eu te amo, porra

na primeira vez que você disse “eu te amo”, eu entrei em pânico e não soube o que responder. eu não esperava. tinha medo de que estivéssemos enganados.

nas vezes que se seguiram, eu tinha vontade – mas tentava me conter para não te assustar. pra não ser rápida demais e te ferir depois.

quando eu te disse “eu te amo” prometi pra mim que seria a única vez. que iria pegar leve. que queria você por perto e, por isso, não podia te espantar com minha verborragia sentimental. eu sinto, eu falo, e isso incomoda. mas você também dizia me amar. e a princípio foi ótimo assim.

eu te amo, eu te amo, eu te amo. parece que sai tão fácil. cada olhar que você me manda, cúmplice. cada abraço aconchegante e cada beijo roubado quando penso em ficar brava: eu te amo. a sensação maravilhosa que é sentir teu cheiro depois de uma ausência – quase a mesma sensação da primeira tragada de um cigarro. eu sempre te quero tanto. é, eu te amo.

todas as vezes que os nossos corpos se tocam e arrepiam, todas as vezes em que paro para olhar no espelho desejando ser melhor pra você, todas as vezes em que acato um dos seus desejos ou observo você se dobrando ao meio pra me fazer sentir inteira: assim se vão nossas declarações de amor, repetidas, novas, verbais, simbólicas.

tenho medo de que você se canse, de que a expressão se banalize, de que pareça corriqueiro demais: não é. é inédito, exclusivo, é feito especialmente por e para nós.

mas não consigo parar, transborda. eu te amo.

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