Não tem graça nenhuma

Estou desde ontem com MUITA dor. E não é só um tipo de dor, são vários. Cólica, gastrite e dor no corpo, tudo atacado junto. Eu andava muito estressada, muito. a ponto, por exemplo, de ficar três meses sem ciclo. Aí, quando eu finalmente dei um basta no que estava me matando, me acontece isto. É meio que uma revanche do meu organismo, parece.

Ainda assim, enquanto sinto cada parte do meu corpo reclamando, minha consciência é o que mais incomoda. Eu fico pensando nas coisas que eu faço e falo em publico e tenho tanta vergonha de existir que entendo por que diabos não gosto de sair e nem de ter amigos. Eu sou uma imbecil, mesmo. Tinha que viver escondida.

Como não?

Eu sou esquisita pra cacete. Sofro por ouvir, sofro por guardar, sofro por falar. Tudo vira sofrimento. Tudo. Por que eu faço isso? Não sei. Só sei que estou aqui de novo tentando não me culpar por ser tão imbecil. Mas a culpa, é obvio, é minha sim.

Tudo bem, e você?

Eu não sei flertar. Não fui programada pra isso, não possuo equilíbrio psicológico nenhum pra joguinho e sedução e duplo sentido.

Nunca sei como agir com as pessoas. Desconheço grande parte dos protocolos sociais. É difícil viver e não passar vergonha. É difícil existir e não interferir no outro.

Gosto quando as coisas vão direto ao ponto. Mas confesso que também não sou tão boa em ser direta. E tenho o defeito humano de não me interessar pelo que vem fácil demais, portanto sei que não adianta me servir numa bandeja. Quando não esbarro na questão primária que é SER DIRETO DEMAIS ASSUSTA, o profundo dilema da (auto)confiança bate forte. Em geral é um saco, mas no fim… Ainda bem.

Ainda bem, porque senão eu acabaria magoada todos os dias.

A rotina é simples:

A janelinha abre: “Oi, tudo bem?”

O fôlego some por alguns segundos e então escrevo toda a verdade. Digito sem parar. Leio. Releio. Acrescento um detalhe ou outro. Leio mais umas três vezes.

E apago.

“Tudo bem, e você?”, respondo afinal.

“Tudo bem, e você?” significa “eu te amo, será que você não percebe?”, “Por que você não me ligou ontem?”, “E se a gente saísse por aí sem hora nem lugar pra voltar?”, “Você está curtindo aquela garota?”, “Estou morrendo de saudade, volta”, “Não consigo mais aceitar que a gente não dá certo”, “Faria qualquer coisa pra sairmos ao menos uma vez”, “Paquero você desde o colegial”, “Estou péssima, queria seu abraço”, cabem infinitas possibilidades.

E, é claro, também pode significar só “Tudo bem, e você?”.

Às vezes eu sou tão contraditória que não me aguento.

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Juro que não tô entendendo mais nada

Eu já nem sei se é a minha sorte que anda se disfarçando de azar ou o meu azar se disfarçando de sorte, mas o caso é que hoje, a caminho do trabalho, o ônibus bateu. Bateu, parou, mandou todo mundo descer (e era MUITA gente).

A uma quadra do meu destino, isto é: tá tudo bem agora.

está claro

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eu obviamente gosto de viver esse sofrimento todo. só sou feliz dessa forma masoquista.

andei tendo aqueles sonhos de novo. aqueles que eu sei que vão virar realidade num futuro próximo e que me fazem sofrer duas vezes: por antecipação e na hora em que de fato acontecem.

Oops. Something went wrong.

Tem uma coisa me consumindo. E não tenho como dizer que não está ao meu alcance resolver. Poderia usar como justificativa, por exemplo, aquilo que mamãe diz desde que eu era pequena – “Deus não dá provações que não possamos suportar”. Mas fica muito subjetivo. A questão aqui é mais aquela de que a gente só faz o que quer, mesmo. E só nos afeta aquilo que permitimos afetar.

Sempre falo disso por aqui, mas essa semana estou tão mal, tão fora de prumo que provavelmente não conseguirei me expressar agora. A questão é que é isso. Eu preciso parar de me fazer mal. De meter os pés pelas mãos. De me forçar a continuar por puro orgulho, quando meu corpo diz pare, minha cabeça diz pare, quem me ama diz pare. Eu preciso parar.

Mas sempre que penso nisso, parece um monte de baboseiras. Eu já tomei essa atitude uma vez, e foi bom. Mas eu sofri. E eu voltei atrás depois. Na verdade, não sei de mais nada.

Nada de nada.

Mood do dia

“confesso, acordei achando tudo indiferente… verdade, acabei sentindo cada dia igual. quem sabe isso passa, sendo eu tão inconstante? quem sabe o amor tenha chegado ao final? não vou dizer que tudo é banalidade, ainda há surpresas, mas eu sempre quero mais… é mesmo exagero ou vaidade?”

“não vou viver como alguém que só espera um novo amor: há outras coisas no caminho aonde eu vou”

“mas tenho ainda muita coisa pra arrumar, promessas que me fiz e que ainda não cumpri… palavras me aguardam o tempo exato pra falar, coisas minhas, talvez você nem queira ouvir.”

Depois do acerto do Personare na terça, nem hesitei ao abrir o trânsito de hoje. Aí PAF:

“Esta pode ser uma fase em que você se percebe mais consciente das coisas em sua vida que mais lhe incomodam. Os problemas, limitações e deficiência pessoais tendem a ficar muito mais claras. Obviamente, o que você fará com este conhecimento dependerá da sua maturidade. (…) cuidado com o exagero deste processo auto-analítico: se você não tomar cuidado, Ariane, se perceberá tão somente vítima de pensamentos obsessivos e negativos demais neste período.”

Lamentável

Talvez seja o modo como me olha, não sei. Faz parecer que tudo é uma encenação desconfortável pra não me ver infeliz. Sempre tentando encontrar uma maneira de dizer que está tudo bem, que nada vai mudar. Mas sabemos: não precisamos disso. Quando as coisas estão bem, ninguém precisa dizer. E quando estão ruins, dizer que estão bem não vai adiantar.

Terça-feira

Começou com a maldita leitura do Personare. Jamais contaria pra vocês o que o meu trânsito astrológico me disse, mas, pra resumir de forma bem simples: eu debochei do horóscopo pela manhã e ao fim do dia… Ele estava certo.

O horóscopo estava certo. Qual a chance, sabe? De forma que, depois de um jantar estranho, eu voltava pra casa de mala vazia.

Por “mala vazia”, entenda “com todas as expectativas largadas num canto desconhecido”. Nesse caso você fica um pouco mais atordoado que o normal, tipo olhando através da janela do transporte público e cantando Everybody Hurts baixinho até o cara sentado ao lado te olhar torto. Esse era o mood.

Aí eu fui avisar ao meu pai que estava chegando, após esse dia horroroso.

– Alô, Tatá? Tô chegando.
– O pai tá no banho, vai demorar um pouco pra te pegar.
– Ih, nem precisa ter pressa. Avisa só quando ele sair do banho, deixa relaxar. 🙂

Desligo. ZEN. Ariane da Depressão tinha decidido que ia ficar zen.

Bem na hora em que desliguei, o metrô parou na estação e as portas se abriram. Então, uma senhora muito educada e que claramente sabe lidar com a lotação do transporte público me empurrou com tudo.

– Calma, moça.

Mas ela não ficou calma. Ela me empurrou com tudo de novo. Agora pelo braço. O braço cuja mão segurava o meu iPhone. Que estava sem capinha, por isso escorregou, quicou no chão e se perdeu no vão entre o trem e a plataforma.

Você pode reler o parágrafo anterior me imaginando assim:


(pros leigo, Darth Vader’s NOOOOOOOOOO).

Eu imediatamente fiquei cega de desespero e só me lembro de ouvir várias vozes me dizendo “procura o segurança”, que obviamente era o que eu estava fazendo, embora em estado de choque. Cheguei na SSO.

– Moça. Meu celular. Caiu no vão.
– Mais um? Poxa vida, já tiramos uns seis celulares hoje.

Seria injusto se eu dissesse que lembro direito do que aconteceu porque na verdade nessa hora, como diria o Faustão, um filme passava pela minha cabeça. Só o que eu conseguia imaginar eram vários iPhones estraçalhados e rachados e enfim, eu estava decidida a comprar um Nokia 2280 e lidar com uma vida com menos internet e mais jogo da cobrinha. Nem fodendo que eu ia ter coragem de comprar mais um smartphone.

A parte mais desesperadora quando imaginei o Nokia 2280 foi que eu RETOMEI OS SENTIDOS.

Eu PRECISAVA TUITAR. Precisava compartilhar com o mundo que estava tendo um treco.
Olha a merda: cê tá sem chão e quer tuitar. Ariane da Depressão strikes again.

Mas eu não podia tuitar porque o motivo de eu estar tendo um ataque era exatamente ter perdido meu celular e não poder mais usar a internet.

Tô muito louca, cara. Procurarei tratamento.

Mas divagamos: eu lembrei também que estava atrasando todo o funcionamento do metrô, coisa que diariamente amaldiçoo quando fazem. Então já temos aí na bagagem: medo, tristeza, culpa, ódio, tudo de mim pra mim mesma, só sentimento bom. No meio do devaneio todo, já certa do fim do meu celular amado (e sabendo que eu ia ter que comprar outro igualzinho no dia seguinte, porque sou assim, falo que não mas sempre gasto nessas merdas) o segurança me cutuca e me entrega o celular:

– De nada.

E eu pego, sem acreditar, o meu iPhone branquinho e sem capinha, SEM NEM UM ARRANHÃOZINHO.

SEM.

NEM.

UM.

ARRANHÃO.

Até procurei as câmeras no metrô, porque MEU AMIGO, só pode ser o Show de Truman. SÉRIO. TÃO FAZENDO DA MINHA VIDA UM SERIADO. TÔ VIVENDO ALTAS PEGADINHAS.

Mexi no celular. Tava normal. Inclusive, a câmera dele, que não fotografava mais, voltou a funcionar.

VOLTOU.

A.

FUNCIONAR.

Recapitulando: dia de trabalho cagado -> conversa awkward -> celular no vão do trem -> TÁ TUDO BEM AGORA, MALTININHA.

ROLEM LOGO OS CRÉDITOS ANTES QUE MAIS ALGUMA CENA SURREAL ACONTEÇA NA MINHA VIDA.

Obrigada pela atenção.