Ninguém disse que seria fácil.

“Eu só queria acordar sem sentir essa dor bem aqui”, disse pra ela, apertando a mão contra o peito. A cena parece dramatizada, mas é só a verdade. Aconteceu desse jeitinho, no meio do restaurante. E a melhor parte foi que ela entendeu. Dificilmente as pessoas me escutam assim, é por isso que gostei tanto de ter me aproximado dela. A gente sente as coisas de forma parecida. Ou acha que sente. A questão é que conseguimos conversar sem nos sentir idiotas. Com ela eu falo sem que me olhem como se eu estivesse criando sofrimento para escrever um romance depois. Não, não é isso, cara. Eu não sinto pra escrever, só escrevo sobre o que sinto. E ela também.

Não estava mentindo quando disse que esse é meu único desejo. Esse nó na garganta que vira aperto no peito todos os dias já deu. Não faço ideia de como me livrar dele, mas é só isso que eu quero agora. Acordar em paz. Passar o dia sem chorar a qualquer coisinha ouvida ou lida por aí.

Eu só quero esvaziar.
Ninguém disse que seria tão difícil.

Ela me mostrou, sem querer, que é possível fingir que sei lidar com isso. Talvez um dia doa menos. Talvez vá embora. Mas, se não está ao meu alcance apagar, posso ir podando o que me faz mal na vida, como já fiz tantas outras vezes.

Então, se você faz questão de estar comigo, fique. Porque eu cansei de demonstrar sem recíproca.

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