Terça-feira

Começou com a maldita leitura do Personare. Jamais contaria pra vocês o que o meu trânsito astrológico me disse, mas, pra resumir de forma bem simples: eu debochei do horóscopo pela manhã e ao fim do dia… Ele estava certo.

O horóscopo estava certo. Qual a chance, sabe? De forma que, depois de um jantar estranho, eu voltava pra casa de mala vazia.

Por “mala vazia”, entenda “com todas as expectativas largadas num canto desconhecido”. Nesse caso você fica um pouco mais atordoado que o normal, tipo olhando através da janela do transporte público e cantando Everybody Hurts baixinho até o cara sentado ao lado te olhar torto. Esse era o mood.

Aí eu fui avisar ao meu pai que estava chegando, após esse dia horroroso.

– Alô, Tatá? Tô chegando.
– O pai tá no banho, vai demorar um pouco pra te pegar.
– Ih, nem precisa ter pressa. Avisa só quando ele sair do banho, deixa relaxar. 🙂

Desligo. ZEN. Ariane da Depressão tinha decidido que ia ficar zen.

Bem na hora em que desliguei, o metrô parou na estação e as portas se abriram. Então, uma senhora muito educada e que claramente sabe lidar com a lotação do transporte público me empurrou com tudo.

– Calma, moça.

Mas ela não ficou calma. Ela me empurrou com tudo de novo. Agora pelo braço. O braço cuja mão segurava o meu iPhone. Que estava sem capinha, por isso escorregou, quicou no chão e se perdeu no vão entre o trem e a plataforma.

Você pode reler o parágrafo anterior me imaginando assim:


(pros leigo, Darth Vader’s NOOOOOOOOOO).

Eu imediatamente fiquei cega de desespero e só me lembro de ouvir várias vozes me dizendo “procura o segurança”, que obviamente era o que eu estava fazendo, embora em estado de choque. Cheguei na SSO.

– Moça. Meu celular. Caiu no vão.
– Mais um? Poxa vida, já tiramos uns seis celulares hoje.

Seria injusto se eu dissesse que lembro direito do que aconteceu porque na verdade nessa hora, como diria o Faustão, um filme passava pela minha cabeça. Só o que eu conseguia imaginar eram vários iPhones estraçalhados e rachados e enfim, eu estava decidida a comprar um Nokia 2280 e lidar com uma vida com menos internet e mais jogo da cobrinha. Nem fodendo que eu ia ter coragem de comprar mais um smartphone.

A parte mais desesperadora quando imaginei o Nokia 2280 foi que eu RETOMEI OS SENTIDOS.

Eu PRECISAVA TUITAR. Precisava compartilhar com o mundo que estava tendo um treco.
Olha a merda: cê tá sem chão e quer tuitar. Ariane da Depressão strikes again.

Mas eu não podia tuitar porque o motivo de eu estar tendo um ataque era exatamente ter perdido meu celular e não poder mais usar a internet.

Tô muito louca, cara. Procurarei tratamento.

Mas divagamos: eu lembrei também que estava atrasando todo o funcionamento do metrô, coisa que diariamente amaldiçoo quando fazem. Então já temos aí na bagagem: medo, tristeza, culpa, ódio, tudo de mim pra mim mesma, só sentimento bom. No meio do devaneio todo, já certa do fim do meu celular amado (e sabendo que eu ia ter que comprar outro igualzinho no dia seguinte, porque sou assim, falo que não mas sempre gasto nessas merdas) o segurança me cutuca e me entrega o celular:

– De nada.

E eu pego, sem acreditar, o meu iPhone branquinho e sem capinha, SEM NEM UM ARRANHÃOZINHO.

SEM.

NEM.

UM.

ARRANHÃO.

Até procurei as câmeras no metrô, porque MEU AMIGO, só pode ser o Show de Truman. SÉRIO. TÃO FAZENDO DA MINHA VIDA UM SERIADO. TÔ VIVENDO ALTAS PEGADINHAS.

Mexi no celular. Tava normal. Inclusive, a câmera dele, que não fotografava mais, voltou a funcionar.

VOLTOU.

A.

FUNCIONAR.

Recapitulando: dia de trabalho cagado -> conversa awkward -> celular no vão do trem -> TÁ TUDO BEM AGORA, MALTININHA.

ROLEM LOGO OS CRÉDITOS ANTES QUE MAIS ALGUMA CENA SURREAL ACONTEÇA NA MINHA VIDA.

Obrigada pela atenção.

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