status

Eu fico transitando entre paixões impossíveis.

É sempre aquele cara que nunca olhou pra mim. E ele sempre acaba olhando de repente (acho que me esforço demais) e se aproximando, me vendo de perto, conhecendo o quão boba eu costumo ser. Às vezes eles se tornam meus amigos, às vezes apenas conhecidos. Uma regra é clara: eles nunca se interessam.

Eventualmente nos envolvemos – eu sou insistente, os homens não costumam ser tão difíceis. E aí tudo deixa de valer a pena, porque as coisas não vão para a frente e eu carrego o peso de saber que podia ter sido muito melhor se eu não me apaixonasse. Se eu não compartilhasse o que eu sinto. Esmigalhar as expectativas é mais cruel até mesmo do que cultivá-las. Você fica tentando encontrar razões para o desinteresse. Mas elas não existem: é apenas desinteresse.

Se eu tivesse um pouquinho mais de medo de me entregar tudo seria muito mais simples. Porque eu ia pensar bem. E não ia acordar chorando no meio da madrugada por conta de sonhos que tive depois de descobrir os verdadeiros interesses deles. Não ia passar dias trancada dentro de casa me sentindo mal comigo mesma porque não correspondo às expectativas de ninguém. Eu devia ser um pouco menos autodestrutiva. Pensar menos nos outros e mais em mim. Mas nada tira da minha cabeça que isso de pensar só nos outros é a pior forma de egoísmo possível. E eu sempre fui a pessoa mais egoísta do mundo.

Não engano a ninguém com isso de “eu só quero que eles sejam felizes”. É verdade, do fundo do coração. Mas não é só porque me importo com eles, pelo contrário. É porque vê-los felizes me faz bem. E só por isso.

No mais, eu só queria, UMA VEZ NESSA VIDA, não me boicotar tanto. Ser o lado que ama menos. Ter alguém que olhe para mim e que me escolha e me faça sentir bem. Eu sei que começa comigo me amando, é claro. Mas é tanto clichê. Tanta espera.

Não me incomodaria de ser feliz sozinha, claro. Eu gosto da solidão. Mas eu quero a solidão sem o sofrimento de olhar para alguém e pensar “como eu queria que ele me quisesse”. Já tem problemas demais na minha vida. Esse meu jeito de gostar deixa a vida pesada demais.

Então eu não quero mais transitar entre paixão nenhuma. Eu quero esquecer.

E voltar a viver a vida de forma leve, sem querer nada de ninguém. Deixando tudo me surpreender.

Sem me entregar.

Será que é muito difícil? Não faço ideia de como consegui da última vez. Só lembro que sangrei muito antes de chegar lá.

É duro quando o maior vilão da sua vida é você mesmo.

Um comentário em “status”

  1. Venho acompanhando seu blog há poucos dias e me surpreendo de uma maneira feliz com a forma que escreve. Em tempos assim, é difícil encontrar um blog com tanta sutileza e sinceridade. Obrigada pelos textos incríveis. Beijo.

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