três. meia. quatro.

eu podia dizer que começou com uma cerveja, mesmo que metafórica, ou com aquele agosto que eu achava estar indo bem demais para ser real. podia acreditar que foi ali que as coisas mudaram e ignorar que eu já olhava tudo de longe e desejava pra mim essa proximidade que parecia fadada a nunca existir. no fundo, só eu sei da verdade. os outros conhecem recortes que eu fiz pra tentar explicar essa súbita confusão em que mergulhei um pouco por falta de noção, um pouco por masoquismo. a realidade é que pensei que fosse vir e passar rápido, como todas as outras coisas na minha vida. mas aqui estamos: trezentos e sessenta e quatro dias depois daquela sexta-feira encerrada com uma cerveja, cada um no seu canto como deve ser, mas uma história com dezenas de tramas internas entre nós. um oceano, um abismo, qualquer coisa seria menos profunda que essa confusão que criei. e, para ser bem sincera, se há algo a ser comemorado nesse que é o dia três meia quatro de toda uma vida, não é como começou ou como o mundo conhece essa história: se há algo a ser comemorado aqui, é que finalmente entendi que passou da hora de dizer adeus a tudo isso que na verdade só existiu na minha cabeça. não quer dizer que eu queira ou saiba como, só que descobri o que você sempre soube e nunca quis me contar: não tem descompasso ou qualquer outra coisa. isso de amizade nunca existiu de verdade. você precisou, eu estava lá e de certa forma precisei também. fomos úteis um ao outro. agora passou.

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