Lembranças

Estava me preparando para tocar quando o Alex, que tocou antes, me perguntou no canto do ouvido “Ta namorando?”. Eu não entendi a pergunta – respondi “mais ou menos” com um sorriso sem graça. E ele rebateu com um “É que ele não para de te olhar com os olhinhos brilhando tanto…”, e apontou ainda de lado pra você, na pista.

Olhei. Era verdade. Meu coração acelerou e senti imediatamente o rosto corar. O bom da noite é que ninguém repara nessas coisas.

Fazia um mês que estávamos juntos. Naquela noite, antes de irmos até lá, você havia dito pela primeira vez que me amava – isso só eu sabia. E só eu sabia também que sentia o mesmo, que queria ficar com você o quanto pudesse, que desejava que as infinitas horas que passamos juntos no nosso primeiro encontro e nos finais de semana seguintes se multiplicassem pelos dias da minha vida.

Já faz quase um ano desde que isso aconteceu. Seus olhos não brilham mais daquele jeito – a convivência muda tudo o tempo todo, inclusive a nossa forma de ver um ao outro. Mas só consigo gostar ainda mais de você, com todo o meu coração. A cada sinal do seu companheirismo, a cada segundo sentindo seu cheiro ou aproveitando seu abraço. Você é meu porto seguro, é meu brilho nos olhos.

É tão bom que eu poderia trocar tudo por um momento deitada ao seu lado discutindo amenidades no edredom. Até dormirmos, tranquilos, um do lado do outro. Eu trocaria os desafios de uma vida por horas a fio descansando e olhando para você.

o amor não basta

Algumas pessoas dizem “eu te amo” como se só isso compensasse todas as outras faltas. Uma notícia a essas pessoas: o amor não basta. Não a declaração.

Eu sei porque eu já fui assim: uma incansável difusora de “eu te amo”. ainda hoje expresso sempre que posso – no entanto, não para corrigir nada. Apenas para que fique claro.

Obviamente, não basta.