mi locura es sagrada

Eu sou uma pessoa solitária. Nao é como se forçasse isso, é minha natureza: me sinto melhor sozinha. Ainda assim, diariamente pratico o pertencer. Porque é necessário, porque faz parte da sobrevivência. Porque ser humano é pertencer, eu me aproximo ao máximo de grupos e pessoas com os quais me identifico, tentando amenizar essa dificuldade que sinto em estar bem quando cercada de gente. E encontrei, é claro, gente que me faz bem e que gosto. Quando nada mais parece uma possibilidade divertida, sempre há uma maneira. Encho a cara de cerveja, vodca, rum, livros, jogos, o que houver ao alcance das mãos, o que mais vier – e tudo fica menos desprezível.

Não são as pessoas, sou eu: sinto que não pertenço de verdade, que estou sempre incomodando, que estou sendo inconveniente, que não encaixo, não sou bem-vinda. Que estou sendo exigente demais com elas e que não sou obrigada a isso, portanto basta me retirar quando incomodada.

Sabe quando o local é familiar, mas as pessoas não? Então, é mais ou menos assim que meu cérebro funciona. Sempre. Pense nisso. Uma hora, ou você enlouquece, ou aceita e segue em frente.

Os meu métodos são esses. Eu escolhi aceitar e seguir em frente, porque já enlouqueci faz tempo e isso não impediu que o mundo continuasse soltando a pressão sobre mim.

É uma merda tentar fugir, é claro. É uma merda não ter recordação nenhuma da noite anterior, ouvir causos e causos e não lembrar de nenhum, conseguir coisas que sempre quis e nem ter uma vaga ideia de como elas aconteceram contigo pra contar.

Mas temporariamente é bom.
Temporariamente é maravilhoso.

Eu consigo rir e fazer rirem, eu consigo ser idiota ou fazer os outros de imbecis, odiar menos a humanidade e me sentir mais próxima dela. Até o último copo a última bebida o último beijo o último táxi o último caixa vinte e quatro horas e o último tropeço na porta trancada de casa – as palavras que digo as bocas que beijo os corpos que esbarro as palavras que escrevo: tudo se consome antes da manhã seguinte.

Tudo são cinzas, tudo se vai.

Minha loucura é sagrada, minha loucura me mantém sã. É um presente maior que o isolamento.

Como não pensei nisso antes?

2 comentários em “mi locura es sagrada”

  1. Esse seu texto me tirou um peso das costas. Sabe, é tudo o que eu tenho tentado definir há meses, de uma sensação que eu senti a vida inteira. Essa terrível sensação de ser um incomodo e de estar incomodada.

    Maltine, não me canso de te achar uma pessoa ótima. (:

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