La Seine

Há um ano eu sentei na beira do Sena apenas pra ficar observando o rio. Só para passar o tempo depois de uma visita à Pont des Arts. Naquele dia, depois de ver casais prendendo cadeados na ponte e jurando amor eterno, quando finalmente achei que fosse me sentir menos sozinha, um casal sentou-se no banco à minha frente e começou a trocar carinhos.

Eu achei aquilo lindo. Quase senti o amor dos dois. Queria capturar numa foto e levar pra casa, mas jamais aconteceria. E a sensação foi também de que nunca viveria algo parecido: recíproco.

Pouco depois que voltei pra São Paulo, acabei conhecendo alguém. E, a princípio, as coisas aconteceram de forma recíproca. Foi talvez a fase mais feliz da minha vida (talvez porque eu não sei o que virá depois, mas certamente é a melhor dentre o que já passou). Eu me sentia feliz, amada. Tinha um propósito para sair do casulo. Como qualquer coisa na vida, acabou. Antes do que eu gostaria, diferente de como eu esperava.

Mas sempre penso naquele casal, em como achei que nunca teria aquilo e tive tão rapidamente, em como foi realmente bom. E aí lembro também que nada é irremediável: existem vários corações por aí esperando uma chance de viver momentos assim, que valham a pena. E, quando acabar, se acabar, assim que a ferida cicatrizar, ficam as memórias boas pra gente visitar e sorrir de novo. Nada dura pra sempre: nem aquela dor que parece não ter remédio algum. 🙂

É isso que me faz levantar todos os dias e olhar pra frente.

helpless

voando, quando não estamos aqui nem lá – apenas acima de nossos problemas, afinal nada se pode fazer lá de cima – foi onde me senti melhor esse ano. pena que são tão poucas horas dessa fuga não intencional, depois vem a realidade, o desamor, a solidão já não opcional que é viver a vida que nos é dada, sem direito a escolher quem vai e quem fica.

parece que, voando, existir dói menos.

mas eu não posso voar pra sempre.