acumuladora

todos os dias acordo esperando que você tenha saído de mim. sumido. espero acordar ilesa, mas isso não existe. cada ruína é uma nova tatuagem. é adrenalina. prazer. orgulho… e então cicatriz. a dor passa, a coceira some, a ferida fecha. mas a marca tá sempre ali: estampada pra você, eu e todo mundo que a gente conhece – pra não deixar ninguém esquecer. a gente acostuma a viver com ela como se sempre tivesse existido. mas as vezes se olha no espelho, lembra de antes de tê-la feito e simplesmente não se reconhece.

sou acumuladora de cicatrizes. cada uma delas me torna diferente de todos. cada uma delas me torna igual a todos. cada cicatriz me aproxima de um passado que um dia talvez queira esquecer.

e eu não me arrependo de nenhuma delas, ainda assim.

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