#8220;Gostaria de estar falando com o dono da casa&#8221;, ou &#8220;Sou de ong X e queria que você contribuísse com &#8230;&#8221;. Hoje foi o dia da <em>Revista Veja</em>. 40% de desconto para estudantes. Ligou pelo menos três vezes (não estou exagerando) me oferecendo assinatura. Não quero. Ainda mais depois do cara da primeira ligação ter despejado meu nome completo, endereço, RG e CPF, do nada, no meu ouvido. Tive foi medo.</p>
<p>Telefone móvel eu tenho desde os doze anos e só me servia pra exibir por aí. Eu digo servia porque, nos últimos tempos, eu tenho utilizado-o até que consideravelmente. E nem é só pra atender ligações bizarras, como a de hoje &#8211; em que, no meio do casamento do meu tio, uma mulher do Ibope resolveu que queria fazer uma pesquisa sobre baladas universitárias comigo. É claro que não: agora eu tenho pra quem ligar e mandar mensagens. (Talvez eu sempre tenha tido, não sei).</p>
<p>Eu só sei que hoje eu vivo em função do barulhinho desse aparelho maldito chamado celular. Não me importa se é na hora em que eu esqueço ele no sonoro e ele me avisa que é hora de morfar, com aquele beep dos <em>Power Rangers</em>, ou se escuto o barulho dele vibrando sobre a mesa ou dentro da bolsa. O que me importa é que ele me avise que tem mensagem. A mensagem &#8211; ai dela! &#8211; tem que vir de alguém especial para que eu fique contente.</p>
<p>E, pelo menos por enquanto, ela não veio. Daí eu fico aqui, deitada, olhando para o celular. Meu sorriso depende disso. Deveria ser ruim&#8230; Mas não é. Não tem nada melhor que o aperto no peito e o friozinho na barriga quando &#8230; <em>vrrrrruuuuum</em>! Vibrou!</p>
<p>Ok, vibrou mesmo. Mas dessa vez era só um sinal de Bateria Fraca. FAIL.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://lovemaltine.com.br/telefone.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Hot&#8217;n&#039;Cold</title>
		<link>http://lovemaltine.com.br/hotncold.html</link>
		<comments>http://lovemaltine.com.br/hotncold.html#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 13 Dec 2008 01:20:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariane Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[#Amores]]></category>
		<category><![CDATA[#Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[#Bobagens]]></category>
		<category><![CDATA[#Desabafo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://lovemaltine.com.br/?p=1535</guid>
		<description><![CDATA[Bom, é sexta-feira, e, como já lamentei a semana inteira no Twitter, vou passar o final de semana inteiro sozinha, trancadinha por aqui, enquanto meus amigos foram para Parati/Trindade. Até fiz planos de sair com alguém, mas, como previa, deu/vai dar errado. Ficar em casa aos finais de semana é ótimo: você começa a ler, ouvir músicas, pensar em todos se divertindo e &#8211; puf! &#8211; de repente descobre coisas .. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://allgreen.com/site/images/stories/hot_cold_water_faucets" alt="" width="402" height="299" /></p>
<p>Bom, é sexta-feira, e<span style="text-decoration: line-through;">, como já lamentei a semana inteira no Twitter,</span> vou passar o final de semana inteiro sozinha, trancadinha por aqui, enquanto meus amigos foram para <a href="http://toryyyy.blogspot.com/2008/12/parati-paratodos.html">Parati/Trindade</a>. <span style="text-decoration: line-through;">Até fiz planos de sair com alguém, mas, como previa, deu/vai dar errado</span>. Ficar em casa aos finais de semana é ótimo: você começa a ler, ouvir músicas, pensar em todos se divertindo e &#8211; puf! &#8211; de repente descobre coisas lá de dentro de você que estão há um tempão querendo sair, querendo ser vistas, mas que você faz de tudo pra não ver.</p>
<p>Foi assistindo<strong> o clipe da Katy Perry, Hot&#8217;n'cold</strong>. Até então, nunca tinha parado pra reparar na letra. Hoje, cabeça vazia, <strong>a letra</strong> ecoou na minha cabeça; E aí eu vi. Vi que andei fantasiando demais, e que era hora de acordar. Aliás, falando com o <a href="http://crediario.blogspot.com">Daniel</a> foi que eu concretizei toda a idéia. (Pobre Daniel, tem me ouvido constantemente. Só por isso, já um santo.) Quando ele me mandou &#8220;<strong><em>acordar arrependida, mas não dormir com vontade</em></strong>&#8220;, matei a charada. Quer dizer, eu tenho essa mania <span style="text-decoration: line-through;">idiota</span> <span style="text-decoration: line-through;">estúpida</span> <strong>incrível </strong>de me permitir sentir tudo ao extremo. Não sei sentir nada pela metade, não gosto de ficar controlando, só me entrego. Ou é ou não é, ou faz ou não faz, ou quer ou não quer. Meio termo, pra mim, é coisa de quem não quer nada. Não, eu não aguento o clima <strong><em>Hot&#8217;n'Cold</em></strong>. Mas sou certinha, por mais que não pareça. E não, eu não gosto de acordar arrependida. O arrependimento me machuca, me faz sentir uma fraca.<br />
Eu não gosto do modo como minha vida está caminhando, sabe? A verdade mesmo é que a culpa é toda do meu egoísmo. É egoísmo querer estar com alguém, querer esse alguém só pra você. Ainda mais eu, que estou sempre com aquele discurso de &#8220;relacionamentos pra quê?&#8221;.  Egoísmo. <strong>Ninguém nunca olha pra mim.</strong> Daí, durante seis meses alguém me demonstrou carinho sem que, em momento algum, eu correspondesse ou desse esperanças. Insistiu. De verdade, sabe? De mandar mensagem todos os dias nos últimos dois meses. E, um dia, sem que eu tivesse tido em nenhum desses seis meses sequer vontade de beijar aquela pessoa, ela se sentou ao meu lado, me deu o braço e beijou forte meu rosto. Passou a mão em meus cabelos. E eu senti naqueles braços um porto seguro. Entreguei-me a eles sem nem perguntar se eles ainda me queriam. E aí, quando dei por mim, já estava entregue. Ele mudado, sem reação, talvez. E eu, boba, querendo mais e mais. <strong>Eu quero sempre mais.</strong> Ficando triste com supostos sumiços. Afetada todos os dias pela sensação de abandono &#8211; mesmo quando o abandono não existia. Tudo bem, tem certas coisas que não convém serem ditas aqui no blog, mas que são certas. Fatuais. Essas magoam ainda mais, porque não posso questioná-lo sobre isso. Também não posso questionar ninguém. Mas eu tenho a certeza, e ela dorme comigo todas as noites. Queria agir com frieza, a frieza necessária. Mas estou sendo egoísta.</p>
<p>O Francisco me falou algo que é bem verdade. Tenho o defeito (qualidade?) de, quando necessário, excluir em segundos alguém da minha vida. <strong>Posso sangrar, pode doer, mas a pessoa sofre mais.</strong> Sim, porque é rápido, e cruel. <strong>Não há nada mais cruel que o desprezo.</strong> O ser humano não aceita ser ignorado. Ele me lembrou que eu sou capaz de ter o controle sobre as coisas. Vou cortar esse clima &#8220;<em>hot then you&#8217;re cold, You&#8217;re yes then you&#8217;re no, You&#8217;re in then you&#8217;re out, You&#8217;re up then you&#8217;re down, You&#8217;re wrong when it&#8217;s right, It&#8217;s black and it&#8217;s white, We fight we break up, We kiss we make up</em>&#8221; e vou viver no meu estilo. E aí, as pessoas decidem se ficam ou não na minha vida, enquanto faço minha parte &#8211; que é vivê-la. Eu sei que a responsável pelas minhas alegrias e tristezas sou só eu. Então chega de delegar esse poder a outros.</p>
<p>(Sempre falo muito e, no fim, não falei nada)</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://lovemaltine.com.br/hotncold.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sobre Heloísas, Bentinhos e Tweets desesperados</title>
		<link>http://lovemaltine.com.br/sobre-heloisas-bentinhos-e-tweets-desesperados.html</link>
		<comments>http://lovemaltine.com.br/sobre-heloisas-bentinhos-e-tweets-desesperados.html#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 12 Dec 2008 03:17:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariane Freitas</dc:creator>
				<category><![CDATA[#Aleatório]]></category>
		<category><![CDATA[#AméliePoulain]]></category>
		<category><![CDATA[#Cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[#Twitter]]></category>
		<category><![CDATA[O Fantástico Mundo de Ariane]]></category>
		<category><![CDATA[#Entrelinhas]]></category>
		<category><![CDATA[#Especial]]></category>
		<category><![CDATA[#Insônia]]></category>
		<category><![CDATA[#Ironias]]></category>
		<category><![CDATA[#PieguiceExtrema]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://lovemaltine.com.br/?p=1527</guid>
		<description><![CDATA[&#8220;A imaginação foi a companheira de toda a existência, viva, rápida, inquieta, alguma vez tímida e amiga de empacar, as mais delas capaz de engolir campanhas e campanhas, correndo.&#8221; Dom Casmurro, Capítulo XL Daí que, assistindo Capitu, passou pela minha cabeça de novo algo que sempre passa quando leio Machado de Assis. É, eu não sou tão Heloísa quanto espalho por aí. Quer dizer, já matei um ou outro por .. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://farm1.static.flickr.com/169/484420483_7bc5fb7960.jpg" alt="" width="500" height="375" /></p>
<blockquote><p>&#8220;A imaginação foi a companheira de toda a existência, viva, rápida, inquieta, alguma vez tímida e amiga de empacar, as mais delas capaz de engolir campanhas e campanhas, correndo.&#8221;</p>
<dl>
<dd style="text-align: right;"><em>Dom Casmurro, </em><em>Capítulo XL</em></dd>
</dl>
</blockquote>
<p>Daí que, assistindo Capitu, passou pela minha cabeça de novo algo que sempre passa quando leio Machado de Assis. É, eu não sou tão <a href="http://tvglobo.valeapenaverdenovo.globo.com/mulheresapaixonadas/category/a-historia/">Heloísa</a> quanto espalho por aí. <span style="text-decoration: line-through;">Quer dizer, já matei um ou outro por ciúme e tenho em minha lista mais umas duas ou três que não escaparão, mas, ah, isso é tão normal.</span> Posso até ser, na verdade, não sei. Mas o fato é que, ciumento por ciumento, eu estou muito mais para Bentinho.</p>
<p>Queria ser Capitu. Com os olhos de cigana oblíqua e dissimulada. Sim, aqueles olhos de ressaca. Aquele poder de mexer com um homem, de enlouquecê-lo, de fazê-lo servo. Mas eu sou Bentinho. O que consigo mesmo é me entregar, de repente. De repente, porque a situação sempre está ali por um bom tempo antes que eu a note de verdade. E aí, depois da entrega, resta criar em minha cabeça situações que podem ou não existir. Fantasiar o tempo inteiro que não sou boa o suficiente (e o que é ser boa o suficiente?), que alguém melhor vai levar o que é meu embora. E me corroer, sangrar, morrer por dentro. Sem fazer mal a ninguém, a não ser a mim mesma.</p>
<p>Mas nem todo mundo é assim. Minha irmã, hoje mesmo, mostrou que é muito diferente de mim. E foi dela que tirei a maior lição do dia. &#8220;Ele já disse &#8216;<em>eu te amo</em>&#8216; alguma vez?&#8221;, perguntou-me enquanto almoçávamos. &#8220;Sim. Quer dizer, isso foi antes de ficarmos, mas&#8230;&#8221; &#8211; nem me deixou terminar. &#8220;Se ele disse &#8216;<em>eu te amo</em>&#8216;, acredite. Você só precisa acreditar. Não ficar inventando milhares de possibilidades ridículas dentro da sua cabeça e enchendo o saco dele&#8221; (Ela ainda complementou com um &#8220;e nem adianta me olhar com essa cara de cachorro morto, é isso e ponto!&#8221;). Tudo bem, foi um tremendo desabafo (ela tem um namorado tão Bentinho quanto eu), mas não deixa de ter razão. O grande problema é que eu não tenho controle sobre isso (a ponto de minha irmã de <span style="text-decoration: line-through;">12 </span>13 anos estar me dando conselhos maduros enquanto eu, aos dezoito, às vezes choro pelos cantos por me sentir mal amada).</p>
<p>Não consigo não imaginar coisas, nem deixar de acreditar cegamente em cada uma delas. Não consigo parar de encontrar evidências e torná-las cada vez mais reais. É, sou convincente. Não venço meus argumentos, nunca. E aí, o que eu faço? Eu corro pro Twitter. Pro lugar mais errado possível. E eu despejo tudo lá. Minhas mágoas. Minhas obssessões. Se estou vidrada, se estou bêbada, se estou infeliz, se estou amargurada, se não sinto nada&#8230; Não importa. Eu sou realmente uma personagem. Meu livro está escrito em parágrafos de até 140 caracteres, pra qualquer um que peça permissão para me seguir. Pois é, pois é, pois é. Perdi a noção do perigo, deturpei o uso de uma ferramenta interessante e, ainda assim, sou eu, no final, a vítima da tragédia. Sei que não sou a única a fazer esse tipo de coisas, mas dói por dentro, vez por outra, quando ouço algum comentário ou crítica fervorosa a usuários compulsivos como eu. (Mentira, não me dói nada. Se não gosta de ler meus posts, não me siga &#8211; simples assim!).</p>
<blockquote><p>&#8220;Ora, há só um modo de escrever a própria essência, é contá-la toda, o bem e o mal.&#8221;</p>
<dl>
<dd style="text-align: right;"><em>Capítulo LXVIII</em></dd>
</dl>
</blockquote>
<p>No fundo, acho que seria menos feio ser Heloísa. Extravasar, gritar, esfaquear, correr atrás, enlouquecer. É, certamente. Mas eu só sei ser assim, quietinha. Cada descoberta (ou criação?) é uma nova punhalada que dou em mim mesma. Cada vez que encontro uma pista, meto-me mais pra dentro de mim. E eu não consigo (ou não quero, quem sabe?) mudar. Eu só sei ser assim, não sei dissimular nem esconder o que penso. Não tenho porque viver de meias verdades, ou dizer somente o que os outros querem ouvir.</p>
<p>Eu sou insuperavelmente piegas, possessiva, ciumenta, carinhosa e entregue. Mas não sou nada ingênua. Não sempre. A única coisa que me dá medo, de verdade, é essa minha mania Bentinho de me prender à minha versão da história. Sim, porque eu sinto que isso vai acabar me fazendo morrer sozinha. Não que eu tenha medo da solidão, não é isso. É só que eu acho-a desnecessária. (E que eu sonho ter alguém que, numa noite de frio, saia de debaixo do edredom, levante-se e calce em mim mais um par de meias, pra depois voltar pro quentinho da nossa cama e dormir abraçado comigo, trocando cheirinhos e um calor sem fim).</p>
<p>Mas o fim&#8230; Quem sabe do fim? Eu vou continuar escrevendo minha vida até o dia em que sentir que devo parar &#8211; ou até que a vida pare por mim. Bentinho ou  Heloísa, uma coisa é certa: eu me permito sentir, sem medo. E isso nem todo mundo consegue.</p>
<blockquote><p>&#8220;Tudo acaba, leitor; é um velho truísmo, a que se pode acrescentar que nem tudo o que dura muito tempo. Esta segunda parte não acha crentes fáceis, ao contrário, a idéia de que um castelo de vento dura mais que o mesmo vento de que é feito, dificilmente se despegará da cabeça, e é bom que seja assim, para que se não perca o costume daquelas construções quase eternas.&#8221;</p>
<dl>
<dd style="text-align: right;"><em>Capítulo CXVIII</em></dd>
</dl>
</blockquote>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://lovemaltine.com.br/sobre-heloisas-bentinhos-e-tweets-desesperados.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

