dos rabiscos, almofadas e histórias pra contar

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No ano passado, tomei coragem de fazer na minha vida uma mudança que sempre tive vontade. Apesar de amar o local em que trabalhava (já contei por aqui, aliás) e gostar muito da minha profissão, decidi viajar sozinha pela primeira vez, ver a beleza do mundo, curtir o silêncio dos desconhecidos e esfriar a cabeça para, na volta, trocar tudo por uma rotina mais tranquila, em que tivesse mais tempo pra mim. A rotina exaustiva de trabalhar a 25km de casa e perder metade do dia em transporte, descontar as tristezas em junk food e tal… Isso acabou.  O meu trabalho ainda tem muito a ver com o que eu fazia antes, mas hoje, fora de uma agência, tenho tempo pra me cuidar e, principalmente, pra fazer mais do que eu gosto. Digo, além  de trabalhar.

E uma das coisas que eu mais gosto de fazer desde criança é desenhar. Não que eu saiba – muito pelo contrário, vou observando fotos, reproduzindo isto e aquilo, às vezes sonho com umas coisas muito loucas (e é um pouco frustrante porque não tenho técnica suficiente pra tornar esses sonhos reais) e corro pra colocar no papel. Desenhar tem sido minha terapia muito mais do que escrever foi até então. Eu entrego muito de mim num desenho sem precisar dizer palavra alguma. Então eu rabisco, claro. E, como tudo que eu gosto de fazer, eu compartilho os rabiscos por aí.

As pessoas nas redes sociais são um amor – e tenho plena convicção de que estou cercada das melhores possíveis, on e offline. Por isso, tive uma recepção muito boa publicando os meus desenhos no instagram. O Daniel Belarmino, que já era parceiro por conta das Almofadas do bem, convidou minhas ilustrinhas para fazerem parte da coleção Ilustradores lá do Laboratório Monstro. Eu hesitei (vocês já viram os desenhos INCRÍVEIS que ele tem por lá? sério, vejam). Mas topei. Tudo bem, fiquei tão insegura que mexi nelas por mais de um mês, desenhei, redesenhei e um dia, por impulso, mandei tudo antes que desistisse. haha. Taí, então, temos uma coleção Lovemaltine. <3

Seria errado se eu não topasse. Eu mesma disse outro dia pra criar sem medo do que os outros vão dizer o pensar, lembram?

Eu já tinha ficado felizona de ver as fotos, mas quando o correio chegou com elas aqui em casa eu quase tive um treco de tão boba que fiquei. <3

Por enquanto são 7 almofadas inspiradas naquilo que eu mais gosto: séries de TV (a minha Jess de New Girl é ruiva, repararam? me deixa!), livros (porque As Vantagens de Ser Invisível é, sim, um dos livros que mais gostei de ler nos últimos tempos), música (o trecho de “Landslide” na almofada de urso é o mesmo que eu tenho tatuado na nuca) e meus draminhas e modos de ver a vida – as palavras que escorrem quando nada mais resolve, o coração pulsando e errando sem parar, a certeza de que tudo é temporário, tudo passa. Por fim, duas paixões numa almofada só: cachorrinhos e minha melhor amiga – que pediu “Ari, desenha a Zooey pra mim?”. Desenhei, Bru! E amei. E agora também tenho a Zooey na minha casa. 😛

Na verdade eu só ia postar isso tudo mais pra frente, porque comprei uma câmera nova linda e uma objetiva mágica e nenhuma das duas chegaram ainda. Mas posto mais fotos depois, hehe.

você

você me olhou de baixo e contou que havia mudado o perfume. eu até notei alguma diferença, mas não o suficiente para me preocupar: a sensação que só o seu cheiro me proporciona ainda estava lá. porque o que eu já sabia e nunca contei é que não é o perfume, é você. é poder encostar na sua pele e me sentir nos seus braços. é reclinar a cabeça no seu peito e saber que estou em casa.

você me disse que pensou duas vezes ao passar um perfume novo apenas pra não me incomodar, e eu faço questão de esclarecer: quero morar no seu cheiro todas as vezes que você aparece – e quando está longe, é só nisso que eu penso. quero morar no seu cheiro – com este ou aquele perfume. e até sem perfume algum.

eu te amo, porra

na primeira vez que você disse “eu te amo”, eu entrei em pânico e não soube o que responder. eu não esperava. tinha medo de que estivéssemos enganados.

nas vezes que se seguiram, eu tinha vontade – mas tentava me conter para não te assustar. pra não ser rápida demais e te ferir depois.

quando eu te disse “eu te amo” prometi pra mim que seria a única vez. que iria pegar leve. que queria você por perto e, por isso, não podia te espantar com minha verborragia sentimental. eu sinto, eu falo, e isso incomoda. mas você também dizia me amar. e a princípio foi ótimo assim.

eu te amo, eu te amo, eu te amo. parece que sai tão fácil. cada olhar que você me manda, cúmplice. cada abraço aconchegante e cada beijo roubado quando penso em ficar brava: eu te amo. a sensação maravilhosa que é sentir teu cheiro depois de uma ausência – quase a mesma sensação da primeira tragada de um cigarro. eu sempre te quero tanto. é, eu te amo.

todas as vezes que os nossos corpos se tocam e arrepiam, todas as vezes em que paro para olhar no espelho desejando ser melhor pra você, todas as vezes em que acato um dos seus desejos ou observo você se dobrando ao meio pra me fazer sentir inteira: assim se vão nossas declarações de amor, repetidas, novas, verbais, simbólicas.

tenho medo de que você se canse, de que a expressão se banalize, de que pareça corriqueiro demais: não é. é inédito, exclusivo, é feito especialmente por e para nós.

mas não consigo parar, transborda. eu te amo.