Odd

Eu não sei por quê, dentre todas as pessoas, sou assim tão apegada ao tempo, às demonstrações de afeto, às declarações de amor impensadas e à liberdade de dizer o que estou sentindo, sempre. Parece uma maldição: quando estamos acostumados a sentir demais, a falar demais, é preciso muito treino para não exigir isso dos outros. Para não exigir menos de nós. Porque a sensação é sempre de que não mostramos o suficiente, a recíproca não é verdadeira, não merecemos atenção, estamos sufocando o outro.

Nem sempre é isso. Às vezes só estamos lidando com alguém que não lida com a vida da mesma maneira. Às vezes os gestos que não notamos no outro são exatamente a forma que ele tem de dizer o mesmo que nós.

Eu passo o dia entregue, brigando com os pensamentos, tentando colocar alguma ordem nisso tudo, mas a verdade é que não sei lidar com o novo – e sempre há algo novo pra viver e sentir. Posso escrever mil histórias, colocar minha vida no papel, desenhar cada átomo meu, narrar com palavras, músicas e cores tudo o que eu sinto, toda a liberdade que perdi na primeira vez em que lhe disse “eu te amo”. Nunca fará sentido para ninguém, apenas para mim.

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