Gossip Girl

Nada como ficar doente na TPM e fazer maratona de um seriado enquanto o que você mais deseja é sumir do mapa, qualquer coisa que anule o sentimento de que ninguém se importa. Basicamente, você quer deixar de existir, não pode, está com febre e enxaqueca e gasta o tempo vendo TV porque a internet só faz mal.

Aí a TV te mostra que você é uma imbecil completa e que seu caso não tem mesmo solução.

Que fim de semana maravilhoso. PARA MORRER.

“Dor da rejeição ativa as mesmas áreas que a dor física”

De repente os sintomas que venho sentindo e confessei nos últimos Posts não parecem mais pura loucura. Alguém já estudou isso por aí. 😉

O mesmo acontece em relação ao sofrimento amoroso, demonstrou trabalho mais recente, não citado no livro. Em pesquisa feita nos EUA, 40 pessoas que tinham recentemente levado um chute do parceiro foram submetidas a duas experiências: em uma, viram fotos de seus “ex”; na outra, receberam estímulos térmicos semelhantes ao de café quente derramado na mão. Nos dois casos, o cérebro deu respostas similares (veja ao lado).

As reações das pessoas, porém, são diferentes. Há os que simplesmente superam, vão em frente, mas também há os que caem na autocomiseração e na depressão. Sem falar nos casos em que a rejeição se transforma em raiva.

“É uma reação que pode vir da própria depressão. Você está indo para o fosso, então violentamente tenta sair do fosso”, afirma a terapeuta de casais Tai Castilho.

the worst method is trying to let go

tem sempre tanta coisa acontecendo. tantos prejuízos financeiros e emocionais. mas tento não levar para o coração: roubaram, compra um novo. quebrou, conserta. gastou, trabalha e guarda de novo. brigou, pede perdão. não quer mais sofrer, esquece. minha mãe sempre me ensinou assim.

na prática, essas coisas não são simples na maior parte do tempo. doi gastar dinheiro com o supostamente desnecessário, doi quando levam nosso dinheiro – é e não é pelo material. na verdade, doi porque eu penso no tempo que gastei para juntar tanto, no quanto eu trabalhei, adoeci e engoli desaforos. doi porque eu sei que vou precisar me encontrar e me reinventar pra ganhar ainda mais – mas pera aí, isso é bom. então com essa parte, a parte material, no fim, eu sei lidar.

sobre perdão e esquecimento, as coisas ficam mais complicadas. não é simplesmente tirar uma quantia do bolso ou parcelar no cartão de crédito. não adianta só trabalhar mais. você precisa lidar consigo mesmo. e precisa lidar com o outro. com os outros. não. é. fácil.

quer dizer, não sei para o resto do mundo, mas para mim não é. minha cabeça processa tudo muito profundamente. eu penso demais, nossa senhora. e tudo vira o fim do mundo. não porque eu invento, mas porque doi mesmo. fisicamente. e a sensação é de que não tenho como resolver sozinha. parece conversa de louco (e provavelmente é), mas fica complicado sofrer diariamente a perda de algo que você nunca teve. e eu sofro.

tem tantas coisas que quero deixar para trás. que tenho me esforçado para ignorar, não permitir que me machuquem. mas a qualquer momento do dia, sem que eu espere, estou de novo sentindo aquela pontada no peito que insiste em apertar e apertar e é como se o ar me faltasse e eu fosse chorar, mas não sai lágrima alguma, só me inunda um desejo imenso de que tudo acabe. a vida toda. fim. simples, que eu apague. uma palavra, uma foto, uma música. qualquer coisa, às vezes imprevisível e às vezes (confesso) procurada, me destroi por horas e por horas.

por que eu faço isso? por que a gente se tortura tanto? no final é isso: não sobre o que nos fazem, mas sobre o que fazemos com o que resta de nós mesmos.

porque eu já cansei de saber que a vida é assim. que serei arrebatada ainda milhares de vezes antes de de fato encontrar alguém que corresponda o que sinto. que talvez nunca encontre esse alguém que gosta de mim e posso muito bem viver assim. nesse meio tempo, é preciso entender que as pessoas vão passar e vão agir como se gostassem de mim. mas não necessariamente gostarão. e vou ter que lidar com isto. vou ter que lidar com gente indo embora da minha vida sem sequer saber que fez morada nela. sem sequer saber o porquê de eu sentir tanto assim.

as pessoas não sabem o que fazem conosco. o que causam na gente. mas a gente sabe o que faz pra si mesmo. a gente olha pra dentro todos os dias. olha pro espelho todos os dias. e não devia se boicotar tanto. eu não devia me boicotar tanto.

é só quando você aceita. e se trata.

eu não devia estar aqui chorando que gostaria de deixar ir. não mesmo.
não devia estar morrendo de vontade de enviar uma dúzia de perguntas que ele não tem obrigação de me responder. não mesmo. porque simplesmente não terei resposta. e vai doer mais.

ou terei exatamente a resposta que imagino – vai doer mais do mesmo jeito.

tem situações em que a única opção é esquecer. e ficar tentando descobrir o que houve e o que há é o pior método de esquecimento. não ajuda por razões óbvias: enquanto você tiver o que remoer, o que culpar, o que tentar consertar, você não vai largar a memória do que achou que pudesse ser. você se torna uma pessoa cega e, agarrada a memórias inventadas, nunca vai estar pronta para aceitar que aquilo não te faz bem, que tem que ir embora. é ingênuo.
é tão burro tentar.

do or do not, ariane.

eu vivo aconselhando por aí. sei que é o que precisa ser feito. só não sei se tenho coragem de perder tanto de uma vez. tanto tem sido levado de mim nos últimos tempos. assim, sem anestesia. sem pausa pra recuperação.

mas é isso: cansei desse meu coração sem graça e é hora de recomeçar. manter minhas questões só comigo. aquela hora em que a gente cerra os punhos por alguns segundos, aceita que é sempre mais escuro antes do amanhecer e vai em frente. I’m damned if I do and I’m damned if I don’t, sabe?

vai doer pra caralho daqui pra frente. cada vez mais. mas é assim que tem que ser até cicatrizar. e tudo cicatriza, eu sei disso muito bem. chega de tentar. tentar é cutucar a ferida, ficar colocando vírgulas.

o que eu preciso agora é de um ponto final.

so shake it out.

no final a gente sempre está sozinho

é tua família em conflito, todo teu dinheiro indo pelo ralo, teus planos frustrados por falta de grana, tuas idéias completamente perdidas, tua paixão atrás de uma biscate qualquer, teu amor próprio no lixo, teus livros nunca terminados, teu espaço no mundo cada vez menor, teus amigos se lixando, tuas inseguranças tomando conta.

é tudo isso e muito mais, e tu não tem com quem falar. não quer falar com ninguém.

tudo, tudo seria muito mais simples se teu desejo de morrer fosse realizável. mas nem pra isso tu serve.

tem mais é que se foder mesmo, Ariane. não faz porra nenhuma direito. não consegue o amor de ninguém. nem o teu. não consegue manter as coisas sob controle e nem ter um pouquinho de sorte.

tem mais é que se foder.

três. meia. quatro.

eu podia dizer que começou com uma cerveja, mesmo que metafórica, ou com aquele agosto que eu achava estar indo bem demais para ser real. podia acreditar que foi ali que as coisas mudaram e ignorar que eu já olhava tudo de longe e desejava pra mim essa proximidade que parecia fadada a nunca existir. no fundo, só eu sei da verdade. os outros conhecem recortes que eu fiz pra tentar explicar essa súbita confusão em que mergulhei um pouco por falta de noção, um pouco por masoquismo. a realidade é que pensei que fosse vir e passar rápido, como todas as outras coisas na minha vida. mas aqui estamos: trezentos e sessenta e quatro dias depois daquela sexta-feira encerrada com uma cerveja, cada um no seu canto como deve ser, mas uma história com dezenas de tramas internas entre nós. um oceano, um abismo, qualquer coisa seria menos profunda que essa confusão que criei. e, para ser bem sincera, se há algo a ser comemorado nesse que é o dia três meia quatro de toda uma vida, não é como começou ou como o mundo conhece essa história: se há algo a ser comemorado aqui, é que finalmente entendi que passou da hora de dizer adeus a tudo isso que na verdade só existiu na minha cabeça. não quer dizer que eu queira ou saiba como, só que descobri o que você sempre soube e nunca quis me contar: não tem descompasso ou qualquer outra coisa. isso de amizade nunca existiu de verdade. você precisou, eu estava lá e de certa forma precisei também. fomos úteis um ao outro. agora passou.

Ninguém disse que seria fácil.

“Eu só queria acordar sem sentir essa dor bem aqui”, disse pra ela, apertando a mão contra o peito. A cena parece dramatizada, mas é só a verdade. Aconteceu desse jeitinho, no meio do restaurante. E a melhor parte foi que ela entendeu. Dificilmente as pessoas me escutam assim, é por isso que gostei tanto de ter me aproximado dela. A gente sente as coisas de forma parecida. Ou acha que sente. A questão é que conseguimos conversar sem nos sentir idiotas. Com ela eu falo sem que me olhem como se eu estivesse criando sofrimento para escrever um romance depois. Não, não é isso, cara. Eu não sinto pra escrever, só escrevo sobre o que sinto. E ela também.

Não estava mentindo quando disse que esse é meu único desejo. Esse nó na garganta que vira aperto no peito todos os dias já deu. Não faço ideia de como me livrar dele, mas é só isso que eu quero agora. Acordar em paz. Passar o dia sem chorar a qualquer coisinha ouvida ou lida por aí.

Eu só quero esvaziar.
Ninguém disse que seria tão difícil.

Ela me mostrou, sem querer, que é possível fingir que sei lidar com isso. Talvez um dia doa menos. Talvez vá embora. Mas, se não está ao meu alcance apagar, posso ir podando o que me faz mal na vida, como já fiz tantas outras vezes.

Então, se você faz questão de estar comigo, fique. Porque eu cansei de demonstrar sem recíproca.

Eu já notei

Sempre começa com uma desilusão. Não precisa ser amorosa, a vida taí pra garantir que a gente se decepcione com tanta coisa de uma vez só… O fato é que vem a decepção. A dor profunda e sem remédio. E eu vou me isolando. Me isolando. Me isolando.

E se ninguém vem falar comigo eu me isolo ainda mais. E vai doendo, doendo, doendo. E eu me isolo.

E no final eu sou um bolinho de solidão, amargura e tristeza encolhido num canto do quarto escuro.

Chorando copiosamente, igualzinho agora.

Dia dos pais

Há uns cinco anos (!), assim que tirei a carteira de habilitação, tentei dar uma volta de carro com minha mãe e ela não aguentou nem um quarteirão sem dizer “PARE O CARRO QUE EU NÃO QUERO MORRER” e tomando a direção de volta. Sendo assim, a missão de me acompanhar nas primeiras voltas ficou para o meu pai.

Quando eu e ele saímos, foi mais tranquilo. Demos voltas e voltas e voltas, andei a avenida inteira, e, quando já estávamos chegando em casa depois de quase uma hora de idas e vindas pelo bairro, já no posto de gasolina que tem na rua de trás, eu vi um poste e, em vez de freiar, acelerei. ACELEREI.

Ele mexeu no volante, esbravejou um pouco e no meio tempo eu fiz o que era preciso. Consegui parar a tempo, é claro (provavelmente não estaria postando aqui se não tivesse conseguido). E disse só “Nossa, não vi o poste ali”.

Ele não disse nada. Quando minha mãe perguntou, cinco minutos depois, mesmo tendo quase morrido de susto comigo, ele contou que havia sido tudo tranquilo.

Tava rindo aqui e pensando nisso agora. Nesse amor e proteção incondicionais que ele sempre me ofereceu. Em como mesmo nas vezes em que eu acelero desesperada em direção ao poste ele vem, me dá a mão e diz tranquilo pra eu me acalmar que vai ficar tudo bem.

a vida

seria muito mais simples se meus únicos problemas fossem os dramas amorosos que compartilho nesse blog.

status

Eu fico transitando entre paixões impossíveis.

É sempre aquele cara que nunca olhou pra mim. E ele sempre acaba olhando de repente (acho que me esforço demais) e se aproximando, me vendo de perto, conhecendo o quão boba eu costumo ser. Às vezes eles se tornam meus amigos, às vezes apenas conhecidos. Uma regra é clara: eles nunca se interessam.

Eventualmente nos envolvemos – eu sou insistente, os homens não costumam ser tão difíceis. E aí tudo deixa de valer a pena, porque as coisas não vão para a frente e eu carrego o peso de saber que podia ter sido muito melhor se eu não me apaixonasse. Se eu não compartilhasse o que eu sinto. Esmigalhar as expectativas é mais cruel até mesmo do que cultivá-las. Você fica tentando encontrar razões para o desinteresse. Mas elas não existem: é apenas desinteresse.

Se eu tivesse um pouquinho mais de medo de me entregar tudo seria muito mais simples. Porque eu ia pensar bem. E não ia acordar chorando no meio da madrugada por conta de sonhos que tive depois de descobrir os verdadeiros interesses deles. Não ia passar dias trancada dentro de casa me sentindo mal comigo mesma porque não correspondo às expectativas de ninguém. Eu devia ser um pouco menos autodestrutiva. Pensar menos nos outros e mais em mim. Mas nada tira da minha cabeça que isso de pensar só nos outros é a pior forma de egoísmo possível. E eu sempre fui a pessoa mais egoísta do mundo.

Não engano a ninguém com isso de “eu só quero que eles sejam felizes”. É verdade, do fundo do coração. Mas não é só porque me importo com eles, pelo contrário. É porque vê-los felizes me faz bem. E só por isso.

No mais, eu só queria, UMA VEZ NESSA VIDA, não me boicotar tanto. Ser o lado que ama menos. Ter alguém que olhe para mim e que me escolha e me faça sentir bem. Eu sei que começa comigo me amando, é claro. Mas é tanto clichê. Tanta espera.

Não me incomodaria de ser feliz sozinha, claro. Eu gosto da solidão. Mas eu quero a solidão sem o sofrimento de olhar para alguém e pensar “como eu queria que ele me quisesse”. Já tem problemas demais na minha vida. Esse meu jeito de gostar deixa a vida pesada demais.

Então eu não quero mais transitar entre paixão nenhuma. Eu quero esquecer.

E voltar a viver a vida de forma leve, sem querer nada de ninguém. Deixando tudo me surpreender.

Sem me entregar.

Será que é muito difícil? Não faço ideia de como consegui da última vez. Só lembro que sangrei muito antes de chegar lá.

É duro quando o maior vilão da sua vida é você mesmo.