Calmaria

de tanto se querer em descompasso a gente se perdeu um do outro – você provavelmente comemorou logo de cara, eu sofri um bocado antes de descobrir que só precisava disso: abrir mão do querer tolo, abrir mão da fragilidade e abraçar essa incerteza muito mais leve.

a gente se quis em descompasso e a tormenta me consumia numa espécie de castigo por aceitar tudo de uma forma tão simples: a vida tentava me dizer que era tudo masoquismo, que era tudo loucura, que a negação, a cautela, os astros e todo o meu desejo de consumir sua alma não faziam sentido algum. a vida tentava mostrar desde o começo, mas demorei a abrir os olhos porque simplesmente achava que não saberia lidar com a verdade, com a distância, com o silêncio.

mas aprendi. sim, eu aprendi a lidar com o silêncio quando descobri que assim – e só assim – ele me deixaria em paz. e agora não me importa o que você quer, porque eu simplesmente não quero mais.

ironia: a gente se quis em descompasso, não funcionou. e hoje, com expectativas alinhadas, finalmente posso dizer que estou feliz. a gente simplesmente não se quer: e basta a consciência disso para que a vida volte a se inundar da calmaria de uma praia sem ondas, sem ressaca. apenas o barulho do mar contra a areia e o sol nascendo e se pondo lá atrás enquanto observo a tudo sem deixar de sorrir.

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