Tudo bem, e você?

Eu não sei flertar. Não fui programada pra isso, não possuo equilíbrio psicológico nenhum pra joguinho e sedução e duplo sentido.

Nunca sei como agir com as pessoas. Desconheço grande parte dos protocolos sociais. É difícil viver e não passar vergonha. É difícil existir e não interferir no outro.

Gosto quando as coisas vão direto ao ponto. Mas confesso que também não sou tão boa em ser direta. E tenho o defeito humano de não me interessar pelo que vem fácil demais, portanto sei que não adianta me servir numa bandeja. Quando não esbarro na questão primária que é SER DIRETO DEMAIS ASSUSTA, o profundo dilema da (auto)confiança bate forte. Em geral é um saco, mas no fim… Ainda bem.

Ainda bem, porque senão eu acabaria magoada todos os dias.

A rotina é simples:

A janelinha abre: “Oi, tudo bem?”

O fôlego some por alguns segundos e então escrevo toda a verdade. Digito sem parar. Leio. Releio. Acrescento um detalhe ou outro. Leio mais umas três vezes.

E apago.

“Tudo bem, e você?”, respondo afinal.

“Tudo bem, e você?” significa “eu te amo, será que você não percebe?”, “Por que você não me ligou ontem?”, “E se a gente saísse por aí sem hora nem lugar pra voltar?”, “Você está curtindo aquela garota?”, “Estou morrendo de saudade, volta”, “Não consigo mais aceitar que a gente não dá certo”, “Faria qualquer coisa pra sairmos ao menos uma vez”, “Paquero você desde o colegial”, “Estou péssima, queria seu abraço”, cabem infinitas possibilidades.

E, é claro, também pode significar só “Tudo bem, e você?”.

Às vezes eu sou tão contraditória que não me aguento.

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