2013

Você tem noção do que é começar um ano ouvindo as palavras TUMOR e CIRURGIA? Pois bem, meu 2013 começou assim. E agora, olhando de longe, os diálogos que aconteceram na época soam até meio dramáticos – “será que vou poder ter filhos? você me emprestaria sua barriga?” – mas existiram. Foram sinceros e doloridos. Tiraram nosso sono, nossa paz.

A melhor parte: tudo passou. Tudo benigno. Um ovário e um tumor a menos na pessoa que mais amo nesse mundo, mas vida que segue. Resume bem o meu ano, no entanto: em 2013 eu vivi momentos de tensão e descobri que tinha grandes amigos por isso. Gente que esteve ao meu lado quando até eu mesma queria desistir de mim.

Eu sofri por amor – como sempre faço – até descobrir que a gente ama como quer e que não, não precisa doer tanto. Também trabalhei de forma desesperadora, horas e horas e horas trancada na agência, madrugadas viradas, manhãs de gastrite, fobia de telefones tocando… Até perceber que algumas coisas não merecem tanto nossa atenção.

E eu escolhi tornar tudo mais leve. Na pressa de ser feliz e ser livre, assinei contratos sem um advogado pra me auxiliar – aprendi que isso não se faz, nunca! – e abri uma empresa com uma grande amiga. Funcionou: vi duas coleções de roupas serem lançadas com a nossa carinha, larguei a vida de agência pra viajar e cuidar de mim… E viajei.

Saí sozinha pelo mundo morrendo de medo do desconhecido e descobri que não tem coisa melhor nessa vida. Eu poderia viver viajando. Viver sendo eu mesma por aí, sem medo de julgamento. Andar pelas ruas tranquila mesmo sabendo que não falo a língua de nenhuma das pessoas a minha volta. Fora da minha zona de conforto, mesmo, lutando contra a minha timidez, contra meus medos. Conhecer cada cantinho de um parque, passar horas e horas sentada na grama escrevendo. Me conhecer, conhecer o mundo.

Em 2013, finalmente fui pra academia e comecei a dedicar tempo pra me olhar no espelho. Há tantos anos não fazia isso: me olhar no espelho. Tomei um susto, é claro, mas hoje me reconheço e luto para melhorar. Também voltei a desenhar e estudar, coisas que sempre amei mas para as quais nunca tive talento. E, de quebra, aproveitando os presentes que a vida me dá, me aproximei das melhores pessoas que podia ter imaginado e gosto cada vez mais de cada uma delas.

Tenho a melhor família do mundo – a família que eu escolho todos os dias para estar ao meu lado. Pra encerrar com chave de ouro, quando não tinha mais esperança nem nada, encontrei alguém que me ama e que eu amo e as coisas estão funcionando bem. Sabe, houve perdas, houve dor, houve drama. Mas em 2013, acima de todos os erros ou problemas e dificuldades, eu fui muito, MUITO FELIZ.

E meus planos para 2014 envolvem continuar vivendo o que tenho vontade porque isso sim tem me feito sentir plena e leve. É claro que não é fácil. Nada nessa vida é. Mas a gente escolhe pelo que lutar. Eu escolhi lutar pelo que vale a pena – o que me garante, ao final do dia, um sorriso e uma boa história pra contar. 🙂

pulsa

eu sei, tudo aconteceu e acontece na hora certa, do jeito certo. eu sei, hesitei no começo e vira e mexe acabo tendo acessos de loucura (ou lucidez?) e jogando tudo pro alto. não é que eu não ame, não é que eu não queira, não é que. é tudo sempre muito intenso, muito breve, muito fora de controle que eu só sei ser assim. só me jogo, coração e cérebro brigando quando deviam trabalhar juntos. e se for pra virar guerra, detono o segundo na hora. meu coração sempre vence por w.o., querido. não é que eu não pense de verdade, só não quero mesmo pensar. e ele fica lá, sozinho em campo, com todas as decisões a tomar.

sempre deixo o coração mandar – e ele erra. sei que erra. enquanto pulsar, vai errar.

mas adoro aprender assim: sangrando.

vibe_heart